Nas últimas semanas o mineiro Fernando Motta apresentou o álbum que sucede Andando Sem Olhar Pra Frente (2016) e Desde que o Mundo é Cego (2017) e um EP com o eliminadorzinho chamado Lapso (2019).

Ensaio Pra Destruir foi lançado pelo coletivo Geração Perdida e conta com a participação de Apeles, Mafius, João Viegas (Raça, Ombu) e produção assinada por Vitor Brauer.

O primeiro single a ser disponibilizado inclusive foi “Tridimensional” – lançado vai Radar Balaclava – que ganhou um videoclipe com uma estética anos 90 que facilmente marcaria presença na programação da madrugadas da MTV Brasil, este que foi dirigido por Gabriel Rolim.



Fernando Motta Ensaio Pra Destruir

O mais interessante de ouvir o álbum é ver como Fernando Motta consegue trazer suas referências de forma bastante natural, do Elliott Smith passando pelo Pavement, emo, sadcore, shoegaze, dream pop e até mesmo algo de Bedroom rock pode ser notado.

A ruptura, a busca por luzes no fim do túnel e a expansão em direção ao plano dos sonhos são elementos perceptíveis que integram sua narrativa e dialogam com uma geração que cresceu nos anos 90/00 e agora sente as dores na pele da inevitável passagem dos anos e o acúmulo de algumas derrotas, o que muitos chamam de quilometragem; já os mais otimistas de experiência. A vida na cidade grande e a deteorização que isso pode causar ao psicológico de um indivíduo aparece como plano de fundo no horizonte.

O disco também reverencia o punk mas não no sentido punk de prateleira musical mas da energia de Search and Destroy, de tomar frente e enfrentar as consequências dos atos que levam a (inevitável) ruptura. O preço de assumir a “bronca”.

Um destaque da obra é também a procura por apresentar novas facetas e ficar evidente o espírito colaborativo e agregador das participações especiais. Sabendo a hora de ser barulhento e o momento de acalmar os ânimos.


O músico mineiro de rock alternativo Fernando Motta - Foto Por Arthur Lahoz

Fernando Motta lança seu terceiro álbum de estúdio “Ensaio Pra Destruir”. – Foto Por: Arthur Lahoz


Roda Viva

Fernando Motta com exclusividade para o Hits Perdidos foi entrevistado pelos parceiros que contribuíram de uma forma ou outra em Ensaio Pra Destruir. O Resultado é no mínimo diferente do que você está esperando!

Vitor Brauer para Fernando Motta

Top 5 melhores e piores nomes de banda.

Fernando Motta:

Melhores:
Planet Hemp
Fodastic Brenfers
Skank
Green Day
Beck (e sua banda)

Piores:
Banda Rockerage
Rock Rocket
Rockz
Hateen
Pedra Letícia

Gabriel Rolim para Fernando Motta

Melhor time pra enfrentar a Elite Four.

Fernando Motta: “Elite four imagino que vale então só a primeira geração, né? Vamo lá:

Arcanine (O melhor de fogo. E não tem a desvantagem de ser voador que nem o Charizard).

Gengar (Mais versátil que tem. Ataques de vários tipos. No desespero, mete Hypnosis).

Vaporeon (Tanque. E, até então, a melhor evolução do Eevee. Depois perdeu pro Espeon)

Electrode (Ataca primeiro que todo mundo e mata todos de água da Lorelei).

Kangaskhan (Simpático. Tem que ter pelo menos um simpático no time. Já sai metendo o Take Down brutal e foda-se o recuo).

Alakazan (Infelizmente tem que botar um apelão né. Só no Psybeam o bichão já arrebenta todos do Bruno e da Agatha).”

João Viegas para Fernando Motta

Você prefere:

1- ser mestre em um gênero musical específico e saber tocar tudo daquilo mas não gostar de mais nada
2- conhecer todos os gêneros musicais do mundo e ter uma visão muito despertada sobre música em geral, mas não saber tocar nada?

Fernando Motta: “Com certeza a segunda opção. Mesmo se eu ainda não soubesse tocar nada, ainda daria pra fazer alguma coisa com a voz, talvez.

Apeles para Fernando Motta

“Essa Cidade Não Existe”, “Oslo 31” e “Salvo Engano” são faixas que me dão algo muito imagético. de pertencer ou não a um lugar. O quanto BH te influenciou nas composições das músicas e se pudesse escolher qualquer lugar do mundo para escrever seu próximo disco, qual seria?

Fernando Motta: “Cara, eu acho que é exatamente esse ponto. De pensar sobre pertencer ou não a algum lugar. Acho que é bem por aí o objetivo de fazer esse disco. Da vontade de se transportar enquanto não há chance de sair. Eu tô muito nesse momento. Acho que tem muito lugar com uma característica muito forte de provincianismo né. Eu brinquei com o nome, que é justamente Belo Horizonte. Mas, pessoalmente, tô com uma sensação de estar fincado, de não ter muito horizonte.

É muito sobre a reflexão de ONDE se quer estar e COM QUEM se quer estar. Graças a Deus eu tenho meus amigos aqui. Mas acho que nessa quarentena todo mundo deve ter dado uma revisada nas outras relações que tava levando também, sabe. Coisas que não valem mais a pena. Enquanto eu compunha, foi muito um processo de me remeter aos lugares e às relações. Falar sobre elas. Das poucas vezes que deu pra andar pelo centro, pelo mercado e a sensação de olhar pras pessoas e perceber que todo mundo tá por si.

E respondendo à segunda questão. Hmmm não sei se eu escolheria um lugar mais bucólico e isoladão ou um ambiente urbano mesmo. Eu acho que talvez meu processo de composição por enquanto tem sido esse mais urbano.

Então vou falar, sei lá. Tóquio. Eu sou vidrado com o Japão, deve ser muito louco cair de paraquedas lá (risos). Queria ir pra lá um dia. Ficar num hotel muito foda, tomar uns banhos de banheira, rangar pra caralho (risos). Ficar muito confortável pra compor.”

Arthur Lahoz Pergunta para Fernando Motta

A Geração Perdida é um coletivo onde todos os participantes parecem ter uma sinergia estética e musical muito bem definidas. Como que isso agrega à concepção do seu novo projeto? Você enxerga uma forte influência dos outros participantes na definição da sonoridade do álbum?

Fernando Motta: “Bom, eu acho que as pessoas pensam na Geração Perdida e assimilam a uma parada mais ligada às letras descritivas, talvez. Eu reconheço que existe uma ideia mais ou menos definida ali que cerca um pouco o conceito, mas na verdade eu acho que também tem trampos bem diversos dentro do catálogo, se você for parar pra analisar. Acho que o que agrega no meu trabalho não é pensar em fazer um disco “pra ser um disco Geração Perdida”, ou que tenha similaridade com alguma coisa que já tenha sido feita. Eu só vou fazendo as músicas de um jeito que eu acho que eu vou fazer bem.

O que agrega nesse lance da Geração é ser uma rede de apoio mesmo. Como por exemplo, ter uma pessoa que nem o Vitor [Brauer], que gravou meu disco e eu paguei ele com 100 esfiha do Habibs, uma pizza da Dominos e duas Coca 2L. Tem também o lance de que quando você fica perto de gente que trampa com criatividade, você acaba se animando também. É sempre um incentivo pensar que tem pessoas talentosas por perto.

Musicalmente, eu acho que cada um tem achado suas principais características. A minha, eu acho que virou esse lance de ter várias vozes em harmonia e tal,o etéreo nas melodias e até nas letras às vezes. A do Jonathan [Tadeu], por exemplo, tem sido uma coisa de retratar o cotidiano, acho que ninguém escreve sobre essas paradas tão bem quanto ele. Acho que o legal é essas características irem se destacando a medida que a gente vai consolidando nossa discografia.”

Mafius Pergunta para Fernando Motta

Na sua opinião, qual seria o impacto existencial causado pela hipotética não existência dos Beatles?

Fernando Motta: “Isso aí é o roteiro daquele filme lá “Yesterday“, que o camarada acorda um dia e ninguém lembra da existência dos Beatles, exceto ele. Aí ele fica famoso tocando as músicas dos Beatles como se fossem dele. Mas é muito ruim o filme, nossa senhora.

A única piada boa é quando ele resolve tocar “Wonderwall” no violão e aí ninguém conhecia a música também. Aí ele pensa: “Ok. No Beatles, no Oasis“. Então eu vou adaptar essa piada pra responder sua pergunta: Se não existisse Beatles, pelo menos não existiria essa porra desse filme (risos)”