Flaira Ferro - Foto: Reprodução / Youtube
Em 2019 a pernambucana Flaira Ferro lançou seu segundo álbum Virada na Jiraya. O disco que foi produzido por Yuri Queiroga acabou entrando em nossa lista de Melhores Álbuns Nacionais. Se destacando pelo trabalho de produção e por sua narrativa entre o pop, a música brasileira e o rock mas sempre com muito bom humor.
Ela acaba de lançar nesta terça-feira (28) o videoclipe para a sétima faixa do disco, “Lobo, Lobo”, faixa em parceria com Igor de Carvalho e Mayara Pêra.
Com uma performance solitária, a produção audiovisual usa dentro da sua narrativa tons vermelhos e tons brancos, pretos e azuis mesclados a imagens de projeções das suas apresentações ao vivo. O vídeo foi idealizado, produzido e finalizado durante o período de isolamento.
Mary Gatis, que assina a direção e a montagem do trabalho junto com Flaira Ferro. Segundo a própria artista, o vídeo faz “uma sátira aos vampiros do cotidiano que disfarçam suas más intenções em personagens aparentemente inofensivos.”.
Entre sobreposições, bom humor e diversas referências a personagens do nosso cotidiano, entre eles políticos corruptos, personalidades com alma usurpadora e com caráter bastante questionável.
Conversamos com a Flaira Ferro para saber mais sobre a Quarentena, a produção do videoclipe e a análise sobre o momento difícil que estamos passando na esfera política e social.
“Minha inspiração veio de um estado de alerta. O país e o mundo tem mudado numa velocidade sem volta. O Brasil tá num contexto político tenebroso. Perversidades explícitas e ao mesmo tempo disfarçadas em discursos de progresso conservador. Estamos em uma crise ética profunda de valores humanos.
Vivemos, por exemplo, a era das fake news. Quem são esses haters?
É provável que estejam bem do nosso lado e a gente nem faça ideia. Lobos em pele de cordeiro atuam na surdina, vestidos de personas que discursam em nome da “verdade” e da “moral”. Na esfera pública, todo dia descobrimos um novo caso entre líderes religiosos, políticos, filósofos, pensadores que, na primeira oportunidade, revelam suas intenções fascistas e hipócritas.”, conta Flaira Ferro
“No contexto trágico atual, de pandemia, isolamento e vulnerabilidades psíquicas, precisamos de referências de lucidez. Precisamos encontrar formas inteligentes de transformar nossas indignações em criatividade para propor mudança. Do contrário, ficamos suscetíveis aos caminhos da inconsciência e da autodestruição.”
“Escolhi fazer esse clipe durante a quarentena por que tava muito difícil acompanhar as notícias e ficar parada. Tá duro existir sob as informações de um cotidiano que mais parece uma fita de terror arranhada no repeat.
A arte é a minha tentativa de transmutar os infernos em recados políticos e poéticos. E
“Lobo, Lobo” é uma canção que acende minha usina interna para seguir atenta e forte, como canta Gal.”
“Na prática, a gravação do clipe se deu em duas etapas. A primeira foi a de levantar ideias e traçar um argumento. Tudo foi feito em parceria com a artista visual Mary Gatis que também assina a direção e a montagem.
A segunda etapa foi a de pôr a mão na massa. Abri meu guarda roupa, montei alguns figurinos, afastei os móveis da sala, chamei meu companheiro para dar o play na câmera e comecei a improvisar dançando e cantando.
Com “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça” a gente levantou as imagens em duas tardes. Além das gravações em casa, tínhamos alguns vídeos de acervo das projeções de show do Virada na Jiraya.
Mary juntou todos os materiais e começou a montar o quebra-cabeça com maestria.
Fiquei feliz de fazer esse coquetel de vídeos transitando entre humor, alarme, ira e vitalidade.”
This post was published on 28 de julho de 2020 7:01 pm
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