Selos independentes brasileiros e
seu papel de resistência em nossos tempos.

Os Selos Independentes brasileiros tem bastante importância dentro do ecossistema da música. Eles movimentam e possibilitam conexões. Muitas delas vitais para que os projetos musicais cheguem ainda mais longe. Até por isso surgiu a pauta.

Com diferentes modelos de negócio é comum ter dúvidas.

Com tantos segmentos. Com tantas formas de negócio. Como escolher?
Qual converge com a sua visão de negócio?

Selo seria curadoria? Selo também é produção?
Selo e estratégia de divulgação andam juntos?

Qual seria o papel de um selo independente em 2019?

Para tentar entender estas e outras dúvidas conversamos com os responsáveis de quase de 30 selos independentes brasileiros.

Com diferentes visões de negócio, estratégias e filosofias de trabalho. Alguns mais voltados para nichos, outros por posicionamento ideológicos e que acabam optando por realizar diferentes estratégias. Estas que vão da gravação, passando pela divulgação aos palcos.

Neste Post traremos a terceira parte!

Série: O Mercado da Música

Após o sucesso dos posts orientando as bandas como lidar com a imprensa (Parte 1 | Parte 2) chegamos a conclusão que seria interessante tentar fazer mais posts com dicas sobre o mercado da música.

O primeiro post desta série foi atrás de donos de estúdio e engenheiros de som para contar “causos” e comentar sobre os principais erros na hora de gravar.

Afinal de contas nada como chamar quem lida com isso todos os dias para relatar sobre suas experiências.

Por aqui também já fizemos um Guia ensinando
como fazer para ter seu clipe na TV“.

No segundo post da série sobre o mercado entrevistamos Curadores, Donos de Casas de Show, Produtores Culturais, Programadores e até mesmo Donos de Estúdios, locais que por sua vez também tem sido importantes para a celebração, e manutenção, da música independente.

Selos Independentes Brasileiros


Selos Independentes Brasileiros


No terceiro post daremos voz aos selos independentes. Com o intuito de auxiliar tanto artistas, como selos. Desmistificar este meio de campo e facilitar a comunicação entre ambos. Fundamentais para que nosso mercado seja a cada dia mais profissional.

Há 3 semanas foi ao ar a primeira parte com 10 Selos Independentes.

Na semana passada a segunda parte com mais 10 Selos Independentes.

Agora você confere a terceira parte!

Selos independentes

Abraxas Records


Abraxas Selos Independentes


O que o artista / banda precisa entender antes de enviar o material para o selo?

Felipe Toscano: “O mais importante é o artista perceber que hoje o formato da assim chamada ‘indústria da música’ mudou, principalmente no Brasil. E por isso ele precisa ter uma postura muito mais proativa. Sobretudo com relação ao início da carreira e todas as frentes em que ele precisa atuar. 

O Ontem

Antes o cara só precisava fazer um som maneiro e tocar nos lugares certos para eventualmente algum produtor ou empresário levar ele pra uma gravadora e dar o start na carreira.

Eram o empresário e a gravadora que injetavam a grana no artista, construíam a sua imagem e faziam todo o trabalho do zero.

O Hoje

Hoje, na maioria as vezes, principalmente no underground, o artista precisa mostrar que já tem algum valor, que já possui um determinado número de seguidores nas redes sociais, que já abriu pra banda gringa, já fez shows fora da sua cidade ou estado, e daí em diante, para assim conseguir captar o interesse de algum selo.

Ou seja, esse trabalho e investimento iniciais, que antes eram conduzidos por um empresário ou gravadora, foram totalmente transferidos para a responsabilidade do artista.

Selos Independentes: As Engrenagens

Além disso, o artista precisa entender que o selo, hoje, é apenas uma das engrenagens que fazem esse mecanismo de base funcionar pra ele.

Além do selo, o artista precisa de uma assessoria de imprensa forte, uma atuação nas redes sociais intensa e de qualidade, um agente focado unicamente em marcar shows e um produtor ou empresário para cuidar de toda a burocracia, cavar oportunidades, negociar os contratos, esse tipo de coisa.

Só que essa equipe, que era montada e disponibilizada pelo empresário ou gravadora no passado, hoje precisa ser contratada pelo próprio artista, que na maioria das vezes não tem capital pra isso ou não vê a importância desse tipo de trabalho (ou as duas coisas).

Uma alternativa para a falta de grana é a própria banda dividir essas funções entre os seus membros. Muitos conjuntos acabam funcionando bem assim no começo e depois que embalam vão contratando os profissionais para as áreas que sentem mais dificuldade. O fato é que, o artista que não se ligar nisso, certamente vai ficar pra trás.”

Até aonde o selo se envolve?

Felipe Toscano: “No nosso caso, a ideia do selo surgiu após anos atuando como produtora de eventos e agência de turnês internacionais. Notamos que as bandas brasileiras ainda estavam muito perdidas com relação a tudo isso que descrevi acima e que precisavam realmente de algum tipo de suporte e orientação nesse sentido.

Porém, nos questionamos sobre em que área atuar; deveríamos fazer o booking dessas bandas, ajudar na geração de conteúdo, assessoria de imprensa e redes sociais, ou efetivamente abraçar o todo e virar empresários/produtores desses artistas?”

O Choque de Realidade

“Nesse bate-cabeça para encontrar a fórmula ideal, acabamos percebendo que na realidade o artista mal conseguia dar à luz, conceber de fato o seu trabalho.

Além da falta de capital para bancar a própria prensagem de mídias físicas, esses artistas não sabiam (e a maioria hoje talvez ainda nem saiba) como distribuir as suas músicas nas diversas plataformas de streaming que já existiam na época.

Não adiantaria, então, fazer todo esse trabalho pós-lançamento (booking, imprensa, redes sociais, produção) se o lançamento em si não estava sendo conduzido da forma correta e o produto da banda não estava exposto em todas as vitrines disponíveis.”

A Proposta

“A proposta da Abraxas como selo, nesse sentido, foi focar nesse trabalho inicial de distribuição e marketing digital, já olhando para esse novo formato da indústria e atentos a quaisquer mudanças e novas tendências.

Conversamos com os artistas, preparamos em conjunto um texto release para a obra, fazemos o lançamento digital e a nossa assessoria de imprensa ainda dá um suporte nessa primeira etapa, para que a notícia sobre o lançamento seja divulgada em todos os sites, blogs, revistas e mídias possíveis.”

Marketing & Assessoria de Imprensa

“Daí em diante, a equipe de marketing e assessoria de imprensa da banda tem que assumir a frente e continuar o trabalho de divulgação, não apenas do lançamento, mas do artista em geral, como forma de mostrar que a banda está sempre ativa e atuante.

Obviamente nós também compartilhamos todas essas informações nas nossas redes sociais, que também tem um excelente potencial de divulgação, mas a produção do conteúdo precisa ser de responsabilidade da banda, pois é um trabalho que vai além do escopo de atuação do selo.”

O Diferencial do Selo

“Só que o diferencial da Abraxas, a meu ver, é justamente o fato de sermos também uma produtora de eventos e agência de turnês internacionais. Com uma boa reputação no mercado e uma marca forte. O que passa credibilidade por si só, em razão de todo o nosso histórico no cenário independente.

Então, ao entrar para o selo, o artista está sob o guarda-chuva dessa marca forte, e pode aproveitar toda a nossa rede de contatos e essa boa reputação no mercado para alavancar ainda mais a sua carreira e aumentar as suas oportunidades.

Por exemplo, quando uma banda do selo pretende organizar uma turnê, nós passamos à pessoa responsável pelo booking da banda.

Seja um membro ou um agente contratado, todos os nossos contatos de produtores e casas de show nas regiões de interesse do artista, e o simples fato da banda fazer parte do nosso cast já é um facilitador para que esse show aconteça.”

Os Lançamentos Físicos

“Além disso, em alguns casos, entendemos ser viável investir em lançamentos físicos como CD ou LP. Mas como a relação do público com a música mudou, principalmente nesse aspecto da aquisição da mídia física. Esse tipo de investimento acaba sendo muito arriscado e com pouca possibilidade de retorno.

Por isso, o que falei acima é importante: um selo só vai investir no lançamento de uma mídia física se o artista demonstrar que já tem uma história pra contar, que já trabalha de forma organizada, atuando em todas as frentes, que possui boa penetração e resposta do público, que tem as redes sociais ativas, esse tipo de coisa.”

Quais as dúvidas e equívocos mais comuns que acontecem? 

Felipe Toscano: “Justamente com relação a essa expectativa do artista (e sua consequente falta de proatividade ou conhecimento sobre como deve operar) versus modelo atual e a real atuação do selo, conforme expliquei acima.”

Como vê a importância de um selo e curadoria em nossos tempos? 

Felipe Toscano: “É importante mais como um filtro. Um selo de qualidade. Uma certificação mesmo. Hoje é muito mais fácil gravar e produzir o seu próprio trabalho. Mas essa facilidade não necessariamente reflete em aumento de qualidade.

Ou seja, temos um volume ainda maior de música ruim, mal feita, sendo produzida. Ao mesmo tempo, o curador ou organizador de um festival, show ou outro evento não terá tempo de ouvir todas as bandas que mandam material para ele.

Então o fato de ter um selo que ele já conhece respaldando um artista é um facilitador para que ele pelo menos se disponha a ouvir e dar uma chance a esse artista.

De fato, na prática, é comum recebermos respostas do tipo “se a banda é da Abraxas eu não preciso nem ouvir, sei que é boa e vai valer a pena chamar para o meu festival”.

Quais artistas podem adiantar que lançarão material este ano pelo selo?

Felipe Toscano: “Até o momento, já tivemos cerca de 10 lançamentos só esse ano pela Abraxas. Juntando os outros selos do grupo (Obscur. e Electric Funeral Records) esse número deve passar de 20.

Em maio, lançamos o EP da Necro (AL). Que foi também a primeira banda oficialmente a ser lançada pelo selo no final de 2017. Ainda nesse ano teremos na rede novos trabalhos.

Da Lo-Fi (SP), Mayaen (RJ), Cosmic Rover (SP), The Mountain Season (RJ), Son of a Witch (RN), Disaster Cities (SP), Origens (AL), A 25ª Experiência (SP).  São os que consigo me lembrar agora de cabeça.”

Selos Independentes Brasileiros

Quadrado Mágico


Quadrado Mágico Selos Independentes


O que o artista / banda precisa entender antes de enviar o material para o selo? 

Miguel Galvão: “Primeiro ele deve escutar o catálogo do selo. Pesquisar sobre as atividades, projetos e eventos vinculados a ele. Para assim, refletir se o material é coerente com proposta de trabalho.

Outro ponto é entender os pontos de afinidade para se dar início a uma relação. Pois em geral, voltamos nossa energia para somar com trabalhos de artistas que já façam parte de nossa rede de alguma forma.

Um ponto que acho importante, pelo menos no nosso caso, é o tamanho/volume do material… Mobilizar toda uma equipe (assessoria imprensa, mídias, networking etc) por conta de 1 faixa só, para uma casa que lança no máximo 1 trabalho por mês, pode apresentar uma alta relação custo/benefício…”

Até aonde o selo se envolve? 

Miguel Galvão: “No nosso caso, podemos nos envolver em tudo.

Em geral, boa parte das bandas chegam com material pronto. Cuidamos da parte de assessoria de imprensa e de oferecer um suporte de planejamento estratégico ao lançamento, dimensionando por ex, que tipos de gigs buscar, timing de soltar cada conteúdo, em que tipo de merch investir, onde podemos inclusive usar outros projetos em que nos envolvemos para potencializar lançamento do trabalho.”

Participação nas Gravações

“Como um de nossos sócios, o Gustavo Halfeld, é produtor e está envolvido ativamente na gravação de muitos projetos bacanas aqui de Brasília, podemos também participar da master. E e em alguns casos, envolver em todo processo de gravação. Auxiliando com estúdio, orçamento, produção etc.

Por fim, ainda podemos atuar com nosso braço de remixes. Onde alinhamos com a banda de criar versões exclusivas das faixas junto a produtores que respeitamos para dar uma encorpada no trabalho e torná-lo mais atrativo. Expandindo público atendido também.”

Quais as dúvidas e equívocos mais comuns que acontecem?

Miguel Galvão: “Olha, ao meu ver não há mais fórmulas de sucesso. Mas sim bons cases/referências: o que dá certo com fulano pode ser um tiro pela culatra para sicrano.

Muita gente se espelha em alguns projetos que constam com uma baita retaguarda/suporte por de trás (mesmo que se tratando de nomes independentes), e traçam um planejamento que pode render frustrações.

Um exemplo prático, ao meu ver, é a questão de fracionamento do disco: primeiro sai um single, depois um clipe, depois outro single, depois o disco, depois o disco ao vivo…”

Selos Independentes:
A Cena Indie

Na cena indie, dificilmente um mesmo canal legal vai dar mais de 1 nota envolvendo um mesmo lançamento, por isso, fragmenta-lo pode até prejudicar o conteúdo que for maior/mais estruturado/mais completo.

Claro que, tem casos onde pessoal conta com uma baita assessoria de imprensa e verba por detrás, ou então nome já esta muito bem colocado, daí andamento é sempre diferente. Mas vale refletir, nos dias de hoje estamos disputando a atenção das pessoas a todo momento. Então, aproveite essa atenção quando você a tiver para entregar o que vc tem de mais valor/importância. 

Por fim, é o pessoal achar que, por conta que tem alguém cuidando de alguns dos processos do lançamento do disco (como principalmente no caso de marketing/divulgação/networking), que a banda pode se isentar de se envolver nesses pontos.

Por isso, é muito prudente nivelar as expectativas e entender que quanto mais gente somando num esforço coordenado, melhor.”

Como vê a importância de um selo e curadoria em nossos tempos? 

Miguel Galvão: “No nosso caso é um dos motivos de se existir. Em determinado momento percebemos que havia uma série de artistas bacanas em volta de nossas atividade e outros projetos, que de certa maneira apresentavam trabalhos que conversavam entre si, mas em geral tudo ficava muito disperso, isolado, fragmentado.

Resolvemos agir para abriga-los dentro de uma mesma “casa” para, primeiramente, garantir o registro histórico e, depois, entender como potencializar o rolê de cada um, permitindo que eles pudessem focar no que fazem de melhor (ou seja, arte).”

Quais artistas podem adiantar que lançarão material este ano pelo selo?

Miguel Galvão: “Tem o 4rd disco do Bike, onde participamos de todo o processo de gravação, incluindo até financiamento de uma das etapas. Por conta do nosso sócio Renato Cohen, conseguimos uma ótima oportunidade de leva-los ao estúdio do lendário Apollo 9 (Otto, Nação Zumbi, Planet Hemp, Cibelle, Suba etc), que animou de produzir o álbum junto com o Renato e a banda. Deve sair algo ainda nesse segundo semestre.

Junto com Gustavo, decidimos também investir em toda produção/processo de gravação de uma cantora local que tem um trabalho muito forte aqui na região, porém, sem nenhum registro lançado, a Nanan Matos.

Outros Lançamentos

Tem também uma banda de rock psicodélico brasirrr-style muito interessante aqui da cidade e que soltou o seu segundo disco conosco, também produzido pelo Gustavo, a Rios Voadores. O EP das catarinenses do La Leuca.

Ah, após lançamento do disco de remixes da Catavento (que saiu em abril), estamos entrando em fase de produção de um disco de remixes da Ava Rocha.”

Selos Independentes

Máquina Voadora Label


Maquina Voadora Label Selos Independentes


O que o artista / banda precisa entender antes de enviar o material para o selo? 

Mateus Magalhães: “O artista precisa compreender, antes de tudo, quais os impedimentos impostos pelo selo nos quesitos de direção artística e de alcance geográfico.”

Selos Independentes: O Poder do Local

“A Máquina Voadora, por exemplo, é um selo absurdamente novo. E nós optamos, neste primeiro momento, por trabalhar apenas com artistas de Maceió ou aqui radicados.

Para que pudéssemos entregar o melhor trabalho possível tanto aos artistas do cast como também aos publishers.

Em questões estéticas, decidimos por uma definição de características ao invés de gêneros específicos: nós compramos a briga de quem faz música jovem e centrada em guitarra.

Preferimos definir assim, porque dentro deste conceito simples a gente consegue abarcar uma infinidade de gêneros que flutuam ao redor do rock, do indie ao dreampop, do psicodélico ao pop.”

Até aonde o selo se envolve?  

Mateus Magalhães: “No nosso caso, trabalhamos na produção executiva, na assessoria de um modo geral e na produção artística.

Para falar desta última, precisamos voltar ao ponto de partida da Máquina, porque o nosso nascimento foi, na verdade, a oficialização de algo que já existia: nossa equipe e os artistas do nosso cast já trabalhavam juntos há bastante tempo, no Estúdio Montana Records, em Maceió, que gravou bandas como a Troco em Bala, o The Mozões e a própria Milkshakes, que hoje faz parte da Máquina.”

Selos Independentes: Produção de Eventos

“Produzindo eventos e trabalhando em cooperação de uma maneira geral. A Máquina nasce para oficializar essa relação e para, neste primeiro momento, impulsionar bandas de Maceió nacionalmente, através de uma melhor compreensão das estratégias para fazê-lo. Já fazíamos, por aqui, o antes, o durante e o depois dos trabalhos dos nossos artistas, e continuaremos fazendo.”

Quais as dúvidas e equívocos mais comuns que acontecem?

Mateus Magalhães: “Acredito que há dois grandes tipos de pessoas equivocadas dentro das que fazem parte de projetos musicais.

Ou até mesmo das que fazem parte da cadeia produtiva da música como um todo:

Há um grande grupo que acredita que os selos são onipotentes e que é só assinar com um deles que você imediatamente estará tocando no Sesc Pompeia e fazendo turnê pelo Brasil.

E outro grande grupo que ainda não compreendeu o grande auxílio que pode ser dado pelos selos na trajetória de um artista, desde a amplificação do alcance de seus trabalhos até o amadurecimento criativo deles.”

Como vê a importância de um selo e curadoria em nossos tempos?  

Mateus Magalhães: “A importância reside no melhor aproveitamento das qualidades de um artista. Seja na produção executiva. Seja na artística ou no trabalho de comunicação.

Sempre é melhor para um artista ter uma visão especializada que vem de fora, mas que ao mesmo tempo está por perto e, falando da maneira mais simples possível, manje de música e das referências de cada trabalho. Através de um trabalho bem feito, e é aí que está a importância. Podemos levar uma obra, uma ideia, à cabeça de mais pessoas.”

Quais artistas podem adiantar que lançarão material este ano pelo selo? 

Mateus Magalhães: “O primeiro lançamento é o do disco Wanderlust, da banda de indie e rock psicodélico Milkshakes. A Milks, como chamamos carinhosamente aqui em Maceió, é uma das bandas mais requisitadas do nosso circuito e fez considerável barulho nacionalmente com o lançamento do primeiro trabalho deles, o EP Technicolor, de 2015.

Outro lançamento será o do primeiro disco cheio do Phylipe Nunes Araújo, músico do agreste pernambucano mas já com raízes em Maceió, que também Quebrou A Internet™ com o lançamento do seu primeiro, e homônimo, EP.

A azul azul, assim mesmo, em minúsculas, é uma banda relativamente recente de dreampop e indie rock, que existe há mais ou menos um ano, e que está pra lançar o seu primeiro EP, o formas de voltar para casa.

Apesar desse ser o primeiro registro em estúdio deles, já há algum tempo eles participam de shows e eventos bem sucedidos na cidade. Fechando a primeira fase da Máquina, neste primeiro ano de existência, haverá ainda mais um lançamento: mas esse permanece em segredo.”

Selos Independentes

Escápula Records

Responderam: Ana Maia e Lauro Maia


Escápula Records Selos Independentes


O que o artista / banda precisa entender antes de enviar o material para o selo? 

Escápula Records: “É preciso cuidar bem do material em si. Preparar bem esse material, para que ele seja realmente representativo daquele trabalho que está sendo apresentado.

Quando falo disso, estou falando apenas de atenção e dedicação, não de investimento financeiro. Claro que é ótimo receber um material já mais pronto. E mais acabado. Mas muitas vezes – talvez a maioria -, o que realmente faz falta é o artista ter pensado sobre o seu trabalho, seus conceitos, e apresentar isso claramente, mesmo que seja num simples texto escrito ou numa conversa.”

Selos Independentes: O Porquê da Escolha?

“Mas pensando num estágio já após a elaboração desse material, seja ele qual for, acredito também que os artistas precisem entender qual é a proposta do selo.

Conhecer outros trabalhos que o selo tenha lançado e, a partir disso, estabelecer um porquê de querer estar naquele selo.

Vemos muitos artistas/bandas enviando um material que notamos muito facilmente que foi enviado numa espécie de “spam”, para muitos selos ao mesmo tempo, tipo se-colar-colou.

Às vezes, são até materiais bons, mas que não tem absolutamente nada a ver com o tipo de coisa que a gente lança. Acho ruim querer/esperar que o selo pare e preste atenção no seu trabalho quando a pessoa não parou a prestou atenção no trabalho do selo.”

Até aonde o selo se envolve? 

Escápula Records: “De forma geral, há muitas frentes possíveis em que um selo pode se envolver. Desde gravação, passando por planejamento de carreira, divulgação, até realização de turnês.

No caso específico do Escápula, estamos mais focados no trabalho fonográfico mesmo. Portanto, normalmente participamos do planejamento e da execução das gravações, em todas as suas etapas, e dos lançamentos dos produtos, incluindo a distribuição, tanto física quanto digital, e a divulgação.

Também atuamos na orientação/planejamento de carreira. De forma mais pontual, participamos da circulação dos artistas, shows etc. Mas esta é a área em que menos atuamos.”

Quais as dúvidas e equívocos mais comuns que acontecem? 

Escápula Records: “As dúvidas são muitas. Infinitas. Porque a maioria dos artistas está focado na parte artística e não faz a menor ideia do que fazer depois que seu trabalho está pronto.

Então as dúvidas vão desde questões burocráticas até formatos de apresentação/distribuição dos trabalhos etc.”

As Dúvidas!

Hoje, no Escápula, já conseguimos mapear grande parte dessas dúvidas mais comuns e elas, na verdade, estão respondidas já antes de surgirem, pois produzimos materiais (checklists, documentação etc.) em que os artistas podem visualizar as principais necessidades em relação ao seus lançamentos.”

Os Equívocos

“Já em relação a equívocos, acredito que o principal e pior deles seja imaginar que, estando num selo, tudo está resolvido e tudo será fácil e que o artista não precisa fazer mais nada para seu trabalho “acontecer”.

Ainda existe, com muita força, uma noção que considero antiga, de que se pode botar o trabalho na mão de um selo e ele vai cuidar de tudo e disso virá um sucesso estrondoso.

Mais ou menos como acontecia em outras épocas com ídolos pop em relação a grandes gravadoras. É muito comum os artistas independentes, trabalhando com selos independentes, terem, no discurso, uma rejeição à ideia desse cenário das grandes gravadoras e dos artistas com perfil mais comercial.

Mas na verdade apenas transferindo o mesmíssimo tipo de imaginário e de comportamento para esse outro ambiente, o independente, ao invés de encarar como uma parceria, em que ambos os lados trabalham juntos, nas suas diferentes habilidades e incumbências.”

Como vê a importância de um selo e curadoria em nossos tempos? 

Escápula Records: “Sabemos bem que, atualmente, é perfeitamente possível lançar trabalhos musicais completamente sozinho e que tudo é muito mais acessível, tanto financeira quanto logisticamente, do que era no passado.

No entanto, um selo, ou ao menos um selo independente como o nosso, é uma ótima possibilidade para um artista também independente, que normalmente não tem a possibilidade de contratar uma grande equipe somente para si, de dividir tarefas, cortar caminhos e, assim, contar com ajuda para todos os processos envolvidos no lançamento de um trabalho.”

Selos Independentes: A Curadoria

“Além disso, no sentido da curadoria, estar em um selo permite estar de alguma maneira junto com artistas que compartilham alguma coisa, em termos de identidade.

O Escápula tem muito esse sentido de estar junto, de fazer parte de um todo, de modo que muitos dos artistas que fazem parte do selo colaboram entre si em seus trabalhos, ao mesmo tempo em que, através da ideia de um conjunto, uns levam os outros sempre juntos.

Quando falamos em “levar”, queremos dizer que é muito comum o público de um artista vir a se interessar em conhecer o trabalho de outro simplesmente por estar “no mesmo selo daquele artista X”.

Também podemos dizer, que hoje, completando 5 anos, temos também um público que não é necessariamente de artistas específicos. Mas do próprio Escápula, que se interessa em conhecer e buscar trabalhos simplesmente por saber que somos nós que lançamos, que colocamos nosso nome e nosso trabalho naquilo.

Essa, acredito, é uma das grandes recompensas do trabalho que fazemos e considero uma grande conquista, um motivo de orgulho.”

Quais artistas podem adiantar que lançarão material este ano pelo selo?

Escápula Records: “Já lançamos 3 trabalhos nesse 2019 (Jazzkilla, de Zudizilla e Kiai Grupo; A noite e mais eu, de Bruno Chaves; e A Conquista do Inútil, de As Longas Viagens).

Temos ainda alguns materiais por sair que são relacionados a esses trabalhos. E o próximo trabalho inédito a ser lançado é Bonança, o segundo álbum da banda esquimós.”

Selos Independentes

JO!NT Music

O que a artista / banda precisa entender antes de enviar o material para o selo?

Dudu Kaplan: “O artista precisa entender duas coisas.

Primordialmente: a primeira é que a avaliação é feita de uma maneira muito objetiva, ou seja, decidimos rapidamente se aquele trabalho nos convence ou não. Portanto, é importante que o material enviado tenha uma qualidade mínima.

A segunda coisa é que nada acontece do dia pra noite. Por mais talentoso, criativo, moderno que seja o artista, qualquer trabalho de carreira na música requer paciência e continuidade, além de muito foco, prática e determinação.”

Até aonde o selo se envolve?

Dudu Kaplan: “Depende do acordo que temos com o artista. Podemos fazer o gerenciamento de toda a carreira do artista, ou apenas produzi-lo e/ou distribuí-lo.

Somos bem flexíveis quanto a isso. Claro que quando o artista nos chama muito a atenção, temos interesse em ser mais que apenas produtores ou distribuidores do trabalho.”

Quais as dúvidas e equívocos mais comuns que acontecem?

Dudu Kaplan: “É muito comum os artistas chegarem com muito pouco conhecimento de como funciona o mercado da música. Como, por exemplo, qual o papel das editoras, como as músicas são colocadas nas plataformas de streaming e como essas funcionam, como se dá o trabalho das distribuidoras digitais e por aí vai.

Muitos chegam sem filiação a associações arrecadadoras também. E têm muitas dúvidas quanto a divisão de royalties. Mas não os culpamos, porque realmente o mercado é bastante confuso nesse sentido.”

Como vê a importância de um selo e curadoria em nossos tempos?

Dudu Kaplan: “Acredito que hoje em dia se torna essencial a organização dos produtores musicais e pessoas que querem participar do music business em selos.

A internet fez com que dependêssemos menos das grandes gravadoras. E com a quantidade de informação que temos hoje, curadoria é um atalho importante. As playlists dos serviços de streaming são um exemplo disso.”

Quais artistas podem adiantar que lançarão material este ano pelo selo?

Dudu Kaplan: “Teremos bastante material de dois artistas que trabalhamos, o duo YOÚN e a Maya. Tivemos uma resposta extraordinária nos primeiros lançamentos desses dois artistas, e esperamos manter isso.

Além deles, temos outros artistas que distribuímos, como Carlos do Complexo, O DOBRO, Isadora, Gustavo Fagundes, entre outros. Esperamos produzir, distribuir e trabalhar cada vez mais artistas e encher os ouvintes da boa música de bons materiais.”

Selos Independentes

MangoLab


Mango Lab Selos Independentes


O que a artista / banda precisa entender antes de enviar o material para o selo?

Eduardo Sena: “Acreditamos que a primeira etapa seja o artista estabelecer um auto-compreensão do que que ele está se propondo a fazer. Entender suas referências, suas linhas de atuação e prioridades.

Além de uma profissionalização dos processos e de um mapeamento das possibilidades de consumo, o selo deverá também prestar uma consultoria artística.

Isso porém não poderá distorcer o lugar original de emissão musical do artista que, por sua vez, deverá sempre estar bem resolvido com o que seu produto representa.”

Até aonde o selo se envolve? 

Eduardo Sena: “Acredito que a grande vantagem competitiva de um selo independente em relação a uma gravadora é justamente a flexibilidade nos modelos de parcerias e contratos.

Hoje um projeto artístico permeia os mais diversos campos: produção musical, backoffice, comunicação & marketing, circulação, relacionamento com marcas, etc.

O MangoLab procura sempre ocupar os espaços defasados na estrutura do artista em questão. Assim garantimos que não há nenhuma linha de atuação ociosa ou redundante.”

Quais as dúvidas e equívocos mais comuns que acontecem? 

Eduardo Sena: “Acho que o maior equívoco do mercado é acreditar que um selo ou uma gravadora consiga rebocar um artista até o sucesso. O artista deverá sempre ser o principal interessado e envolvido no êxito do seu projeto autoral.

O selo, e qualquer outro parceiro comercial, precisa estar muito bem alinhado com os anseios do artista para tornar-se uma ferramenta de amplificação do trabalho. 

Como vê a importância de um selo e curadoria em nossos tempos?

Eduardo Sena: “A revolução digital descentralizou os meios de produção, comunicação e consumo da música no mundo todo.”

O Midstream

“Se antes esse monopólio categorizou o mercado entre “mainstream” e “underground”, hoje as novas tecnologias permitiram a consolidação de um mercado intermediário, o “midstream”.

Nele, o consumo não é necessariamente amplo mas sim profundo. Tratam-se de consumos sub-culturais cujos mercados são plenamente autossustentáveis. A curadoria de um selo é extremamente importante para delimitar e consolidar esses nichos, criando cenas e oportunidades de consumo. “

Quais artistas podem adiantar que lançarão material este ano pelo selo?

Eduardo Sena: “Temos muitas novidades para 2019!

Esse ano lançaremos trabalhos tanto do nosso selo quanto da nossa agência musical. Heavy Baile, Biltre, Julio Secchin, grãomestre, Valuá e Rebeca estarão todos lançando trabalhos inéditos.

Nosso catálogo no Estúdio MangoLab no Youtube estará todo disponível nas plataformas de streaming também. Esse ano ainda o MangoLab irá produzir dois pocket-festivals no Rio de Janeiro e muito provavelmente um em São Paulo também!”

Selos Independentes

Nightbird Records


Nightbird Records Selo Independente


O que o artista / banda precisa entender antes de enviar o material para o selo?

Luan Bates: “A gente busca primeiro avaliar a posição da banda ou artista naquele momento. Sempre consideramos a condição social de quem tá tentando mostrar seu som, isso ainda conta bastante.

É preciso atentar-se também aos gêneros com os quais a gente já trabalha: nunca restringimos as bandas nesse sentido. Mas fica desconexo alguém do pagode ou do forró entrar num selo cuja maioria das bandas é voltada para o rock alternativo; nem saberíamos trabalhar em cima da dinâmica do forró, por exemplo, que é o principal mercado do nosso estado.

Hoje o nosso foco é mais voltado para o rock, pop, hip-hop e eletrônico, em relação a novos nomes do casting.

Até aonde o selo se envolve? 

Luan Bates: “Nossa força de trabalho envolve a distribuição digital, assessoria e produção de shows pontuais. A Nightbird funciona quase como um coletivo, tendo esse contato frequente com as bandas e artistas para sabermos de suas necessidades.

Com isso, também fazemos o booking e o networking para o pessoal. Por enquanto, não temos condições de criar um estúdio para as bandas ou conseguir capital para gravarem seus trabalhos. No fim, quem entra na Nightbird vira realmente parte do selo, como um coletivo mesmo.”

Selos Independentes

Quais as dúvidas e equívocos mais comuns que acontecem? 

Luan Bates: “Uma coisa que percebi aqui em Natal é que há uma certa confusão sobre como funciona um selo. Talvez por produzirmos shows também, muita gente entende que é possível inserir muitas bandas no casting da Nightbird.

Então não vamos lançar tudo que aparecer na nossa frente. Ao mesmo tempo que não vamos fechar as portas pra ninguém. Nem temos “poder” pra isso também.

Nossa função com os shows é de criar essa conexão com as bandas do selo e as demais bandas e artistas do cenário, achamos fundamental essas interações constantes. 

Também rola uma ideia de que, uma vez que você entra em um selo, automaticamente a rotatividade de shows aumentará, assim como a exposição na imprensa, etc. Ainda por cima sem o mínimo de organização para cada lançamento.

A gente já cometeu diversos erros quanto a isso, mas a Nightbird nasceu também da ideia de se organizar junto às bandas para todo mundo se profissionalizar. Ainda assim, é um caminho longo até esse relativo sucesso. Vai ser necessário esse trabalho conjunto a longo prazo para qualquer tipo de retorno, e os artistas e bandas precisam entender isso.”

Como vê a importância de um selo e curadoria em nossos tempos? 

Luan Bates: “É essencial para a melhor gestão de selo e bandas. Uma vez que um grupo de pessoas entra em sintonia no campo profissional, entendendo as características e as demandas de cada um, o trabalho vai fluir naturalmente.

A curadoria acaba envolvendo muita identificação pessoal, talvez a relação interpessoal seja o fator principal para a entrada na Nightbird.

A partir disso, foi possível definir melhor a veia musical do selo e mapear de maneira mais precisa nosso público-alvo. Hoje penso que cada selo funciona como um mini-movimento, trazendo um coletivo em torno de determinada estética para conseguir seu espaço.”

Quais artistas podem adiantar que lançarão material este ano pelo selo?

Luan Bates: “A Tertuliê já iniciou a produção de seu novo álbum, que vai contar com a produção de Dimetrius Ferreira (ex-Mahmed, Bugs) e Hugo Noguchi (Ventre, Posada & o Clã).

Atualmente eu estou trabalhando o projeto #REBOOT. Este que envolverá alguns relançamentos de singles e do meu álbum The Morning Sun, além de faixas inéditas.

A Boats também deve lançar mais algum single até o final do ano, coincidindo com a turnê que eles farão aqui pelo Nordeste. Neste ano já tivemos lançamentos da própria Boats, além do EP da Marinheirro Porre e um single do Rommel.”

Selos Independentes

Cena Cerrado Discos


Cena Cerrado Discos Selos Independentes


O que o artista / banda precisa entender antes de enviar o material para o selo?

Arthur Rodrigues:Começamos como um selo que tinha como intuito demonstrar a música do cerrado mineiro. Independente de gênero. Logo fomos expandindo para outros estados e biomas diferentes.

Hoje não temos mais barreiras territoriais. Então o principal é conseguir entender como o selo funciona. Suas características, se teu som encaixa com os demais artistas que estão ali inseridos, mesmo com pluralidade de gêneros que trabalhamos (temos artistas de punk rock – até funk carioca psicodélico) e acreditem, eles tem bastante coisas em comum.”

Até aonde o selo se envolve? 

Arthur Rodrigues:O selo é um parceiro dos artistas, funciona como um time. Além da equipe que conduz esse time, contamos com os próprios músicos pra ajudarem entre si, tentando ir (até onde podemos) a todas camadas que envolvem o mundo da música.

Orientando o artista no processo de produção e inserção do mercado. Trocando contatos e experiências. Levando o som de todos a suas respectivas regiões (e por onde passam).

Além disso, buscamos criar ações que aumentam essa integração, seja com eventos, coletâneas, showcases e o nosso festival. “

Quais as dúvidas e equívocos mais comuns que acontecem?

Arthur Rodrigues: “O erro mais comum são artistas que não compreendem que não somos uma gravadora à moda antiga. Muitos acham que o selo funciona como manager, booker, e que temos que trabalhar e fazer tudo acontecer enquanto o artista fica em casa.

Não mesmo, podemos ajudar em muitas coisas, mas o artista que caminha com as próprias pernas. Esse caminho é longo pra todos, e tendo a consciência de coletividade, podemos ir muito mais além.

Outro erro muito comum é a falta de diálogo dos artistas quanto a planejamento. Tentamos nos articular com a maioria deles, organizar uma agenda, mas sempre aparece um que nos pega de surpresa e quer fazer um lançamento em poucos dias, e isso acaba colocando em cheque o processo, e o objetivo.”

Como vê a importância de um selo e curadoria em nossos tempos? 

Arthur Rodrigues: “Peço licença pra colocar aqui para colocar o Manifesto Cerrado:

““Nessa terra de tatu, guariroba e jatobá. Babaçu, buriti e araçá. Águas caem, viram praias sem mar. E do lado de cá, onde se escondem viventes, vozes procuram ecoar. Elas tem som, mais alto que rugido de sussuarana. Elas tem cor, forte como ipê amarelo. E aprendendo com o joão de barro, vão construir sua casa.”

Somos um selo que surgiu no interior de Minas Gerais, no Triângulo Mineiro, longe das capitais e dos grandes centros urbanos, onde a cultura independente está teoricamente centralizada.
Então o selo tem esse papel de conseguir juntar tudo que criamos por aqui e fazer o nosso centro, por que mesmo com as tecnologias e as inúmeras ferramentas de difusão, encontrar artistas nesse país imenso, é como achar uma agulha no palheiro.
Os selos tem esse papel, de integralização, de conexões territoriais entre artistas, e entre as pessoas consomem tua arte.

Fora que também vivemos tempos tenebrosos, onde a ignorância, a intolerância e o medo, se tornaram coisas banais. O papel dos selos e das curadorias é tentar fazer as ideias se propagarem o mais longe que puderem, através da arte. Abrir os olhos dessa gente, que de repente, foi atacada pela cegueira. E tentar confortar, com sua beleza, aquelas que estão de olhos abertos.”

Quais artistas podem adiantar que lançarão material este ano pelo selo?

Arthur Rodrigues: “Nesse mês acabamos de lançar dois discos de estreia incríveis. Sobre Asas e Raízes da Pássaro Vivo (Patos de Minas) e “Mímesis” de Fernanda Vital (Ribeirão Preto). Programados até agora para o fim do ano,

Temos o primeiro full álbum dos Uberlandeses da Cachalote Fuzz, e uma serie de EPs da Cabra Guaraná, de Brasília. Mas muitas surpresas tão vindo por aí.”

Selos Independentes

Craic Dealer Records


Craic Dealer Records Selos Independentes


O que o artista / banda precisa entender antes de enviar o material para o selo?

Matheus Krempel: “O principal é saber qual o objetivo que se pretende alcançar. Ao se dispor a buscar envolvimento com um selo, é necessário entender que essa relação envolve trabalho, de ambas as partes.

Existem cobranças, expectativas e planejamento e como em qualquer relação profissional, o mínimo esperado é comprometimento e profissionalismo.
Óbvio que conhecer os lançamentos do selo ajuda muito. Afinal, se aliar a um selo também também é uma forma de posicionamento de marca para a banda. Por isso é importante saber com quem você quer se envolver.”

Até aonde o selo se envolve?

Matheus Krempel: “Isso depende muito do foco do selo. Na Craic Dealer, nos enxergamos mais como um selo de padrão de qualidade. Nos vemos mais como parceiros do que qualquer outra coisa.

Eu e o Rafael Jales escutamos a banda e o som agradando aos dois, a gente parte para uma conversa. Escutamos as expectativas das bandas, desenvolvemos um estratégia para o lançamento e nos colocamos a disposição para ajudar em todos os passos do caminho.”

Quais as dúvidas e equívocos mais comuns que acontecem?

Matheus Krempel: “Achar que a obrigação de um selo é agendar shows, arranjar matérias em todos os jornais e blogs do país e incluir sua música nas famigeradas playlists de x e y serviço de streaming.”

Como vê a importância de um selo e curadoria em nossos tempos?

Matheus Krempel: “Acredito que desde sempre o grande lance é a função de padronizar o cenário de uma certa forma.

Existem milhares de artistas e bandas, das mais diferentes vertentes, todos espalhados por aí e os selos acabam ajudando a dar uma catalogada e facilitando ao público que encontre as bandas.
Todos sabem o que vão encontrar se buscarem por novidades no site da Epitaph, da Fat Wreck Chords ou na Sub Pop.”

Quais artistas podem adiantar que lançarão material este ano pelo selo?

Matheus Krempel: “Esse ano lançamos o Sick Dogs in Trouble e temos mais dois trabalhos em andamento.

Até o final do ano deve sair mais alguma coisa.”

Selos Independentes

Dinamite Records


Dinamite Records Selos Independentes

O que o artista / banda precisa entender antes de enviar o material para o selo?

Guilherme Maia: “Acho que é legal primeiro entender o que é um selo, o que ele faz. Muita gente acha que o selo é tipo uma varinha mágica que vai te tornar famoso, mas não é bem isso.

Os artistas confundem muito as coisas e acham que um selo independente funciona como uma das 3 grandes gravadoras que existem no mundo.

Selos independentes operam de maneira diferente inclusive um do outro e existe uma diferença entre um selo e uma agência ou produtora, mas acabam achando que é tudo uma coisa só.

O fluxo de e-mails e mensagens que recebemos com material de bandas é um pouco grande, mas eventualmente sempre respondemos… mesmo que seja uma resposta negativa.

Então se não teve resposta, pode mandar de novo que não ignoramos ninguém. Para facilitar, é legal já mandar tudo bonitinho, com links, bio, release e etc porque realmente é muito difícil ficar indo atrás de tudo.

Outra coisa é entender que por nosso selo ter começado como um coletivo, a gente presa muito pela união e amizade entre as bandas… já cortamos bandas do selo por não terem a vibe que a gente gostaria, serem oportunistas e passarem por cima de outras bandas para conseguir o que queriam… Resumindo: Não seja cuzão bicho!”

Até aonde o selo se envolve?

Guilherme Maia: “Depende muito do caso.

O selo já existe há 5 anos e já fizemos tudo, desde distribuição digital, física, booking

Com o tempo fomos adaptando e focando no que funcionava mais e atualmente fazemos distribuição digital e física (normalmente em parceria com outros selos para conseguirmos uma distribuição legal) e assessoria de imprensa para os lançamentos.

Organizamos alguns shows pontuais mas não nos envolvemos mais tanto com o booking das bandas como fazíamos no começo, salvo alguns casos específicos. Também em alguns casos nos envolvemos na produção e gravação do material.”

Quais as dúvidas e equívocos mais comuns que acontecem?

Guilherme Maia: “Algumas coisas que acontecem muito:

Recebermos e-mail ou mensagem de uma banda querendo lançar material pelo selo, mas já querendo que lance no dia seguinte… sem tempo de fazer uma ação legal, o que só atrapalha o lançamento pois não dá tempo de planejar absolutamente nada.
Algumas vezes também recebemos material já avisando que foi lançado na semana anterior e querendo que saia pelo selo, de novo complica um pouco o trabalho.
O ideal é entrar em contato com meses de antecedência pra dar para fazer um lançamento mais planejado e colher melhores resultados.

Tem também o clássico caso do e-mail copiado e colado que provavelmente foi enviado para 500 outros selos diferentes, sem nem sacar a proposta dos mesmos… antes de enviar o material é legal sacar as outras bandas que já lançaram material pelo selo e ver se seu som se encaixa.

Somos um selo de rock mas já recebemos muito material bom de outros estilos que se fossem encaminhados para o selo correto com certeza conseguiriam bons frutos!”

Como vê a importância de um selo e curadoria em nossos tempos?

Guilherme Maia: “Acho que o selo é importante porque ele enxerga a indústria de uma forma diferente dos artistas, o que pode ajudar e muito a abrir a visão do artista.

Existem muitas coisas que os artistas não se preocupam e muitas vezes nem sabem que existem e o selo tá lá para ajudar a trilhar esse caminho.

De certa forma também serve como uma certa validação da banda, quem vê de fora acaba enxergando o lançamento de outra forma só por estar associado a algum selo (nem que seja um selo que você inventou ontem para lançar sua própria banda (risos).

Isso sem contar nos canais que o selo já tem, acaba sendo muito mais fácil para a banda, que passa a ter mais meios de divulgar sua música, marcar shows, conhecer outras bandas da mesma área e fortalecer a cena juntos… Enfim, uma visão realista é necessária muitas vezes e os artistas estão emocionalmente envolvidos no projeto para enxergar algumas coisas.”

Quais artistas podem adiantar que lançarão material este ano pelo selo?

Guilherme Maia: “Esse ano tem um monte de coisa!

Carbo, Frogslake, Blizterin’ Sun, Porno Massacre, Troublemaker, Rocket Bugs, Stone House on Fire, The Velociraptors, The Cabin Fever Club, Old Books Room, Bizibeize… Isso aqui só lembrando de cabeça mas o calendário tá bem cheio esse ano, praticamente um lançamento a cada duas semanas.”

Chega ao fim a série sobre Selos Independentes.

Foram 30 selos ouvidos, de norte a sul, cada um com um viés diferente.
Como pudemos ver, muitos sentimentos são compartilhados e válidos para ajudar a desenvolver ainda mais nossa indústria.
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E nós não pararemos por aqui! Fique ligado no Hits que continuaremos nossa (longa) série com mais profissionais do mercado.