O músico e videomaker, Marcelo Perdido, e o cineasta, Graziano, no filme Brasa analisaram a criação musical artística com participações de nomes como Luiza Lian, Anelis Assumpção, Marcelo Jeneci, Tatá Aeroplano, Negro Léo, Bárbara Eugênia, Nana, Rafael Castro e João Erbetta e a não tanto tempo atrás assim entrevistamos o “xará” do site para contar mais sobre essa epopeia.

A mente inventiva de Perdido não consegue ficar parada e após lançar no ano passado o disco Não tô aqui pra te influenciar, já se prepara para apresentar para o mundo seu sucessor.

O que se mantém intacto é o conceito maior que norteia a sua obra como um todo: Músicas que são feitas para aqueles que se sentem perdidos. Ou seja não existiria lugar melhor, na rede de computadores, para uma Premiere do músico.

Perspicaz e questionador por natureza, o multiartista traz em seu novo single, que ganhou um lindíssimo clipe com direito a animação, uma quebra de paradigmas que consegue juntar ao mesmo tempo duas datas emblemáticas.

O mês do orgulho LGBTQIA+ e o Dia dos Namorados. “Que Bom” chega junto para colorir os versos de tantas histórias de amor escritas sem considerar que as pessoas são diferentes e o coração não tem padrão. É desta forma sintética e poderosa que Marcelo Perdido descreve seu novo single.


Marcelo Perdido Que Bom videoclipe


Marcelo Perdido “Que Bom”

“Essa música, e o disco todo, nasceram de um vontade de rever filmes românticos que fizeram sucesso e marcaram as pessoas da minha geração, mas ao revê-los me incomodou o fato das histórias parecerem sempre falar sobre o mesmo casal hétero, branco de cabelos e sorrisos perfeitos.

Imaginei quantas pessoas diferentes desse padrão tiveram que fazer um exercício de abstração muito grande para poder se enxergar naquelas histórias de amor, e talvez nem tenham conseguido e cresceram sem isso. É bem triste, né?

Então essa canção, e também o disco que vem por ai tenta pluralizar um pouquinho as histórias de amor, é um passo bem pequeno, mas na direção que acho que é a certa quando penso nesse sentimento”, reflete Perdido.

Em sua nova fase Marcelo Perdido não tem mais medo de assumir uma faceta pop em seu som, algo que ele conta que relutou por um bom tempo. Ele consegue com certa facilidade explorar referências da MPB, do pop e da música alternativa.

“Acho que eu percebi que não tenho mais medo de soar pop. Já tive muito, como se fazer uma música mais acessível fosse algo constrangedor, um lado meu que eu tinha que fugir, não mostrar”, revela ele.

“Que Bom”, que já está disponível nas plataformas de streaming, integrará seu sexto álbum e conta com a produção de Habacuque Lima (Ludov, Pullovers), que também tocou guitarra e sintetizadores, a faixa conta com baixo de André Whoong, bateria por Matheus Souza (Tiê) e teclas, cordas e trompete por Danilo Andrade (Jorge Ben Jor, Gilberto Gil).

Colorindo as telas com novas histórias



Colorido e animado, o vídeo dirigido pelo músico explora as cores e tons que por muito tempo ficaram em P/B nos romances de Sessão da Tarde ou que eram retratados apenas como alegoria – como não tivessem a mesma importância, intensidade, magia, cumplicidade e beleza.

Ele traz em seus versos várias situações do cotidiano que todo LGBTQIA+ já vivenciou em algum momento da vida. Com direito a um arranjo de metais, ele celebra as histórias e convida os casais para dançar ao som dos teclados – e melodias pop – que nos remetem ao fantástico universo de games como o icônico Atari.

Perdido traz para a tela histórias de amores que por muito tempo ficaram perdidas por trás das películas da sétima arte mas que hoje em dia, felizmente, estão sendo retratadas cada vez com mais intensidade  – e menos tabus. Afinal o amor é universal e existe de todas as formas, não escolhendo CEP, RG, credo, sexualidade ou conta corrente.