Natural de Marília (SP), Juliana Máximo é atriz, cantora, compositora e escritora. Até o momento ela tem lançados oficialmente: um álbum, um EP e dois singles lançados intitulados À Noite É Quando Os Monstros Saem, Uma Sombra no Escuro, “Combustão” e “Alfa”.

Ela denomina seu estilo musical como “Darkpop” e “Indie” e experimenta dos sintetizadores para construir suas camadas sonoras. Entre as referências ela aponta artistas como Florence + The Machine, Halsey, LORDE, Aurora entre outros artistas do independente brasileiro. Embora sua carreira musical começou com o folk o que ela conta em entrevista exclusiva para o Hits Perdidos.


Juliana Máximo

Juliana MáximoFoto: Divulgação


Juliana Máximo “Alfa”

A artista lança o clipe para a faixa “Alfa” que conta com uma narrativa distópica, ficcional e trás como principal assunto a união entre as mulheres e o feminicidio, de uma forma cinematográfica e apocalíptica. Como ela mesmo descreve ao falar sobre o clipe.

“Eu acredito que o passo inicial para acabarmos com qualquer problema é falar sobre ele, o segundo é enfrentar, e é sobre isso que canto e escrevo. “Ser o monstro nem sempre é o problema, o problema é o que você faz sendo ele. Eu sou o Monstro, e a Noite chegou”.”, comenta a artista

Para retratar um ambiente distópico, catastrófico, hostil e futurista, o videoclipe foi gravado em um ferro velho. Das 8 ás 23 horas e com a colaboração de amigos e artistas no melhor estilo D.I.Y. de uma produção audiovisual.

O Videoclipe

Juliana Máximo assina o roteiro, figurino, maquiagem e produção. O vídeo contou com a direção do cineasta Cristiano Soares e com a cinematografia de Luan Henrique do Nascimento.

A produção busca contar de forma ficcional a história de um grupo de mulheres que luta para sobreviver em um mundo apocalíptico e fantasioso dominado por homens, e onde elas são caçadas, mortas e/ou escravizadas.

“A ideia do clipe surgiu da letra do refrão da música, da forma como aqueles versos ansiavam por algo verdadeiramente significativo, “nós não devemos fugir, nossos cortes são profundos…”

Esse trecho já falava por si só, depois disso a ideia de ilustrar a união das mulheres e o combate ao feminicídio surgiu naturalmente”, conta Juliana.



As Referências para a Produção Audiovisual

“Minhas principais referências foram clipes de artistas que eu gosto como “New Americana” da Halsey e praticamente todos os clipes do Alan Walker (minha grande vontade era costurar o universo de todos os meus clipes assim como ele costuma fazer).

Mas se eu fosse escolher algum filme para usar como referência seria Mad Max Estrada da Fúria por causa da união das mulheres e de todo o contexto que circula em torno de sua liberdade.”, revela Máximo

Por aqui lembrou também na parte da letra o filme clássico Lost Boys (1987) e o futurista Minority Report (2002). Já nas atuações o espírito aguerrido de luta lembram um pouco a odisseia da série da Netflix, 3%, contra o sistema. Representado também sob outro viés, no livro 1984 (1949) do escritor George Orwell.

Entrevista: Juliana Máximo

Posso perceber que tem referências cinematográficas tanto na letra como na produção audiovisual, fale mais sobre elas, sobre sua concepção e os universos que aborda.

Juliana Máximo: “Eu sou apaixonada por distopias e universos apocalípticos. Mas tanto para a letra quanto para o clipe de “Alfa” eu quis criar algo totalmente autêntico, uma história e universo que poderiam muito bem inspirar alguma série ou filme (risos).

Minhas principais referências foram clipes de artistas que eu gosto como “New Americana” da Halsey e praticamente todos os clipes do Alan Walker (minha grande vontade era costurar o universo de todos os meus clipes assim como ele costuma fazer). Mas se eu fosse escolher algum filme para usar como referência seria Mad Max Estrada da Fúria por causa da união das mulheres e de todo o contexto que circula em torno de sua liberdade.”

Como aconteceu a preparação, organização e a gravação do videoclipe?

Juliana Máximo: “Toda a preparação pro clipe foi algo extremamente corrido. A idéia surgiu no final de 2019 e eu soube que o meu amigo e diretor Cristiano Soares iria viajar em fevereiro pros EUA, então corri para a produção acontecer antes de ele ir.

Convidei algumas garotas que eu já conhecia e admirava para participar, fiz uma coreografia e ensaiamos tudo em duas semanas, depois disso foi só conseguir alguns patrocínios para alimentação, maquiagem, figurino, encontrar uma locação e marcar o dia.

Eu mesmo cuidei do figurino e maquiagem do elenco, o que foi algo desafiador, porém muito divertido. Chamei alguns amigos para contracenar com as garotas, meu namorado que estava ajudando na produção e making of acabou atuando também, e assim filmamos tudo, das 7h da manhã às 23h da noite em um ferro velho aqui da minha cidade. Foi uma loucura.”

O vídeo veio da ideia de união das mulheres e o combate ao feminicídio. Como tem observado os crescentes números de casos, algo que inclusive vem se agravando durante a quarentena, e quais caminhos acredita que sejam os melhores para mudar essa triste realidade?

Juliana Máximo: “Com os casos de pessoas contaminadas pelo vírus aumentando a cada dia, acabamos deixando de lado problemas que já existiam, como a violência contra a mulher e o feminicídio, e isso é triste e revoltante demais.

Acredito que mais informação sobre redes de apoio e o incentivo à denúncia já seria, não a solução, mas um grande passo para o combate à violência. E, principalmente, mostrar para as mulheres que elas não estão sozinhas, isso é essencial para elas se sentirem fortes e encorajadas a procurar ajuda. ”

Quais artistas e sonoridades tem mais te inspirado ao longo da sua trajetória?

Juliana Máximo: “Minha grande inspiração sempre foi Florence and the Machine. Sua voz potente e os universos que ela constrói nas letras e em seus clipes sempre me encantaram.

Nos últimos anos eu me inspirei muito também em Aurora, Scalene, Jaloo, Fresno, Lorde e Halsey. Gosto de descrever meu estilo atual como “darkpop” ou “alternativepop”, mas não tenho certeza se é isso mesmo. Eu penso que nossa arte está sempre em constante mutação. Quando comecei eu ouvia muito folk, nunca pensei que acabaria indo pro lado dos sintetizadores, mas estou muito feliz com meu estilo musical atual.”

Aliás você também é atriz, compositora e escritora, conte um pouco mais sobre a sua carreira artística.

Juliana Máximo: “Eu sempre amei atuar, cantar e escrever e ao longo dos anos, acabei entrelaçando essas minhas vertentes da arte.

Por exemplo, meu primeiro álbum se chama À Noite É Quando Os Monstros saem, pois aborda temas sombrios como nossos monstros internos e nossa constante luta para acabar com eles quando deveríamos aprender a lidar e os aceitar, e no ano passado escrevi um livro, que aliás será lançado esse ano pela Editora Coerência, intitulado “O Mundo Devorou Susana” que além de trazer o mesmo assunto fala sobre violência domestica, bulliyng, suicídio e a união de minorias consideradas “fracas”.

O clipe de “Alfa” tem um contexto extremante parecido, ou seja, independente de ser música, teatro ou literatura, eu, nem sempre propositalmente, acabo trazendo esses assuntos como tema principal.

Eu acredito que o passo inicial para acabarmos com qualquer problema é falar sobre ele, o segundo é enfrentar, e é sobre isso que canto e escrevo. “Ser o monstro nem sempre é o problema, o problema é o que você faz sendo ele. Eu sou o Monstro, e a Noite chegou”.”