Donos de estúdio, produtores e engenheiros de som comentam os principais erros das bandas na hora de gravar

Após o sucesso dos posts orientando as bandas como lidar com a imprensa (Parte 1 | Parte 2) chegamos a conclusão que seria interessante tentar fazer mais posts com dicas sobre o mercado da música.

O primeiro post desta série foi atrás de donos de estúdio e engenheiros de som para contar “causos” e comentar sobre os principais erros na hora de gravar. Afinal de contas nada como chamar quem lida com isso todos os dias para relatar sobre suas experiências.


Cavalo Estúdio
Cavalo Estúdio (Campo Belo, São Paulo).

Nicolas Csiky (Cavalo Estúdio)

Estúdio na zona sul da cidade de São Paulo, com 4 salas de ensaio e uma sala de gravação pronta para produção de Discos, EP’s, Jingles e Locuções. Além de ser dono do estúdio, Nick também toca bateria na banda Alaska.

O que toda banda deveria saber antes de entrar em um estúdio para gravar?

Nicolas Csiky: “Se o artista entra em estúdio sabendo que ensaio é uma coisa e que gravação é outra (comparado ao ensaio, a gravação em estúdio é um processo muito mais técnico e detalhado).

Durante a sessão, não se pode esquecer da necessidade de pelo menos uma pessoa com conhecimento sobre produção musical no recinto pois diversas decisões tem que ser tomadas e um vacilo (ou indecisão) pode realmente estragar tudo.

Muitas bandas possuem integrantes que gravam em casa, mas um profissional da área (pode até ser da banda) é a segurança que muita banda precisa. Se o artista entra em estúdio, na busca de fazer um registro mais natural/cru/orgânico/visceral/tro0 é só chegar e tocar, bora. Só não vale reclamar depois.”

Quais erros mais comuns que elas cometem?

Nicolas Csiky

  • Não dá pra copiar e colar a referência, cada artista tem seu processo, equipamento e jeito de tocar.
  • Ficar se arrependendo do processo e dando passos pra trás em busca de perfeição.
  • Falta de agenda, trabalho em primeiro lugar, música em segundo plano e gravações muito longas prejudicam o flow.
  • Não gravar em casa antes, não se ouvir, não conhecer seus próprios limites e falta de experiência.

Que tipo de comportamento por parte das bandas mais te irrita neste momento?

Nicolas Csiky: “Como produtor, nada. A função do produtor é justamente ficar responsável pelo comportamento de cada um, criar uma relação de confiança, sanar as dúvidas do processo para assim conhecê-los e tirar deles o melhor. Se algo está te irritando o problema tá em você.”


Estúdio Aurora

Estúdio Aurora (Pinheiros / São Paulo)

Carlos Eduardo Freitas (Estúdio Aurora)

Estúdio de produção, gravação, ensaio, mixagem, masterização musical dos produtores Aécio de Souza e Carlos Eduardo Freitas, em São Paulo. Além de produzir pocket shows e ter uma lutieria (com a Major Tone Guitars)

O que toda banda deveria saber antes de entrar em um estúdio para gravar?

Carlos Eduardo Freitas: “Saber tocar as próprias músicas deveria ser obrigatório, mas tem muita banda que chega no dia da gravação sem saber exatamente o que precisa fazer. Ou seja: precisam ensaiar bastante. Por ensaiar, entenda: ensaiar MUITO.

Pro Nirvana gravar o Nevermind, eles ensaiavam diariamente, mais de 5 horas por dia, por meses! Pro Television gravar o Marquee Moon (ao vivo!), ensaiaram ao longo de seis meses, seis dias por semana, seis horas por dia. Não é ensaiar uma vez por semana, a cada quinze dias, duas horinhas, sem entender o que o colega de banda tá fazendo, e se achar pronto pra gravar.”

Quais erros mais comuns que elas cometem?

Carlos Eduardo Freitas: “A maior parte das bandas que conheço não se ouve. Não grava seus próprios ensaios, não registra o processo de composição e arranjos. Quando muito, colocam o celular pra gravar, mas, até pouco tempo atrás, quem fazia isso ouvia os pratos clipando, uma “massaroca” de som, e não dava pra entender nada do que tava acontecendo.

Tanto que uma das coisas mais comuns de acontecer em gravações é um membro estar gravando sua parte e o outro descobrir, na gravação, que a nota que o colega faz numa determinada parte não é a mesma que ele está tocando.”
Que tipo de comportamento por parte das bandas mais te irrita neste momento?

Carlos Eduardo Freitas
: “Quando você está gravando uma banda, detecta um problema de arranjo ou de execução e sugere uma mudança simples pra melhorar a música e fazer com que ela soe melhor. E ouve um: “É assim mesmo, não precisa mudar não”. 

Claro, fica uma merda, e não tem pós-produção que resolva execução ruim.
Tipo: entendo que gravar não é barato, mas ficar ruim queima o filme da banda e o nosso. E, numa boa, preferimos trabalhar 20min a mais sem cobrar por isso e ver a coisa bem-feita do que ver nosso nome ou o do estúdio numa gravação feia.”

Patrick Laplan (Produtor e Engenheiro de Som)

Patrick Laplan já trabalhou com bandas como El Efecto, Castello Branco, Gangrena Gasosa e Sound Bullet.

O que toda banda deveria saber antes de entrar em um estúdio para gravar?

Patrick Laplan: “Conheça seu material de trás pra frente, mas ir sempre aberto a mudança, ao diálogo.

Espere sentir seu ego ameaçado, mas lute contra ele. Existem mudanças que necessitam de um determinado tempo pra serem digeridas, então evite dizer não automaticamente.

Prepare-se pra ser uma esponja. Aprenda. Se você saiu diferente do que entrou após o processo de gravação/produção/mix, provavelmente quer dizer que você cresceu. E sempre deveria ser sobre isso. Desenvolver seu “ouvir”.”

Quais erros mais comuns que elas cometem?

Patrick Laplan: “Achar que equipamento vale mais que um profissional fodão.

Chamar um cara que você admira e não contar com a opinião dele. Querer usá-lo apenas como ferramenta pro que você pensou. Se você quer o melhor dele, tem que deixar ele trabalhar/pensar/opinar.

Ter uma visão do produto final apenas da perspectiva do seu instrumento. Tem que pensar no “todo” antes do “seu”. Saber e levar em consideração o que todo mundo está tocando.”

Que tipo de comportamento por parte das bandas mais te irrita neste momento?

Patrick Laplan: “Não há cartilha de comportamento que nós produtores esperamos numa situação de gravação, mas consideramos ser de bom senso (como deixar o lado esquerdo da escada rolante do metrô livre pra quem não quiser ficar parado).

Artistas acham o máximo um estúdio com tabela de basquete, ping pong, video-game, mas na verdade são artifícios pra tirar da sala de gravação quem não estiver participando naquele momento específico. As pessoas costumam ter conversas paralelas ou desconcentrar quem está focado em gravar. Tem que ter maturidade e entender que ali é local de trabalho. Você pode achar que é rock n roll tocar o puteiro no estúdio, mas você está sendo moleque. Alto astral é bom, “baguncinha” é ruim.

Também existe o momento certo pra questionar ou interromper, por isso muitos mixers não gostam de acompanhamento durante seus processos.

As vezes você ainda está trabalhando pra levar um elemento até certo lugar, e o artista interrompe por achar que aquilo é o final do processo. Você acaba perdendo o dobro do tempo. Dependendo do tipo de pessoa, pode ir perdendo a paciência e o carinho com o seu projeto. Mais uma vez é questão de bom senso.”


Estúdio Canoa
Estúdio Canoa (Perdizes / São Paulo)

Gui Jesus (Estúdio Canoa)

O Estúdio Canoa, também a casa do Selo RISCO, fica localizado no bairro de Perdizes (zona oeste de São Paulo).

O que toda banda deveria saber antes de entrar em um estúdio para gravar?

Gui Jesus: “Que o estúdio é um lugar mágico! E que pra aproveitar esse momento mágico, os músicos/artistas/produtores/engenheiros devem estar em boa sintonia. Se a energia fica pesada, a música até sai, mas não como deveria.”

Quais erros mais comuns que elas cometem?

Gui Jesus: “O erro mais comum é achar que o processo é literal em termos de tempo: “minha música tem 4 minutos, portanto vou levar 4 minutos pra gravar a guitarra”. Enorme engano. Existem inúmeras funções e etapas antes de dar o REC.

Além disso, com o mundo digital temos em estúdio a opção de fazer até “ficar bom”, ou que seja até cansar mesmo. E pra mim esse é o outro erro: repetir ad infinitum até ter o take correto; ok o take tá certo massss sem intenção nenhuma, suingue nenhum, chapado; enfim, a música também exige a espontaneidade.

Além disso, acho que o maior dos erros é a confusão em torno do papel e responsabilidade do Produtor Musical e do Engenheiro de som; que são muito confundidos, mas com funções distintas.”

Que tipo de comportamento por parte das bandas mais te irrita neste momento?

Gui Jesus: “Oi Gui Jesus, tudo bem? Ouvi o disco do artista tal que você mixou e quero soar igual”, pois então chame o artista tal para gravar seu disco; afinal vc quer soar igual ele.

Os principais trabalhos artísticos que apontam novos caminhos sonoros, de arranjo, de timbre, de voz, de produção, são os que encontram seu próprio modo de fazer; e em geral são os discos mais bem aceitos e repercutidos no público e no mercado. Porque então soar igual a alguém? Procure e crie sua verdade, sua narrativa estética.”


BTG Studio
BTG Studio (Vila Leopoldina / São Paulo)

Zeca Leme (BTG Studio)

Estúdio de gravação, produção musical e mixagem, Behind The Glass, é um espaço cuidadosamente projetado para o desenvolvimento artístico. Localizado no bairro da Vila Leopoldina, em São Paulo.

O que toda banda deveria saber antes de entrar em um estúdio para gravar?

Zeca Leme: “Talvez a melhor dica que uma banda possa receber é que dentro de um studio, as possibilidades são infinitas. Ter foco e um direcionamento para qual direção a banda quer levar a musica é meio caminho andado.

Hoje em dia, alugar um studio de ensaio para testar instrumentações, testar qual guitarra para gravar qual parte, conseguir gravar no seu notebook um ensaio para ouvir o que tá rolando, deixar tudo o mais pronto possível para que na hora da gravação todos prestem atenção na performance, nos timbres, e nas possíveis ideias que um arranjo já definido pode receber naquele momento de inspiração.”

Quais erros mais comuns que elas cometem?

Zeca Leme: “O erro mais comum é não ter nenhum direcionamento, nenhuma pré produção e chegar sem ensaios. O ambiente de studio também é um ambiente cruel, onde microfones captam imperfeições, falta de ensaios, erros de andamento e torna tudo evidente.

Uma das piores situações que pode acontecer na gravação é um musico “descobrir” no studio o quão pronto ele não está para gravar, o quão fora do tempo ele toca, o quanto a banda não se preparou para aquele momento. Isso causa frustração, insegurança e isso acaba transparecendo na performance a ser gravada.”

Que tipo de comportamento por parte das bandas mais te incomoda neste momento?

Zeca Leme: “Aprendi com o tempo a tentar não me incomodar com comportamentos. Trabalho na grande maioria do tempo com artistas independentes, orçamentos enxutos e projetos fechadinhos. Não tem espaço para comportamentos inadequados. De nenhum lado.

O que sempre tento ressaltar aos músicos é o quão sério e importante é o que estamos fazendo, o quanto eles lutaram para estar ali gravando e concebendo seu sonho e que extravagâncias neste momento só tiram o foco e deixam as performances mais inseguras na gravação.”


Audio Rebel
Audio Rebel (Botafogo / Rio de Janeiro)

Pedro Azevedo (Audio Rebel)

Audio Rebel é uma loja, um estúdio de ensaio, um estúdio de gravação e espaço de shows, tudo num mesmo local. Localizado em Botafogo, no Rio de Janeiro.

O que toda banda deveria saber antes de entrar em um estúdio para gravar?

Pedro Azevedo: “Vai ser mais difícil e demorar mais do que você imaginava para ficar realmente bom, e você vai precisar se desligar de todo o resto que esta acontecendo no mundo….”

Quais erros mais comuns que elas cometem?

Pedro Azevedo: “Tentar fazer as coisas rápidas e não experimentarem mais….”

Que tipo de comportamento por parte das bandas mais te irrita neste momento?

Pedro Azevedo: “Não estar atento a música, ficar olhando celular e redes sociais….”


Porto Produções Musicais
Porto Produções Musicais (Pinheiros / São Paulo)

Matheus Krempel (Porto Produções Musicais)

Estúdio de ensaios, produção fonográfica e Pub. Aluguel de Backline, gravação e produção de eventos. Localizado na Rua Cardeal Arcoverde, 854, em Pinheiros (São Paulo).

O que toda banda deveria saber antes de entrar em um estúdio para gravar?

Matheus Krempel: “O que você economiza em ensaio sai caro na hora de gravar.

Bandas que não estão ensaiadas fazem péssimas gravações e gastam muito tempo gravando. E todos sabemos que tempo é dinheiro. Infelizmente muita banda só aprende isso quando resolve gravar sem estar preparada.”

Quais erros mais comuns que elas cometem?

Matheus Krempel: “Não ensaiar.

Banda que não ensaia, ou ensaia em lugares ruins, onde não se escutam, geralmente estão jogando dinheiro fora e não estão evoluindo.

Ensaio é importante.

Outro erro muito comum é ficar mega doido e encarar ensaio como shows.”

Que tipo de comportamento por parte das bandas mais te irrita neste momento?

Matheus Krempel: “O desrespeito.

Desrespeito com os horários, com os profissionais envolvidos e com os equipamentos.”

Sarah Abdala (Pomar) 

Produtora e técnica de estúdio para vários casas no Rio.

O Pomar é uma produtora independente idealizada em 2015. Produzimos para o digital e o offline: produção executiva e de conteúdo, shows e projetos experimentais, como o Superdose e o Banda toca Banda.

O que toda banda deveria saber antes de entrar em um estúdio para gravar?

Sarah Abdala: “Falando especificamente de produção musical, a banda tem que entrar no estúdio com uma ideia mínima sobre estrutura e arranjo das músicas. Você vai pra um estúdio sabendo o que quer, com quais timbres e instrumentos você quer construir a produção.

É muito chato quando você pega um músico que não sabe o que quer e pra onde ir. Que às vezes fez 80% da música, mas depois mudou de ideia sobre um determinado detalhe lá atrás. Daí tem que refazer tudo. Eu acho que estúdio, hoje em dia, não é mais pra isso. Só se você tiver um home estúdio ou for dono de um estúdio. Daí, sim. Você pode gastar o tempo que for e viajar e refazer. Mas acho que não estamos falando desses casos específicos, né?

Por isso, sempre digo que uma pré produção é ideal. Principalmente para bandas/músicos inseguros e que estão começando.”

Quais erros mais comuns que elas cometem?

Sarah Abdala: “Eu acho que o erro mais comum é sobre as referências. Toda banda tem referência, todo músico. Mas hoje em dia eu vejo que as bandas não conseguem mais sair da zona de conforto da referência, do modal, do que tem dado certo, de alguma maneira. E acaba gerando cópias e mais cópias, em embalagens diferentes, de um produto igual.

Isso sempre aconteceu muito nas gravadoras… de repetir fórmula. Mas hoje eu vejo que isso passou demais para o alternativo/indie, coisa que não acontecia muito. Falar de originalidade, hoje em dia, seja talvez um delírio, mas essa transformação de referências para algo particular, com uma identidade, acontecia mais facilmente, em várias bandas.”

Que tipo de comportamento por parte das bandas mais te irrita neste momento?

Sarah Abdala: “O que mais me irrita em bandas no geral são os egos muito inflados, que dificultam ver onde essa banda/artista se encontra no universo.”

Tai Fonseca (Pomar)

O Pomar é uma produtora independente idealizada em 2015. Produzimos para o digital e o offline: produção executiva e de conteúdo, shows e projetos experimentais, como o Superdose e o Banda toca Banda.

O que toda banda deveria saber antes de entrar em um estúdio para gravar?

Tai Fonseca: “Deveriam saber que elas são livres pra experimentar o bom gosto. E que não adianta ter medo da imponência dos grandes estúdios ou da simplicidade dos home studios. Com muito carinho, talento e bom gosto, coisas incríveis acontecem.”

Quais erros mais comuns que elas cometem?

Tai Fonseca: “Até por respeito a tradição de estúdios, engenheiros e produtores, muitos se deixam levar pelas ideias que nascem no estúdio e, no fim do processo, se sentem limitados ou de alguma forma reprimidos.

É importante, quando se é, principalmente, o autor e intérprete daquela canção, dizer, pra quem quer que seja, o que você quer com aquela música e o que você não quer. Com diálogo e respeito e, claro, trabalhando com profissionais que estejam em sintonia com o trabalho, funciona.”

Que tipo de comportamento por parte das bandas mais te irrita neste momento?

Tai Fonseca: “Coisas que acho essenciais e, que quando não feitas, rola aquela coçadinha na cabeça: planeje o que quer gravar, como quer gravar e o quer fazer com o que gravou; saiba tocar a sua música e saiba sentir o que quer que ela seja; trate o tempo do estúdio com muito muito muito carinho.

Além de você estar pagando por hora, você precisa de concentração naquele momento criativo e especial do seu trabalho. Não desperdice o tempo e a dedicação dos outros profissionais também. Nada pior do que pagar de rockstar e ficar parando a cada bloqueio pra fumar e beber. ;|  desapegue e finalize a gravação. Bom lançamento! ;)”


Inhamestúdio
eliminadorzinho gravando no Inhamestúdio.

Rubens Adati (Inhamestúdio)

Estúdio de gravação, mixagem, masterização, live sessions e ensaio localizado em Cotia (SP).

O que toda banda deveria saber antes de entrar em um estúdio para gravar?

Rubens Adati: “Vai demorar mais do que esperam (risos)”

Quais erros mais comuns que elas cometem?

Rubens Adati: “Não ensaiar (MUITO) antes de ir pro estúdio.

Não saber o que quer.

Vá atrás de referências! Um produtor não vai tirar da cartola o som que a banda gostaria de ouvir, portanto, saiba das suas expectativas.”

Que tipo de comportamento por parte das bandas mais te irrita neste momento?

Rubens Adati: “Não aceitar trocar de equipamento. Muitas vezes o produtor sugere algo novo, uma guitarra diferente, um drive mais leve, um prato maior, enfim, o artista até testa mas já vai falando “não gosto” sem nem ouvir e pensar.

Outro comportamento chato é mudar de opinião sobre algo que foi decidido no começo e culpar indiretamente o produtor por isso. Mudanças são sempre bem-vindas mas saiba o que viável mudar ou não.”

Luiz Z Ramos (Tubo Cultural)

O músico Luiz Z Ramos (Miêta, Fodastic Brenfers, Zonbizarro e A Obra) teve até um tempo atrás o estúdio Tubo Cultural em Belo Horizonte (MG) e também nos relatou suas experiências.

O que toda banda deveria saber antes de entrar em um estúdio para gravar?

Luiz Z Ramos: “O principal é a pré-produção: tocar a música de cór, de traz pra frente, de cabeça pra baixo, de olho fechado. Em segundo lugar, respeitar a equipe do espaço. Ela é quem conhece os prós e contras do estúdio e como seu som vai ficar bom durante a gravação. Se levar um produtor próprio, deixar que ele dialogue com o estúdio.”

Quais erros mais comuns que elas cometem?

Luiz Z Ramos: “Equipamentos desregulados ou mal cuidados, no geral, são os maiores “dificultadores” pra extrair uma boa performance. Se você chega com um prato rachado, o som já vai sair uma bosta. Some-se a isso a diferença de dinâmica necessária pra tirar um som qualquer de um prato rachado. Some-se a isso uma baqueta zoada, ruim. Ou uma corda já passando tétano de tão oxidada. Enfim, detalhes técnicos que muita banda acha que dá pra corrigir na mix e não dá.”

Que tipo de comportamento por parte das bandas mais te irrita neste momento?

Luiz Z Ramos: “Falta de foco é o principal. Às vezes a banda leva as amizades, bebida, comida, equipe de filmagem, etc, e a concentração necessária se perde. Não é festa, a não ser que você seja duma banda grande e tenha grana pra bancar quanto tempo de estadia de estúdio for preciso.”

Otto Dardene (Estúdio Fiaca)

Estúdio localizado no bairro da Lapa, em São Paulo. Otto também toca na Goldenloki.

O que toda banda deveria saber antes de entrar em um estúdio para gravar?

Otto Dardene: “Isso é curioso, parece que as bandas/músicos já tem na cabeça o som que querem chegar, por conta da facilidade em pesquisar e ter inúmeras referências para as músicas. Então o pessoal já chega com uma ideia de timbragem, arranjo, estrutura, com a música toda mapeada o que já é um baita trabalho, mas até estar totalmente gravada tem muita lenha ainda nesse meio que é justamente a produção e ter noção desse processo (produzir e gravar) é uma grande questão. Como se chegar no som que você imagina.

Já vi casos de bandas iniciantes que procuraram um estúdio pra gravar seu tão sonhado primeiro EP e o produtor meteu a mão no som de qualquer jeito, padronizou tudo pra ter um “somzão de rock” e entregou as músicas totalmente fora da realidade da banda.

Acabou fugindo da crueza ingênua que é um primeiro trabalho desses, o que tem seu valor. Ou bandas já experientes que no meio da mixagem mudaram de produtor porque as ideias não estavam batendo. É preciso ter diálogos entre estúdio/produtor/banda para alinhar as intenções para que todos mirem um lugar parecido e tentar ao máximo chegar lá.”

Quais erros mais comuns que elas cometem?

Otto Dardene: “Acho que se elas erram é por inexperiência e falta de informação. Não é todo lugar que se ensina a ter banda, lidar com imprensa, lidar com produtor de casa de show, com estúdios, estamos no Brasil e não rola muito incentivo pra isso.

Aonde que se aprende? Errar todo mundo vai principalmente quando você entra num meio que já tem suas regras e não existe um manual. A informação tem que ser compartilhada, dos que já manjam aos que estão chegando e vice versa, empatia e união, utópico demais?”

Que tipo de comportamento por parte das bandas mais te irrita neste momento?

Otto Dardene: “A gente trabalha como estúdio de gravação, produzimos shows, geramos conteúdo, temos nossas bandas e não nos atrai muito a ideia de ficar analisando o que nos irrita.

Cada banda é uma banda, um conjunto de pessoas e elas tomam suas decisões a partir do que elas acreditam, quem que julga ser certo ou errado? Tivemos sorte de trabalhar com muita gente que tem bom senso e noção do que está fazendo.

Deve ser uma bolha? Pode ser, mas acredito que estão num caminho sincero. Torço para que todas continuem fazendo seu trampo, alcançando pessoas mundo afora e se não alcançar ninguém, se não der em nada, tem que saber a hora de acabar ou mudar tudo que estava sendo feito pra ver se alguma coisa acontece.”

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