Vocês nem imaginam o quanto tempo eu evitei esse tipo de post. Mas por outro lado ele é informativo, enriquecedor e acredito que será útil para as bandas e se tem uma coisa que tento ser por aqui é didático. Então vamos lá!

Artistas e bandas lançam material todos os dias e dos mais diversos estilos e qualidades. E claro, todos querem seu lugar ao sol, uma notinha, entrevista, resenha, que seu clipe saia em primeira mão em um veículo bacana. Nada de novo para ninguém.

Mas muitas vezes o lidar com a imprensa e com um desconhecido em geral é difícil. Eu sei bem, já estive ajudando artistas a divulgar seu material nos mais distintos canais. As pessoas tem percepções diferentes, educações diferentes e níveis de profissionalismo diferentes (se vocês entendem do que eu estou falando).

Porém nada como apontar para vocês alguns ERROS um tanto quanto bizarros e que poderiam ser evitados com uma conversa. Já que não consigo manter esse dialogo um a um com tanta demanda de conteúdo que recebo, decidi fazer este post.

Em maio do ano passado quando publiquei a Parte 1 a repercussão foi ótima e muitas bandas vieram conversar e reavaliaram a forma com que abordavam os jornalistas. A ideia era essa mesmo: criar um diálogo e não distanciar. Acredito também que esta a melhor forma de evoluirmos como seres humanos. Depois de novos “causos” e conversando com amigos decidi publicar a Parte 2.

Confira também: 21 Erros que as bandas cometem ao lidar com a imprensa


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Principais erros
que as bandas
cometem

1) Conheça mais sobre o veículo em que está enviando a sugestão pauta.

Procure se informar sobre a linha editorial de um site/portal/jornal/canal/rádio antes de sair disparando release. Na maioria dos casos entender o filtro do canal é metade do caminho para converter isso em uma pauta.

2) Acalme os ânimos

Não ache que um jornalista tem que dar matéria sobre sua banda. As vezes ele tá sem tempo, tá com muitos textos na frente, ainda não abriu seu e-mail ou na pior das hipóteses não curtiu teu som. E tudo bem afinal de contas: ter uma banda não é concurso de beleza.

3) Ser Informal (até demais)

Enviar release por instagram, whatsapp, perfil pessoal, inbox da página de facebook, DM de twitter, telegram….é invasivo. Formalidade, é teu trabalho e nada melhor para divulgar seu trabalho que uma BOA FORMATAÇÃO que só um e-mail bem redigido pode te proporcionar.

4) Culpar “A Cena” pela falta de profissionalismo

Teve um caso de um cidadão que ficou todo “irritadinho” por sua banda não estar dentro de uma playlist com muitos followers do site. Ao invés de entrar em contato e ver se tinha condições da sua banda entrar na lista, o que ele fez:

Esbravejou dizendo nas redes sociais da banda que “NÃO ESTAVA NA LISTA” por “Boicote da Cena“.

Alguém avisa para ele que ninguém tem a obrigação de saber que existe a sua banda e digo mais “NEM FOI A CENA QUE FEZ A PLAYLIST”. Bom poderia até passar horas falando sobre o quão relativo é usar a palavra “cena” mas isso é papo para outro post.

5) Erros de formatação em geral

Abro um release na madrugada e ele todo escrito em NEGRITO. Doeu até o olho de ler e acabei desistindo. Pobre banda que o assessor faz esse tipo de coisa.

As vezes vem até colorido. Nessas já recebi quase uma paleta de cores inteira com texto em azul, vermelho, amarelo (queria que fosse mentira) e até mesmo rosa.

6) Disponibilizar o álbum num sábado ou domingo

Isso acontece direto e é grave. Pelo amor de santo cristo não lance seu álbum nas plataformas digitais num sábado ou domingo. Além de poucos ouvirem, jornalista nenhum vai ficar de plantão no fim de semana para lançar teu disco.

7) Tentar empurrar conteúdo por “números”

“Lançamos o clipe antes de ontem e já tem mais de 4000 visualizações” daí você vai ver e nem no YOUTUBE tem (nem vimeo). É só no facebook que uparam….conto para eles que esses 4000 são de mentira?

Pode parecer até uma situação fantasiosa mas aconteceu. De verdade nenhum jornalista vai saltar os olhos lendo no teu release que tua faixa passou dos 100 mil plays ou se o clipe tá com 300 mil views em um mês. Isso você vende para o contratante ou a gravadora. Se preocupe em vender bem seu peixe, deixe números para marketeiros.

Fora que neste caso nem as métricas do facebook são confiáveis (até mesmo no youtube percebemos quando existe uma discrepância entre likes e visualizações (e da para usar sites para descobrir se é fake).

8) Tentar vender sua música usando a
credibilidade dos outros

Teu clipping é importante para um produtor de eventos e não para a imprensa especializada. As vezes o release tem 9 linhas e lá se vão 3 ou 4 com citações a lugares em que saiu.

Isso é legal para um release para produtores de eventos, para a imprensa é completamente dispensável. Mais vale um release bem escrito do que uma ficha técnica quilométrica. Prepare releases diferenciados para cada tipo de público que sua banda tem que se relacionar.

9) Adicionar por adicionar não leva a lugar algum

Não seja a pessoa que ADICIONA O JORNALISTA, NÃO TROCA IDEIA (NUNCA) e depois de alguns dias pede para dar LIKE na página da BANDA.

É mais comum do que deveria ser. Não sei o que o se passa pela cabeça do artista. Acha que o jornalista vai querer ouvir? Acha que o jornalista dando like vai passar credibilidade? Não dê muitas voltas para algo que poderia ser um e-mail.

A vida é tão mais que likes e as pessoas parecem a cada dia mais viver em Black Mirror.

10) Forçar a barra para seu conteúdo ser publicado

Outro dia me ofereceram R$50 por um post e eu só disse: “Você quer mesmo ser conhecido como o artista que PAGA para sair nos lugares?”. Fiquei sem resposta.

Pense bem: é um caminho sem volta. E depois isso será assunto no bar.

Um publieditorial é uma situação bastante diferente e as coisas tem que ser jogadas às claras desde o primeiro contato.

11) Evite se envolver em grandes polêmicas

Sempre perguntam se polêmicas comprovadas com artistas geram bloqueios em pautas. Não posso dizer por todos mas por aqui, sim. Não quero que algum leitor se sinta constrangido ao ler uma matéria.

Ao mesmo tempo que não tenho como saber todo o histórico das bandas na hora de escrever e de vez em quando por puro desconhecimento acaba “passando”. É bom sempre avisar.


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12) Cobrar pela matéria já no release

Release que no fim cobra do jornalista o envio do link. Isso é tão bizarro, parece que está mandando a pessoa escrever e não sugerindo.

13) Não saber se posicionar

Se você tem alguma ambição mercadológica com a sua banda e não trata ela como uma pequena empresa…algo está muito errado.

Essa não é uma dica só sobre lidar como a imprensa, mas acaba refletindo em outras atitudes e o lidar com outras situações além de estar compondo, gravando ou no palco.

Se é teu sonho, vá atrás de se profissionalizar em todos as áreas. O mercado exige. Não acha que vai cair uma gravadora do céu que fará tudo por você. Os tempos são outros.

14) Não faça rodeios

Certa vez “um fã clube” de uma banda veio “pedir pauta”. Fui olhar as redes sociais da banda para ver se realmente era algo grande para ter fã clube. A banda tinha algo em torno de 60 likes no facebook e quem enviou o e-mail cometeu o ato falhou de assinar o nome. E adivinhem só: O cara do fã clube era GUITARRISTA da banda. Confesso que ri muito. Claro que não rolou a pauta.

15) Não seja “Puxa Saco”

Seja legal mas não “puxe muito o saco” do jornalista. Elogios exagerados podem soar pedantes. Ser educado por outro lado é sempre bem vindo. Uma vez vieram falar que gostavam muito de assistir o canal. Fiquei me perguntando: “Que canal”. Tomem cuidado no copy e paste na hora de enviar os release. Trocar nomes, tipos de mídia e veículos é algo que pega super mal (e já falei sobre isso na parte I da lista de erros).

16) Não ter timing

A banda quer lançar EP, clipe ou álbum no dia do natal. Até aí tudo bem avisando um bom tempo antes para o jornalista se programar e deixar o post pronto e agendado. Agora enviar na véspera de natal é algo um tanto quanto bizarro.

Por isso sempre planeje, as vezes a data que você pensou é no meio de um feriado – ou época de férias coletivas – e ninguém vai elaborar um texto do dia para a noite de uma véspera de feriado. Ele, como você, vai preferir qualquer tipo de passeio do que estar escrevendo sobre qualquer que seja a banda. Pensar como público consumidor de música ajuda a esclarecer dezenas de dúvidas (e poréns).

17) Ser reclamão

Listas por si só são objetivas, criteriosas ou pessoais. Não reclame que sua banda não está nela. As vezes você mesmo não entrou em contato antes (ou foi marcante para ser lembrado).

18) Não ter humildade

Abri um e-mail em que a primeira linha dizia: “Oi sou fulano e faço parte de uma banda muito boa”. Amigo, meça suas palavras. Quem tem que julgar seu material como bom ou não é quem recebe o release.

19) Não caprichar na identidade visual

Essa li na timeline do twitter do Miojo Indie. Capriche nas fotos, elas são seu cartão de visitas. Em um mundo cada vez mais visual, um click bem feito e uma foto conceitual podem gerar um engajamento melhor tanto nas redes sociais como no retorno com a imprensa.

Claro que não se deve esquecer de produzir música boa mas tudo “se complementa” em uma banda que quer ser notada como profissional.

Contrate um fotógrafo e CREDITE as fotos. É sério, valorize o trabalho de toda a cadeia produtiva. Vale também para quando cita um trecho de resenha em release (que é super educado pedir autorização pelo uso).

20) Criar expectativas demais (e não entregar)

“ABRA ESSE E-MAIL AGORA E DESCUBRA A MELHOR BANDA DE SÃO PAULO”.

Parece loucura mas já recebi e-mail assim e levei um susto tanto por ver o título em caixa alta, como pela audácia e ego inflado. O mesmo vale para release com trechos como “O talentosíssimo guitarrista, o baixo reverberante e muito bem trabalhado de sicrano e o mago das baquetas compõe a ótima banda Os Convencidos”. (Esse caso é mais recente do que os já retratados como auto-elogios na Lista I de Erros.)

21) Analise se a Pauta é mesmo Relevante

Avalie bem o que irá enviar. É realmente relevante enviar um release:

1 – Dizendo que está gravando um disco
2 – Contando que assinou com uma gravadora
3 – Enviando uma entrevista extensa feita por um assessor de imprensa que TRABALHA para a banda (ou até mesmo uma auto-entrevista – já aconteceu!)
4 – Uma das suas influências completa 60 anos de existência e você quer “celebrar” isso convidando para ouvir sua banda.

Pense bem, as vezes o que você considera “notícia” não é algo muito “relevante”.

22) Não minta sobre “Exclusivas”

Não venda uma pauta como exclusiva se ela não é. É frustrante para qualquer um achar que está lançando em primeira mão e de repente sair em 5 lugares ao mesmo tempo.

O que acontece? Acabamos vetando a banda para futuras pautas do tipo. Sinceridade e confiança é tudo na vida e porque não seria neste momento?. (Na Lista I comentei por cima sobre isso mas aqui entramos em um caso de confiança ainda mais grave).

23) Pense muito bem antes de responder uma entrevista

Querer mudar entrevista depois de dada, ou até mesmo publicada, é algo que eventualmente acontece e sinceramente IRRITA a qualquer um. Se algo que está falando pode ser tirado de contexto, não diga ou deixe o mais claro possível. Se algo que você mesmo falou não é algo que tem a mais absoluta certeza, verifique antes de enviar.

Confira também: 21 Erros que as bandas cometem ao lidar com a imprensa

Jamais se Esqueça

Sempre que mandar e-mail para um site/blog/produtor/selo/casa de show lembrar que tem um ser humano ali que assim como você quer ter seu trabalho respeitado. Ele também tem muitos afazeres e uma caixa de e-mails lotada.