Acompanhar a evolução e trajetória da Supervão nos últimos dois anos é um capítulo à parte. Talvez só eles mesmos poderiam contar com precisão sobre a rotina e esforço depositado ao longo dos anos, tanto como banda mas também como produtores, técnicos de som e até mesmo “os caras por trás da Lezma Records“.

Tanto é que já estiveram por um triz de encerrar as atividades por diversas vezes mas optaram por persistir, viajar e espalhar sua mensagem empática. Prova disso que a vida nos permitiu um encontro em uma noite onde pudemos conversar mais sobre o que orbita a mente degenerada e pensante destes músicos gaúchos.

De São Leopoldo, na grande Porto Alegre (RS), para o mundo eles trilharam um caminho onde persistir e rodar o país criando conexões proporcionou descobertas e uma profunda análise sobre o que é o Brasil. As dores, pressões, as vibes, a alegria, a rotina, as diferentes visões de mundo e em que ponto estamos.

Não é uma missão fácil e tenho certeza que não era essa a pretensão, porém eles nos trazem em seu álbum de estreia um pouco mais sobre como temos que estar dispostos a encarar o dia-a-dia com bom humor, crítica e mirando um mundo mais carinhoso e menos briguento.

Isso se dá na salada mista de ritmos, timbres, efeitos, dissonâncias e mixagem. O álbum com este nome convidativo e que abraça a quem simplesmente lê o nome, Faz Party, também crava um momento especial.

Mais do que isso, uma conquista. Após anos de luta, seja com a Supervão, como com a Lezma Records ou até mesmo a Chimi Churris, eles conseguiram reconhecimento nacional e foram contemplados pelo acirrado Edital 2018 da Natura Musical.


Screen Shot 2019-07-24 at 21.53.53

Após dois EPs a Supervão lança hoje em Premiere no Hits Perdidos o hipnotizante Faz Party (Natura Musical) – Foto Por: Kim Costa Nunes


A Caminhada

A banda até então contava em sua discografia com dois EPS, Lua Degradê (2016) e TMJNT (2017). O primeiro foi produzido e mixado pela Lezma Records, já a masterização ficou com por conta de Bernard Simon Barbosa (Casinha). A arte da capa foi feita por Ana Paula Peroni e a montagem foi realizada por Lucas Carneiro Neves.

Já o segundo EP, TMJNT, teve edição e montagem feitas por Mario Arruda – que também assina ao lado de Ana Paula da Cunha as artes. A mixagem foi feita por Bernard Simon Barbosa (Casinha) e a masterização por Vini Albernaz (Musa Híbrida).

Desbravando o Brasil

Os EPs fizeram com que o ano deles fosse recheado de shows tendo participado do Festival BananadaMorrostockFestival Brasileiro de Música de RuaDia da MúsicaFestival Bolo Fofo e em novembro tendo tido a oportunidade de abrir para o Homeshake em Porto Alegre.

Faz Party (26/07/2019)

Faz Party também é um marco na conexão deles com o mundo em uma realidade pós-digital como o vocalista Mario Arruda salienta em entrevista para o Hits Perdidos. Ele inclusive foi o responsável pela mixagem do álbum.

“A gente tá em busca de um momento pós-digital na música. Isso quer dizer ver a internet na rua também, mas, mais do que isso, ver o mundo, sentir as pessoas, ver os encontros, se empolgar com isso.

Tem também uma dimensão de olhar pra natureza e encontrar cultura lá. Nada é estanque, mas tudo é construído, tudo é influenciado. Não que isso seja bom ou mau, mas é referente ao Antropoceno – o planeta está aquecido e o calor da terra é do asfalto também. Como se colocar em relação a isso, sabe?”, diserta Mario

Já para a masterização eles contaram com o auxílio de Felipe Tichauer, RedTraxx, conhecido por seus trabalhos ao lado de artistas renomados do país como Céu, Curumin, Anelis Assumpção Metá Metá. Segundo a Supervão “discos de um Brasil contemporâneo e conectado que gostam muito”.

A identidade visual um tanto quanto futurista traz elementos gráficos, que remetem a estética vaporwave e glitch, além de bastante saturação e um flerte com o lo-fi e a alta definição, e ao mesmo tempo tropical. Mais Supervão, impossível!



A quentura já reverbera logo nos primeiros segundos do álbum com a ardida, ao mesmo tempo que refrescante, “Toneladas”. Foi no calor da rua, e em seus contrastes, que eles mergulharam de cabeça.

O lado esquizo, techno e tropical ganha ricas misturas com a psicodelia, traz para o caldeirão a percussão oriental e experimenta sem medo de perder a mão. A mixagem é um dos pontos mais altos da faixa que fala literalmente sobre se jogar na rua e vivenciar as festas e encontros.

Tanto é que eles citam a potência do álbum Duas Cidades, do Baianasystem, e o lado inventivo do mestre Jorge Ben, misturado a um mundo moderno – e muitas vezes plástico – em seu arsenal de camadas.

A arte de renascer, e potência da natureza, ganham destaque na revigorante e efusiva “Asabelha e a Capoeira”. Que vai beber nos Os Afro-Sambas (1966), de Baden Powell, mas que serve muito bem como metáfora para o poder de reconstrução e renascimento do brasileiro em meio a tempos onde é difícil ter forças para tirar a cabeça do travesseiro.

Quando ouvi “Social Animal” tive duas reações, a primeira foi querer me transportar para as pistas de dança para fazer passinhos com esses beats. A segunda foi entender sua ironia e como dá vontade de se alienar. Porém eu realmente acredito em disco voador!

Por mais que a canção tenha uma perspectiva mais séria, e na medida do possível pé no chão. Ela reflete sobre como nos isolamos socialmente em meio a algoritmos e bolhas das redes sociais (sejam elas online ou offline).

A pressão social de nunca estarmos satisfeitos seja com nossa aparência, nossos sonhos, nossas pequenas conquistas e a falta de pesos e medidas sobre as coisas que realmente importam na vida.

O que gera uma exposição nociva, tacanha, doente e que pode causar vários problemas de saúde física e mental. Como curiosidade eles contam que foram atrás dentro de seu “HD Interno” em artistas como The Cure, Caetano Veloso e LaFemme.

A faixa também ganhou um clipe muito sensível e cinematográfico mas você confere mais sobre isso na entrevista dentro da segunda parte do post.

“Quem não gosta de samba bom sujeito não é” podia ser um resumo da temática e história por trás de “Sol do Samba”. Eles comentam que é sobre se curar através das conexões que uma festa ou celebração ao ar livre podem trazer. Sobre se reconectar as suas origens, encontrar seus propósitos e ganhar uma sobrevida neste plano.

Me lembrando particularmente a new wave, indo de encontro com uma rave muito louca feito Underworld na trilha de Trainspotting….e segundo eles mesmos, a paixão pelos Happy Mondays (amo quando lembram de clássicos!) somado a potência – e esquizofrenia – do Teto Preto que inspiraram essa magia e transpiração.

Vivemos no país do carnaval, certo?

E porque não fazer uma marchinha new rave tropical para colocar os indies para “dançar”?

Foi esse o caminho de “Castanha” que conta com participação, nos sopros, do Marco Benvegnú, da genial e experimenta, Irmão Victor, e da Ana Alice, artista visual, nos vocais.

Essa busca por refúgio mesmo lutando muito para conseguir o mínimo de sobrevivência. A canção é o reflexo de nossos tempos confusos e a vontade por se alienar com o intuito de fugir do caos do dia-a-dia.

Se adaptar, comer o pão que o diabo amassou, recolher os cacos e levantar a poeira para procurar um trabalho, quem nunca? É deste sentimento que “Cor Guia”. Particularmente a temática me lembrou “Rodo Cotidiano” d’O Rappa.

Tempos e propostas sonoras diferentes mas como elo uma empatia para quem doa o sangue na tentativa de encontrar uma vida mais digna (mesmo que mecanizada).

Tem alguns anos que durante uma coletiva para o Lollapalooza pude ouvir da boca de ninguém menos que Perry Farrell que a ideia para o festival veio durante uma ida a outro evento de grande porte.

Segundo Farell, os palcos da celebração da música eram divididos entre montes cheios de desníveis. Nele o músico teve, segundo o próprio, uma de suas melhores viagens de LSD da vida.

É bem por aí a proposta de “Loteria” que mais uma vez fala sobre a conectividade e os amigos que a vida nos traz. Porém sob a perspectiva do caminho, experiência e memórias em câmera lenta.

Algo um tanto quanto woodstock, algo um bocado desconectado de qualquer rede social e de volta para a era pré-internet. Não é a toa que eles confessam que foram atrás do MGMT para se inspirar e espairecer.

A abstração e devaneios seguem firmes sob o comando do apito na contemplativa “O Lírio Verde e Branco e a Druza de Ametista”, onde a terra em transe ganha nutrientes e se expande no horizonte. O sol como guia e a “fotossíntese” da vida como plano de ação. Se conectar com suas raízes e desabrochar seu lado humano.

A caricata e lúdica, “Carro dos Sonhos”, me fisgou pesado. Ela é pop, psicodélica e pode ser vista por tantos pontos de vista que só de sentir seus beats, você se sente abduzido e querendo se expandir.

De certa forma também critica a “uberização” do mercado de trabalho, onde o cidadão se dispõe muitas vezes a apostar em sub-empregos ou em trabalhos informais para completar sua renda. E o futuro, fica como?

Curiosidade que uma das inspirações foi logo “Doce” dos Boogarins, e que o sample utilizado veio justamente de um carro de vendedor de sonhos das ruas de Porto Alegre. É a Supervão mais uma vez emprestando um pouco mais da sua vida cotidiana para sua crônica mundana.

A utopia do querer, do viver, do resistir, do se desprender e de procurar respostas para perguntas difíceis se refletem na faixa pensada especialmente para fechar o álbum.

“Vê Se Chega Na Terra Sem Nome” é um reggae-árabe-psicodélico que bate forte justamente por nos fazer refletir muito além do campo dos sonhos. Até por isso acho que a canção encaixa bem na sequência final.

Sua verve conectada, e em alguns momentos disruptiva, chega para nos alentar sobre perguntas difíceis como “De onde viemos?”, “Para quem vivemos” e para a mais dolorosa de todas “Para onde estamos indo?”. Em meio a uma rave de sentimentos à flor da pele, o disco se encerra perto de transcender.


Screen Shot 2019-07-24 at 21.54.09


A Supervão que passou tantos anos experimentando e circulando o país para conhecer mais sobre tantos “brasis” que nos habitam, chega no ponto de abrir o peito para contar mais sobre a experimentação de entrar num estúdio para contar mais sobre um era pós-internet.

Momento propício para se desconectar das mazelas das redes sociais e trazer o calor da rua para seu riquíssimo trabalho entre colagens, samples e referências de um país que mesmo moderno…ainda luta contra um passado pavoroso que insiste em ser resgatado a cada pequeno retrocesso vivido.

Eles trazem para sua “cumbuca atômica” ritmos como o techno, MPB, New Wave, New Rave, Psicodelia, Jazz, Experimental, Rock Alternativo, Samba e até mesmo citam a conectividade do forró no single “Social Animal”.

No fundo eles sabem sentir este calor e ao invés de propor respostas, questionam e provocam o ouvinte a também pensar a respeito sobre tudo que estamos vivendo. Encorajando a sentir a potência das festas de rua e a buscar por um mundo, até então utópico, onde exista diálogo, empatia e menos conflitos.

Contemporâneo, artístico e com uma proposta ousada para tempos onde querem calar qualquer tipo de produção com viés crítico. Ponto para a Supervão.
Agora nos resta digerir tudo isso.

Entrevista

Conversamos com a banda para entender mais sobre toda essa verve que move não somente a obra mas como eles dentro de sua evolução pessoal. A entrevista está entre uma das mais legais dentro dos 5 anos de Hits Perdidos. Confira!

[Hits Perdidos] Queria que contassem como está sendo esse novo momento. Eu sei que vocês sempre fizeram as coisas D.I.Y. no quarto e aprenderam a gerenciar o trabalho ao longo dos anos entre as produções próprias com a Chimi Churris e a Supervão.
Quão diferente foi ter este apoio da Natura Musical e a oportunidade de realizarem a masterização fora do home estúdio? Porque a escolha do Felipe Tichauer?

Leo: “Quando o apoio da Natura Musical chegou nós já tínhamos uma vaga ideia do conceito do álbum e alguns rascunhos de composições que queríamos que estivessem presentes no Faz Party.

Depois de muita conversa e alguns experimentos, acabamos decidindo que manteríamos a produção musical e artística em nosso estúdio assim como toda a captação. Achamos que isso faria mais sentido para a nossa história e aproveitamos isso para incentivar o desenvolvimento das nossas próprias ferramentas, junto a isso abraçamos a ideia de que o Mario Arruda faria toda a mixagem do álbum dessa vez.

Já o processo de fazer a masterização fora do home estúdio sempre foi uma necessidade, anteriormente nos EP’s as tracks sempre foram masterizadas por outras pessoas também, a diferença que a Natura Musical nos trouxe dessa vez foi a oportunidade de trabalhar com um profissional já renomado no mercado.

A escolha pelo Felipe Tichauer veio quando estávamos procurando profissionais de masterização e decidimos olhar para produções recentes da música brasileira que gostávamos, aí quando começamos olhar alguns encartes de discos da Céu, Curumin, Anelis Assumpção, Metá Metá, o nome dele se repetia.”

[Hits Perdidos] Se no último EP TMJT vocês falaram sobre as conexões na era da internet no novo registro eu sinto vocês querendo desconectar e sentir o calor da rua. Mesmo que de uma forma muito Supervão de ser, fazendo várias referências a rotina, vícios e colagens. Aliás é meio por isso que vocês ao longo do tempo foram indo cada vez mais perto da música eletrônica e de experimentar?

Mario: “Acho que é bem isso mesmo, Rafael! A gente tá em busca de um momento pós-digital na música. Isso quer dizer ver a internet na rua também, mas, mais do que isso, ver o mundo, sentir as pessoas, ver os encontros, se empolgar com isso.

Tem também uma dimensão de olhar pra natureza e encontrar cultura lá. Nada é estanque, mas tudo é construído, tudo é influenciado. Não que isso seja bom ou mau, mas é referente ao Antropoceno – o planeta está aquecido e o calor da terra é do asfalto também. Como se colocar em relação a isso, sabe?

E tem isso que você falou, a rotina está presente sim. É sobre ver a vida como ela é pra poder inventar outro jeito a partir disso. Experimentar na arte é inventar outros modos de vida também. Não em um nível macro, mas inicialmente serve só pra gente viver a nossa própria vida, tentar modular ela como um sintetizador até encontrar um timbre massa.”

[Hits Perdidos] Lembro de comentarmos pessoalmente sobre como o Forró da rua, a conexão e serem mega ecléticos iria influenciar o próximo disco. Ouvindo agora tudo parece fazer ainda mais sentido mas queria que comentassem como todo o arredor foi criando esses laços fortes que transformaram a sonoridade da banda.

Mario: “Voltamos a nos conectar com uma vibe que a gente teve muito próximo quando fazíamos festas de rua lá por 2013. Essa reaproximação se deveu muito a poder participar de festivais no brasilzão… Sentir o que vem da rua, das pessoas que querem conviver em momentos festivos, dos artistas brasileiros, isso tudo nos impulsionou nessa nova estética. É também uma vontade de descobrir e inventar junto com essa gente toda uma forma de ser brasileiro.”

[Hits Perdidos] Como é para vocês fazer um álbum ao mesmo tempo que extremamente pop, e para dançar, soar muitas vezes “estranho”? Para mim até o momento foi o álbum mais diverso e abraçando o Brasil, não que os outros não sejam, mas que mais procuraram sentir isso e transmitir. Foram as turnês e as aventuras de norte a sul que de certa forma somatizaram? Qual legado acreditam que estão deixando para a comunidade local?

Ricardo: “Essa é uma questão que também ficamos nos perguntando, (risos) pois normalmente o termo pop, quando atrelado à música que fazemos vem acompanhado de outros adjetivos como torto, esquizo e tals.

Porém talvez olhando na certa distância entre composições e o álbum pronto agora, acho que tivemos a inclinação de propor o pop em conjunto com seu avesso, ou o que muitas vezes pode ser tomado como antagônico ao termo e o gênero mas coexistindo em uma mesma faixa.

Mas no que tange para além da abreviatura musical, o pop enquanto popular foi algo que tentamos nos aproximar no sentido de ser mais comunicativo e popular mesmo, e talvez o meio que tenhamos encontrado seja por esse aspecto dançante, que é uma manifestação artística muito presente e atravessa a cultura brasileira.

Este comentário de parecer um disco diverso e abraçando o Brasil ( adorei “abraçando” pois é algo que carrega o caráter afetivo que estamos precisando nos tempos de hoje no país) nos deixa bastante contentes por que é algo que procuramos talvez sem saber e acho que tem bastante relação com as experiências de festivais e turnês que atravessamos nesse brasilzão.

Acho que se o legado seja um simples abraço e incentivo a coragem, manifestados pela música, cultura e a dança do dia-a-dia é algo que se podemos dizer que pelo menos acreditamos.”


Screen Shot 2019-06-05 at 23.26.12

Supervão contou até mais detalhes sobre o primeiro clipe do disco, “Social Animal”. – Foto Por: Kim Costa Nunes


[Hits Perdidos] Contem mais sobre o videoclipe para “Social Animal”.

Mario: “É um clipe sobre viver um momento muito emotivo, por isso a figura do emo. E se entregar mesmo para o sentimento, viver aquilo, colocar pra fora. No primeiro momento isso pode parecer triste e sem graça, mas, no decorrer do tempo, isso pode contagiar outras pessoas, fazendo com que elas se identifiquem.

Hoje, ninguém mais está sentindo algo sozinho, há uma dor e um sofrimento alastrados. Cabe uma terapia coletiva pra tratar disso… talvez expondo nossos próprios sentimentos, nossas inseguranças, nossas diferenças, a gente consiga entender um pouco mais uns aos outros. Se colocar a si próprio em uma posição que exponha sua própria vulnerabilidade talvez seja mais produtivo do que ficar apontando os problemas do mundo o tempo todo.”


 


[Hits Perdidos] Acho que nunca falei isso para vocês mas quando penso em Supervão penso muito como “O Cansei de Ser Sexy que soube se reinventar”. Como foi construir esse álbum visto que vocês foram juntando Happy Mondays, Baianasystem, Boogarins, MGMT, Baden Powell, LCD Soundsystem, The Cure, Fellini, afrobeat, Peter Bjorn and John, Jorge Ben, The Neighborhood, Underworld, Teto Preto, Velvet Underground e tudo mais para criar toda uma “vibe”.

Como funciona a mente pensante na hora de “abrir o HD Interno” para criar?

Mario: “Obrigado por esse conjunto de refs, a gente adora tudo que você citou!!! <3
Tem também o techno e o house nesse bolo ae… Acho que pra criar a gente sente mais o som do que pensa nele.

Não lembro da gente conversando sobre querer soar como tal banda. Falamos mais sobre ter um baixo que pareça mais com tal e tal banda, um beat com tal e tal outra, uma guita, enfim… Meio que olhamos para elementos separados, sentindo eles na sua potência de expressão. É tipo um autismo criativo, sei lá… Aí depois junta como se pudesse juntar… Porque pode, né?.

Aí tem uma dimensão mais esquizo mesmo… Só que quando mistura a gente já não sabe mais onde vai chegar. Pode ficar massa, empolgante, ou pode ficar brega também. Acho que em alguns momentos até pode parecer brega, mas o brega é algo também que existe, e a gente quer existir.

Sei que isso tem um lado bom e um ruim, como qualquer coisa. Tem muita gente que gosta de ter certeza do que está ouvindo, saber que tal música a coloca em uma identidade que acha segura e massa.

Mas acho que a Supervão vai mais pra um lado de provocar uma mexida nas identidades disponíveis. Não é totalmente indie ou MPB ou Pop ou eletrônico. Se a pessoa se permitir viver isso, que está em diversos outros artistas da música brasileira contemporânea, acho que ela fica mais livre pra viver, podendo inventar o seu próprio comportamento, por exemplo.”

[Hits Perdidos] Como é para vocês resistir em tempos tão “Bad Vibes” e de tão pouca esperança em um futuro próximo?

Ricardo: “Olhar e sentir o que acontece hoje e admitir a decadência, levando ela em consideração, porém, também manter o “tentar apesar de tudo” para poder atravessá-la.

Em palavras parece fácil, mas é um exercício de tentar produzir um hiato que não ignora o que acontece, a vírgula que interrompa pelo menos em um suspiro que seja essa torrente, para não sermos levados junto com ela.

Pode ser nessa tensão, de um lapso entre a tristeza que também admite a festa que algo pode fulgurar a possibilidade que vá no avesso da desesperança, mas não como uma tendência de dizer sobre um futuro salvador, mas que se produza em um futuro do presente: entre a insistência e a existência de continuar apesar de tudo.

Inclusive andamos preferindo utilizar a noção de existência como um modo de estar diante e a altura desse tempo sombrio. Possibilitar modos de existência através da arte, mas também o que arte carrega de vida e vice e versa.”

SERVIÇO SHOWS
DE LANÇAMENTO

Supervão em Porto Alegre
Data: 03/08
Local: Agulha – R. Conselheiro Camargo, 300
Horário do show: 22h
ENTRADA GRATUITA

Supervão em Curitiba
Data: 09/08
Local: Raposa Clube Recreativo – R. Campos Sales, 904
Horário do show: 22h30
ENTRADA GRATUITA

Supervão em São Paulo
Data: 10/08
Local: CCSP – Rua Vergueiro, 1000
Horário do show: 21h
ENTRADA GRATUITA

Supervão no Festival Bananada – Goiânia
Data: 16/08
Local: Passeio das Águas Shopping
Horário do show: 21h30 – palco Tropical Transforma
Ingressos aqui

Supervão em São Leopoldo (RS)
Data: 14/09
Local: Primeira Reza – R. Des. Esperidião de Lima Medeiros, 60
Horário do show: 22h
Ingressos: R$15