Após o fim da Ventre, Larissa Conforto passou por um grande processo de autodescoberta pessoal que envolveu mudanças de ares e até mesmo de país. Ela se mudou para a capital portuguesa ainda no ano passado mas, claro, já tinha composições no bolso.

Durante uma turnê com Vitor Brauer (Lupe de Lupe), ela tomou coragem e começou a compor músicas que de certa forma foram o embrião do que mais tarde viria a se tornar ÀIYÉ.

O debut que realizamos a Premiere hoje, é o resultado do que chama em entrevista exclusiva, de vida. A imersão na Umbanda, a mudança de país, a parceria e estudo dos instrumentos e sua conectividade com parcerias dão luz a Gratitrevas, que mesmo em tempo de trevas, se mostra cintilante. Podendo até mesmo iluminar a caverna do “Mito” (de Platão).

O EP está sendo lançado pelo selo paulista Balaclava Records e tem como a espiritualidade e a energia vital dos recomeços, seus pontos de partida.


ÀIYÉ Larissa Conforto

Larissa Conforto (ÀIYÉ / Ventre) – Foto Por: Rodrigo Tinoco


ÀIYÉ: Gratitrevas (20/03/2020)

O lançamento mergulha de cabeça na espiritualidade e serve como um despertar em um momento onde as trevas parecem ter assumido o controle do planeta. Uma oportunidade para repensar como agir em meio a tantos absurdos e adversidades enfrentadas todos os dias.

No EP Larissa Conforto exorciza traumas e traz luz em meio as trevas. De forma ritmada, misturando uma diversidade de estilos, acasos, encontros e poesia. Ela traz para dentro do lançamento vivências, transformações, memórias, desconforto e aprendizados.

Os tambores entram em cena, assim como a necessidade de se conectar com crenças, seja na umbanda como na ufologia. Ela se emancipa das certezas e viaja em direção de uma nova forma de enxergar seus passos.

O EP foi gravado entre Brasil e Portugal e reúne espiritualidade, rituais, ritmos de resistência, saudades da avó, David Lynch e confissões em um universo solitário. É na solitude, e imersão, que ela aos poucos foi descobrindo a identidade que teria seu novo projeto. 

O Background de Gratitrevas

“Foi um processo muito intenso entre Rio, São Paulo, Lisboa e Paris. Compus, gravei e produzi as músicas enquanto acompanhava a cantora francesa Laure Briard em turnê pelo Brasil ao mesmo tempo que vendia todos os meus pertences para alçar vôo para Lisboa.

Lidei com minhas próprias sombras pra encontrar minha voz, enquanto enfrentava os desafios de viver [de música] em outro país, além do fuso-horário e dificuldades de comunicação com Diego Poloni, que co-produziu e mixou parte do EP, no Brasil”, conta Larissa Conforto. 

As Luzes de Gratitrevas

O EP faz uma imersão forte as raízes e descobertas, ele é forte, espiritual, cármico, intenso e evoca sentimentos que tiram Larissa da zona de conforto. Ela não se intimida e põe a prova toda a sua força em busca pela transformação. “Semente” serve como um abre alas para o ritual de passagem.

Semente que é plantada e dá frutos, entre uma batida eletrônica que pulsa em meio a um processo de conectividade, lembrança das raízes e principalmente, resistência. Já “Pulmão” foi o primeiro single a aparecer no horizonte. Com um misto entre o funk carioca e maculelê.

“Fala sobre a era da internet em que recebemos um fluxo altíssimo de informações e estímulos todo dia, e da necessidade de se esvaziar, pra conseguir enxergar novas coisas.

O som dos batuques

“Silêncio” cria universos e não é à toa que ela fala como o cinema de Lynch entrou no meio disso tudo, irá agradar a fãs de Alessandra Leão a Underworld. Coladinha com “Terreiro”, elas parecem se complementar.

“Inspirada pela minha cena favorita de Mulholland Drive, do David Lynch”, revela Larissa Conforto.

“Terreiro” mescla claves de Son De Los Diablos, um ritmo afro peruano de resistência, com um beat em compasso composto com a intenção de incorporar a energia desse rito sagrado.

O Mito e a Caverna (feat. Vitor Brauer)

A faixa é forte e foi escrita logo após a barbárie que foi o incêndio ao Museu Nacional, aquele mesmo no qual os governantes não se importaram em ver nossa história se tornar cinzas. A tristeza resplandece em berço esplêndido, e certamente, se perde no horizonte.

“Recebemos a notícia do incêndio no Museu Nacional durante o percurso, e conversamos muito sobre o significado do fogo em todo esse contexto de ausência do poder público. Alguns dias depois, encontramos um canavial gigantesco em chamas e tiramos fotos. A gente não fazia idéia do tamanho do incêndio que esse mesmo fogo provocaria quando nos revisitasse, como foi a Amazônia”.

As Perdas e Mudanças

As Perdas materiais ou imateriais, e seus obstáculos, acabam aparecendo com tudo em “Isadora”. Faixa que lida com a morte e seu processo de transformações. O samba samba e o funk 150 bpm se cruzam na velocidade da luz.

Já a depressão ganha um respiro em “Sombra (US)”, parceria com Hugo Noguchi, com direito a spoken word, poesia, expurgo que vem de dentro da alma, ambient e a busca por forças quando não há. Um diálogo diretamente com alma e sua essência. Feito um minuto de silêncio para se recompor e enfrentar o mundo. Pequenas mortes internas para poder retomar o caminho de casa. A casa sendo onde o coração está.

Mas quem fecha é “Astrosoma” que era inicialmente para ser apenas um interlúdio. A ufologia, a abstração, os temores e o reconforto ganham uma trilha sonora a altura. As trevas viram cinzas…que plantadas podem enfim virar luz.

Ouça ÀIYÉ Gratitrevas



Entrevista

Conversamos com a Larissa Conforto para entender mais sobre as mudanças, imersões e background por trás de seu EP de estreia. Ela revela em entrevista exclusiva as nuances de Gratitrevas, o debut da ÀIYÉ.

Estive lendo um relato seu a respeito do desafio, energia e reconstrução pessoal e espiritual que este EP representou em sua vida. Como foi lidar com o fim da Ventre, mudar os rumos, se aprofundar em uma nova crença e o processo de sair da zona de conforto? 

Larissa Conforto: “É vida que chama, né? Os fluxos de aprendizado, as idas e vindas, processos de autoconhecimento, desapego, aceitação… Foi um período muito profundo pra mim, e continua sendo!

A Ventre foi determinante na construção minha auto expressão enquanto baterista. Foi um recorte muito forte meu, que me levou a lugares lindos de aprendizado, e por causa da banda eu tive a oportunidade de ser baterista de diverses compositores e artistes.

O Percurso

Nesse percurso eu me desenvolvi como instrumentista, me aprofundei na execução, na escuta, na produção e execução de beats… E então algo adormecido em mim despertou, uma vontade de expressar as coisas que me movem enquanto pessoa, mesmo que eu ainda não soubesse bem como.

Quando a gente lida com muitos monstros, começamos a buscar variadas curas, né? Meu processo foi e continua intenso. Passei pelo grande encontro com a Umbanda, por muitas sessões de psicanálise, pela formação em Bodytalk, por muitas aberturas de portais através da ayahuasca e muita meditação.

O Fim da Ventre

Hoje eu enxergo o fim da Ventre como um impulso. Eu vivi seis anos fortíssimos dedicados à banda, anos de muita alegria e muito trabalho. Me ver fora daquilo foi duro, mas não foi nem de longe a parte mais difícil, ou o gatilho, nem nada disso.

Que bom que os fins apresentam começos e novas perspectivas!
Acho que eu nunca estive na zona de conforto (embora conforto sempre estará presente, no meu sobrenome, rs).

Eu busco a renovação em cada passo, e só me interessa aquilo que propõe, que discute, e que tem alguma capacidade de transformação. Acho que pra onde eu caminhar, minha bússola vai sempre apontar pro novo. Errar é vital, não tem jeito. Então eu vou sempre agradecendo, inclusive pelas trevas.”

A partir de que momento sentiu a necessidade de exercitar este lado de compositora e como os amigos acabaram ajudando e até mesmo participando do processo?

No disco ouvimos diversos elementos e instrumentos rítmicos que até então não tinha explorado, me lembrando um pouco a Alessandra Leão (em Macumbas e Catimbós / 2019) mas também experimentando texturas mais experimentais da música eletrônica, pop barroco, funk carioca, spoken word, samba em outros momentos.

Como foi o processo de construção de identidade do que viria a se tornar Gratitrevas e o porquê do nome?

Larissa Conforto: “Você captou mesmo a essência <3 Tem tudo isso mesmo, e certamente o trabalho da Alessandra me influenciou muito, porque reflete os ensinamentos contidos nos pontos de umbanda, tão sagrados pra minha formação.

A verdade é que a gente nunca sabe a cara do filho, até ele nascer! (risos). Não tinha nada definido: Era eu, minha urgência em botar pra fora, esboços de letras e melodias desconexas, e referências muitos variadas.

Imersão no Samba e nos Ritmos Latinos

Minha escuta vem do ritmo. Eu tive o privilégio de nascer nos braços do samba, e de ter contato com a diversidade dos ritmos brasileiros muito cedo.

Com o tempo fui tendo acesso a ritmos latinos e entendendo que existe uma força invisível no toque do tambor: eles contam histórias de resistência e evocam a nossa sabedoria ancestral.

Desde 2009 eu percorro rituais e pesquiso os toques de tambor e ritmos de resistência, mas só em 2017 que eu encontrei a umbanda. De lá pra cá, entendi que minha cura viria daí.

A Experimentação de Gratitrevas

No processo do disco eu fui experimentando, fazendo colagens de tambores sampleados pra criar um universo que dialoga com uma visão futurista de ancestralidade.Pra isso eu chamei o Diego Poloni, que produziu junto comigo e trouxe muito da linguagem eletrônica que eu tava buscando. Foram muitos dias só ouvindo música, afinando as refs, escolhendo timbres…

As Participações Especiais do disco da ÀIYÉ

Num mundo ideal eu teria gravado um disco com o dobro de músicas e o quádruplo de participações. Mas além da falta de recursos, eu estava me mudando de país e viajando muito a trabalho, então produzi tudo na estrada, entre São Paulo, Rio, Paris e Lisboa. Por isso eu acabei envolvendo somente as pessoas com quem eu tinha muita intimidade, e só chamei quando já tinha as bases bem prontas.

Conexões

Esse EP conta com participação do Vitor Brauer na letra de “O Mito E A Caverna”, que foi feita no ano passado, mas ecoa tudo o que vivemos na turnê em 2018.

O Gabriel Ventura gravou guitas nessa mesma música, pra substituir samples de guitarras do battles -que só ele conseguiria fazer, e o Hugo entrou de um jeito engraçado: eu mandei uma base triste pra ele fazer um baixo… queria que ele fizesse aquelas linhas melódicas dele que eu amo… mas ele acabou deixando o synth que eu tinha programado e criando camadas de noize e delay… Isso me inspirou tanto que mudei o arranjo da música toda.

A outra participação é do Bruninho Schulz, que gravou minhas baterias lá no estúdio do Marcelo Camelo, em Lisboa, e as percussões do samba de Isadora aqui no Rio. Além de
ter salvado a mix e a master em vários momentos de dificuldade ♡”

ÀIYÉ As Melhores Live Sesions | Fevereiro | 2020

ÀIYÉFoto Por: Rodrigo Tinoco


Você também conta como a turnê ao lado do Vitor Brauer (Lupe de Lupe) acabou por sua vez incentivando para que entrasse de corpo e alma nesse no desafio. Como foi o espírito da turnê e a partir de que momento surgiu “O Mito E A Caverna”?

Aliás ela é muito forte e ao menos para mim pareceu dialogar com as trevas do retrocesso que o país vive em diversos aspectos. Como observa o momento atual após as eleições e as crises nas instituições democráticas?

Larissa Conforto: “Sem dúvidas essa turnê foi um ponto de partida. A convivência com o Vitor me inspira e encoraja muito, e a forma que ele compõe e produz me mostrou como poderia ser leve, ainda sendo verdadeiro.

Nós ficamos quase três meses viajando em um corsa wind 96, carinhosamente apelidado de Interceptor (do Mad Max, sim).

Foram 36 datas do extremo sul até o norte nordestino, vestidos totalmente de vermelho, discursando em palco e discutindo sobre revolução através da micropolítica, cultura como fator transformador, e outras pautas que permeavam um momento de esperança diante da primeira eleição depois de um Golpe. Era muito forte!

A Carga do Momento Político do País

Larissa Conforto: “Então vivemos intensamente o incêndio que destruiu o Museu Nacional, e logo depois disso nos deparamos com uma estrada inteira em chamas. Foram imagens chocantes, que ecoariam por muito tempo em nós.

Um ano depois, diante da catástrofe provocada pelo atual desgoverno, com seu plano claro de desmonte do país, e ainda com a memória daquele fogo que representa o apagamento da nossa história, e também todas as histórias de destruição e desastres causados pelas mesmas ideias, ao longos dos séculos: Ideais perpetuados pelo patriarcado, pelo capitalismo, e pelo conservadorismo, que têm uma essência em comum. As caras mudam, mas a ideologia é a mesma.

A Letra de “O Mito da Caverna”

O Vitor fez a primeira parte da letra no início do ano, à distância, e eu fui terminar ela em Portugal, na iminência do desastre ecológico causado pelos incêndios na Amazônia.

Inspirada pela Alegoria da Caverna de Platão (do livro “A República“), que pra mim é a história da humanidade, e criando um paralelo desse mito com a construção desse “Mito” agora nos assombra e representa as mesmas velhas idéias que sempre assombraram o planeta, eu escrevi a segunda parte da letra, e adicionei o final.

O Videoclipe

E então veio o clipe. Eu queria discutir a nossa forma de interagir com a internet e com os novos meios de comunicação. A nossa politica hoje se resume ao twitter e whatsapp (!!).

Nosso presidente emite opiniões sobre o que lhe convém em suas redes, enquanto dá bananas aos jornalistas que lhe exigem respostas sobre o PIB, a taxa de desemprego, a fome.

E pior: a maior parte da população só tem acesso às mesmas empresas e produtos oferecidos “grátis” pelas mesmas empresas que utilizam nossos dados pra manipular o nosso comportamento. Isso é gravíssimo, e foi lindamente retratado pelo André Morbach, que dirigiu, roterizou e montou o clipe, juntamente com o Felipe Macedo (BTFLY), responsável pelas animações 2 e 3D.



Você ainda nesse meio tempo se mudou para Portugal, em um processo de redescoberta pessoal.
Como foi para você esse momento desafiador de adaptação e de tentar conquistar um público praticamente do zero? Como observa as diferenças culturais e o que acredita que une os dois lugares além da língua?

Larissa Conforto: “Como diriam os lisboetas: “Pois!” (risos). Eu me mudei pra lá no início do ano passado, mais tarde vim ao Brasil pra algumas datas e agora tive que adiar minha volta por conta do coronavírus (!!).

A mudança de país não foi nada planejada, e aconteceu em condições muito adversas, mas me ensinou muito. É bem fácil falar sobre a parte bonita, os encantos de Lisboa, a ascensão cultural na cidade e todas as novidades inspiradoras de viver em uma capital européia. É lindo.

A Mudança de Ares

Mas quando se vai sozinha pra um país estranho, onde você não tem parentes nem base, os amigos são recentes, a cultura é outra, a comida é outra, a língua (acredite) é outra… Nem tudo são flores, principalmente nesse momento político/social do planeta.

Tem, sim, muita xenofobia, os assédios a brasileires são cada vez mais frequentes, a discussão acerca de feminismo, racismo, consciência de classe e, principalmente, sobre a colonização ainda é muito rasa.

A gente imagina que “lá fora” existe uma discussão maior, mas a coisa funciona de outra forma. Mas viver isso também foi importante pra mim, e envolve a minha própria construção identitária.”

Como foi para você o processo de imersão na ancestralidade? Além da música você traz para seu caldeirão cinema, literatura, sincretismo, luta social, saudade, depressão, ufologia e até mesmo o sentimento da solidão.

Como foi lidar com tantos universos e as dores ao mesmo tempo? A partir de que momento achou que era hora de se emancipar de toda essa carga energética?

Larissa Conforto: “Pra mim foi inevitável. Eu sempre investiguei o universo místico, por muitas vias distintas. As coisas vão entrando no nosso caminho, não por acaso. Trabalhar com música uma vida inteira é muito forte!

A gente mexe com a energia das pessoas, e com a nossa também. Quando a ferida arde, começamos a buscar formas de cura… e vamos encontrando mais perguntas do que respostas…

Ufologia

Eu me sinto uma estudante. Tô sempre lendo, investigando, buscando conhecimento (valeu ET Bilú), não pra chegar a uma conclusão única, mas porque acredito no poder transformador do percurso.



A gente tem uma responsabilidade enquanto artista. Tamos falando, e tem gente ouvindo. É importante estarmos conectados com energias que nos elevem, e que elevem as pessoas, num sentido de cura coletiva mesmo.

O Poder da Música

A música tem esse poder, as artes tem esse poder. Principalmente nessa onda forte de discriminação social, territorial e étnica; uma obra de arte é um símbolo de resistência, e é também um antídoto, um fator unificador, uma luz no fim do túnel.

Por outro lado, celebrar a memória dos nossos ancestrais e a história de luta deles é também reconhecer que somos os futuros ancestrais. Quando sabemos disso, passamos a viver de forma transformadora.”

No campo das referências musicais, li que cita Fiona Apple, samba, funk carioca, spoken word, eletrônica, Son De Los Diablos e que continua em parceria com o Hugo Noguchi (em “Sombra (US)”) nas melodias entre outros amigos de longa data.

Como foi o desafio de ter a liberdade de não impor limites para os caminhos do projeto? Como vê que sua percepção musical e visão de vida se transformou após finalizar o EP? E quais mensagens tem a expectativa de deixar ecoando na cabeça do ouvinte após a audição?

Larissa Conforto: “Realmente a liberdade é um desafio. Não ter as bordas, os limites, significa que as possibilidades são infinitas… Acho que eu não me preocupei muito em ter uma linearidade. No fundo, o fio que tece todos os caminhos sou eu.

Minhas vivências, minhas pautas, minhas urgências. Não acho que minha percepção musical nem minha visão de vida mudaram depois do disco, mas certamente elas mudaram ao longo da minha vida, e o disco reflete isso.

A Mensagem de Larissa Conforto

Sobre a mensagem, pra mim, é de despertar. Então prefiro deixar em aberto pra cada um entender da sua forma, de acordo com suas próprias vivências. Cada despertar é um, e como é lindo que sejamos tão diferentes…Filho, quando nasce, já não é mais seu, é do mundo.”