O Ska surgiu na Jamaica no fim da década de 50, conhecido por ser um estilo híbrido que misturava ritmos caribenhos, como mento e calipso, ao Jazz e Blues norte-americano. Foi de lá que veio a primeira onda – ou wave – do estilo.

Esta que contava com bandas do calibre de artistas e grupos como Skatalities, Desmond Dekker, The Ethiopians, Toots And The Maytals, Symarip, Prince Buster, The Wailers (banda que inclusive acompanhou a lenda do Reggae Bob Marley), Lord Creator, Byron Lee & the Dragonaires, Laurel Aitken, Derrick Morgan, Justin Hinds & the Dominoes entre outros.

No fim da década de 70 – e começo dos 80’s – através da imigração jamaicana na Inglaterra o Ska, reggae, Dub e rocksteady passaram a ser trilha sonora do subúrbio de Londres. Desta forma Brixton, bairro localizado no sul da cidade, ficou conhecido como “Little Jamaica“.

A interação com a cultura Jamaicana e de clubes como o Roxy, que tinha a discotecagem do lendário Don Letts, fez com que fosse possível essa segunda leva inglesa e que grupos como The Clash ganhassem certo destaque no mainstream. Estilos como o punk e a new wave inglesa adicionaram elementos a esta conhecida como Second Wave do Ska.


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O Madness é uma das bandas mais importantes da segunda onda do Ska.


As gravadoras não perderam tempo e viram que o cenário tinha potencial. Não demorou muito para surgir o lendário selo 2-Tone Recors (subsidiária da major Chrysalis Records), este que foi fundado por Jerry Dammers do The Specials. Assim bandas como The Beat, Madness, Bad Manners, The Bodysnatchers, The Apollinaires e The Selecter puderam ter maior projeção. O produtor e músico Elvis Costello inclusive em seu primeiro disco com os Attractions bebe muito da fonte do ska.

Como felizmente a música é cíclica – e tudo se re-aproveita – no fim da década de 80 e começo dos 90 ocorreu outro revival. Este que já sofreu adaptações e fusões de gêneros  como o Punk, Hardcore e Funk. Bandas como The Mighty Mighty Bosstones, Reel Big Fish, No Doubt, Sublime, Save Ferris e Goldfinger inclusive chegaram a ter seus 15 minutos de fama e flertaram com o Mainstream.

Claro que no underground mesmo que a cena ferveu e continuou por anos colecionando bandas fortes dentro do segmento como o Operation Ivy, Less Than Jake, The Toasters, Voodoo Glow Skulls, Authority Zero, Mad Caddies, Streetlight Manifesto, MU330, The Slackers, Hepcat, Skarface, Skakin’ Pickle, Five Iron Frenzy, Big D And The Kids Table, The Aquabats, Rx Bandits, Catch 22, Capdown, Mustard Plug, Buck-O-Nine, Murphys Law, All Against Authority entre outras.

No Brasil

O Ska chegou aqui durante o período da Jovem Guarda, isso mesmo, a Wanderléa já se aventurava (em “My Little Lollipop“). Na década de 80, Os Paralamas do Sucesso flertaram com o ritmo jamaicano, inclusive em um de seus discos mais clássicos como Selvagem? (1986) – este que até contou com parceria com Gilberto Gil. Ainda nos 80, tivemos outras bandas que se aventuraram em mesclar seu rock com o ska como por exemplo: Ultraje a Rigor, Titãs e Kid Abelha.

A Mundo Livre SA já nos 90 misturava seu maracatu com uma porção de estilos dentre eles o Ska. Com a MTV e com a onda do Ska Punk, que já bombava no exterior, tivemos uma leva de bandas que chegaram ao mainstream – que gostando ou não flertavam com o Ska – como Skank, Los Hermanos, Capital Inicial, Charlie Brown Jr, Forfun e Móveis Coloniais de Acaju. Até o CPM 22 se aventurou com o Ska nos últimos tempos (em “Vida ou Morte“).

Mas como sempre foi no underground onde a coisa ferveu mesmo e onde coletâneas magníficas como Skacetada Vol. 1 (2003), Ska-Punk pra Cacete (2001) e Ska Brasil (1997) apresentaram ótimas bandas para todo o país. Grupos como: Sapo Banjo, Pinrudes, Skamoondongos, Os Thompsons, Sly, Homesick, Maleducados, Follow The Egg, Morlocks, Esquisitosomos, Boi Mamão, Mr. Rude, Skuba, Manuels, Randal Grave e Diabolik.

Outras bandas seminais que os leitores do Hits Perdidos pediram para incluir: Zé², Skafajets e Subtones.

No fim dos anos 90 Bruno Lancellotti (dono da Radiola Records) comandou na Brasil 2000 o primeiro programa de rádio exclusivamente dedicado ao estilo no Brasil, o Skabadabadoo. Este que durou de 1997 a 2002 mas que pode ser ouvido aqui. Posteriormente programas de Ska como o saudoso Skataplá (também da finada Brasil 2000) também nos mantinham antenados com as novidades.

Atualmente o Ska tem espaço na Mutante Radio em 3 programas: Deskarrego, apresentado pelo Vitor Gassula (Quartas às 20 horas), Álamo Descontrolado apresentado pelo Álamo Leonardo (Quartas às 21 horas) e Harlem Kingston apresentado pelo Helder Marçal e que flerta com o Ska Jazz (e suas orquestras) (Quartas às 23:59). Já na 89 FM o Ska tem espaço no programa Heavy Pero No Mucho do Thiago DJ (que vai ao ar sempre às 00:00).


https://www.youtube.com/watch?v=_Y9MJ8cuiRE


PLAYLIST NO SPOTIFY

Playlist SkaSkapunk

Para celebrar o cenário de Ska / Ska Punk brasileiro selecionamos 45 bandas que continuam a espalhar os acordes dançantes da Jamaica. Para isso preparamos uma Seleção Especial no Spotify do Hits Perdidos (siga o Hits no Spotify!).

A playlist conta com sons das bandas: AbraskadabraSapo BanjoNokaosThe BombersSkuba, SkamoondongosSão Paulo Ska JazzCoquetel AcapulcoOrquestra Brasileira de Música JamaicanaBois de GeriãoOs ThompsonsBa-BoomSkafandros OrkestraMusica AgostoLa Digna RabiaDesorquestraLegalêMóveis Coloniais de AcajuKongoMarzelaDon Robalo, RumboraO Leopardo, Radio Ska, Zé OitoSkamaradas TrioEl CabongTupi Saxão, Los Djangos, O Mundo AnalógicoReverendo ZumbiPequena MorteJulio IgrejasFamília GangstersSenhor Kalota, Ocean Breeze Tropical Club, Toca Fitas, Dr. Skrotone e a Máfia do Ska, Caos Lúdico, Guantas, Kuase NadaBuena Onda Reggae Club, Skabong e Marginal Attack.

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