Inseguranças e não saber muito bem para onde está indo. Algo comum e enfrentado por milhares de jovens. Com muitos sonhos, e quereres, eles acabam esbarrando nos mais diversos obstáculos pelo caminho. Muitos deles provenientes de pressões externas, sejam elas por julgamentos ou até mesmo por não conseguir lograr as expectativas alheias.

Neste caminho em direção do amadurecimento acabamos passando por um período de avaliar escolhas e ter que tomar decisões. Muitas delas não muito fáceis de serem executadas e que exigem um pouco mais de si. Noites tortuosas com a cabeça debruçada no travesseiro – e desgaste físico e emocional.

Cada um tem sua busca, cada um tem o seu sonho e as vezes ter tantas certezas acaba nos “cegando”. É um pouco por aí que a Mundo Inverso, projeto de Rafael Negrini, disserta em “Caminho Cego”. A faixa está presente no EP Oscilação Interna lançado hoje.


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Mundo InversoFoto: Divulgação

As Origens da canção

Rafael Negrini: “Quais são as consequências do sim, do não e do abrir mão?

“Caminho Cego” fala sobre ansiedades e inseguranças que encontramos pelo caminho que percorremos. Dos sentimentos que nos apegam e nos cegam. De oportunidades que temos medo de encarar mas que não queremos deixar passar.  Incertezas que passamos nas fases de escolhas.

Foi a primeira faixa do EP que escrevi, a princípio se chamaria Caminho Certo, mas fui perceber mais para frente que de certo não tinha nada e que era muito incerto. Mas incerto não soaria bem no meio da melodia então mudei para “Caminho Cego”

Esse foi um disco gravado em casa, entrando apenas no estúdio para a gravação dos violões. É um projeto intimista e com letras reflexivas sobre o dia-a-dia, mente, sentimentos e saúde de cada um”

Sobre seu estilo, referências e elementos ele nos conta:

Rafael Negrini: “Passava por uma fase de insegurança, não sabia bem o que queria, me sentia meio perdido. Precisei me afastar para perceber que o caminho que estava seguindo não era o certo mas sim o cego.

Ela possui uma melodia misteriosa muito por conta das guitarras e seus slides que fazem uma ambiência meio ”misteriosa’. Se fosse definir um gênero para essa música diria que é o Root Rock (que é uma vertente do Folk), por conta dos slides presentes na música e dos efeitos do teclado Hammond que dão um ar misterioso para todo o conjunto.”


Premiere: Mundo Inverso “Caminho Cego” (18/01/2019)



Segundo Rafael o videoclipe vai direto de encontro com o tema da faixa e nos encoraja a seguir os nossos sonhos.

“‘Caminho cego’ trata de escolhas que fazemos, dos caminhos que seguimos. As vezes encontramos a direção certa e as vezes não. Nem sempre temos claro na nossa cabeça onde queremos chegar, estamos cheios de incertezas e inseguranças que na maioria das vezes nos impede de caminhar.

O clipe quer passar a ideia de que não existe o caminho certo ou o caminho errado a se seguir. E sim o caminho que você acredita, o caminho que vai te levar até seus sonhos. O clipe foi dirigido e editado por Rogério Passini e conta com Marcel Marques na produção.”, finaliza o músico

O EP

O EP, Oscilação Interna, sai hoje (18/01) e você pode ouvir logo abaixo. Ele nos conta que o processo de concepções, gravações e esmeros, o trabalho levou dois anos para ser produzido. Já a temática fala sobre as inquietações e anseios contemporâneos.

“Esse projeto dá voz e liberta tudo que eu queria falar e não conseguia, mas que na música eu encontrei um modo para externar os sentimentos, seja em forma de letras ou melodias. Terminar esse EP simboliza uma fase de persistência e me mostra novos caminhos para seguir”, analisa.



Gentilmente Negrini preparou um faixa a faixa contando mais sobre o que estava sentindo durante o momento de suas composições.

“Caminho Cego”

“Caminho Cego fala sobre ansiedades e inseguranças que encontramos pelo caminho que percorremos. Dos sentimentos que nos apegam e nos cegam. De oportunidades que temos medo de encarar mas que não queremos deixar passar. Incertezas que passamos nas fases de escolhas. Foi a primeira faixa do EP que escrevi, a princípio se chamaria “Caminho Certo, mas fui perceber mais para frente que de certo não tinha nada e que era muito incerto.

Porém “incerto” não soaria bem no meio da melodia, então mudei para Caminho Cego. Ela possui uma melodia misteriosa muito por conta das guitarras e seus slides que fazem uma ambiência meio ”misteriosa”. Se fosse definir um gênero para essa música, diria que é o root rock (que é uma vertente do folk), por conta dos slides presentes na música e dos efeitos do teclado Hammond, que dão um ar misterioso para todo o conjunto.”

“Janela dos Sonhos”

“Talvez a música mais dream pop do EP, muito por conta dos sintetizadores com efeitos flutuantes e a voz viajante. Foram explorados muitos sintetizadores e timbres diferentes nessa música. Essa música a princípio não tinha nenhum sintetizador era para ser algo bem cru, apenas guitarra, baixo e bateria meio post-rock.

Mas na época eu voltei a escutar muito Smashing Pumpkins e a música 1979 me influenciou muito na criação das guitarras e para a ambiência da música. Bandas como Wild Nothing, Mogwai e WRY me inspiraram muito. Sempre tenho uma curiosidade em saber quais são as metas, os sonhos e onde cada pessoa quer chegar. E se ela transformou em algo real o seu ideal.

O sonho de muitas pessoas apenas vive na cabeça delas e em algumas vezes eles acabam não se tornando real, por conta de fatores que os fazem ficar em segundo plano, tipo trabalho, insegurança, vergonha e medo de falhar. E isso é uma frustração muito grande, frustração de não ver aquilo se concretizar e o pior de tudo é se conformar com a situação.

Pessoas vivendo no automático sem perspectiva alguma de mudança. Me vi algumas vezes nessa situação de conformidade, parecia que tudo estava parado e sem vontade. E que só na minha cabeça aquilo que eu queria muito ia acontecer.”

“Plano para Escapar”

“Todas as músicas do EP, surgiram no violão e voz, algumas acabaram deixando de lado um pouco o violão para entrar efeitos e guitarra. Mas em Plano para Escapar, quis deixar a melodia do violão bem para frente na música. Diria que é o encontro do folk com o indie rock. Sou uma pessoa muito ansiosa e diversas vezes me vejo em lugares que sinto que estou perdendo meu tempo em estar ali, mas são lugares que preciso estar, a rotina nos obriga a isso.

Usamos nossa energia para a conclusão de tarefas em prol de outra pessoa, usamos nossa capacidade criativa para satisfazer a necessidade de terceiros, sempre deixando nossas vontades em segundo plano. Gastamos boa parte do nosso dia sentado em uma cadeira, olhando para uma tela e trabalhando para os outros. A rotina nos pega e nos afasta das nossas vontades, fazendo muito para os outros e pouco para si mesmo.

Enquanto isso, a vida vai passando e os momentos que passa investindo nos seus planos e em você mesmo é muito menor que o tempo que passa no lugar em que o cronograma não pode atrasar. Todos temos um lugar que não queremos estar e tentamos sempre escapar. A música fala sobre a necessidade de tentar escapar desses lugares.”

“Inverso”

“Pode ser o interlúdio, o divisor de águas do EP. Ela faz a ponte com a parte final intimista e reflexiva do EP. Foi montada em cima de um arpejo, ela vai nos levando até o final. Inverso é ir contra os padrões, sair do comum. Tentar achar seu espaço e não ser só mais um.”

“Vale Azul”

“É a música que fecha o EP, mas é o começo do Mundo Inverso. Foi a partir dela que comecei a entender que o que estava fazendo no começo de 2016 iria ser algo bem mais complexo do que apenas fazer algo por hobby.

Foi nela que entendi que se quisesse fazer bem feito, eu não iria acertar de primeira e nem de segunda. Regravei ela inúmeras vezes, perdi a conta de quantas vezes entrei e saí do estúdio desanimado porque não conseguia chegar no resultado que queria. Treinei muito meu senso crítico de não querer fazer por fazer e sim fazer algo de qualidade para as pessoas escutarem.

“Vale Azul” é o lugar onde queria chegar, lugar que achava que fosse o ideal. Mas nem sempre o ideal faz bem, nem sempre o ideal é o melhor. Essa música foi um paralelo entre o Mundo Inverso e sentimentos pessoais. De ir e vir, de fazer e refazer, se sentir inseguro, querer desistir, ir longe, voltar e querer terminar.”