Artistas e Bandas de Sergipe

Já tem algum tempo que queríamos iniciar essa coluna. Na verdade ela começou em 2016 no programa Dezgovernadoz, com curadoria do Hits Perdidos, que chegou até mesmo a virar notícia em um portal do Piauí quando fizemos a edição local. A ideia é descentralizar e apresentar artistas com propostas diferentes e que merecem amplificar seu alcance para novas audiências. Sabemos da importância do nosso papel como veículo independente então faremos essa coluna ser periódica.

Claro que a cada postagem teremos artistas e bandas que ficarão de fora mas fiquem tranquilos pois a ideia é justamente não fazer apenas uma lista por estado e sim fazer mais a partir de novas descobertas. Vamos nessa?

Sons do Brasil: Artistas e Bandas de Sergipe


Sons do Brasil Sergipe Tori - Foto Por Bruna Noveli

ToriFoto Por: Bruna Noveli


Vamos começar nossa volta pelo Brasil pelo estado de Sergipe. Considerado o menor estado brasileiro, Sergipe conta apenas com 75 cidades e aproximadamente 2,3 milhões de pessoas. O nome do estado vem da antiga língua tupi e significa “no rio dos siris” (referindo-se ao Rio Sergipe). Fato é que sempre me impressiono com a qualidade dos artistas e bandas de Sergipe que chegam via e-mail e por essa razão resolvemos iniciar nossa viagem pelo Brasil pelo estado.

1) Tori

A cantora Tori lançou seu disco de estreia no ano passado via PWR Records, um registro denso em busca pela abstração. Experimental, delirante, psicodélico e instigante, um registro que se deixa levar pela onda do seu instrumental. Anteriormente já tinha lançado Akoya.

“Um disco que bateu absolutamente bem desde a primeira audição foi o registro de estreia da Tori, Ignatia. Se você gosta de Warpaint e uma sonoridade experimental que não se prende a clichês este disco é um ótimo convite para explorar novos caminhos.

A poesia, o lado mais sentimental duela com as quebras e as melodias que se expandem no horizonte. Se permita se perder pelas curvas do álbum.”, resenhamos na nossa lista de Melhores do Ano de 2019



2) Sandyalê

Recentemente quem acompanha o Hits Perdidos pode conferir a Premiere do videoclipe para “Linhas que Trago”, faixa presente em Árvore Estranha, disco da Sandyalê.

“Psicodelia, proto-punk, krautrock, trip hop, MPB constituem as raízes da Árvore Estranha da sergipana Sandyalê. Intenso, abstrato, pop, transgressor e atemporal.

Talvez isso que tenha dado o destaque para esse disco que bebe de várias fontes para
contar sua própria história. Um trabalho que levou quatro anos para ser finalizado e que conta com composições de vários artistas e participação de Júlio do The Baggios em “Peia”.”, em resenha do Hits Perdidos na lista de Melhores do Ano de 2019



3) Héloa

De Aracaju, Héloa montou seu primeiro projeto musical em 2009 e desde então não parou mais. Sempre tendo como marcas em seu som uma fusão de gêneros, cenários, cores e camadas, o que deixa a música que produz rica de elementos e sonoridades. Para quem gosta de MPB é uma ótima indicação, seu álbum mais recente Opará foi lançado em 2019 via YB Music.



4) Isis Broken

Isis Fontes atende pelo alter ego de Isis Broken e começou a chamar a atenção em 2018. Como já citado em algumas matérias as referências são bem abrangentes e vão da MPB, passando pelo hip hop, pop e nomes como Johnny Hooker. Isis luta para ser aceita e já brilhou no Music Video Festival do ano passado quanto teve clipe entre os vencedores da premiação.



5) Snooze

A banda Snooze não poderia ficar de fora da lista justamente por ter sido a responsável por colocar Aracaju na rota do underground.

Uma das mais renomadas bandas de Sergipe, foi formada nos anos 90 com influências indie rock, college rock, punk rock e post-punk. Foram 25 anos de estrada, tendo encerrado as atividades em 2020.



6) The Renegades Of Punk

O trio de punk rock de Aracaju, Sergipe, The Renegades Of Punk, surgiu em 2007 formada por ex-integrantes de bandas do cenário punk como Triste Fim de Rosilene e xReverx. Segundo eles “mais velhos e mais chatos, esses degenerados se dedicam a arte decadente do punk rock.”



7) Taco de Golfe

A Taco de Golfe, de Aracaju (SE), a pouquíssimo tempo lançou oficialmente seu novo álbum. O power trio em Nó sem ponto ii traz para si dilemas da vida moderna que podem ser compreendidos facilmente por qualquer cidadão de uma das grandes cidades brasileiras; o da comunicação.

Muitas vezes este que deveria ser o fio condutor das relações humanas acaba por sua vez se tornando um dos maiores problemas da nossa sociedade. Se ter voz no multidão trata-se de um desafio dos nossos dias, perdoar, compreender e manifestar empatia perante o outro se torna a cada dia um obstáculo.

Entre a rotina, o egoísmo, a competição, a intolerância, o desrespeito, a arrogância e o preconceito. Além disso temos o elemento da velocidade das coisas. Parece que nunca temos tempo para nada ou que temos sempre alguma coisa mais importante para fazer.

Entre as referências em relação ao primeiro disco eles afirmam continuar as mesmas. Ou seja, toeChonDon CaballeroKamasi WashingtonJaco Pastorius, Battles, Sons of Kemet, black midi e Julian Lage. Um leque de sonoridades um tanto interessante que vai do rock, passando pelo math rock, progressivo e desembocando no jazz. Confira entrevista no Hits Perdidos.



8) The Baggios

A primeira vez que ouvi o disco de estreia do The Baggios, de 2011, me surpreendi justamente dar uma nova vida ao blues. Trazendo ritmos um tanto quanto calientes – e tropicais – para somar no caldeirão dos sergipanos.Com o passar do tempo a expectativa foi se solidificando com os álbuns Sina (2013) e o excelente Brutown (2016). O grande prêmio pelos 16 anos de estrada do agora trio, antes duo, foi ser no ano passado contemplado pelo edital da Natura Musical.

Vulcão
, lançado em 2018 conta com diversas referências e texturas pesquisadas pelo guitarrista, Julio Andrade, entre elas a música do norte da África, o rock psicodélico da Turquia, a música oriental e compositores nordestinos da década de 70.O registro que conta com 11 faixas, e 45 minutos de duração, tem a participação da aclamada cantora Céu em “Bem-te-vi”. Já em “Deserto”, é perceptível os ritmo do afrobeat e a levada da guitarra baiana de Roberto Barreto, além da cultura do grave e da linguagem dub de Russo Passapusso, do BaianaSystem. Temperos esses que se unem ao baião, ritmo já presente dentro da discografia da banda de São Cristovão (SE).



9) Cidade Dormitório

Na ativa desde 2015 a Cidade Dormitório, de Aracaju, é uma banda que sabe ousar quando o fator é experimentação e em seu último registro se inspirou até mesmo na estética dos summer eletrohits.

Pós-Punk, Psicodelia, eletrônica, mixagens e colagens interessantes fazem parte do universo do trio que parece ter facilidade em transitar por diferentes sonoridades e propostas musicais, lllucas inclusive participou do último álbum de remixes.



10) El Presidente

El Presidente é o projeto capitaneado por João Mário e que no vídeo abaixo você vê uma amostra do som da parceria com a Tori. Na formação você vê João ao lado de Fábio Aricawa, Gabriel Carvalho e Vitória Nogueira. Uma boa viagem psicodélica.



11) Lau e Eu

Lauckson é a alma por trás do projeto Lau e Eu, o sergipano em atividade desde 2015, reside em São Paulo já a algum tempo e estar prestes de lançar ainda nesta semana um novo registro de estúdio que abrange um novo EP conceitual (O Futuro Está Distante), manifesto e um curta-metragem via YB Music e Matraca Records. Mas ele já lançou o ótimo Selma (2018) e Café Frio (2016).



12) Reação

Formada em 2000 a Reação é uma importante banda de reggae de Aracaju. O grupo ainda realiza obras sociais enfocadas na juventude das periferias da cidade.



13) Lacertae

Formado em 1990 o duo, de Campo Crioulo, Lacertae é considerado um ícone sergipano. O som une o rock, de Jimi Hendrix e Pink Floyd, passando por Chico Science, Luiz Gonzaga e ritmos regionais de forma orgânica. Eles chegaram a lançar discos pelos selos Rock It!Amplitude.



14) Karne Krua

Uma das bandas mais importantes do punk/hardcore nordestino não poderia ficar de fora da nossa lista e a dica foi do Carlo Bruno Montalvão. O quarteto foi formado em 1985 por Silvio “Suburbano” Campos (Vocal) e Almada (Bateria), uma história curiosa foi pelo primeiro disco da banda, de 1993, ter sido gravado em Recife (PE) com instrumentos emprestados de outra lenda do estilo, o Câmbio Negro HC.



15) Plástico Lunar

Plástico Lunar é um quarteto de Rock Psicodélico de Aracaju formada em 2001. O blues, a black music e o rock progressivo também acabam adentrando como elementos da sua sonoridade. A banda fecha a lista de artistas e bandas de Sergipe.



16) Patrícia Polayne

Considerada uma das principais vozes sergipanas Patrícia Polayne também tem como marca em seu som a mistura de referências que passam pela tropicália, coco, Cocteau Twins, música latina e ritmos afro-brasileiros.



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