Toda sexta-feira saem inúmeros lançamentos e muito material acaba ficando de fora das nossas postagens por uma série de motivos. Mas a procura por Hits Perdidos não acaba apenas no envio de releases para imprensa; e pensando nisso resolvemos criar a coluna Release Radar.

Sim, homônima a playlist semanal do Spotify, para colocar vocês à par dos principais lançamentos sem a necessidade de que os artistas, selos ou suas respectivas assessorias de imprensa tenham enviado o material.

Feito um “encontro as escuras” resenharemos, singles, EP’s, discos, mixtapes e o que acharmos interessante que saiu após às 00h da sexta-feira nas principais plataformas digitais. Será nossa coluna de “pitacos” semanais da música pop.

Release Radar: 02/10


Release Radar Laura Jane Grace

Laura Jane GraceFoto: Divulgação


Sexto Post do Release Radar, comentem se gostaram e se deve continuar!

Laura Jane Grace Stay Alive

Ninguém estava esperando quando na madrugada da quarta-feira para a quinta-feira Laura Jane Grace, vocalista do Against Me!, disponibilizou seu novo álbum solo, Stay Alive.

São canções acústicas no melhor estilo country-punk / acústico digna dos primeiros anos do grupo, o disco, inclusive, foi composto durante a Quarentena e até por isso pega bastante o momento dos Estados Unidos que vive um período de corrida eleitoral, protestos e muita raiva.

O disco foi gravado por ninguém menos que Steve Albini conhecido por seu trabalho de produção em registros de grupos como Nirvana, Pixies, Low e PJ Harvey. Com tiragem limitada, Stay Alive terá suas vendas revertidas para a instituição LGBTQ Freedom Fund.

O plano inicial era gravar um novo álbum com o Against Me! mas Laura se viu trancada em casa e a cada dia mais inconformada com o rumo da humanidade. Ela repensou a ideia de gravar canções que estavam sendo compostas há dois anos para o grupo – e concluiu que não seria a melhor hora pois achou que ia arruiná-las. Entre ficar em casa sem fazer nada, e trabalhar, ela optou por trabalhar e assim nasceu o álbum que foi gravado durante 3 dias de Julho no estúdio do Albini em Chicago.

Em “Hanging Tree” Laura critica o discurso supremacista branco e os extremistas religiosos (que Trump no debate presidencial não conseguiu condenar). “Shelter In Place” fala sobre observar o mundo sob as lentes do isolamento social de uma forma metafórica e de certa forma sufocante. Nessa mesma linha Laura em “The Mountain Song” fala sobre se alcoolizar e ver sua conta bancária enxugar durante este momento, a esperança por sua vez sendo sugada pelo ralo da banheira (aliás, ela na banheira ilustra o álbum visual).

Em “Supernatural Possesion” ela liga as guitarras e busca pelo escapismo em uma faixa sobre não enlouquecer. São 29 minutos de reflexões sobre resistir em meio a tempos obscuros como civilização e a respeito da forma como nos relacionamos com o próximo.



WRY “Tumulto, Barulho e Confusão”

O WRY apresentou mais um single do álbum Noites Infinitas (OAR) que sairá no dia 30/10 e a mais contemplativa e calma das apresentadas até o momento. Parece ter uma grande névoa no horizonte para falar sobre o futuro, entre tumultos, revoltas e confusão, a sensação de ressaca é iminente.

Niilista por natureza, a canção busca forças para seguir em frente após o golpe. Com direito a paredes de guitarras ásperas (com pedal que faz ela soar como synths), arco e metáforas acertadas para mostrar o clima de confusão. Entre longas, e dolorosas, batalhas e a busca iminente pela sonhada liberdade. Por mais poética que ela pareça no presente momento.

Chuck Hipolitho “Mais ou Menos Bem” | “Tudo Está”

O Chuck Hipolitho se prepara para lançar um álbum solo com direito a 5 versões entre outras faixas autorais compostas ao longo do tempo que serão reveladas aos poucos.

O lançamento que está sendo distribuído pela Deck nexta sexta-feira tem dois singles apresentados para o público, “Mais ou Menos Bem”, versão para a canção do grupo argentino El Mató a un Policía Motorizado que foi apresentada pelo Martin Mendonça (Pitty) e “Tudo Está” uma versão para o tema do desenho A Hora da Aventura (“Everything Stays” (Rebecca Sugar)) no qual é fissurado. Chuck gravou tudo em seu home estúdio, fez a mixagem e a masterização ficou por conta de Rafael Ramos.

“A única constante é a mudança. A música fala um pouco disso”, diz Chuck Hipolitho sobre a versão que fez para a canção do desenho. Delicada, a versão prioriza os vocais do músico que interpreta a canção de forma bastante contemplativa e adiciona versos em sua versão brasileira, homenageando até a rainha do mar, Iemanjá.

Já “Mais ou Menos Bem” em tempos como os nossos ganha um novo significado e um parede de camadas que lembra até um pouco o jeito Pixies unppluged, outro músico que recentemente regravou a canção dos hermanos foi o Melvin, do Carbona. Aos poucos outras canções serão reveladas mas podemos adiantar que o disco terá uma versão para “True Love Will Find You In The End“, do Daniel Johnston, em português.

Wado A Beleza que Deriva do Mundo mas a Ele Escapa

A Beleza que Deriva do Mundo…

Como elemento surpresa Wado optou por em suas doze faixas não ter nenhum elemento de percussão. O que deixou o registro bastante minimalista trazendo soluções através timbres acústicos, com synths e elementos eletrônicos. Se nossos tempos são pesados ele responde com ternura em um disco delicado, coletivo, plural e com o espírito de união marcando presença. Wado, inclusive, em algumas canções abre mão dos vocais principais para mostrar a força dos novos talentos locais.

O novo disco contará com faixas curtas que se resolvem rápido, não demoram para chegar no ponto mais alto e a mensagem acaba sendo a parte mais importante entre delicadas melodias e personalidade dos participantes.

Embora ele fale sobre o hoje, ele conta com metáforas e situações em constante transformações e ressignificâncias em nossa sociedade, até por isso, ele provavelmente será um disco que você ouvirá hoje e sentirá algo e talvez depois de alguns anos ele converse contigo de outra forma.

….mas a Ele Escapa

O mundo está doente nas mais diversas esferas, entre retrocessos e pandemia, o universo pede por transformação e de deixar a mentalidade do passado para trás faz parte do processo. Esses choques afetam todo o entorno onde muitos, ainda, se recusam a olhar para frente. Algo que vive em nossa sociedade, acaba se traduzindo nas manchetes dos jornais e influi no nosso dia-a-dia.

O disco por sua vez chega como uma resposta a esses tempos, ele combate esse pensamento e tem como armas a poesia, a doçura, a elegância e a perspicácia. O registro se transforma a cada audição e talvez isso que o faça tão belo, tão intenso e tão simbólico no meio de tudo isso.

Confira Entrevista Exclusiva com
o Wado no Hits Perdidos

Julico e Curumin “Todo Santo Dia”

Da série: Que Feat! Que Encontro! Julico, do The Baggios, continua a apresentar sua carreira solo através de singles e sessions. Desta vez ele aparece com a canção “Todo Santo Dia” em uma faixa com a colaboração do grande Curumin.

O single evoca os santos e fala sobre as batalhas do dia-a-dia. O sentimento de sempre estar pronto para o combate e não perder seus valores. A percussão e as teclas, claro, são um show à parte. Na guitarra Julico mostra a efervescência do caldeirão com raízes setentistas.



Fernanda Takai + John Ulhoa + Maglore “Não Existe Saudade no Cosmos”

Um encontro daquele jeito que gostamos: Maglore e a dupla do Pato Fu, Fernanda Takai e John Ulhoa. Sabe aquela parceria que a gente não sabia que precisava?

Casou muito o pop psicodélico com a leveza dos vocais da Fernanda Takai e Teago Oliveira. Emotiva a faixa ganha guitarras energéticas e uma sensação de nostalgia para falar sobre amor.

Jonathan Tadeu Intermitências

Envelhecer, as crises e as reavaliações pessoais fazem parte do entorno do álbum Intermitências do mineiro Jonathan Tadeu. Ele retrata ao longo das faixas as batalhas diárias e traz consigo a força vital que faz com que não desistamos mesmo quando tudo parece estar dando errado.

Encontrar conforto e ter consciência da nossa jornada, entre aprendizados, conquistas e saber lidar com as nossas próprias limitações. Tudo isso, sem deixar de respeitar quem somos, de onde viémos e o amanhã que queremos fazer parte. Pode parecer melancólico para alguns mas acredito que irá trazer identificação para quem já não tem mais 20 e poucos anos mas que ainda tem sonhos, algo que se reflete na sensível “Éramos Jovens Emocionados” que tem aquele ar empoeirado do shoegaze.

Já “Homem de Bem” cutuca esse momento complicado como sociedade que o mundo tem passado e que foi tão denunciado lá atrás nos quadrinhos da Mafalda, aliás, descanse em paz Quino. Fica aqui a singela homenagem. O álbum oscila em momentos mais introspectivos, outros que se aproximam do emo/shoegaze e alguns mais explosivos…mas a frase que ecoa no horizonte é: “Um coração que só pensa em esperança” de “Todo Dia Eu Torço Prum Final Feliz” que tem toda uma atmosfera Pavement.

O disco conta com ajuda com amigos do coletivo Geração Perdida, Pedro Flores toca guitarra em “Palestra Motivacional” e Fernando Motta (Ginge) faz backing vocals em “Éramos Jovens Emocionados”. Luden Viana, da banda E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante toca guitarra em “É Difícil Encontrar um Amigo”, e Vitor Brauer ficou responsável pela masterização.

The Professional Whistlers A Whole Life To Regret

The Professional Whistlers é o nome do projeto solo do Eddie Shumway, do Lava Divers e The Travelling Wave. Com canções já sendo compostas há algum tempo ele aproveitou o momento de isolamento para finalizar o EP, A Whole Life To Regret, que está sendo lançado nesta sexta-feira via MMC music and stuff.

São 4 canções, como por exemplo, a powerpop, e sincerona, “I’m a Fool” que ganha teclas e arranjos pegajosos que te fazem cantar junto logo no segundo refrão. “I Never Learn” vai pegar fácil fãs de bandas como Superchunk, Pixies, R.E.M., e tem toda uma energia nostálgica que dissipada: ao mesmo tempo que te sufoca, te abraça.

Misturando guitarra e violão, “May 5, 2017” tem todo aquele clima de balada de tentar olhar para trás para achar respostas. Fato que por conta das referências, ela poderia ter sido composta em 1987 ou em 2020.

Quem fecha é “Paola”, e se diferencia das outras por trazer referências setentistas, como o som da teclas do piano emulando um orgão, refrão com a polidez dos Beatles – e fica a duvida se tem até mesmo um xilofone (ou se é o piano) no trecho final.

Os Fonsecas Fundo da Meia

“Um quarteto sub-20 com referências setentistas com frescor em narrativas cotidianas quasi-folclóricas” diz o release, ou seja: a base vem forte. Teclados, canções mágicas e narrativa com aquele pé na magia das bandas da Pompeia de outros tempos. Essa vibe bicho grilo casa total com a atmosfera do som do novíssimo grupo em seu EP Fundo da Meia que a princípio só ia gravar um single no Estúdio Fiaca mas que acabou virando uma fitinha com aquele gosto de LSD. Um lançamento lisérgico com o selo de qualidade Seloki Records.

“É muito difícil falar sobre as influências já que as composições e principalmente os arranjos são processos coletivos em que cada um traz muito fortemente os repertórios individuais. Ainda assim, nomes como Tom Zé, Mandrill, Jards Macalé e Novos Baianos compõem um espectro de artistas que influenciam claramente nosso som. Além disso, Ana Frango Elétrico, Vovô Bebê, Charlie e Os Marretas e Os Amanticidas fazem parte das nossas referências tanto musicalmente, quanto artisticamente, em termos de trajetória enquanto artistas independentes.”, conta Valentim Frateschi

Zonbizarro Redentor

Redentor é o novo EP da Zonbizarro com 3 canções, estas que foram gravadas entre 2016 e 2018, ainda com João Victor Lopes no baixo. Nesse meio tempo Marcelo voltou para a banda como eles comentam no release. São 16 minutos de duração em que as faixas “Erros”, “Tic-Tec” e “Ao Arder” narram sobre as dores e consequências de estar distante das pessoas e coisas que ama. Distanciamento devido a mudança de Rafael para a capital paulista durante aquele período de composição.

O som da banda continua reverberando por influências distintas que vão do rock alternativo mas uma hora abraça o rock progressivo e em outras traz até mesmo elementos do metal. Fato que a atmosfera do EP tem essa carga de solidão, tensão e de espera por dias melhores. O grande destaque fica para a densidade da faixa “Ao Arder”.

Surra Expropriando Sua Fábrica

A banda de thrashpunk/hardcore santista Surra lança um trabalho para lá de irreverente e ao mesmo tempo com o valor de um documento histórico. O EP Expopriando Sua Fábrica faz homenagem às bandas de metal e hardcore da cidade litorânea. Com versões de bandas como Sociedade Armada, Volcana, Summersaco e Larusso. A capa inclusive brinca com o Charlie Brown Jr.

São 7 minutos então imaginem que é daquele jeito que consagrou a banda no cenário nacional: 1, 2, 3, 4 e come poeira. Se você assistiu o documentário Califórnia Brasileira, do Wlad do Zonapunk, provavelmente estará familiarizado aos grupos, caso não, fica a dica para assistir após a audição. Inclusive, se o primeiro o papo foi punk/hc no próximo ele vai viajar pelas ondas do metal da baixada santista.

Morro Fuji “Céu Cor-de-Rosa”

Entre o dream pop e o vaporwave seria uma forma de definir o som da novíssima Morro Fuji. Eles até citam como influências nomes como Terno Rei, Adorável Clichê, The Strokes, Mac DeMarco, Crumb e Boy Pablo. A canção conta com um duelo de vocais, abstração, teclados e um tom pessimista dos primeiros dias da fase adulta. É apenas o primeiro single a ser lançado então ficaremos atentos aos próximos passos para entender um pouco mais o conceito e seus desdobramentos.

Laura Wrona “Se Acaso a Casa”

Após 4 anos do álbum Cosmocolmeia, Laura Wrona retorna com o single + clipe para “Se Acaso a Casa” com a produção do Pipo Pegoraro.

“Voltar a produzir música – e ainda por cima na parceria com o Pipo, que sempre admirei muito como músico e pessoa – me permitiu reconciliar com o fazer artístico que havia deixado de lado para estudar Medicina Chinesa, num período de muita desesperança com o cenário político coletivo.”, conta Laura

“Fala sobre a necessidade de buscar um eixo interno quando ao redor tudo parece ruir – é uma mensagem de força e foco na continuidade, a partir do questionamento que a letra propõe.”, diz Wrona sobre a temática da canção

O clipe que conta com a montagem do videomaker e músico Marcelo Perdido conta com as participações de Andreza Aguida (modelo e ativista do albinismo), Marcelo Palmares (ator e diretor teatral do grupo Pombas Urbanas),  Daniel Fagus Kairoz (coreógrafo e pesquisador da dança); Carolina Arandia (artista do movimento, de origem argentina atualmente residindo em Praga), Pedro Friedman (praticante da dança contemporânea e designer de objetos), Natália Barros (escritora, atriz e paisagista), Melissa Yamamoto (terapeuta energética e cabelereira radical) e Luís Nenung, conhecido pelos projetos musicais Os The Darma Lóvers e Nenung e Projeto Dragão.



Jaguwar “Valley”

O trio alemão de shoegaze / noisepop Jaguwar lançou o single + videoclipe para “Valley” e chamou a atenção por aqui. Eles tem lançado seus trabalhos pelo selo Tapete Records. O clipe inclusive é bem D.I.Y. e no momento eles estão em campanha de financiamento para o futuro álbum da banda.



Dan Siego “Maradona”

De Porto Rico, que já fizemos um especial recheado por aqui, o Dan Siego é um duo composto por baixo e bateria, aquela escola Royal Blood de ser, só que as inspirações deles são de nomes como Lightning Bolt, DFA 1979, Zeus!, o que deixa a coisa mais interessante ainda.

Apesar de o som chegar as plataformas no dia 06/10 por aqui adiantamos um pouco as nossas impressões. O material sai pelo selo Dead Mofongo, que entre outras bandas conta com a Campo-Formio.

O som é instrumental e muitas vezes o baixo soa com uma guitarras com direito a efeitos de pedais e uma atmosfera crescente que parece até trilha de filme de ficção científica ou até mesmo de jogos como Space Invaders. Divertido!

The Brooks “Gameplay”

Se você gosta de funk e soul você precisa conhecer a The Brooks de Montreal, no Canadá. Se o som já é imersivo e dançante por natureza com uma animação dessa qualidade a experiência ficou ainda mais legal. Apenas feche os olhos e se transporte para uma discoteca.



Vinco “Diferente”

O vocalista da Ceano, André Vinco, apresenta seu primeiro single solo “Diferente”. Com beats eletrônicos, a faixa que é um lançamento Eu Te Amo Records acompanha um videoclipe.

O músico define o som como “Emo Eletrônico para festinhas esquisitas, um mantra que rejeita a possibilidade de voltar atrás por ter consciência da impossibilidade do retorno.” A produção, mixagem e masterização são assinadas por André Ribeiro.



Você Não Pode Deixar de Ouvir!

O disco do Marcelo Callado Saída
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O álbum ao vivo do BLACKPINK
Novo EP do Kurt Vile Speed, Sound, Lonely KV
O EP de Covers do Forgotten Boys (Disponível Apenas no Bandcamp)

Os Singles do Release Radar

Papisa, Vivian Kuczynski “Fenda (Remix)”
Ana Frango Elétrico “Mama Planta Baby”
Jesu “When I Was Small”
Cardamomo “Retrodose”
Half Japanese “Wondrous Wonder”
Sepultura “Guardians Of Earth”
Matt Berninger “One More Second”
Gorillaz “The Pink Phantom” (Feat. Elton John & 6LACK)

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