Em live session, Soundlights mostra a química entre a natureza e a música

A Soundlights surgiu em 2015 como um projeto solo do porto alegrense Arthur Valandro (Guitarra/Voz/Sintetizadores) que durante sua estadia em Whale Pass, interior do Alasca (EUA), acabou desenvolvendo o conceito do projeto.

Este que carrega uma estética onde o ambiente e a natureza interferem no resultado final tanto das composições como das apresentações. O vento, a chuva, a fauna e até a aurora boreal acabam por sua vez musicados.

Em outubro do ano passado o primeiro EP da Soundlights foi divulgado, este que foi gravado sozinho em casa – e com a limitação de apenas guitarras e teclados. Sons que vêm do Sítio, foi lançado de forma independente e conta com seis canções.

Ouvir hoje em dia o registro é uma experiência que já não é traduzida nos palcos. Visto que com a necessidade de levar o projeto para o formato “show”, ele acabou recrutando para a banda os músicos André Garbini (Percussões/Bateria/Voz/Violão/Sintetizadores), Bernard Simon (Guitarra/Voz/Sintetizadores), Gabriel Burin (Sintetizadores/Voz) e Juliano Lacerda (Sintetizadores/Baixo/Voz).


Soundlights
Soundlights durante o registro da live “Casona
vai ao Sítio”.  – Foto Por: Pedro Matsuo

Com o adendo dos músicos a banda, e a parceria com o coletivo Tronco, eles agora lançam o primeiro material que reflete o que é a experiência de assistir a uma apresentação do conjunto.

Eles que apelidaram a live como Casona Vai ao Sítio. O registro foi gravado em uma ocupação artística localizada no bairro de Petrópolis, na capital Gaúcha. A intenção da produção audiovisual é mostrar para os curiosos como funciona a atual formação da banda ao vivo.

Aos poucos eles irão disponibilizar os vídeos da session gravada na Casona. Hoje com exclusividade no Hits Perdidos eles mostram em primeira mão os registros para “Onde que Fica (Rio Azul)”, faixa presente no EP Sons que vêm do Sítio que saiu pelo selo independente gaúcho Lezma Records.



O vídeo foi dirigido por Theo Tajes e tive direção de arte de Manuela Falcão. Nas câmeras contribuíram: Maurício Borges de Medeiros, Lorenzo Beust, João Paulo Dorneles, Lucas Blaya Rocha e Gabriel Machado Paz. O registro foi produzido por Árido Filmes e as projeções foram realizadas por Eduardo Taborda.

Entrevista

Eles chegam hoje em São Paulo para show amanhã (14/11) na Casa do Mancha e pude conversar com o vocalista Arthur Valandro sobre as origens do projeto, live e turnê.

[Hits Perdidos] Contem sobre como a imersão da experiência no Alasca influenciou na sonoridade, ambientação e origem da banda.

Soundlights: “A sonoridade que surgiu da minha (Arthur) experiência de ter vivido no Alasca nos acompanhou de modo mais intenso ao longo das primeiras composições. Nesse tempo, tanto a temática das letras quando o o resultado sonoro retrata de modo preciso uma exploração ainda adolescente do mundo e das possibilidades de existência.

De todo modo, a vivência de fenômenos naturais, desde as luzes das auroras boreais à vida selvagem local, contribui ainda pra minha visão de mundo e, consequentemente, pra expressão musical. Os elementos da natureza e imersões em meio às paisagens locais ainda foram alvo de boa parte das composições em “Sons que vêm do Sítio”, legado das experiências no Alasca.”

[Hits Perdidos] Vocês também tem uma preocupação estética que chega até as apresentações com projeções, como acontecem e quais sensações gostariam de passar para quem os assiste?

Soundlights: “O processo de criação das músicas do projeto se dá, muitas vezes, em cima de vivências com conteúdo visual/de imagem mental muito vívidos. De modo semelhante, os elementos estéticos da apresentação e da imagem da banda seguem esse mesmo fluxo.

A questão relacionada à natureza se manifesta de modo mais abstrato nas projeções visuais e assumem um papel mais sensorial com o trabalho do Eduardo Taborda e da Manuela Falcão. O aspecto sensorial, por vez, busca fazer com que o público atente ao efeito da música no seu corpo/mente e possa, desse ponto em diante, ir a fundo em sensações e sentimentos mais particulares, subjetivos.

A Manu exerce um papel importante, também, no aspecto visual da banda. As colorações e tecidos utilizados buscam reforçar uma experiência de “fantasia”, como se fosse proporcionar uma imersão imagética às vivências “mágicas” de acesso a um espaço subjetivo. Além disso, toda essa preocupação estética visa à diversidade, à aceitação de manifestações culturais esteticamente distintas do padrão vigente. Esse aspecto social toma um tom bastante importante na fase recente do projeto.”


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O contato com a natureza é também um dos elementos do som dos gaúchos. – Foto Por: Vinicius Angeli / Gabriel Paz

[Hits Perdidos] Como foi a gravação e processo da live?

Soundlights: “A gravação do live foi, basicamente, tomada como próximo passo lógico no percurso da banda. Nos demos conta disso por conta do processo de mixagem/masterização do EP que rolou na Casona, casa em ocupação artística aqui em Porto Alegre, somado à consolidação da banda ao vivo. Toda a história que rolou no espaço foi igualmente importante pro processo de gravação.

A Casona se propôs a concretizar e fortalecer a cena independente da cidade. Bandas e artistas de diversos nichos da música puderam passar pelo local ao longo do ano, levando à produção de discos de destaque no estado. Rolou, então, um processo de levar as experiências que originaram os “Sons que vêm do Sítio” ao espaço urbano da Casona.

Todo o contexto da atualidade gerou um movimento de união que levou à criação de projetos como, além do live Casona vai ao Sítio da Soundlights, o coletivo Tronco.

Tronco formalizou um espaço de lançamento de música e promoção de ações envolvendo a música como, por exemplo, a realização de eventos. Já adiantando, rolará ainda este ano um festival na Casona, promovido pelo coletivo, e o line up será divulgado em breve.”

[Hits Perdidos] Vocês estão prestes a iniciar uma turnê para fora do estado, quais as expectativas e o que mais os motiva?

Soundlights: “A expectativa maior é de entrar em contato com as cenas musicais de cada localidade que passarmos. Acreditamos que a interconexão dentre os meios artísticos é fundamental pro papel da classe na sociedade, especialmente em tempos que exigem maior resistência. Vemos a oportunidade de sair do estado como um privilégio de grande valor pra que possamos buscar, cada vez mais, passar mensagens de conexão, ajuda mútua e harmonia ao público.”

[Hits Perdidos] Quais os planos para 2019, teremos um novo EP ou disco a caminho?

Soundlights: “Ainda não temos muito ao certo, mas, certamente, o plano é ir gravar em estúdio ainda no primeiro semestre de 2019. Já temos algumas demos que vão compor, também, as apresentações dessa turnê de novembro.

Além disso, nossa ideia é conseguir participar festivais e sair do estado novamente pra tocar. Acreditamos que é o momento pra gritar sobre várias temáticas importantes através da música. As pessoas necessitam de catarses emocionais e a música é um ótimo veículo pra isso.”

[Hits Perdidos] Como observam a consolidação e avanço da nova música gaúcha em nível nacional? Vendo o crescimento de bandas próximas como a Catavento e a Supervão que de certa forma quebram aquele velho estereótipo do “rock gaúcho”. Aliás como vocês enxergam isso?

Vemos todo esse processo como um movimento lindo e muito coerente com a realidade do nosso país e planeta na atualidade. Catavento assumiu uma voz bastante clara e super importante falando sobre os processos de ansiedade de se viver no contexto atual.

Ao mesmo tempo, Supervão espalha aquela alegria de união e afeto com TMNJT. É toda uma cena que grita por um movimento maior e o espaço que vem se fortalecendo por bandas como as citadas é crucial pra continuação do fazer musical.

A nova cara da música gaúcha talvez seja uma de reinvenção, de refazer e reconsiderar. Aquele rock talvez não caiba como a voz principal nesse novo processo. Vemos uma necessidade de se buscar diversidade, voz a quem nunca teve e espaço à criação e experimentação.

Em um estado em que reina muito conservadorismo, uma onda forte precisa vir pra bater contra e desconsideração do outro e agressão ao diferente. Na música, não poderia ser diferente. A cena tem representado muito esse movimento maior.”

[Hits Perdidos] Quais discos lançados esse ano mais chamaram a atenção de vocês?

Soundlights: “Teve muita coisa que passou pela gente ao longo do ano. Olhando pra trás agora, fica até difícil sacar quais trabalhos foram os mais marcantes. Olhando pra fora do país, muitas das antigas influências que tínhamos nos impactaram com uma sonoridade atual e, principalmente, com a atualização de uma mensagem pra um âmbito mais global, com p qual foi possível rolar uma identificação mesmo vivendo no Brasil.

Tiveram os discos novos da Palm, Beach House, Unknown Mortal Orchestra, MGMT. Todos trazendo sonoridades com as quais rolou uma comunicação. Falando do Brasil, houveram muitos movimentos lindos. Causaram um impacto de “ótima surpresa” os trabalhos, por exemplo, da Cora, La Leuca, Maria Beraldo e da Catavento, já citado.”

A Turnê

Nas próximas duas semanas o atual quinteto tem shows marcados em 4 estados e passarão por cidades como: São Paulo, dia 14/11 na Casa do Mancha, e dia 23/11 no Estúdio Aurora, São José dos Campos (SP) – Estúdio Acrobata, no dia 15/11, Juiz de Fora (MG) – Necessaire Jufas, no dia 16/11, Rio de Janeiro (RJ) – Aparelho, no dia 17/11, e 29/11 em Florianópolis (SC) – Taliesyn.

Em algumas destas datas eles terão a companhia das bandas João Salazar e De Repente Vivo.


soundlights - Turnê


PLAYLIST NO SPOTIFY

No Brasil a Neo-Psicodelia tem bombado bastante nos últimos anos e uma série de adeptos ao estilo tem aparecido. O bacana é ver a diversidade de referências e estilos absorvidos que cada uma encontra para estabelecer sua identidade própria. Sendo assim, reunimos 68 bandas que viajam por essa viagem eterna.

A seleção Especial pode ser encontrada no Spotify do Hits Perdidos (siga o Hits no Spotify!). E claro a lista conta com a Soundlights!


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