A Taco de Golfe, de Aracaju (SE), a pouquíssimo tempo lançou oficialmente seu novo álbum. O power trio em Nó sem ponto ii traz para si dilemas da vida moderna que podem ser compreendidos facilmente por qualquer cidadão de uma das grandes cidades brasileiras; o da comunicação.

Muitas vezes este que deveria ser o fio condutor das relações humanas acaba por sua vez se tornando um dos maiores problemas da nossa sociedade. Se ter voz no multidão trata-se de um desafio dos nossos dias, perdoar, compreender e manifestar empatia perante o outro se torna a cada dia um obstáculo.

Entre a rotina, o egoísmo, a competição, a intolerância, o desrespeito, a arrogância e o preconceito. Além disso temos o elemento da velocidade das coisas. Parece que nunca temos tempo para nada ou que temos sempre alguma coisa mais importante para fazer.

Dilemas estes que esfriam as relações e dificultam laços. Estes que nos fazem mais humanos, atenciosos, solidários e proativos. Em tempos onde estamos em casa e forçadamente tendo que repensar como lidamos perante o mundo, o disco instrumental chega para mostrar como podemos quebrar essas barreiras intangíveis e destroçar, de uma vez por todas, estas correntes invisíveis.

O Momento do Taco de Golfe

O novo álbum sucede Folge (2018) e foi gravado em um período de três dias. Com ideias que foram sendo articuladas aos poucos de uma forma tão Taco de Golfe de ser que sustenta a banda desde os primeiros ensaios.
Vale conferir também a entrevista que eles deram recentemente para o Nik Silva para a Monkeybuzz falando justamente como chegaram com uma ideia de som no ensaio e de repente estavam tirando um som do Radiohead e mudando definitivamente assim a identidade da banda. Para quem quer entender as referências de cada um dos três basta conferir também nosso post com os Melhores Álbuns da Década do Taco de Golfe (Confira).

Entre as referências em relação ao primeiro disco eles afirmam continuar as mesmas. Ou seja, toeChonDon CaballeroKamasi WashingtonJaco Pastorius, Battles, Sons of Kemet, black midi e Julian Lage. Um leque de sonoridades um tanto interessante que vai do rock, passando pelo math rock, progressivo e desembocando no jazz.

Taco de Golfe nó sem ponto ii (2020)

São 10 faixas e cerca de 35 minutos de abstração, praticamente o tempo de duração do set que eles fizeram dentro da programação da SIM São Paulo 2019 dentro da Noite da Brain Productions & Booking.

Energético você acaba nem sentindo passar o tempo passar, percebe mais pela intensidade da camiseta suada e através do choque dos instrumentos reagindo a combustão – e sinergia do momento. Uma jam session ritmada que poderia ser toda intimista mas que dialoga, e hipnotiza, os presentes. Em certo momento até circle pit rolou, ironicamente, nos fundos do Jazz Nos Fundos. Matemático, ritmado, frenético e livre feito o espírito do encontro entre almas.

Hoje eles lançam em Premiere no Hits Perdidos o álbum visual realizado pelo videomaker Capitão Ahab. Se o som deles permite por sua vez a construção de imagens e narrativas, ver este material imortalizado contribui ainda mais para o delírio coletivo que permeia o registro. Cada beco da cidade e suas almas acabam atravessando o vídeo e criando realidades paralelas tão comuns do nosso cotidiano de qualquer cidadão de uma grande metrópole. É do conflito que possibilita a existência de um novo amanhã.



Faixa a Faixa

A aspereza e o conforto são os dois extremos do novo disco da Taco de Golfe. A mesma cidade que proporciona oportunidades também sabe cobrar pela indiferença e a tensão se confunde com a calmaria do cárcere privado de “Grade Grade”. O progressivo abraça o jazz e cria uma narrativa dinâmica ao mesmo tempo que conflituosa e torturante. Sua complexidade age como uma cobra prestes a dar o bote.

“José” foi um dos primeiros singles a ser lançado do disco. Ele já tem uma energia mais pulsante, matemática e que cria um suspense para destilar suas emoções. É a cabeça explodindo por dentro. Já “Caiu da Escada Rindo” vai agradar quem já curtia a influência de toe de Folge (2018), ela inclusive se aproxima de estilos como o Space Rock – e age feito um respiro em meio ao caos do plano das ideias.

Já “Fresta de Folha” cadencia em frequências mais baixas e traz para si o groove. Nela aparece como elemento a experimentação, e o uso do arco que deixa a faixa ainda mais plástica. “Dito” acredito que agradará a até mesmo fãs de King Crimson por conta da riqueza dos elementos e frequências mais espiritualizadas.

A Parte Final

A percussão jazzística e a guitarra quebradiça vão para o centro do salão em “Cortes” e duelam à céu aberto. Feito um metrô lotado às 18 horas de uma sexta-feira e sua sensação de sufocamento. A frequência vai aumentando até o iminente colapso mental.

“O Nada Mudo” testa novamente as frequências mais baixas para criar uma atmosfera própria e de certa forma traz para si a influência da música brasileira de maneira mais significativa. A cozinha do jazz canaliza sua energia na dificuldade rítmica da bateria e suas transições que simulam o desconforto das nossas emoções.

“Antes Vinha” deixa evidente o distanciamento e a rejeição. Ela mostra o desconforto usando a fala como instrumento e recurso para mostrar o desconforto. As memórias colidem e deixam o ouvinte angustiado e acuado no canto. “Minhas Costas D’Água” é também introspectiva, carrega a energia da solidão e sua tensão é condensada no bumbo da caixa. Ela demora para crescer justamente para deixar clara a sensação de apatia.

Quem encerra essa jornada da Taco de Golfe é “nó sem ponto ii” mostrando que mesmo neste cenário pode existir uma luz no fim do túnel. Não que os conflitos não hajam feito monstros no escuro, e que eles não ataquem com intensidade…mas traz consigo uma força de reação. A união e a empatia sendo, por sua vez, a única saída.


Taco de Golfe nó sem ponto ii 2020

Taco de GolfeFoto: Divulgação


Entrevista: Taco de Golfe

Conversamos com o trio Taco de Golfe que contou mais detalhes, referências, processos e até mesmo falou mais sobre os significados e significâncias da potente mensagem. O manager da Taco de Golfe Gagau também comentou um pouquinho mais sobre as mudanças do planejamento da carreira que a Covid-19 acabou por sua vez ocasionando.

Contem como foi essa verdadeira maratona de gravações, afinal foram 3 dias como foi para organizar, acertar a mão e tudo mais? Foram muitos takes? Optaram pelo ao vivo? Como funcionou o processo criativo para o que viria a se tornar nó sem ponto ii?

Alexandre

“Foi um final de semana mais uma manhã de segunda, lá no comecinho de novembro passado, para gravar todas as baterias e o grosso do restante. Fizemos mais alguns overdubs de guitarra e baixo, já esse ano, depois que voltamos de turnê, mas diria que 80~90% do disco foi gravado ali naqueles 3 dias.

A gente foi num esquema que eu acho que chamam de semi-ao vivo: tocamos as músicas juntos, gravando, e aí as baterias desses takes tornam-se definitivas, enquanto que alguns baixos e guitarras são regravados sozinhos depois. Gravar tocando junto com certeza é melhor caminho pra gente.

O mês anterior às datas de gravação foi um mês de intenso processo criativo, talvez o mais intenso que tenhamos vivido como banda até então. Isso muito pq estávamos ali no final de setembro/outubro com apenas 2 músicas “prontas”, e váaarias ideias soltas.”

O Desenvolvimento

“Nós queríamos muito soltar um trabalho novo, acho que desde o lançamento de Erro e Volto, mas era difícil criar um ambiente propício. Dedicação total à banda é uma coisa que ainda está meio longe no nosso horizonte, a gente vai indo como pode. Então a gente chegou ali perto de outubro, apenas duas músicas desenhadas, e definimos um objetivo: até nossa turnê de fim de ano (que se iniciaria no meio de novembro), nós gravaríamos esse disco.

O nosso maior problema realmente é conseguirmos nos juntar, com algum tempo, para compor. Passada essa fase, a coisa vai fluindo de uma maneira muito natural. As ideias surgem e a gente as assume quase que automaticamente, não rola um processo muito intenso de composição, no sentido de ficar ali matutando, aceitando e descartando idéias.

Antes do estúdio, fizemos um esboço de como seriam as faixas, e aí a gente meio que só sabe como vai ser a música realmente depois de gravada, ouvindo os takes. Eu amo esse processo; incorporar a improvisação na composição é uma coisa que me interessa muito. Como conseguir improvisar musicalmente, algo por aí.”, completa Alexandre

Filipe

“Foi tudo muito rápido. Pelo menos é assim que eu enxergo todo o processo. Existiam duas músicas prontas, músicas que vinham sendo ajustadas a cada ensaio durante boa parte do segundo semestre: grade grade e nó sem ponto ii. As outras foram surgindo a partir dos encontros criativos, que ficaram mais intensos nas semanas que antecederam a gravação do disco.

A maioria das faixas desse disco surgiu de ideias que haviam sido registradas no celular, riffs de guitarra, ideias para bateria ou linhas de baixo. Decidimos então gravar tudo antes de entrar em turnê, o que deixou o processo ainda mais corrido. Mas apesar dessa urgência toda em gravar, foi tudo bem prazeroso. A sensação de estar num estúdio gravando só perde pra sensação de estar no palco.

Gravamos a maior parte das músicas num esquema de semi ao vivo, apenas corrigindo erros ou mudando pequenos detalhes no final. No fim de tudo percebi que as faixas gravadas estavam interligadas e que representavam bem um período específico pra banda.”

Em relação ao último lançamento como observam a diferença nos processos? Teve alguma melhora na visão de vocês?

O disco da Taco de Golfe foi gravado no ano passado e ainda fizeram turnê…como foi conciliar tudo? Compunham durante as viagens?

Alexandre

“O processo de gravação do Folge foi muito mais solto, eu gravei a bateria de “Guinoche”, por exemplo, quase 10 meses depois que gravei a bateria de “Viu, Man”. Foi bem diferente, realmente, e pra melhor, na minha concepção. Passar dois dias no estúdio focado inteiramente em gravar é outra perspectiva, a gente se aproxima daquilo tudo com uma mentalidade diferente.”

Gabriel

Nó sem ponto ii com certeza foi um divisor de águas em todo o processo criativo e prático da banda. Não que o que fizemos nele fosse exatamente o que queríamos, mas da pré produção ao lançamento as coisas aconteceram de forma diferente. Estávamos em outro momento no Folge, levávamos a banda com outro nível de comprometimento.

A partir do momento em que acertamos um prazo pro disco novo, otimizamos nossos ensaios e nos esforçamos pra sermos objetivos. Decidimos também que gravaríamos em um estúdio mais estruturado, ou seja, com diárias mais caras (até então quase não gastávamos em estúdio), que acabou limitando nossos dias de gravação.”

Filipe

“Acho que o nosso processo de criação é praticamente o mesmo desde que começamos. A maioria das coisas acontecem quando tocamos juntos no estúdio. Formato de jam mesmo. A diferença grande do nó sem ponto ii pro Folge foi a urgência da gravação.

Tocamos o Folge várias vezes ao vivo antes de finalizar tudo. Durante a viagem recebemos as mixes e fomos acompanhando todo o processo ao lado de Fabrício Rossini, o cara responsável por captar, mixar e masterizar o disco. Algumas ideias surgiram durante a viagem, mas ainda não foram aproveitadas.”

Quais foram as referências e influências? Sejam elas no campo estético, musical, literário….

Alexandre

“Musicalmente, apesar de termos tentado definir algumas bandas/artistas como um horizonte, não acho que nós três tenhamos uma convergência muito grande de referências. Bandas instrumentais como toe, Battles, CHON com certeza são nomes óbvios, mas cada um tem um pano de fundo musical diferente e acho que isso reflete um pouco na nossa sonoridade.

Cada um dos três tenta ser o mais aberto e receptivo possível com as ideias dos outros, e isso acaba misturando musicalidades que um de nós nunca tenha tido um contato íntimo, por exemplo. Acho esse um caminho muito legal, é por aí que a gente tenta ser o mais “diferente” possível, sem deixar de ser acessível.

Particularmente, nesse disco eu tentei ser um baterista de jazz (risos). Ainda to no comecinho dessa jornada, me sinto como uma criança num parque de diversões, mas é esse lance da improvisação como composição, sabe? Pra mim é magia pura.”

Gabriel

“Eu tenho viajado muito em Norman McLaren. Queria muito fazer algo minimamente perto do que ele fez.

Sobre música, já tive inúmeras referências desde que comecei a tocar. De Synyster Gates a Johnny Greenwood, de SRV a Nick Valensi. Atualmente tenho escutado muito Pedro Martins, Bill Frisell e Stevie Wonder.”

Filipe

“Quando começamos a tocar as músicas do álbum todos queriam que soasse diferente. Lembro que em uma das conversas o termo “fosco” surgiu e fez sentido pra todos. Algo com menos brilho, mais pesado e até melancólico. Adicionei algumas coisas ao meu jeito de tocar e isso acabou acontecendo pelas novas influências que adquiri. Em nó sem ponto ii utilizei palheta e pedais de distorção em boa parte das músicas, algo que é novo pra mim como baixista.

Muitos músicos me influenciam, desde amigos baixistas aqui de Aracaju aos nomes mais consagrados, como Jaco Pastorius, Bobby Vega, Robinho Tavares, Christopher Wolstenholme (Muse), Billy Sheehan, Marcus Miller, Thundercat e outros.

Algumas bandas também seguem como referência pro meu som e pro da banda: Toe, Battles, Chon, Sons of Kemet, Black Midi. Também costumo consumir bastante música pop. Isso definitivamente me faz pensar muito na hora de criar uma linha ou compor alguma coisa. Música brasileira também é algo que sempre me acompanha. Ultimamente tenho ouvido muito Milton Nascimento, Gilberto Gil e Moraes Moreira.”

O álbum da Taco de Golfe explora a temática da cidade e seus problemas de comunicação, entre elas a dificuldade de ser compreendido e entender a realidade alheia. Contem mais sobre o conceito. Aliás também da para fazer um paralelo em relação ao o que é ser artista em um momento político e social como o nosso, não?

Alexandre

“Com certeza. É um problemática longe de ser nova, né? Mas quando definimos esse conceito ele apareceu como algo mais individual mesmo, referente ao nossos relacionamentos pessoais, familiares, nosso relacionamento dentro da banda. Ele surgiu no meio da turnê, momento em que a gente teve que entender na marra como é estar 24h com aquele mesmo grupo de pessoa por uns dois meses.

As ausências também fazem parte disso tudo, como é ficar longe das pessoas que amamos e como funciona essa comunicação remota. Trazendo isso para um panorama mais geral, é o paradoxo da internet permitindo comunicação ilimitada e a humanidade indo para uma mentalidade cada vez mais fechada e aversa ao diferente. A gente tem que conseguir se colocar dentro desse problema e tentar fazer alguma coisa a partir daí.”

Gabriel

“O interessante é que a minha relação com o significado das músicas é póstuma. Como uma pessoa que só consegue compreender e interpretar seus próprios sentimentos quando os lê escritos. E hoje, ao ouvir o disco, penso que não poderia ter outro significado. Lembro-me bem quando ouvi “antes vinha” pela primeira vez nos monitores, no mesmo dia que gravamos. Eu só entendi o que ela queria dizer ali, mesmo depois de ter tocado várias e várias vezes. O conceito só poderia vir da mesma forma. Depois de pensar, ouvir e viver o disco.

Nó sem ponto ii é sobre a mensagem e o seu rumo em meio a ansiedade urbana.

Filipe

“O conceito se desenvolveu a partir das nossas experiências pessoais. A capacidade de empatia, compaixão, a possibilidade de poder contar com amizades verdadeiras, respeito às opiniões e visões de mundo, e todos os desafios que englobam o difícil processo que é entender o que o outro tem a dizer; não impor sua vontade e ser menos egoísta.

Essas coisas devem e são exercitadas todos os dias num contexto de banda. E tudo isso se relaciona com o atual momento e com toda a divergência política, e grande crise econômica que nos leva a um abismo social cada vez maior.”

A música instrumental por si só traz consigo a beleza de dizer muito através de acordes e sensações. E a ansiedade, sentimento de urgência, desespero, catarse, euforia, descompasso e até nossos atos falhos acabam transparecendo dentro da narrativa. Sob a ótica de vocês como começa e como se encerra o registro?

Alexandre

“Com certeza, é tudo isso aí misturado. Não somos em nada diferentes de boa parte dos jovens adultos de 20~30 anos de nossa geração, os problemas são os mesmos dentro de suas particularidades, nós só tentamos transformar algo disso em música. É nossa terapêutica.”

Gabriel

“Geralmente começamos a partir de uma ideia de riff ou de loop. Realmente é complicado saber a hora de encerrar. Sempre dá vontade de colocar mais coisa (risos). Mas sei lá, as vezes a música não termina ali, sabe? Eu acho que ela tinha que ser o que era naquele contexto.”

Filipe

“Eu acho que a música instrumental tem um poder absurdo e alcança uma galera que a gente nem consegue imaginar. Às vezes me surpreendo com alguns relatos. Pessoas que nunca tinham ouvido música instrumental tiveram esse primeiro contato a partir do som que a gente faz e isso é muito prazeroso.

Algumas composições nascem de momentos ali no estúdio, mas logo ganham vida e passam a assumir novos significados. Depende muito de quem está ouvindo, o momento que está passando, e as experiências pessoais. E isso, claro, acaba servindo pra todo e qualquer tipo de arte.”

Como enxergam o momento que estamos vivendo entre lidar o paradoxo de solidão x solitude, queda de paradigmas, lidar com o descompasso entre uma grande pandemia x desespero por uma crise de estado em diversos fatores?

E no meio disso tudo vocês ainda estão impossibilitados de tocar por tempo indeterminado, como isso vem afetado e o que planejam para tentar driblar esses obstáculos?

Alexandre

“Individualmente, esse com certeza está sendo o maior problema: como passar por isso tudo que tá acontecendo sem fazer shows? Não somente pelo lado financeiro, mas por esse lado terapêutico que falei anteriormente.

A hora do show é meio que o nosso nirvana, a sensação de levantar da bateria ao final da apresentação, derretendo de suor, é inigualável. Por enquanto tá indo mais ou menos tranquilo, a cabeça movimentada por esses dias de lançamento e tal. Mas acho que essa abstinência do ao vivo ainda vai bater forte.

Um dia de cada vez, eu acho, né? Fora a dose diária de raiva por conta do nosso lixo de presidente, tentar manter a calma e ir vivendo do jeito que dá. Um dia de cada vez.”

Gabriel

“Tá osso. Vamos tentar existir como banda e produzir conteúdo do jeito que dá. Um dia de cada vez, como o Mesq falou.”

Filipe

“Bom, todo mundo foi pego de surpresa com isso tudo. Nós tínhamos vários planos pra banda nesse ano. Turnê, shows, clipes e talvez até um novo lançamento. Essa pandemia fez com que todos os planos fossem adiados. É frustrante. Mas é importante também entender que todas as medidas de isolamento social, o que inclui a proibição de aglomerações, é necessária pra que isso passe do melhor jeito possível.

É difícil como artista/músico não sair para tocar e portanto não receber. Ver que os governos não estão preocupados com a classe nesse momento é ainda mais triste. É imprescindível, como artista, entender o que está acontecendo e não ficar paralisado. Estou aproveitando o tempo para estudar ainda mais o meu instrumento e para criar novas coisas. Além de me aventurar em temas e atividades novas.”

A Perspectiva do Manager da Taco de Golfe

Gagau

“Entrando aqui pra falar sobre essa questão, já que muito do planejamento e estudo pro planejamento é feito por mim, e tem sido desafiador ter que digerir todas as notícias ruins que recebemos diariamente em relação à pandemia e como o governo lida (mal) com isso tudo, junto com a necessidade de distribuir um disco estando nesse momento limitador de não poder tocar e, consequentemente, não conseguir vender ingressos e merchan, além da tristeza de não poder estar no palco com a presença do público que você deve ter percebido, pelo show no Jazz nos Fundos, que eu gosto muito (risos).

Mas basicamente tenho estudado diariamente pra entender que já aconteceu uma virada de chave e a forma de se manter no mercado agora é outra, necessariamente virtual. Uma espécie de “avanço tecnológico” que acabou chegando antecipadamente e de maneira bem imposta a nós.

Não temos outra alternativa se não distribuir e tocar virtualmente para o público da Taco. Tenho estudado estratégias principalmente no que diz respeito a monetizar os trabalhos daqui pra frente, já que temos uma previsão de pelo menos um ano e meio de shows, feiras e festivais virtuais.”

O Choque de Realidade

“Acho também que, apesar desse período triste que estamos atravessando, essas novas formas forçadas de se manter no mercado agora talvez nos ensinem muito sobre distribuir nossos trabalhos e projetos lá na frente, depois que isso deixar de ser o único jeito.

Também tem sido bem legal acompanhar as lives dos produtores e programadores que tenho contato para entender como todos estão se portando e reformulando seus projetos em meio a esse triste caos que estamos inseridos. Vejo triste, mas com esperança de que possamos, como cidadãos, ser responsáveis e respeitar todas as recomendações dos especialistas para que essa pandemia possa acabar sem maiores danos à sociedade.”, finaliza Gagau