Melhores Álbuns Nacionais 2019

2019 é a segunda vez nos dedicamos a fazer listas de Melhores Álbuns do Ano no Hits Perdidos. Não será a única do site, além desta com escolhas do editor teremos também individuais dos colaboradores. A ideia é essa mesma trazer diversos pontos de vista e novas dicas para quem acompanha o Hits Perdidos.

A ideia não é polemizar ou dizer que um disco é pior por não estar na lista. Muito pelo contrário, estas listas tem a intenção de recapitular o que rolou por aí – e não foi pouca coisa.

Por aqui, por exemplo, foram mais de 150 discos resenhados ao longo do ano. De estilos diferentes, com histórias peculiares, discursos e uma musicalidade que mostra um pouco sobre para onde a música brasileira está caminhando.

Listas são polêmicas por si só e neste ano reunimos um time de jornalistas e formadores de opinião para dar seus pitacos sobre a confecção destas (Confira Aqui)

Assim como 2018 (Confira a Lista), 2019 foi um ano tenso. Com a classe artística sofrendo retaliações nas mãos de um governo que deixa claro seu combate a cultura e a liberdade de expressão. No cinema vimos aberrações acontecendo, artistas indo protestar, na música a resposta veio através de músicas e em palcos de grandes festivais.

Assim como o ativismo ambiental extremamente necessário em um ano de descaso com a natureza e a população afetada pelos diversos casos com grande repercussão midiática. Não é por acaso que nomes como Greta e Djonga acabaram ganhando protagonismo em 2019.

A lista de Melhores Álbuns Nacionais 2019  mostra um pouco disto de certa forma e passeia por ritmos como instrumental, MPB, Rock, Eletrônico, Alternativo, Experimental, Hip Hop, Pop e Folk. Sem regras estabelecidas muitas vezes um crossover de estilos é visível.


Melhores Álbuns Nacionais 2019


50) Rap Plus Size
A Grandiosa Imersão em Busca do Novo Mundo



Conceitual, intenso, agregador e levando para o público discussões pontuais. Seria uma ótima maneira de incentivar a audição do ótimo A Grandiosa Imersão em Busca do Novo Mundo do duo Rap Plus Size.

Mas mais do que isso, sua narrativa traz no seu enredo diversas chagas, problemas sociais e ativismo. Dando atenção a temas como a opressão do Estado, a gordofobia e as questões de gênero. O álbum também é plural em ritmos, texturas e experimentações.

Reggae, soul, surf music, MPB e maracatu acabam entrando no caldeirão do registro que chega para agregar a todos. Em um momento político de muita indefinição, medo e opressão, nada como ouvir um disco que em muitas vezes durante sua audição recaí como um abraço coletivo.

Confira Entrevista no Hits

49) Derrota
Parece Insuportável



De Americana (SP) para o mundo, o quarteto Derrota lançou o álbum Parece Insuportável. Intenso o álbum instrumental impressiona pela sua capacidade de sintetizar misturas que vão do post-rock ao hardcore. São 7 músicas que passeiam por diferentes estágios emocionais, das explosões, conflitos a apatia.

Leia mais sobre Derrota no Hits

48) Mineiros da Lua A Queda



O álbum de estreia dos Mineiros da Lua traz uma maturidade que não estamos preparados. São jovens entre 18 a 22 anos que trazem temas que questionam sim a juventude perdida, e seus dilemas, mas sem olhar para trás.

Se conectando com a literatura e os problemas sociais. Nossa confusão mental e inconstância entre o caos mental, a euforia e a fúria sendo os verdadeiros condutores desta fiação.

Com um som encorpado, que passa pelo post-rock, experimental, MPB, math rock e outros ritmos, nos sentimos abraçados pela qualidade e coesão de um disco que vem para “bagunçar” e não para entregar de bandeja respostas simples.

Feito um “clássico” ele retrata a trajetória de um jovem embriagado por problemas modernos para questionar o momento e os conflitos de nossa atual sociedade. Cheio de metáforas, curvas e poesia, o registro orquestra a vida feito um espetáculo a céu aberto.

Leia Resenha no Hits Perdidos

47) Saskia Pq



Pq da Saskia vem para consagrar a gaúcha no cenário nacional. Um disco multi-ritmico, envolvente, com parcerias pontuais e trazendo ricas colagens e facetas. Experimentou o quanto pôde, do rap, passando pelo jazz, downtempo, samples e groove. Um disco que cresce a cada audição. Fique atento neste nome que vai dar muito o que falar nos próximos anos.

46) BaianaSystem O Futuro Não Demora



Depois de Duas Cidades muitas portas se abriram para o BaianaSystem e até mesmo fora do país. Com shows intensos, bloco de rua e presença constante nos principais festivais brasileiros eles lançaram O Futuro Não Demora com produção de Daniel Ganjaman e participações de músicos como Manu Chau, Antônio Carlos, Jocafi, BNegão, Lourimbau e do maestro Ubiratan Marques, da Orquestra Afrosinfônica.

O registro elevou o grupo baiano a outro nível. Destaque para a faixa “Bola de Cristal”.

45) Flaira Ferro Virada Na Jiraya



Que grata surpresa o disco da pernambucana Flaira Ferro. Pop, cativante, com letras afiadas e misturando ritmos, essa é a tônica de Virada na Jiraya. O pianista Amaro Freitas recifense e Chico César fazem participações especiais em um registro que conta com arranjos refinados de uma nova e envolvente MPB.

44) Bruna Mendez Corpo Possível



Fui pego de surpresa por este registro desde que tomei conhecimento do primeiro single. A goiana Bruna Mendez em Corpo Possível encontrou uma estética que potencializou suas qualidades em um registro potente, delicado e cheio de nuances.

Fãs de trip hop, pop e de discos intimistas como Pra Curar (2018), da Tuyo, provavelmente irão se apaixonar logo na primeira audição.

43) Marcelle DiscoNeXa



Se você gosta de discos que exploram arranjos, DiscoNeXa, tem tudo para entrar na sua discoteca básica de lançamentos de 2019. A faixa “Memória”, por exemplo, merecia já um remix de tantas camadas e soluções que ela permite.

De beats eletrônicos a sopros, as possibilidades e caminhos explorados o deixam o registro experimental e estranhamente pop. Um disco que destrói para reconstruir.

42) Antiprisma Hemisférios



O Antiprisma é um grupo que soube com o passar do tempo conhecer suas virtudes, carências, potências e características. Digo grupo porque para mim é difícil olhar para eles de uma forma diferente.

A base é o duo formado por Elisa Oieno e Victor José mas a versatilidade em trabalhar com mais pessoas fez com que a possibilidade de se tornar um quarteto em alguns shows; se tornasse realidade. Recentemente até rolou a colaboração no álbum novo do Pin Ups; e a cada experimentação o som deles cresce como um todo.

O que acabou se refletindo em Hemisférios por sua vez. Se na festa eles mostraram sua potência na hora de pegar mais pesado – lembrando Sonic Youth – na calmaria eles nos levam para um faroeste dylanesco e cheio de poeira.

Confira a Resenha completa no Hits

41) Thiago Pethit
Mal Dos Trópicos
(Queda e Ascensão de Orfeu da Consolação)



Íntimo, orquestrado, andarilho e quase uma trilha de um filme, é esta a narrativa do primeiro álbum de Thiago Pethit em 5 anos. O trip hop e a mitologia se cruzam em uma Consolação boêmia, torta e catalisadora de sentimentos. A noite acaba virando personagem principal dentro da sua construção.

Faixas para ficar atento: “Me Destrói” e “Orfeu”.

40) Vivian Kuczynski Ictus



2019 também foi o ano da consagração da curitibana Vivian Kuczynki. Aos 16 ela lança Ictus, um álbum que delira por diferentes frequências e destila emoções.

O álbum serve como um norte do que está por vir e por isso apostamos que nos próximos anos ela deve retornar a listas como esta. Estamos de olho nos próximos passos.

Melhores Álbuns Nacionais 2019

39) Labaq Lux



Labaq vem com a força de uma Lux no fim do túnel em seu novo disco. O sucessor de V O A é quebradiço, flutuante e desafoga sentimentos. Por muitas vezes soa como um grito no escuro clamando por mudanças.

Entre as participações especiais temos Phoro, Fran Czek, Camila Vaccaro, Fármacos, Bienvenidos a la Computadora e Ian Chang (Son Lux).

“Ela fecha o ciclo de coragem, de luta que o álbum traz consigo. Labaq ousou e experimentou sem medo. “Lux” é a luz que você traz dentro de si que alimenta a coragem, que elimina o medo e faz com que você não esteja só.

Um álbum necessário nos dias de hoje.“, contou Camila em resenha 

Leia a Resenha no Hits

38) Romero Ferro FERRO



Em setembro foi a vez do pernambucano Romero Ferro lançar seu segundo álbum. FERRO mistura música pop com new wave e o brega, tem participações de Duda Beat e Hiran que deixam sua sofrência ainda mais cadenciada.

“Corpo em Brasa” tem cara de hit de carnaval, “Pra Te Conquistar” mistura o brega e as pistas de dança de maneira envolvente, e se juntam numa cumbuca repleta de canções de amor. Destaque para a produção do álbum que não tem vergonha de se assumir pop.

37) Apeles Crux



Os fantasmas do passado atravessaram o Rio do Tempo, mas foram exorcizados em Crux, segundo álbum de Eduardo Praça sob seu pseudônimo Apeles.

Eduardo alia o refinado ao confessional. Expurga seus sentimentos e poesia através dos rumos que a vida lhe reservou. Expressa sua mudança de ótica sobre o mundano, reflete o momento de aprendizado no exterior; e como tudo isso acabou afetando seu lugar no mundo.

Maduro e com uma carreira construída no underground paulistano entre Ludovic, banda que entrou aos 16, e o ótimo Quarto Negro, ele revela a cada disco uma nova face.

Se o anterior era mais otimista, neste ele embarca em lembranças mais traumáticas para dar luz a sua essência rebelde. Apresenta seu novo mundo através da poesia e preza pelos mínimos detalhes. Feito um espelho, ele abre um portal e expõe seus sentimentos mais profundos.

Confira entrevista com o Músico no Hits

36) Supervão Faz Party



A Supervão que passou tantos anos experimentando e circulando o país para conhecer mais sobre tantos “brasis” que nos habitam, chega no ponto de abrir o peito para contar mais sobre a experimentação de entrar num estúdio para contar mais sobre um era pós-internet.

Momento propício para se desconectar das mazelas das redes sociais e trazer o calor da rua para seu riquíssimo trabalho entre colagens, samples e referências de um país que mesmo moderno…ainda luta contra um passado pavoroso que insiste em ser resgatado a cada pequeno retrocesso vivido.

Eles trazem para sua “cumbuca atômica” ritmos como o techno, MPB, New Wave, New Rave, Psicodelia, Jazz, Experimental, Rock Alternativo, Samba e até mesmo citam a conectividade do forró no single “Social Animal”.

No fundo eles sabem sentir este calor e ao invés de propor respostas, questionam e provocam o ouvinte a também pensar a respeito sobre tudo que estamos vivendo. Encorajando a sentir a potência das festas de rua e a buscar por um mundo, até então utópico, onde exista diálogo, empatia e menos conflitos.

Contemporâneo, artístico e com uma proposta ousada para tempos onde querem calar qualquer tipo de produção com viés crítico. Ponto para a Supervão.
Agora nos resta digerir tudo isso.

Confira Resenha + Entrevista no Hits

35) Tássia Reis Próspera



Próspera é o resultado de uma construção de uma trajetória muito bonita da Tássia Reis dentro da música brasileira. Neo-Soul, Rap, R&B, Trap, Samba e o cotidiano acabam entrando no disco bastante otimista para 2019. Um disco para se deixar ser levado por suas batidas e sentimentos.

“Esse disco surgiu da necessidade de acreditar que podemos ser melhores do que somos agora e prosperar em todos os sentidos: pessoais, amorosos, espirituais e, também, financeiros”, explica a rapper

34) Jaloo ft. (pt. 1)



Outro artista que colhe frutos de uma trajetória sensata dentro do pop e de construção de identidade é Jaloo. O paraense usa e abusa dos feats muito bem escolhidos neste álbum que cresce ainda mais nos palcos. Destaque para os feats com Mc Tha na cativante “Céu Azul”, Karol Conká e Manoel Cordeiro.

33) Larissa Luz Trovão



Larissa Luz veio com tudo em Trovão que sucede MunDança (2012) e Território conquistado (2016). A baiana reuniu um time de peso para somar no registro que conta com Lazzo Matumbi, Luedji Luna, Letieres Leite (maestro e arranjador da Orkestra Rumpilezz) e Gabi Guedes (alabê, tocador de atabaque em rituais afro-brasileiros).

Temas como ancestralidade, religião, empoderamento negro. O urbano, o momento, o trap, o eletrônico, o velho e o novo se fundem em um disco potente e por muita horas dançante.

32) Karina Buhr Desmanche



Karina Buhr fecha uma década de ótimos lançamentos com Desmanche. Tem a tensão de Selvática, estética viva e em constante mutação, guitarras, batuques, fervo das ruas e contesta sem medo de colocar o dedo na ferida. É punk, é dark, é pop, caótico e inventivo. Um retrato da confusão mental de nossos tempos.

31) Pélico
Quem Me Viu, Quem Me Vê



Divertido, debochado e energético seriam ótimas palavras para definir o álbum do Pélico. Da euforia ao íntimo, ele faz um passeio pelo rock e o pop, com direito a momentos de sobriedade, insanidade e um arsenal de cartas na manga. Explora ritmos, contextos, poesia e timbres.

3o) Rios Voadores
Na Era Sinistroyka



São 10 faixas, 36 minutos e um sopro de fé a cada canção que já mostra o que quer com suas guitarras ácidas, teclado alegre de “Garganta Seca”. Canção que parece trazer a sensação de refresco e reconstruir de sua fundição.

Uma nova viagem pelos anos 70 dos Stones, indo de encontro com a jovem guarda, de Erasmo Carlos, e abraçando até mesmo a verve “indie” e empolgante de grupos como Khruangbin. Psicodelia deliciosa, colorida e ritmada para nossos estranhos tempos.

Confira a Resenha completa no Hits

Melhores Álbuns Nacionais 2019

29) Sessa Grandeza



A conectividade e expansão de horizontes é o porto seguro de Grandeza, álbum de estreia do músico Sessa. Conhecido como Co-Fundador do Garotas Suecas, e também por seu trabalho como guitarrista do nova iorquinoYonatan Gat, ele traz para esse projeto influências de samba, bossa nova, free jazz, afoxé, folk, psicodelia espiritualidade e um pouco de cada lugar em que gravou.

São diversas texturas e soluções sonoras que trazem além de paz, conforto para a alma. Ponto alto para a quentura e por sua capacidade de abstração.

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28) El Toro Fuerte
Nossos Amigos e os Lugares Que Visitamos



O segundo disco da El Toro FuerteNossos Amigos e os Lugares que Visitamos, é confessional, intenso, potente, eclético e mostra muito do processo de evolução da banda em diversas frentes.

A entrada de Fábio de Carvalho proporcionou, por exemplo, várias pérolas. As viagens pelo Brasil, as trocas de experiências e as referências trazidas por cada um fizeram o som ganhar ainda mais corpo. Mais pop que o debut, as participações se destacam e ajudam a mostrar o vigor das composições.

Recomendado para fãs de: emo, math rock, post-rock, hardcore. Recentemente a banda anunciou um hiato mas torcemos para que voltem com ainda mais força.

Confira a Resenha Completa no Hits Perdidos

27) Moons Dreaming Fully Awake



Não demorou muito para o Moons ligar os motores e “coladinho” com o ótimo Thinking Out Loud (2018) lançou este delicioso álbum que faz uma ponte interessante entre o folk e o rock alternativo.

Mais minimalista, em relação ao anterior, as camadas e composições são feitas para serem sentidas à flor da pele. Um bom registro para ser ouvido enquanto aprecia uma taça de vinho. Agradará a fãs de Wilco, My Morning Jacket com ótimas canções para cantar ao pé do ouvido.

O ano foi agitado e vale fazer uma menção honrosa em nossa lista para o ótimo álbum Pássaro-Cão, de Bernardo Bauer, que também integra a banda.

26) Brvnks Morri de Raiva



O álbum de estreia da Brvnks, Morri de Raiva, diverte por seu jeito despojado, dream pop, ora ruidoso, ora punk, outrora pop. Como foi sendo lançado aos poucos várias faixas já eram conhecidas dos fãs do grupo goiano mas como seu sentimento de nostalgia era iminente pouca diferença fez para o resultado final.

Altamente recomendado para fã de Snail Mail, WavvesSoccer Mommy, Pixies, FidlarBest Coast,Alvvays Courtney Barnett. Dê o play e se deixe levar pelas faixas que fazem um passeio por lembranças da adolescência. Entre raivas, amores, tensões e aprendizados.

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25) ROSABEGE Imagem



A tecnologia, o sentimento, a experimentação e a estética se fundem no interessantíssimo e visual álbum de estreia dos cariocas da ROSABEGE.

Um disco que possivelmente agradará a fãs de Radiohead e composto a 8 mãos, todos os integrantes participarão desde o conceito até as letras. Enigmático, imersivo e introspectivo, eles reconstroem a linguagem para propor algo novo.

24) Yma Par de Olhos



O álbum de estreia da YMA, Par de Olhos, funde synthpop, rock e pop – e nos convida para viajar juntos com destino aos anos 80. De amores, quereres e dores, o disco em muitas horas parece até o rebobinar de um filme. Não é a toa que sua estética mergulha no universo dos sonhos, passeia pelas pistas de dança e explora melodias cativantes.

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23) Papisa Fenda



Foi numa sexta-feira de lua nova que Rita Oliva decidiu lançar seu primeiro disco. Com um universo onde cruza universos místicos, astrologia, cartas e uma infinidade de passagens mágicas, nascia Fenda.

Um disco inspirado na investigação do universo. Que vai fundo ao investigar os mistérios do invisível, descobrindo-se parte dos ciclos de morte e renascimento. Tudo isso através de um olhar belo, contemplativo e respeituoso.

São nove faixas que compõe o registro que escolhe narrar sobre a morte & os mistérios mais obscuros da vida de forma – e perspectiva – muito acolhedora. Manifestando respeito com a memória e nosso legado. Seja ele neste plano, como para o universo. A mãe terra sendo a grande maestra deste ritual de passagem.

Com gravação e processo um tanto quanto caseiro, a beleza da obra e suas expansões vivem em cada detalhe e desejo por permitir essa conexão com o eu. Rita expande seus horizontes e também se reconstrói como artista nesta nova etapa da carreira. Conseguindo estabelecer parcerias de maneira prática, intensa e colaborativa.

Um dos mais belos registros do ano ressignifica sua trajetória e abre os portais para seus próximos passos. E claro que queríamos saber mais sobre toda essa magia.

Confira um Making Of exclusivo escrito pela própria Papisa com exclusividade para o Hits

22) Sandyale Árvore Estranha



Psicodelia, proto-punk, krautrock, trip hop, MPB constituem as raízes da Árvore Estranha da sergipana Sandyalê. Intenso, abstrato, pop, transgressor e atemporal.

Talvez isso que tenha dado o destaque para esse disco que bebe de várias fontes para
contar sua própria história. Um trabalho que levou quatro anos para ser finalizado e que conta com composições de vários artistas e participação de Júlio do The Baggios em “Peia”.

21) Pin Ups Long Time No See



20 anos depois o Pin Ups continua conseguindo surpreender. Não apenas por ter um show explosivo, ou histórias marcantes, mas justamente por não se fechar a clichês e continuar inventivo.

No tão aguardado sétimo disco Long Time No See, o clássico grupo paulista mostra a versatilidade de sua “discoteca básica” e vai além do esperado. As referências passam sim pelo universo das guitar bands, mas flertam com diversas eras do rock, folk, garagem, psicodelia, e o punk. Um disco de rock! Ouça despido de preconceitos e se deixe levar pela brisa.

Confira a Resenha Completa no Hits Perdidos

20) Liniker e os Caramelows
Goela Abaixo



Amor, saudade, intimidade e resistência guiam o novo álbum da Liniker e os Caramelows. O álbum é recheado de participações entre elas um coro formados por Josyara, Juliana Strassacapa (Francisco, El Hombre) e Tássia Reis nos backin vocals de “Goela”. Já a carioca Mahmundi participa em “Bem Bom”.

A poesia ganha novos contornos na obra, revela novas facetas e mostra ao público novas possibilidades de arranjos. A música latina e experimental acabam, por exemplo, sendo mais notáveis neste trabalho.

19) Mc Tha Rito do Passá



Mc Tha roubou a cena em 2019 com seu ótimo rito de passagem. De maneira astuta ela misturou pop, funk e outros ritmos brasileiros de forma única e ganhou repercussão com méritos. Com histórias pessoais e batidas envolventes é interessante a construção e caminhos escolhidos pelo disco.

O processo do álbum também envolveu a colaboração de outros músicos: Malka, Jaloo, Dj Tide, Mu540, Felipe Cordeiro e Ubunto.

Confira entrevista exclusiva com Mc Tha no Hits

18) Rakta Falha Comum



A esperança vai de encontro com as ruínas em Falha Comum da Rakta. Os ruídos, o experimentalismo e toda a transe post-punk soturna envolvida deixam o clímax e o território hostil – o que por sua vez é um belo presente para os fãs do grupo. Um convite para quem deseja se perder na escuridão.

17) Milkshakes Wanderlust



Psicodelia em movimento e a cores. A banda alagoana Milkshakes lança seu novo disco mostrando um primor em sua produção em um registro que dialoga com grupos como Men I Trust, Melody’s Echo Chamber, Unknown Mortal Orchestra, The Holydrug Couple mas que ao mesmo tempo traz o calor e referências do synthpop oitentista. Um disco delicioso para ouvir flutuando!

16) Def
Sobre os Prédios que Derrubei
Tentando Salvar o Dia (Parte 2)



A Def do Rio de Janeiro finalmente em Setembro revelou a continuação de seu trabalho anterior e que disco, amigos.

No campo das temáticas, o exorcizar de memórias ruins continua em pauta. Desde lidar com a depressão, transformações internas, constante mudanças e ver o tempo escoar pelos dedos. É deste brilho tão questionador e empático que faz a obra crescer dentro de você.

No campo das influências eles não se acanham a citar universos completamente diferentes. Desde o midwest emo do Cap’n Jazz, passando pelo progressivo do The Mars Volta, a poesia melancólica do Ludovic, as linhas alegres e pops do Blink 182 e até mesmo os pagodes antigos de grupos como o Bokaloka (Acredite se Quiser!)

Uma das baladas mais belas tem a função de fechar o álbum. “Arranha Céu” ressoa como um suspiro por dias melhores. Carregando esperança entre a imensidão prédios que são erguidos todos os dias. Retomando forças para completar a volta para casa.

A casa não necessariamente no plano físico mas onde se sinta querido. Seja viajando, seja ao lado dos teus, seja fazendo o que mais ama. É com uma positividade em meio a acordes dissonantes que o álbum se despede. Abraçando quem ouve com melodias gostosas e afastando as nuvens do que antes eram tormentas.

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15) Tori Ignatia



Um disco que bateu absolutamente bem desde a primeira audição foi o registro de estreia da Tori, Ignatia. Se você gosta de Warpaint e uma sonoridade experimental que não se prende a clichês este disco é um ótimo convite para explorar novos caminhos.

A poesia, o lado mais sentimental duela com as quebras e as melodias que se expandem no horizonte. Se permita se perder pelas curvas do álbum.

14) Rosa Neon Rosa Neon



Um meteoro pop de Minas Gerais. Brega, R&B, Reggae e muitos clipes culminaram na construção do debut do grupo que trata de temas do cotidiano em suas letras, da paixão ardente aos desencontros. O revezamento de vocais e batidas dão a entender o sucesso com o público que miram. Prato cheio para curte um pop bem feito.

13) maquinas O Cão de Toda Noite



Formado no Ceará por Allan Dias, Roberto Borges, Yuri Costa, Gabriel de Sousa e Ricardo Guilherme Lins, o maquinas lançou seu primeiro EP em 2014. Já apresentava seu rock experimental/post rock delicado com produção totalmente independente.

Alguns anos mais tarde e um elogiadíssimo disco de estreia, maquinas vive uma nova fase – sublime, plural e inquieto são palavras que podem definir o segundo disco da banda cearense.

O sucessor de Lado Turvo, Lugares Inquietos (2016), intitulado O Cão de Toda Noite (2019, Mercúrio Música), pode soar agressivo e acolhedor, pesado e virtuoso. A obra tem variações instrumentais ricas, dos metais jazzísticos ao bom e velho post-rock.

A versatilidade nos arranjos contém uma maturidade que mantém a obra coesa, integrando diversas colaborações especiais, como Clau Aniz, Breno Baptista, Ayla Lemos, Eros Augustus, Y.A.O. e Felipe Couto, que dão o toque final necessário para este êxtase criativo.

A faixa “O Silêncio é Vermelho” abre o disco nos apresentando logo de cara o que vem pela frente: 9 minutos de uma estrutura minuciosa que cresce e diminui a cada momento em uma sensação de imersão completa.

As letras acompanham o ritmo do álbum, relatando conflitos existenciais, relacionamentos fracassados e algumas alusões interpretativas como em “Prepara-se Para o Pior”. São 50 minutos de um lançamento que provam o poder de fogo que o maquinas têm de se reinventar no estúdio; motivados pela urgência de nunca manter-se no mesmo lugar.

Confira Resenha + Entrevista no Hits Perdidos

12) Torre pág. 72



Uma ótima surpresa foi ver o crescimento da Torre no álbum Pág 72. Nostalgico, sentimental, profundo, com boas composições e arranjos que flertam com o minimalismo, o pop, o experimental, o eletrônico e o jazz.

Coeso e livre para se perder em diversos dilemas e inquietudes. O álbum ainda tem espaço para parcerias com Gabriel Vallada (Viratempo) e Filipe Barros (Barro).

11) Tantão e Os Fita Drama



Eletrônico, experimental, esquizofrênico e altamente viciante. O novo álbum do Tantão e os Fita não é dos mais fáceis e provavelmente é muito diferente do que você deve estar acostumado a ouvir. Cheio de colagens, sintetizadores e efeitos sua “Música do Futuro” tem uma estrutura toda quebradiça e instigante.

Tem momento para tudo, até mesmo para manifestação política em “Nação Pic Pic”. Do noise ao eletrônico sempre em alta voltagem.

10) Jeremaia Jeremaia



Plástico, torto, sound & vision, vanguardista, contemporâneo, fugaz, errante, experimental, nublado, pulsante, reverberante e caótico feito nosso dia-a-dia. São 8 faixas do debut do Jeremaia, projeto de André Faria (Aldo) que te permitem entrar de cabeça em um universo distópico, niilista, impetuoso e neurótico feito uma grande metrópole. O músico cria uma narrativa tão sinestésica que nos leva para filmes coloridos e tensos feito “Enter The Void” (de Gaspar Noé).

Irreverente o álbum encantará a quem gostar de artistas inventivos como The Flaming Lips, BadBadNotGoodFrank Ocean, Blood Orange e a verve pulsante do alternative rock dos anos 90 entrelaçada com a contemporaneidade do lo fi hip hop e a inventiva  música eletrônica atual. Dance Dance e Decadence Avec Elegance, baby!

Confira a Resenha Completa no Hits Perdidos

9) Jards Macalé Besta Fera



Primeiro disco de Jards Macalé em 20 e com produção de Kiko Dinucci (Metá Metá) e Thomas Harres, Besta Fera tinha tudo para dar o que falar somente pela ficha técnica de peso. Nomes como Juçara Marçal, Rômulo Froes, Tim Bernardes, Ava Rocha, Luê entre outros também se destacam nas trevas deste disco desafiador, autêntico e cheio de experimentações.

Daqueles registros que vale ter o vinil em casa por ser inventivo, moderno e trazendo boas cartas para a mesa.

8) Hot e Oreia Rap de Massagem



O duo mineiro em 2019 lançou o álbum Rap de Massagem que mistura linguagens musicais e fogem do padrão tradicional de seus projetos dos últimos anos. O disco satiriza o governo atual e inspira sentimentos, ancestralidade e vida.

Naturalmente ganhando evidência após a promoção do registro que contou com participações especiais de nomes como DJONGA, Luedji Luna, Luis Gabriel Lopes, Marina Sena e Rafael Fantinni. O disco traz diversos petardos e rimas certeiras que dialogam com o momento do país sem forçar a barra.

Confira Entrevista no Hits Perdidos

7) Troá Eu Não Morreria Sem Dizer



Uma das gratas surpresas de 2019 foi o disco Eu Não Morreria Sem Dizer da Troá. O registro reúne participações de nome do calibre de Larissa Conforto (Ventre / ÀIYÉ), Chico Chico e Cristine Ariel (El Efecto) e tem uma proposta de misturar sonoridades, timbres e melodias. Na cumbuca tem espaço para o jazz, blues, MPB, Trip-hop, Folk, Reggae, Forró entre outras coisas. Um disco nada óbvio.

6) Boogarins Sombrou Dúvida



Sombrou Dúvida é um dos álbuns do ano e talvez um dos melhores do Boogarins até o momento. Melhora a cada audição e tem hits certeiros que agradam quem já navegava pela ondas lisérgicas dos trabalhos anteriores dos goianos.

Ele varia, desconstrói, procura novas soluções dentro da proposta da banda e usa e abusa dos efeitos. As relações humanas e suas faíscas ganham ruídos dentro da obra com estética lo-fi.

5) Luísa e Os Alquimistas
Jaguatirica Print



Seja bem vindo ao caldeirão selvagem, experimental e energético da Luísa e os Alquimistas. Com potência, misturas, collabs, recorte e malemolência, o bregawave chegou para te pegar pela cintura e te levar direto para a pista de dança.

Uma enxurrada de sentimentos, mudanças, clímax, beats, experimentações e ritmos dão a tônica do terceiro álbum do grupo que hoje se divide entre Natal e São Paulo. O brega, o reggaeton, o francês, o dub, a paixão e até mesmo o horóscopo acabam ganhando o céu estrelado do registro.

Para o disco Luísa Nascim (e os Alquimistas) reuniu um time de minas de responsa para colaborar. Entre elas a MC e repentista, Jessica Caitano (PE), Catarina Dee Jah (PE), Doralyce (PE), Sinta A Liga Crew (PB) e Jamila (PB), Luê (PA) e Izy Mistura (TOGO), na qual já gravou e compôs com Luísa no ano passado durante o projeto Pulso da Red Bull Music.

Uma aula de como fazer pop dentro do cenário alternativo, torcendo para que quebre a bolha do mainstream pois potencial tem de sobra para render.

Confira Entrevista + Resenha no Hits Perdidos

4) Terno Rei Violeta



O terceiro disco do Terno Rei, Violeta, é delicado, emotivo, sensorial e traz um novo ar para a discografia dos paulistanos. Aliás, São Paulo e sua sensação de amor versus ódio, rapidez e amores avassaladores acabam por sua vez gerando uma série de confusões e silenciosas rupturas.

Todas estas presentes no álbum que explora através de elementos como violão, sintetizadores, e até mesmo violinos, outras camadas que nos levam para os anos 80. Tendo um pouco de folk rock, new wave, post-punk paulista e indie pop em seu caldeirão. Elegante, dolorido, pop e acinzentado feito São Paulo, definem bem o registro lançado em parceria com o selo Balaclava Records.

Confira Resenha no Hits Perdidos

3) Ana Frango Elétrico
Little Electric Chicken Heart



Ao longo de suas 8 faixas tem espaço para referências dos anos 50, humor, corações partidos, poesia, improviso, mágoas, medos, afetos e muita intensidade. Tudo isso por sua vez acaba refletindo na atitude e força que impõe.

A evolução em relação ao primeiro disco é notável e que bom estar podendo dizer isso. Um trabalho de construção, reconstrução e ressignificação, deveria sempre passar por estas etapas.

Ela mesmo procura trazer novas versões de canções de seu primeiro disco durante seu espetáculo, saindo da zona de conforto e propondo um diálogo com o público. Se Ana Frango Elétrico costuma trazer para o palco provocações e poesia, em seus novos shows ela apurou também a teatralidade.

Confira Entrevista Exclusiva no Hits Perdidos

2) Céu APKA!



Esperar por novos discos da Céu é quase sempre garantia de que virá um bom trabalho com ótima produção. Em APKÁ! ela é versátil e consegue ir de referências da década de 70 ao chillout.

Fazendo reverência a artistas como Gal Costa e Caetano Veloso mas sem se fechar na nostalgia e mirando no pop radiofônico (no melhor dos sentidos). Com direito a composições do próprio Caetano (“Pardo”), de Dinho, dos Boogarins (em “Make Sure Your Head Is Above”) e uma das faixas do registro (“Eye Contact”) tem produção assinada por Tropkillaz. Um disco intimista e apaixonado.

1) Black Alien Abaixo de Zero: Hello Hell



O rapper fluminense conhecido nacionalmente como parte da engrenagem do Planet Hemp apresentou ao mundo seu terceiro registro, Abaixo de Zero: Hello Hell.

Mr. Niterói juntou forças com Papatinho (Cone Crew Diretoria) e mostrou como sua luta contra o vício em drogas e álcool deu asas para um álbum potente, cheio de swing e rimas certeiras.

Um álbum inteligente justamente por ser contemporâneo, crítico, com rimas que ficam na cabeça e aliando seu estilo em misturar inglês e português como recurso. Ele faz tributo a sua trajetória de vida, a sua carreira musical, reverencia seus mestres, discorre sobre bloqueios, e dificuldades, mas também sabe falar sobre amor.

Seu estilo também é muito versátil e consegue flutuar de maneira muito natural entre o rap old school, as love songs e as feitas para dar fervo na pista. Choque de realidade que ganha diferentes narrativas e batidas ao longo de suas nove canções.

Beats que por sua vez merecem todos os elogios por flutuar entre o trip hop, o hip hop, o soul, o dub, o jazz e o R&B. Gustavo por muitas vezes faz duras críticas a si mesmo, ao governo e a quem “fala muito” mas faz pouco. Referências a artistas de rock, soul, reggae e a filmes fazem parte de suas rimas ácidas e ásperas de quem saiu do inferno.

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