[Entrevista] Chuck Hipolitho comenta sobre a MTV, Forgotten Boys e seu novo projeto Chuck & os Crush

Chuck Hipolitho é um dos nomes mais conhecidos do independente brasileiro. Cantor, compositor, multi-instrumentista, produtor musical, artista gráfico e videomaker. Tendo começado sua trajetória musical em 99 com o Forgotten Boys onde foi vocalista, guitarrista, baixista – e agora após sua volta é baterista.

Ele também fez parte da MTV Brasil. Foram 7 anos de casa onde foi produtor, redator, editor, diretor e VJ de programas musicais. Desde 2009 ele também é um dos sócios do Estúdio Costella onde é engenheiro de som e produtor musical.

Chuck ainda passou os últimos 10 anos ao lado do Vespas Mandarinas onde lançou dois discos e conseguiu romper as barreiras do underground sendo indicado em 2014 com o disco Animal Nacional ao Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de Rock Brasileiro. Neste ano ele oficialmente anunciou sua saída da banda após o lançamento de Daqui Pro Futuro (2017).


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Chuck & os Crush. – Foto Por: Fernanda Gamarano

Desde 2016 ele tem se dedicado a seu mais novo projeto Chuck & os Crush onde grava suas canções direto de seu smarthphone apenas com o auxílio do GarageBand. Sem utilizar do recurso de um estúdio ele compõe, produz, grava e edita em seu próprio iphone. As capas por sua vez também são feitas a partir de aplicativos para celular.

Quando questionado ele diz que para ele já é algo que realiza com naturalidade. Para este projeto após o lançamento do primeiro EP, Namastê Yeah (2016), ele tem optado por lançar singles individuais, sem ter compromisso com um EP ou um álbum completo. Ideia que por enquanto, segundo o músico, tem o agradado, porém ele não fecha as portas para no futuro voltar a gravar em estúdio ou até mesmo lançar um disco cheio.

Por mais que seja um projeto solo, ele não abre mão de parcerias na hora de compor, algumas destas elaboradas direto no whatsapp e em outras presencialmente. Fato é que só mostra como as relações humanas nos últimos anos tem ganhado novos contornos – e narrativas.

Entre os parceiros de composição em Chuck & os Crush ele já teve a companhia de Alf Sá (Rumbora, Raimundos), Gustavo Mackaco, Marco Zannini (Bando D’Água), Perí (Nove Mil Anjos), Luiz Gadelha (Talma & Gadelha, Fetutines), Fábio Cascadura (Cascadura), Taciana Barros (Gang 90, Pequeno Cidadão) e Jajá Cardoso (Vivendo do Ócio).

Para as apresentações ao vivo ele conta com a ajuda de André Dea (bateria) e DJ Bertazi (baixo). Eles que além das canções autorais ainda tocam alguns covers durante os shows.

Neste ano ele já lançou os singles “Ninguém é de Ninguém” (21/02), “Superfície de Contato (17/04), “Touro Estranho” (25/06), “Surf Music” (31/07) e “Seja Água (31/08). Em outubro ele deve lançar o single “Zen Pressa” e em dezembro fecha o ano com “Se Raul Queria”.

Singles de 2018 (até agora)

Já que ele optou por lançar singles, e neste ano lançou já 5, achei que o justo seria resenhar cada faixa lançada até o momento.



“Ninguém é de Ninguém” é uma música de amor e mostra como vemos nossas relações nos tempos modernos. A ode ao desapego ao mesmo tempo que reclama que quer estar junto. Conflito que vemos facilmente todos os dias. Com riffs simples e refrão chiclete, a canção de pouco mais de dois minutos passa rápido.



Experimentando mais com texturas, bases e efeitos, “Superfície de Contato” fala sobre se apaixonar, os (pequenos) problemas de comunicação gerados pela tecnologia, ansiedade e expectativas.



Já a mais calma e contemplativa “Touro Estranho” faz uma reflexão sobre os dogmas que a sociedade tenta te “enfiar goela abaixo” como verdades intrínsecas. Em um mundo doente, depressivo onde não valorizamos as pequenas alegrias – e claramente damos mais importância as tragédias. Se sente estranho justamente por nadar contra a corrente.



“Surf Music” é uma composição feita em parceria com o capixaba Gustavo Mackaco e me lembra um pouco em sua estrutura o disco Hi, How Are You (1983) do Daniel Johnston por sua textura lo-fi e despretensão.

Os encontros na canção ganham novos contornos e mostra como muitas vezes os caminhos são mesmo turbolentos. É com metáforas sobre o mar que ele conduz a balada que “abraça” o ouvinte o colocando em cima da prancha.



O mais recente single a ser lançado pelo projeto é justamente “Seja Água”, em parceria com Alf Sá (Rumbora, Raimundos) que tem arranjos ainda mais imersos na surf music de nossos queridos Beach Boys. Também serve com um aviso para os perigos da vida afetiva. Seus dilúvios, precauções, diversões, entre acertos e erros.

Entrevista

[Hits Perdidos] Antes de mais nada gostaria que contasse mais sobre essa nova fase mais experimental e tecnológica da sua carreira. A partir de qual momento optou por gravar com o smart phone? Foi fácil a adaptação? Se surpreendeu com o resultado? Quando você fala que gravou no celular como é a reação das pessoas?

Chuck Hipolitho: “Em algum momento comecei a registrar as demos no telefone porque dava para gravar várias pistas no GarageBand. Com o tempo fui gostando do som que saía. Isso foi no final de 2016. Mas já gravo ideias no telefone desde sempre.

Apesar de usar um telefone e parecer super hi-tech o processo todo é até bem roots e mentalmente um pouco analógico comparado com entrar em estúdio. São demos que vão virando músicas. Eu tô gostando bastante da experiência.

Às vezes eu falo pra pessoas que foi gravado com o telefone para ver a reação mas a maioria nem se importa, isso é bom eu acho. O processo todo tem mais a ver com o meu caminho de composição e produção do que com o resultado final.

No final e deixo só que eu realmente não resolvi refazer porque já chegou legal de primeira. Gosto da textura do som que aquele microfone capta também. Faço tudo sozinho e em casa, então é um processo solitário mas recompensador como forma de criatividade e até como um tipo de terapia.”

[Hits Perdidos] Muito se discute sobre formato dos lançamentos em tempo das plataformas digitais, se é melhor lançar um single, EP ou o clássico disco. Vi que tem lançado singles “isolados” com certo espaçamento. O que no presente momento você acredita que vale mais a pena?

Chuck Hipolitho: “Acho que depende de artista para artista e do que se espera ou planeja. Para mim no momento é mais importante soltar minhas músicas uma de cada vez, posso trata-las sempre como novidade e cuidar individualmente de cada com atenção. Nada contra álbuns, mas para mim pessoalmente tem funcionado assim atualmente.”


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Chuck, André Dea e DJ Bertazi durante apresentação na Associação Cultural Cecília. – Foto Por: Fernanda Gamarano

[Hits Perdidos] Você também neste projeto tem contado com a ajuda de uma série de amigos que tem contribuído nas canções. Como tem rolado os convites, a química nas gravações e quais faixas destacaria?

Chuck Hipolitho: “Algumas começam presencialmente e acabam em um troca-troca de zap e outras o contrário… tem sido um tesão experimentar e trocar. Eu destaco a “Seja Água que fiz com o Alf, que saiu super rápido e acabei passando na frente de outros lançamentos, e “Surf Music” que saiu em uma tarde com o Mackaco. Mas sou apaixonado por todas :)”

[Hits Perdidos] Em relação ao Forgotten Boys, sei que nunca deixaram de ser amigos mas como tem sido o retorno a banda agora como baterista? Se parar para pensar, depois de ser vocalista, guitarrista e baixista você praticamente fez todas as funções na banda. O que a banda representa na sua vida? E vocês tem planos de novos lançamentos?

Chuck Hipolitho: “Forgotten é a primeira onde comecei a me expressar e descobrir minha voz e meu estilo. É uma banda de rock importante, e mais do que tudo, hoje em dia um grupo de amigos maduros que se dão muito bem dentro e fora do palco.

No passado me levou para muitos lugares e me deu muitos prazerem e algum estresse. No fim tudo se resume a experiência. Tô adorando essa fase na bateria, que é meu primeiro instrumento, e espero que a gente componha algo novo em breve.”

[Hits Perdidos] Estamos a poucos dias dos 5 anos do fim da MTV Brasil, para mim foi até surreal quando estava checando essa informação. Como avalia que o mercado da música brasileira mudou após o fim da emissora (como conhecemos e aprendemos a amar) e que balanço faz sobre sua passagem pela emissora. Aliás conte um pouco de sua trajetória por lá, poucos sabem sobre tudo que fez lá dentro.

Chuck Hipolitho: “Cheguei do interior para estudar e acabei entrando lá para montar cenários, foi quase um sonho que eu não tinha sonhado. Peguei bem a fase da mudança dos 90 para os 2000, fiz coisa importantes e aprendi muito.

De alguma forma ela já havia deixado de ter relevância há bons anos, então o mercado que um dia até dependeu dela um pouco teve que aprender a voar sozinho e descobrir novas maneiras e em uma nova realidade.

Mas como foi gradual esse processo, acho que ela foi sendo simplesmente deixada para trás. Tive que aprender a deixar aquilo para trás também porque foi um tempo que passou e tinha que passar. Hoje mantenho amigos e boas memórias.”

[Hits Perdidos] Após os singles programados para 2018, quais os próximos passos do Chuck & os Crush?

Chuck Hipolitho: “Vou continuar soltando meus singles, quem sabe algum momento como Chuck & os Crush em estúdio. Quero tocar e preparar outras surpresas. É um começo… preciso pensar em jeitos de continuar produtivo, criativo e das pessoas ouvirem meu som novo e conhecerem.”

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