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Os 25 Melhores EPs Nacionais de 2020

Os 25 Melhores EPs Nacionais de 2020

Em tempos onde o formato de compartilhamento da música é posto em discussão nas redes sociais as bandas tem optado por lançar singles, EPs, remixes, splits e discos. Os motivos são os mais variados, desde não ter um conceito fechado para um disco, passando por fase da carreira e chegando até no ponto do planejamento estratégico.

Sendo assim é a cada dia mais difícil dizer o que é um álbum ou um EP. Temos álbuns de 6 músicas – que na teoria seriam EPs – mas que o artista utiliza a nomenclatura. E tudo bem. Para esta lista de registros que você deveria ter ouvido este ano vamos elencar aqueles carinhosamente apelidados “EPs”.

Recebemos diariamente muitos EPs ao longo do ano, cada um com sua proposta estética, história, contexto inserido e momento. Há dois anos fizemos a primeira lista (Confira a de 2018 aqui), no ano passado elegemos pela primeira vez Os 25 Melhores EPs Nacionais de 2019 (Confira a lista) e agora repetimos a dose com direito a menções honrosas.



25) The Professional Whistlers

The Professional Whistlers é o nome do projeto solo do Eddie Shumway, do Lava Divers e The Travelling Wave. Com canções já sendo compostas há algum tempo ele aproveitou o momento de isolamento para finalizar o EP, A Whole Life To Regret, que está sendo lançado nesta sexta-feira via MMC music and stuff.

São 4 canções, como por exemplo, a powerpop, e sincerona, “I’m a Fool” que ganha teclas e arranjos pegajosos que te fazem cantar junto logo no segundo refrão. “I Never Learn” vai pegar fácil fãs de bandas como SuperchunkPixies, R.E.M., e tem toda uma energia nostálgica que dissipada: ao mesmo tempo que te sufoca, te abraça.

Misturando guitarra e violão, “May 5, 2017” tem todo aquele clima de balada de tentar olhar para trás para achar respostas. Fato que por conta das referências, ela poderia ter sido composta em 1987 ou em 2020.

Quem fecha é “Paola”, e se diferencia das outras por trazer referências setentistas, como o som da teclas do piano emulando um orgão, refrão com a polidez dos Beatles – e fica a duvida se tem até mesmo um xilofone (ou se é o piano) no trecho final.

Ouça no Bandcamp

24) Juliano Gauche Bombyx Mori

O músico capixaba lançou o EP ainda no começo do ano. Bastante sensível, registro abraça a literatura temas como o existencialismo. Em sua companhia para o EP ele contou com as participações de Kaneo Ramos (violão), Klaus Sena (sintetizadores) e Marcos Vitoriano (piano).



23) Marina Melo O Mundo Acabou mas Continuou Girando

Depois de lançar um disco em 2019, em 2020 foi a vez de lançar um EP melancólico como a passagem do ano. Os aprendizados do confinamento acabaram transparecendo ao longo das 3 faixas apresentadas.



22) Cigana Tudo Que Há de Novo

A Cigana, de Limeira (SP), resolveu experimentar e gravar totalmente a distância o resultado é o EP Tudo Que Há de Novo que saiu pela Eu Te Amo Records. Isso permitiu testar novas referências que vão de Billie Eilish ao lo-fi hip hop.

“Nós produzimos esse trabalho de uma maneira totalmente diferente do que em nosso álbum ‘Todos Os Nós’ – enxergamos as músicas como beats, não nos limitamos ao formato clássico de banda para compor os arranjos das músicas e isso acrescentou muito. Prestamos mais atenção para grooves e construção de camadas”, reflete Matheus Pinheiro.

De novidade mesmo temos o single “Por Dentro do Que Há” e um remix de Cosmo Curiz para “Impaciência” já que previamente foram lançados os singles “Impaciência” e “Dá pra voltar?”. O tempo e sua passagem acabam interligando o EP mais experimental do grupo até o momento. Para o trabalho eles contaram com a a ajuda do produtor FLOWERZ.

“Acredito que esse EP representa, mais do que tudo, sensações intensificadas: sejam nossas impaciências, nossas saudades dos amigos que amamos, dos rolês que crescemos dando juntos, nossas dúvidas e angústias… São letras muito verdadeiras e que só foram possíveis de existir pelos impactos da pandemia e quarentena em cada um de nós”, completa Matheus.



21) Supervão Depois do Fim do Mundo

A Supervão foi apresentando aos poucos seu reboot 3.0 que vai desde as novas referências no campo sonoro (House, Techno, Minimal, Post-Punk), passando pelo cinema (Bacurau, Gaspar Noé, Lynch), estética a até mesmo sua forma de se apresentar ao vivo. Se Faz Party (2018, Natura Musical) era mais indie e o eletrônico aparecia mais forte em seus shows, agora eles abraçam a rave como um todo mas sem perder as origens experimentais, com referências ao rock e da cultura pop.

Em tempos onde raves estão vetadas, e somente as ilegais estão a todo vapor, os gaúchos de São Leopoldo (RS), nos preparam para um mundo pós-apocalíptico, se é que isso é possível de se dizer. Essa é a aura de Depois do Fim do Mundo.

Se você já assistiu ao filme 24 hour party people onde a Madchester fabril ganha as primeiras festas em galpões e uma cena toda começa a se inspirar em Kraftwerk e New Order você consegue enxergar como a Factory e o elo entre o eletrônico e o indie podem sim coexistir. Essa é a deixa de uma Supervão que aceita os riscos de ser anfitriã de um novo tipo de festa. Ironicamente tudo isso durante uma pandemia.

Claro que o ano de 2020 não passaria em branco na sua narrativa que é carrega essa verve de desesperança entorpecida de niilismo e potencializada pelo caos político e eclosão social.

Confira o Faixa a Faixa escrito pela Supervão com Exclusividade para o Hits Perdidos



20) Fernê Fernê

Refrescante como um gole de fernet com coca-cola, o som da Fernê é o resultado do encontro entre amigos que estudavam em colégios próximos. Na bagagem eles contam diversas referências e isso fez com que o som da banda que se iniciou como um folk project fosse ganhando guitarras dissonantes, timbres e arranjos muitas vezes experimentais.

Embora jovens, eles são bastante proativos e também participam de outros projetos. A formação conta com a vocalista Manuela Julian (Pelados), Chico Bernardes na guitarra e voz, que no ano passado lançou disco solo, Theo Ceccato (Laura Lavieri e Sophia Chablau) na bateria, Tom Caffe no baixo e Max Huszar (Dr. Carneiro) na guitarra – que acabou entrando na banda após a gravação do primeiro EP.

O debut, inclusive, foi gravado na K7 no Estúdio Canoa numa Tascam de 4 canais com o produtor e engenheiro Thales Castanheira (Goldenloki e Gumes), o que definitivamente dá todo um ar vintage das referências do grupo que passam por artistas como Grizzly Bear, Dirty Projectors, My Bloody Valentine e Sonic Youth, cada um em uma dosagem diferente.

“Ah a gente gosta de muita coisa. De Caetano Veloso a Björk. Nos inspiramos em sons gringos mais atuais como Grizzly Bear, Beach House, Fleet Foxes e os clássicos como Neil Young, Tortoise e Nick Drake. Sem esquecer de ícones como Clube da Esquina, Mutantes e vários outros.”, relata a Fernê

Confira faixa a faixa + entrevista exclusiva com a banda no Hits Perdidos

19) Theuzitz Conversando com Espíritos

Após O Peso das Coisas (leia mais) lançado em 2016, Theuzitz viveu diversas experiência do fim do coletivo Pessoa Que Voa a experiências marcantes na vida particular.

Prestes a lançar um disco solo após mostrar um single impactante “Flanar”, lançar uma versão para “Cordeiro de Nanã” d’Os Tincoãs (saiba mais) para a campanha Rock Triste Contra o Coronavírus, e o clipe para “Noite II”, ele passou pela frustração de perder os arquivos no computador e com isso decidiu recomeçar tudo do zero.

A transformação que já havia começado, e foi avançando, gerou a mixtape Conversando com Espíritos que conta com diversas participações especiais de nomes como SVI, em “Conversando com espíritos”, Valciãn Calixto, em “Dormir Machuca” e Wagner Almeida, em “Desculpa”, e ainda conta com relatos de outros artistas como é o caso de Jup do Bairro.

Faixas como Noite II”, “Dormir Machuca (part. Valciãn Calixto)” e “Chao Chao”, ganharam inclusive clipes e mostram como o que era chamado por muitos como “rock triste” ganhasse corpo e misturas o que Theuzitz carinhosamente chama de rock de terceiro mundo.

Inclusive nas misturas e samples ele coloca no liquificador nomes como: Leonard Cohen, Charlie Brown Jr., Brian Eno, Manu Chao, Racionais MC’s, Mantronix, Anitta, Velvet Underground, Black Sabbath, Milton Nascimento, Frank Ocean, Oasis, Criolo, Marvin Gaye, Duda do Marapé e MC Magrão.

Mostrando como todo universo da cultura pop o impacta e como ela faz parte da nossa construção – e desta forma mistura rap/r&b, música religiosa, noise, MPB e rock alternativo. Tudo isso sem fugir do que é o Brasil de 2020 e por isso traz como temas pautas raciais, de sexualidade e espiritualidade. Theuzitz é um artista do seu tempo e discorre sobre tudo isso com muita sabedoria e empatia.

Ele se liberta para mostrar sua própria identidade como diz: “nos reconectarmos de maneira mais profunda com o que a gente realmente é”.

Confira entrevista exclusiva no Hits Perdidos



18) Vivian Kuczynki N Entendi ND

Após lançar Ictus, e parceria com o músico Gustavo Bertoni, da Scalene, Vivian Kuczynski continua intensa, introspectiva e sentimental no curtíssimo EP N Entendi ND que sai pela Balaclava Records. Mas agora revela um lado ainda mais experimental e imerso no universo da música eletrônica.

“PELE” no dia 14/08 abriu os caminhos mostrando como a eletrônica flerta pode sim flertar com o indie, através de beats envolventes, reflexões, extensão vocálica e explosão para expressão suas emoções.

“Amor” tem 38 segundos de abstração e você fica até um pouco tonto ao ouvir sua narrativa. Na mesma vibe, a faixa título também começa com o anticlímax e atmosfera dark para falar sobre amor, seus labirintos, frustrações e consequências. Já “ABSTENHO” é uma faixa em parceria com Francisco e também é acelerada, 46 segundos, praticamente um poema narrado com direito a glitches e beats reverberantes.



17) Luiza Brina Deriva

Luiza Brina lançou um EP com pouco menos de 15 minutos mas com aquele espírito de desafogo que nos acorda ao mesmo tempo que nos traz paz e esperança por um futuro melhor. Feito a distância, durante o período de isolamento, mas permitindo encontros com outros músicos, e dessa forma conectando almas e esquentando corações.

Entre as parcerias estão nomes como Teago Oliveira (Maglore), Chico Bernardes, Josyara, Arthur NogueiraJulia Branco. Conectando São Paulo, Pará e Minas Gerais. São canções delicadas, com violão como base, duelos de vocais, sing-a-longs, doçura, ternura e cumplicidade. Cada uma com um arranjo diferente e aproveitando bem as somas dos encontros.

Destaque para a versão de “30 anos” de Julia Branco que ganhou uma versão em inglês apelidada de “Butterfly”, uma sensível releitura que se desconstrói para abraçar outro idioma.



16) Ventura Profana y podeserdesligado Traquejos Pentecostais para Matar o Senhor

Religião, política e temas urgentes aparecem no EP da Ventura Profana, Traquejos Pentecostais para Matar o Senhor (parceria com Podeserdesligado), lançado meio da quarentena.

“Isso que faço é uma música cristã, assim que classifico. É uma produção que pensa a religião, que parte dela e a questiona. Estou falando de Cristo”, explicou em entrevista para o Harpers Bazaar.



15) Vella Peixe de Prata

O cantor e compositor Felipe Vellozo (Bilhão) que já colaborou com artistas como Mahmundi, Duda Beat, Silva e Séculos Apaixonados, lançou um ótimo debut via Balaclava Records. Influências vão do indie a MPB com ótimas camadas sonoras.



14) Ginge Pré-Jogo

Sem medo de soar pop, a Ginge é uma novíssima banda composta por Vitor Brauer (Bateria/Voz), Fernando Motta (Guitarra/Voz), Bruna Vilela (Guitarra/Voz) e Marcela Lopes (Baixo/Voz).

Praticamente um supergrupo do indie mineiro, os integrantes são conhecidos pelos projetos Lupe de Lupe, XóõDesgraça, Vitor Brauer, Fernando Motta, Miêta, NAUSEA, Polly Terror e Agreste.

Embora amigos de longa data, e de alguns terem tocado juntos algumas vezes, é a primeira vez que eles decidem realizar um projeto em parceria; algo que segundo eles mesmos foi um processo bastante divertido. Os músicos foram atrás de referências do pop dos anos 90, e nisso vem um pouco de tudo, do pop rock radiofônico ao sertanejo.

Um exercício que não é dos mais fáceis ainda mais para quem está acostumado com projetos repletos de distorção, spoken word e muita reflexão em suas narrativas. Mas nem por isso deixa de ser interessante, muito pelo contrário, justamente por trabalhar sob uma nova perspectiva – e filosofia.

Vamo combinar: Quem não gosta de uma canção para cantar junto? Seja um brega, um funk, um sertanejo ou até mesmo um pop rock bem feito, existe todo um universo que explica o potencial de conseguir dialogar com multidões. Claro que existem técnicas e regras para isso, e testar isso, é de certa maneira sair da zona de conforto.

Confira entrevista exclusiva no Hits Perdidos



13) Sellva Atmosfera

A cantora brasiliense, Mariana Guel, Sellva lançou o EP Atmosfera em 2020 com 5 músicas. O registro contou com produção de Lucas Santtana e foi gravado ainda em 2019 no estúdio 12 Dólares. O nascer de novo ganhou novas significâncias em meio ao período de isolamento mesmo que originalmente seja sobre um olhar sobre a vida e uma forma de nascer e viver.



12) Viratempo AUTOCURA

Após lançar Cura a Viratempo apresentou em 2020 o EP Autocura (Freak). As faixas são reinterpretrações de canções do quarteto ainda com participações especiais de nomes como ÀIYÉ e a paulistana radicada em Los Angeles, SARTØR, além de Gab Ferreira e Lou Alves.

Confira mais no Hits Perdidos



11) Ava Rocha Sal Gruesa

Nada como se reconectar com as suas raízes e com a sua própria trajetória. É exatamente isso que Ava Rocha faz em seu novo compacto Sal Grueso. O registro que está sendo lançado via YB Music e Names You Can Trust (EUA), conta com duas faixas em espanhol. Além do lançamento ser duplo, ele acompanha duas capas, realizadas por Ava. São intervenções em fotos das brasileiras Ynaiê Dawson e Paola Alfamor.

O material final é o resultado de diversos encontros sem fronteiras. “Caminando Sobre Huesos” e “Lloraré, Llorarás”, conta com instrumentação e arranjos de Los Toscos (Bogotá / Colômbia) e colaboração de músicos convidados: os colombianos Camilo Barltesman e Andrés Gualdron, além dos brasileiros Negro Leo, Thomas Harres e Gabriel Mayall.

Confira Resenha Completa no Hits Perdidos



10) Héloa Opará na pista

Ancestralidade e futurismo vão de encontro no EP Opará na pista da Héloa. O EP da sergipana vem para comemorar um ano do lançamento do seu segundo disco de estúdio. São quatro remixes de músicas presentes no registro feito por DJs e produtores de diferentes regiões do país.



9) The Bombers Bumerangue

Após lançar o single “Ardendo em Chamas” a trilha sonora perfeita para produções cinematográficas como já comentamos no Release Radar da semana passada, o The Bombers, de Santos (SP), que completa 25 anos em 2020 lança o EP Bumerangue. O EP de 6 faixas lançado em parceria com o selo Craic Deal Records anteriormente tinha lançado uma versão para “Clarity Of Mind” (Saiba Mais).

“Livre” é um desabafo autobiográfico da trajetória do The Bombers que já merece até mesmo um livro, não é mesmo? A liberdade, os sonhos e o espírito jovem reverberam a cada riff e as crenças de um “Hungry Heart”, como diria Bruce Springsteen, transparece em seus versos que não se prende ao punk rock que consagrou o grupo.

“Que Passou, Passou” passa a limpo as lembranças, das boas as ruins, entre desavenças e alegrias. Cada uma na sua intensidade. Jogando as mágoas para fora e procurando a cura em doses homeopáticas.

Quando pude ouvir a versão de “Poison Heart” do The Bombers me senti arrepiado justamente pelo poder de reconstruir um clássico dos Ramones de uma forma que respeitasse a original mas sem deixar de colocar um tempero, ao meu ver ela ganhou uma atmosfera Chris Cornell, dark mas precisa, sutil mas vigorosa.

“To My Friends” consegue transitar entre os ritmos jamaicanos, o Doo-wop e me leva para o álbum Life Won’t Waitdo Rancid justamente pela quebra de limites e paradigmas de onde uma banda punk pode ir, o que deve ou não fazer, punk deveria significar liberdade e não somente se expressar por meio de três acordes. O que faz do EP punk por si só sem abusar de oitavadas ou procurar fórmulas no fim da década de 70.



8) Nietts Disco Inferno

Disco Inferno foi gravado em Janeiro de 2020 no Caffeine Sound Studioque após 15 anos de atividades fechou as portas devido a pandemia – e contou com a produção, mixagem e masterização de Kleber Mariano e Andre Leal; ambos do Estúdio Jukebox e da Stone House On Fire, de Volta Redonda (RJ).

O EP conta com 4 faixas e mostra um pouco da energia pulsante dos primeiros dias do grupo que também carrega uma carga ideológica muito forte dentro da concepção do projeto.

Uma prova disso é o single com mensagem bastante direta em relação ao desgoverno Bolsonaro, “Bad Times”, que abre o EP mesclando guitarras estridentes, o clima das pistas de dança e linhas de baixo no mais alto volume. Bats Out!

A faixa acabou ganhando um videoclipe concebido em meio as limitações da Quarentena. “A ideia do clipe é passar para as pessoas algo que quase todo mundo viveu na pandemia, assistindo seus próprios demônios e mergulhando em seus pensamentos mais obscuros.”, conta a Nietts

A Luzes Vermelhas da Pista de Dança

“Antihero” vem para exorcizar mitos e como diria uma clássica banda Kill Your Idles. A idolatria e a egolatria acabam sendo decepadas nessa faixa que traz uma atmosfera de suspense dark, de bandas como IDLES e Iceage, para o primeiro plano.

A pista esquenta em “Fire In Your Eyes” feito as curvas da noite entre seus altos e baixos. O clima de “pixxtinha” do Madame Satã ganha luzes vermelhas, caos e fúria. Entre a tensão, a vibração, a pulsação, a empolgação e os black & blue hearts.

“Soy Lo Que Soy” traz a sensação de liberdade, aceitação, desejos, conflitos internos e a esperança por dias mais claros. Se você gosta da atitude de Jehnny Beth, da melancolia do Placebo e da capacidade de adaptação do Silverchair, provavelmente essa será a sua favorita do Disco Inferno. Eles optaram por fechar o primeiro lançamento com uma progressão de acordes frenética e muita reflexão sobre  o seu lugar no mundo.

Confira Entrevista Exclusiva no Hits Perdidos



7) Jadsa e João Meirelles Taxidermia

O EP Taxidermia é resultado do trabalho colaborativo e experimental da jovem compositora e produtora musical baiana Jadsa aliada ao músico e produtor musical João Milet Meirelles, mais reconhecido por sua atuação na aclamada banda BaianaSystem.

A proposta do disco surgiu em julho de 2019 enquanto gravavam no Red Bull Studios, em São Paulo, as músicas do álbum Olho de Vidro, primeiro álbum de Jadsa (que vai ser lançado em 2021 com apoio do Natura Musical) e que também conta com a produção musical de João.

Após a captação de grande parte do material no estúdio, o trabalho foi sendo finalizado nas casas de cada co-criador, à distância, devido a pandemia de COVID-19, abrindo espaço para a colaboração de outros artistas – como Jessica Caitano(PE), que contribuiu com seu rap/repente em “Secante Caju”,Caio Terra, que toca baixo com Jadsa, Pedro Bienemann na guitarra e coro e, Bruno Abdala na co-produção da faixa “Xirê”.

O disco conta com 4 faixais de uma poética bem pessoal da letrista Jadsa, mas trans-criada e enriquecida pelas colaborações dos seus companheiros.

De canções que soaram descoladas da concepção do primeiro disco que estava sendo gravado,  construiu-se um recorte experimental dessas canções e puderam ter uma nova oportunidade de criar conjuntamente.

A Obra é repleta de texturas eletrônicas, vocais, ritmos envolventes com lindos efeitos e estranhamentos sonoros. As letras seguem a identidade de composição de Jadsa com jogos de palavras, concretismo musical e exploração de suas sonoridades, desconstruindo sentidos e renovando-os, misturando estilos e timbres, propondo pausas dramáticas e momentos instigantes.

Confira Entrevista Exclusiva no Hits Perdidos



6) BAGUM Vento

Sem limites para as curvas do som. Seria uma ótima forma de definir a cozinha sonora que a BAGUM vem apresentando ao longo dos seus quatro anos de existência. De Salvador (BA), o trio composto por Pedro Leonelli, Gabriel Burgos e Pedro Tourinho experimenta a cada lançamento com personalidade. Tanto é que se você ouve um dos quatro registros lançados até aqui notará que o som deles não permite barreiras.

Leve, pulsante e expressivo, o som não se define completamente por rótulos e abraça de fato a música instrumental, o jazz, o funk, o soul e até mesmo o progressivo. Jazz Fusion talvez seja o termo mais próximo se tivéssemos que rotular. Fato é que se você gosta de Mahmed, Taco de Golfe e Sick provavelmente irá gostar da viagem sonora.

A nostalgia serve de embalo para o novo EP, Vento (2020), produzido por Diego Santos, recria imagens que passam pelo universo dos sonhos e das boas memórias. O encontro produtor com experiência em música eletrônica acabou por sua vez dialogando com a veia jazzística dos baianos.

Confira entrevista exclusiva no Hits Perdidos



5) Pluma Mais do Que Eu Sei Falar

Formados em Produção Fonográfica, o trato com os detalhes, e acabamento, é notório. Isso também se refletirá nas sensações que serão despertadas a cada single, como eles deixam claro em nosso bate-papo. O primeiro EP, Mais Do Que Eu Sei Falar, ganhou a luz do dia no segundo semestre de 2020.

Entre as referências sonoras, por mais que rotular seja a cada dia mais difícil, eles citam jazz passando pelo rock psicodélico e o pop. A sinergia e a química já transparecem no romântico single de estreia, “Esquinas”.

Clube da Esquina foi a principal referência para compor a melodia de ‘Esquinas’. O Dizzy [Diego] é mineiro e cresceu ouvindo eles, então é meio instintivo. Milton e Lô Borges compunham seguindo as sétimas maiores dos acordes, fizemos algo parecido, seguindo as nonas também.

Além disso tentamos pegar referências do psicodélico, como Boogarins e Crumb, e do pessoal do neo soul e do jazz internacional, como BADBADNOTGOOD e Mr. Jukes, indica a cantora Marina Reis

Confira Entrevista Exclusiva no Hits Perdidos



4) Tangolo Mangos tngl_mngs.rar

Irreverentes, novos e conectados. A jovem banda de Salvador (BA), Tangolo Mangos, assim como todos nós tivemos que lidar com a pandemia e suas consequências. Prestes a gravar seu segundo EP, o grupo se viu no meio de um dilema: Gravar um compacto como gostariam ou abortar a missão?

Por questões técnicas e para respeitar o isolamento social, o grupo optou por adiar, porém decidiu começar um outro projeto do zero. Dessas experiências e composições criadas direto de casa vieram ideias que se materializaram no que viria a ser o EP tngl_mngs.rar.

Um registro que conta com 5 faixas inéditas e que mergulha pela cybercultura, da Vaporwave, passando pelo lo-fi e até mesmo mergulhando na cultura do jazz desértico. Linguagens, expressões e gêneros musicais de uma geração conectada, atenta ao novo e que não vê limites até onde sua arte pode chegar.

No registro anterior o grupo baiano já mostrava interesse pela psicodelia brasileira e isso também transparece em referências como os goianos do Boogarins e os australianos do King Gizzard & the Lizard Wizard mas que também se conecta ao moderno jazz do Saara, de projetos como Mdou Moctar e Tinariwen.

Leia Entrevista Exclusiva + Resenha Completa no Hits Perdidos



3) Josyara e Giovani Cidreira Estreite

O encontro entre Josyara e Giovani Cidreira Estreite foi lançado via Joia Moderna. Amor, medos e conflitos existencialistas fazem parte da obra que cresce a cada audição. Foi lançado logo no começo da quarentena em março mas não poderíamos de deixar de citar em nossa lista. Nele sintetizadores, baterias eletrônicas, baixos e guitarras fazem parte da construção dos arranjos.



2) Rico Dalasam Dolores Dala, o Guardião do Alívio

Lançado ainda em maio o novo EP de Rico Dalasam novamente chegou a atenção com direito a ótimos singles como “Braille” que foi um dos grandes destaques do Prêmio Multishow de Música Brasileira. O registro traz consigo parcerias com Mahal Pita, Chibatinha e Dinho Souza. Um EP poderoso sobre dor e conforto.



1) Jup do Bairro Corpo Sem Juízo

A cada passo de sua jornada dentro do campo das artes, porque limitar a música seria no mínimo injusto, Jup do Bairro mostra como sua mensagem ultrapassa os limites da arte e expressividade.

Sua luta se faz todos os dias e é urgente em um momento onde temos um governo tirano que luta contra a cultura, etnias, pensamentos, ideologias, credos e quer delimitar a liberdade dos nossos corpos.

“CORPO SEM JUÍZO é como se fosse uma extensão de mim, a possibilidade de imortalizar as minhas memórias, o meu corpo. É pessoal, mas não termina em mim. É honesto com uma dignidade construída. Talvez seja a coisa mais importante que já fiz na minha vida e pela mesma.”, disse Jup que começou sua jornada em 2007 

“Esse EP passa por três fases de um corpo: nascimento, vida e morte… Não necessariamente nesta ordem pois eu sinto que já nasci e morri tantas vezes. Essa materialização também é sobre as mudanças e explorações de mim mesma.

Foi um processo dolorido e, muitas vezes, incompreendido: mas foi a única forma de me sentir pertencente, pelo menos a mim mesma.

O EP ainda conta com participações especiais de Linn da Quebrada, Rico Dalasam, Mulambo e Deize Tigrona. A produção musical é assinada pela produtora musical e DJ BadSista.

O registro só foi possível graças a ajuda coletiva dos fãs que participaram de um projeto de financiamento coletivo na plataforma Kickante. Aliás coletividade, empatia, intensidade e diálogo aberto são palavras que definem o registro com perfeição.

CORPO SEM JUÍZO assim como nome deixa bem claro, não se limita. Seja pelas narrativas, gêneros musicais e experimentações que acabam abraçando, ao diálogo fértil de sua produção.

São 7 faixas potentes e que conectam diferentes corpos de uma forma bela e genuína. Sem medo de abrir o espaço para o diálogo, o registro se faz necessário ao seu tempo…e talvez por isso esteja sendo tão bem recebido pelo público e pela crítica.

Confira Entrevista Exclusiva no Hits Perdidos



Menções Honrosas

Além dos 25 Melhores EPs Nacionais de 2020 separamos algumas dicas de registros para curtir ainda nesse finzinho de ano. Confira nossa lista:

ABC Love Back To Love (Leia Mais)
Boogarins Fefel (Leia Mais)
Giovani Cidreira e Mahal Pita Mano*Mago
Ninguém Balanço Oculto Vol. 1
Badke Estamos Juntos (leia mais)
Tuyo e Terno Rei Pivete / Eu Te Avisei (leia mais)
Luiz Gabriel Lopes Presente (leia mais)
Hibizco Hits de Estreia (leia mais)
Rico Dalasam Modo Diverso 5 Anos
Surra Expropriando Sua Fábrica (leia mais)
Desalmado Rebelião (leia mais)
Terra Mãe Frio, Medo, Cansaço (leia mais)
Paulo Gabardo Inteiro (leia mais)
Dan Santos Entre
Old Books Room O Corte Que Conduz o Sangue
Tropicadelia Não Acabou
Budang Vendo Clio 2009, Prata 4 Portas

Playlist: Os 25 Melhores EPs Nacionais de 2020

É claro que uma lista com os 25 Melhores EPs Nacionais de 2020 ia contar também com uma playlist no Spotify para você conhecer tudo!

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Confira também a Lista com os 50 Melhores Álbuns Nacionais de 2020

Rafael Chioccarello

Editor do Hits Perdidos, organizador dos Tributos aos Titãs, Pato Fu e Autoramas. Parceiro da Mutante Radio, Spotify e Curador do UDIGRUDI, programa de videoclipes da Play TV. Nas horas vagas pesquisa sobre música e tenta assistir a maior quantidade possível de shows. Siga o Hits no Instagram: @hitsperdidos

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