Apesar do nosso foco em maior parte do tempo ser música brasileira, recebemos por aqui muito material vindo do estrangeiro e até por isso de vez em quando é bacana abrir o espaço para o que está acontecendo além de nossas fronteiras.

Por isso hoje vamos de Ponte Aérea para navegar em outros oceanos.
Fique ligado em nossas dicas!

Paus

Apesar de diversas investidas e festivais como o Fixe, que em breve chegará ao país através de edital da Petrobras, ainda é um desafio a aproximação do público brasileiro com a música feita em português ao redor do mundo. E isso se estende para outras artes num geral.

|Sobre o Fixe|

O festival que abraça não apenas a música mas como outros segmentos culturais é o mais novo projeto da empresária Fabiana Batistela (SIM SÃO PAULO).

“A língua portuguesa é o idioma oficial do FIXE, já que o objetivo é conectar países e regiões lusófonos – como Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e Macau – por meio de sua novíssima produção artística.

A música será destaque, mas não está só: a programação também flerta com as áreas de artes cênicas, audiovisual, literatura, artes visuais, gastronomia, design e moda.

O projeto pretende estreitar relações entre países e regiões que falam português através das artes e, assim, potencializar novas parcerias, valorizar a história de cada um, apontar novas tendências e trazer um panorama atualizado de cada região, além de formar um novo público consumidor da produção lusófona no Brasil e da produção brasileira em outros países.”


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PAUS veio gravar EP no Red Bull Station. – Foto Por: Tomás Brice


Se você acompanha o Scream & Yell com certeza já se deparou com artigos sobre a música tuga e também feita em outros países da América Latina.


Conheças as coletâneas organizadas pelo jornalista Leonardo Vinhas: Conexão LatinaTributo ibero-americano ao Paralamas e as coletâneas Somos Todos Latinos e Brasil También Es Latino.

É de extrema necessidade esta maior aproximação, e intercâmbio, pois temos muito a compartilhar em diversas esferas que vão muito além da língua.

Uma das iniciativas bacanas dos últimos tempos foi a vinda da banda PAUS para o país. Além de serem uma das atrações do Festival Bananada 2019, os portugueses que tem uma trajetória consistente, nos últimos 10 anos tem expandido horizontes e quebrando barreiras.

Com instrumental afiado, em projeto realizado nos estúdios Red Bull Station (São Paulo), eles tiveram a oportunidade de trabalhar com nomes em ascensão da nova música brasileira como Dinho, do Boogarins, Maria Beraldo (Quartabê) e o rapper futurista apocalíptico guarulhense Edgar.

O EP LXSP (Sony Portugal) contou com a produção de Guilherme Kastrup que também assina as composições com a banda e os convidados. As faixas inclusive tem como temática essa conexão cada vez mais frequente entre Brasil x Portugal.

Basta ligar a TV, ou o rádio, e se deparar com notícias de brasileiros imigrando para o país, e com isso a conectividade sido sentida à flor da pele. Sendo uma oportunidade de ouro para artistas cruzarem o continente em busca de reconhecimento internacional.

Claro que a conectividade, política, pluralidade e abstrato também iam ser integrantes do trabalho que conta com quatro faixas.

“Aconteceu muita coisa nesses quinze dias. Em São Paulo, no Brasil, em Portugal e dentro dos PAUS. Mudar dói, mas é preciso. Outras formas de fazer mostram outros ângulos, outras verdades, aumentam empatia e tornam visíveis realidades silenciadas. É preciso ver como vivem os outros para perceber que os outros não existem.

Fomos para São Paulo perder-nos, mas não nos encontramos – encontramos nós”, comenta Hélio.

“Ir para esta cidade e trabalhar com estas pessoas, ver e ouvir o que vimos fez com que mudássemos a nossa percepção de muita coisa. A realidade de São Paulo é múltipla, mágica, assoberbante, violenta e de uma humanidade maior que tudo. Sentimos muito e percebemos pouco. O EP que fizemos lá é um testemunho de toda essa experiência, um documento do que sentimos aqui. A ligação foi feita e chama-se LXSP”, completa.



“Depois, quando ouvi a faixa com a intervenções do Kastrup com os PAUS no estúdio, o lance todo mexeu mais fácil e consegui soltar os versos e gravar tudo em 2 horas. Fiquei muito impressionado e feliz com o resultado de tudo.

A mistura ficou boa e aberta, de um jeito que ainda tem espaço para as ideias de cada ouvinte que entrar em contato com a canção”, conta Dinho Almeida, do Boogarins, sobre as gravações, a faixa ganhou um lyric video dirigido por Ricardo Silveira que você confere logo acima.

Laure Briard

Quem esteve recentemente no Brasil foi a francesa Laure Briard. Ela que também tem muita conexão com o país. Em 2018, por exemplo, ela lançou o EP Coração Louco, com produção do Benke Ferraz (Boogarins) cantando em português.

Agora ela lança o plástico e cinematográfico videoclipe para “Idéal”, faixa que integra o álbum Un Peu Plus D’Amour S’il Vous Plait (Midnight Special Records, que representa  a Michel Records e também a Burger Records), lançado em fevereiro. Ela até define seu estilo como Psych Pop.



O vídeo dirigido por Marjorie Calle e Jules Ribis, apresenta Mary, uma criança livre, com total controle de sua vida e que se alimenta de sua paixão pela dança.

“Já, Laure, aparece contemplando a vida de longe, fascinada por um ideal que acredita estar perdido. Suas desilusões e medos refletem em seu olhar cansado. As duas personagens, são uma mesma pessoa em diferentes momentos da vida.”, contam as diretoras

Uma Sey

Entre São Paulo e Paris, é esta a ponte aérea que a vida tratou de colocar na rota da franco-brasileira, Uma Sey. Após muitos anos tocando com banda, ela decidiu voar solo e gravou parte do registro no Brasil e parte na capital francesa.

Sentimental, delicado e por horas sombrio, é esta energia pop e cativante que Uma traz para seu primeiro EP Open Sea.

Com 5 faixas e trazendo synths, melodias pop e produção de destaque, ela abre o coração para falar sobre as inseguranças, separações, fragilidades e transformações. Tendo referências que vão de indie-pop, passando pela inventiva música eletrônica atual, sem deixar de flertar com a vanguarda.

As referências vem desde artistas franceses consagrados do público indie como The Dø, Charlotte Gainsbourg e Woodkid mas que certamente pode deixar fãs de Céu e Letrux querendo mais. Ela ainda confessa que os beats pulsantes de artistas britânicos como Alt-J e London Grammar, também fazem parte de sua gama de influências.

“Esse EP foi muito terapêutico para mim, me segurou em horas sombrias. As músicas foram compostas aos poucos, em diferente épocas dessa fase de transformações e recomeços. São todas viscerais, escritas com meu sangue e minha alma”, revela Uma

O registro conta com teclados e guitarra do produtor francês Eliott Hosansky e baixo de Max Darmon, gravados na capital francesa. As vozes de Uma, a percussão de Raphael Coelho e os backing vocals de Fernanda Brito foram registrados em São Paulo.

“Foi um verdadeiro trabalho em parceria. O processo de pré-produção, em Paris, foi muito fluido e rápido. O Eliott foi essencial na composição, me desafiando quando achava que podia ir mais longe melodicamente ou nos arranjos.

Ele é exigente, envolvido e foi bastante aberto a testar minhas ideias mais insólitas. Raphael Coelho também fez um trabalho de pesquisa percussiva intensa para achar timbres e levadas inusitadas e mais em sintonia com cada composição”, revela Uma.



Pude conferir o lançamento do videoclipe na Fauhaus, casa localizada na zona oeste de SP, e lá vi em primeira mão o lindo videoclipe para “Till The Mourning”.

Gravado no litoral paulista, a conectividade e aprendizado sobre a vida ganham metáforas e paz através deste sublime encontro de gerações. O vídeo teve direção de Lazaro e roteiro assinado pela própria artista.

Por lá também tive a oportunidade de conversar com Uma Sey que contou mais sobre influência e desafios de se aventurar em uma carreira solo. As diferenças e ganhos entre depender de si mesma e ter que convencer outros sobre suas ideias.

Além de comentar mais sobre sua paixão por pop, e pesquisa constante por descobrir novos artistas, mercado da música, possibilidades artísticas, e novas conexões.