Há dezoito anos Vanessa Krongold é vocalista do Ludov onde já lançou quatro álbuns de estúdio e quatro EPs. O disco mais recente, Miragem, foi lançado em 2014. Em atividade desde 2002, o quarteto de pop rock ficou bastante conhecido durante o período da MTV Brasil emplacando diversos clipes em programas como o icônico Disk MTV.

Há 5 anos ela começou a escrever uma nova história na música e iniciou voo em carreira solo apresentando um single por mês,Instante“, “Paciência”, “Hoje” e “Concreto”, cada uma ganhou um videoclipe. Neste ano ela retomou o projeto.

“Decidi esperar que o álbum todo estivesse pronto e com a qualidade que eu quero ver no meu trabalho, sem pressa. Portanto, adiamos a estreia, e finalmente esse momento chegou, e foi durante uma pandemia!”, conta Vanessa Krongold


Vanessa Krongold - Singular Ludov

Vanessa KrongoldFoto: Divulgação


O álbum de estreia, Singular, será lançado nesta sexta-feira (06/11) mas antes, no dia 22/10, ela apresentou seu novo single, “À Queima-roupa”, faixa que conta com um clipe dirigido por Tata Pierry, que também dirigiu trabalhos de Letrux, Bárbara Eugênia e Leela, e que Vanessa tem a companhia dos arranjos da violinista Fernanda Kostchak, do Vanguart.

Ao longo das faixas, Krongold tem a companhia de Emerson Martins, que também assina a produção do álbum, Nando Freitas e Thadeu Meneghini (Vespas Mandarinas), parcerias em algumas composições.

Aliás elas tem uma ligação entre si: a atemporalidade. São canções que ressoam diferente no ouvinte dependendo da fase da vida, e as bagagens, que tiver.

Pop e cheio de arranjos delicados, como por exemplo, na cativante “Instante” que tem direito a metais, o álbum revela diversas Vanessas e em entrevista exclusiva para o Hits Perdidos ela conta que a estreia solo: “É uma viagem pra dentro de si, antes de qualquer coisa.”



Entrevista: Vanessa Krongold

Nas vésperas do lançamento do debut conversamos com a artista para saber mais sobre seu voo solo, parceria, Ludov e muito mais.

Lembro que em 2015 você trabalhou os singles “Instante“, “Paciência”, “Hoje” e “Concreto” que também aparecerão no álbum de estreia solo. Em uma entrevista você disse que desde o começo as composições foram pensadas para um trabalho solo, como surgiu a ideia e o que serviu como empurrão para se aventurar em carreira solo?

Vanessa Krongold: “Em 2015 eu lancei 4 singles, 1 por mês, mas decidi esperar que o álbum todo estivesse pronto e com a qualidade que eu quero ver no meu trabalho, sem pressa. Portanto, adiamos a estreia, e finalmente esse momento chegou, e foi durante uma pandemia!

Após quase 20 anos de banda, é natural que a vontade de produzir e lançar um trabalho próprio, com todas as particularidades de apenas uma pessoa venha à tona. Isso não quer dizer que a banda não me faça feliz. Apenas que o trabalho solo também se fez necessário, e vem sendo uma jornada imperdível, recomendo.”

O álbum cheio ficou guardado por um tempo ou a ideia era deixar ele amadurecer até chegar no momento certo? Você comenta que durante o processo teve que lidar com as diversas Vanessas dentro de você, como foi essa experiência transcendental? Como observa esse renascimento como artista que o disco propõe?

Vanessa Krongold: “Essa é uma pergunta muito interessante porque realmente é uma experiência que transcende tudo que eu conheci até hoje como artista. Afinal, um trabalho solo contém toda a exposição que um trabalho em conjunto dilui entre seus integrantes. É uma viagem pra dentro de si, antes de qualquer coisa.

O álbum está pronto desde o começo do ano, mas a pandemia adiou o lançamento por alguns meses. O amadurecimento dele se deu realmente pelo tempo que eu e que o produtor Emmo Martins da Bamba Music levamos para estar 100% satisfeitos com a obra, e nada parecia ser mais importante do que sentirmos orgulho do trabalho que realizamos. Arte não pode ter pressa, a gente deixa isso pras correrias do dia a dia.”

Inclusive a cada mês, lá em 2005, você lançou uma nova música com direito a um diretor convidado diferente. E recentemente saiu o clipe para “À Queima-roupa” dirigido pela Tata Pierry.

A ideia é gravar clipes para cada faixa? Como observa a importância do videoclipe em tempos bem diferentes do da MTV Brasil onde o Ludov apareceu diversas vezes? Aliás como observa que mudou o comportamento do público e das mídias ao longo dos anos?

Vanessa Krongold: “Tive o privilégio de poder trabalhar com a Tata Pierry, de quem eu sou fã há muito tempo. A ideia é ter vídeo pra todas as faixas, sim. A gente sabe que hoje as pessoas assistem às músicas, né? Então é muito importante ter um registro visual, ainda que seja um lyric vídeo.

Mesmo sem a MTV, mesmo sem passarmos os clipes na TV, é imprescindível que a gente tenha o clipe nas nossas redes sociais e que a gente consiga mostrar pra maior quantidade possível de pessoas que possam ter interesse em assistir.

Além disso, é muito divertido fazer clipe! É uma oportunidade que a gente tem de produzir outro tipo de material além da música, de se expressar pra outros sentidos, sempre é uma das minhas partes preferidas.”

As composições foram feitas em diferentes épocas? “Instante”, por exemplo é uma parceria com o Thadeu Meneghini, houveram outras parcerias nesse sentido? Você pode trabalhar com diversos músicos no disco, como foi o processo de confecção dos arranjos e como enxerga esse trabalho, Singular, como um todo?

Vanessa Krongold: “Foram em diferentes períodos, sim. Eu fiz questão de que todas as músicas fossem minhas nesse primeiro álbum, mas não exclusivamente minhas porque tenho parceiros maravilhosos que obviamente queria que estivessem comigo.

O processo foi bastante diverso: em alguns em alguns casos foi uma letra que eu escrevi e compartilhei; em outros momentos, eram músicas que não tinham letras, em outros momentos foi um pouco mais em conjunto. Mas foram sempre ocasiões muito enriquecedoras e muito prazerosas. Eu pretendo que esse processo de composição em parceria permaneça pro futuro.

Sobre os arranjos, o processo aconteceu mais dentro do estúdio mesmo, com o produtor Emmo Martins. Nossas evoluções com relação à composição aconteceram desde o início do trabalho, pensando em como as canções poderiam ser melhoradas pelos arranjos, e também como seriam gravadas e por quais músicos.”

Seu som é assumidamente pop, algo que sempre levou para o Ludov, quais artistas mais te inspiram? E quais caminhos e possibilidades viu que conseguiu explorar ao longo do disco?

Vanessa Krongold: “Eu sou realmente muito fã de música pop bem produzida, com arranjos bem feitos, com letras bem escritas, com melodias que te agarram de cara, mas que não te enjoam mesmo depois de décadas. Claro que esse feito não é pra qualquer um. O Ludov sempre teve uma grande influência desse universo, e eu acho que tenho ainda mais. E quis pesar bastante pra esse lado no meu trabalho solo, explorando detalhes de estrutura, de arranjo e de timbres.

Conhecer o Emmo Martins foi um super presente na minha vida, pois ele é um grande apreciador do pop sofisticado, de bom gosto, e além de tudo e um excelente músico. Quando falamos de influências e sonoridades, podemos citar as cantoras que eu ouço desde sempre, como a Annie Lennox, a Nina Persson e os Cardigans, Natalie Merchant, Fiona Apple, Julieta Venegas, Bebe e uma série de outras mulheres que me moldaram como artista.”

Nas apresentações você dividirá o palco com um grupo quase todo feito de mulheres e comenta que quer pelo menos 50% de mulheres em todos os seus projetos, sempre. Conte mais sobre essa decisão e as motivações por trás. Aliás, como observa esse importante momento onde diversas jovens têm assumido o protagonismo e se destacando em todas as funções do mercado da música, seja no palco como nos bastidores, não só no Brasil, como mundo afora?

Vanessa Krongold: “Como eu comecei no mundo da música já há bastante tempo, venho assistindo esse crescimento cada vez mais intenso da visibilidade das mulheres, não só na música, mas na sociedade como um todo.

E já chegou tarde, porque nós estamos aqui há tempo demais pra ficar em segundo plano. Mas carregamos todos essa educação machista, tendenciosa, e é muito importante que haja cada vez mais percepção do público de como as mulheres são ativas e talentosas, e pra isso precisamos ocupar cada vez mais espaço na arte e na música.

Eu sou mulher, sou artista, e me sinto na obrigação de colaborar com essa visibilidade ao trazer para o meu lado todas as mulheres que eu puder, seja na produção de música, de shows, de clipes, de fotografia, de arte gráfica, etc.

O último álbum do Ludov foi lançado em 2014, vocês pensam em lançar materiais inéditos? Quais são suas canções preferidas ao lado da banda?

Vanessa Krongold: “Sim, sim! A gente pensa em lançar materiais inéditos. Ainda estamos em isolamento e todos cuidando de diversas produções individuais. Em breve a gente retoma os trabalhos em conjunto. Agora, filho preferido a gente não escolhe, é impossível!, essa eu vou ficar te devendo. :)”