[Premiere] Gumes resgata a simplicidade dos anos 90 em seu segundo single

O anos 90 foram definitivamente diferentes dentro do universo do rock. Sem aqueles medalhões e pose de rockstar, sua atitude era mais introspectiva e seu discurso atingia as massas de maneira totalmente oposta ao rock perpetuado na década de 80.

Ao mesmo tempo esta década foi riquíssima e cheia de bandas que figuraram as madrugas – e lados B’s – da MTV. Foi nessa leva que o mundo pode conhecer bandas como Guided By Voices, Pavement, Built To Spill, Sonic Youth, The Get Up Kids, Yo La Tengo, My Bloody Valentine, Archers Of Loaf, Pixies, Fugazi, Suede, American Football, Sunny Day Real Estate, Rites Of Spring, Mineral, Embrace, Cap’n’Jazz, Texas Is The Reason e tantas outras.

Fato é que a música é cíclica e tudo que acaba sendo resgatado por gerações mais novas sob uma nova percepção e vivências. A identificação pode vir pela sonoridade, referências, literatura, arte e principalmente o sentimento.

O revival nos últimos anos se intensificou e é comum ver um culto a moda e cultura pop dos anos 90. Na música não foi diferente e o grunge, emo e rock alternativo voltaram com força ao menos dentro do independente.

Neste contexto surge a Gumes de São Paulo. Juntos desde 2016 a banda conta em sua formação com Lucas Tamashiro, ex-guitarrista do Raça e Ombu, Thales Castanheira e os irmãos Otto e Yann Dardenne da Goldenloki.


(WEB) Gumes por Rodrigo Lins
Gumes. – Foto Por: Rodrigo Lins

Eles estão prestes a lançar seu primeiro EP pelo selo mineiro Pug Records. Este que deve chegar no começo de agosto e já tem nome: bb. Recentemente inclusive teve seu primeiro single disponibilizado, “Preguiçosa“. Leve, flutuante e desapegado.

Um dos motes do primeiro registro dos paulistanos são as desilusões. Além da contemplação, o silêncio, a calmaria, e a reflexão também tem espaço. Eles mesmos falam que o som em si é despretensioso e talvez isso os ajude a transparecer a ideia de leveza das faixas até aqui apresentadas.

Mas não pense que ser despretensioso tem a ver com ser desleixado, o som que tem proposta detalhista também traz para o ouvinte uma rebuscada experiência sensorial. Assim como a Goldenloki faz em seus lançamentos.

Premiere Gumes “Bebé”

A faixa “Bebé” é o segundo single a ser lançado pelo projeto. Após uma série de gravações, e regravações feitas ao longo de dois anos, finalmente poderemos conhecer o resultado da primeira empreitada da banda.

Segundo a banda a canção é uma homenagem a mãe de um dos integrantes:

“A canção surgiu de um riff do Thales, por isso a homenagem a mãe dele, e uma das interpretações possíveis da música é a gente tentando se colocar no lugar dos nosso pais (mas não fazemos a mínima ideia de quão trabalhoso deve ser)”.



A cobrança, responsabilidade e ser o porto seguro é mesmo colocado na letra que mesmo simples traz uns tantos simbolismos. Inclusive seu instrumental imersivo reforça a inconstância e a ideia de “passar a mão na cabeça”. Uma justa e cabível homenagem por si só. Para quem gostar de Umnavio, Polara, Againe, Pavement e Built To Spill será com certeza uma boa recomendação.

Enquanto aguardamos o lançamento do EP, confira a entrevista exclusiva que fizemos com eles:

[Hits Perdidos] Antes de mais nada queria que contassem sobre como ocorreu o encontro de vocês e quais influências estabeleceram a conexão de cara?

Gumes: “Antes de mais nada nos conhecemos na faculdade de produção musical. Acho que o Thales já conhecia de vista o Tamas por causa da Raça, mas se conheceram mesmo lá na faculdade. O Yann e o Otto são irmãos. O que estabeleceu a conexão de cara acho que foram mais as personalidades do que as influências, que meio que cada um tem as suas, mas dá pra citar o Rancore (entre o Thales e o Tamas) e o Nirvana.”

[Hits Perdidos] Como observam o revival dos anos 90, o rock triste, lo-fi, emo de nossos tempos? O que acham que motivou tudo isso?

Gumes: “Nós gostamos muito dos anos 90, o rock triste é uma nomenclatura, lo-fi às vezes pode ser confundido com falta de cuidado e o emo é uma referência nossa também. Esse revival é natural, como em toda forma de expressão, moda, literatura, artes plásticas, filosofia. Mas sempre tem algo novo junto, sempre uma reinterpretação, reinvenção como na vida né.”

[Hits Perdidos] O registro que será lançado em agosto trará toda essa tensão das desilusões cotidianas mas com esse tom despretensioso e até debochado em muitos momentos. Como acreditam que isso impactará o ouvinte?

Gumes: “Não fazemos ideia de como impactará, nem se vão dar atenção (risos). Achamos que a tensão das desilusões cotidianas necessita de um contraponto, como diria o Cartola “Vou por aí a procurar, sorrir pra não chorar”.”


Bebé

[Hits Perdidos] Porque Gumes? Seria uma brincadeira de faca de dois gumes (risos)

Gumes: “(risos). Gostamos bastante da sonoridade do nome e da grafia.”

[Hits Perdidos] Vocês estão juntos desde 2016 mas este é o primeiro registro, como foi o processo de produção? Vocês já fizeram algum show ou isso só vai acontecer a partir do momento do lançamento?

Gumes: “O processo de produção foi bem longo, de mais ou menos dois anos entre idas e vindas no estúdio; apesar da despretensão, tivemos muito cuidado com cada música e cada aspecto dela, desde a composição até a gravação. Já fizemos alguns poucos shows sim.”

[Hits Perdidos] Contem mais sobre o single “Bebé” e o porque de ter virado o título do EP.

Gumes: “Na verdade o nome do ep é bb (de Bebê), e o nome do single e um nome próprio que é Bebé, que é a mãe do Thales (meio confuso mas agora já era, risos). A canção surgiu de um riff do Thales, por isso a homenagem a mãe dele, e uma das interpretações possíveis da música é a gente tentando se colocar no lugar dos nosso pais (mas não fazemos a mínima ideia de quão trabalhoso deve ser). Desculpa reforçar mas o single é Bebé, e o ep bb (risos).

[Hits Perdidos] Sobre os vídeos que estão produzindo para o EP como foi a produção? Quem foi o responsável e como acreditam que conversa com a estética que querem para o projeto?

Gumes: “Os vídeos foram uma aventura do Tamashiro que teve a idéia de fazê-los, mesmo não sabendo como. Achamos que eles podem ajudar a construir o universo da Gumes, um chão visual pras canções com alguma sorte. A estética que queremos pro projeto não foi muito pré-concebida não, só fomos indo naturalmente, mais pela negação do que pela afirmação.”

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