Conheça as histórias na estrada das bandas participantes da coletânea “Transmissão Sonora”

No último fim de semana manuseando coletâneas dos anos 90/00 como Give ‘Em the Boot, Warped Tour, Unsound Punk-O-Rama me deparei em uma discussão que a princípio me pareceu um tanto quanto nostálgica.

De certa forma todos da roda nascidos e criados nos anos 90 sentíamos a falta de abrir um encarte, ver o poster promocional, tirar o plástico, sentir seu cheiro, ver a arte e ler as as canções até decorá-las….e tantos outros hábitos que foram sendo perdidos. Lendo assim esse relato soa até como um fetichismo. E talvez seja mesmo.

Afinal de contas estamos em uma era digital onde a mídia física foi perdendo sua importância e cada vez mais vemos pessoas optando apenas pelo digital. As vendas inclusive tem drasticamente caído nos últimos anos.

Mas de certa forma nos distanciamos disso. Alguns abandonaram o CD e foram buscar fitinhas K7, e até mesmo o Vinil, mas sabemos que em nossos dias atuais esse não é o principal modo de consumo de música.

Talvez ela possa até ser percebida como descartável para alguns já que a cada sexta-feira nas plataformas digitais temos a certeza que teremos novos singles, EPs e discos prontos para serem apreciados de tudo que é canto do planeta. Muitas vezes nem temos tempo de apreciar aqueles registros da maneira correta.

A ânsia pelo consumo desenfreado acaba querendo ou não tirando um pouco da magia. Vemos até bandas lançando cada vez mais discos menores, priorizando singles – e alguns (mais) insanos lançando mais de um álbum por ano.

Um paradoxo um tanto quanto complexo se formos explicar para alguém que não tenha vivido nossa era. Para alguém que caçava demos, trocava fitinhas pelo correio ou esperava o disco do amigo para copiar e ouvir em uma qualidade questionável.

Essa pessoa provavelmente demoraria uma vida para conhecer uma centena de discos e definitivamente jamais imaginaria – nem no sonho mais distante – que em um futuro próximo, em questão de poucos cliques, poderíamos saber sobre um novo lançamento de uma banda tailandesa revival de proto-punk, por exemplo.

Se no começo dos 00’s baixávamos música pelo Kazaa, Limewire, MIRC, eMule, Napster, Pirate Bay, Megaupload, Rapidshare, 4Shared, Soulseek, Myspace, Purevolume e tantos outros, agora nem sequer baixar fazemos mais (salvo em casos especiais como DJs e radialistas). O revolucionário IPOD foi descontinuado e hoje em dia “baixamos” playlists em streaming em plataformas como Spotify, Deezer, Apple Music, TIDAL e afins.

Mas aquele espírito vanguardista nunca morreu e diversos selos independentes ainda apostam no formato físico. Ainda vemos curiosos comprando CDs por mais que as mega lojas e livrarias estejam fechando. É louco pensar que aquelas poderosas hoje ou reduziram seu poderio, ou encerraram as atividades. Mas de fato ir na contramão sempre foi a força do independente, assim como arranjar formas para fazer com que sua música circulasse independente da grande mídia.

Com essa proposta de seguir na contramão, de maneira completamente independente, Alexandre Machado (Acidental / Parachamas / Mundo Alto / Hearts Bleed Blue) optou por apresentar bandas novas sem partir para a distribuição digital e sim através de uma coletânea física.


Capa
Na contramão do mercado, a coletânea V/A – Transmissão Sonora VOL. 1 apenas estará disponível no formato físico. – Foto: Divulgação

Com o nome de Transmissão Sonora, nesta primeira edição contando com 18 artistas independentes de 11 cidades. Com direito a Royal Thieves do Uruguai e os veteranos Autoramas. Os estilos também são variados com artistas de Post-Rock, passando por punk rock, pop punk, rock alternativo, emo, dream pop, garage rock a eletropop.

As Bandas

Autoramas (Rio de Janeiro / RJ), Riviera Gaz (São Paulo / SP), Acidental (Blumenau / SC), Taunting Glaciers (Blumenau / SC), CHCL (São José dos Campos / SP), The Royal Thieves (Montevideo / Uruguai), Bels (Campinas / SP), Derrota (Americana / SP), Magnólia (Florianópolis / SC), Morenas Azuis (Brusque / SC), Aletrix (São Paulo / SP), Old Books Room (Fortaleza / CE), Backdrop Falls (Fortaleza / CE), Between Summers (Blumenau / SC), Versares (Osasco / SP), Unnatural (Blumenau / SC), Caimans (São Paulo / SP) e Nadahype (São Paulo / SP).

Você inclusive pode ouvir 16 das 18 faixas que estarão presentes no registro aqui.

Mas como a ideia é fazer com que o som das bandas circule Brasil afora, e que cada vez mais gente possa saber sobre o trabalho delas, decidi conversar com elas sobre histórias da estrada.

A Estrada mais Percorrida

Inspirado pelo livro The Road Most Travelled (2012), do Chuck Ragan (Hot Water Music), onde ele traz anedotas, causos, e histórias – das banais as emocionantes – dentro do universo dos profissionais da música na estrada…decidi perguntar para as bandas presentes na coletânea sobre seus percalços e (pequenas) alegrias longe de casa.

As respostas foram ótimas e quem sabe podem dar origem até a uma versão nacional do livro!

Morenas Azuis (Brusque / SC)


Morenas
Morenas AzuisFoto: Divulgação

“Bom, isso é uma baita verdade. Temos algumas, mas sem dúvidas a que mais nos marcou foi uma que aconteceu durante as gravações do nosso primeiro CD. Vamos lá…

Em maio/junho de 2014 começaram a divulgar as dadas da turnê de CJ Ramone no Brasil, e um dos shows seria em POA. Agendamos a gravação para o mesmo final de semana do show, pois assim poderíamos conferir o Ramone ao vivo. E foi tudo tranquilo, show muito legal e etc… até que quando estávamos indo embora nos perdemos do nosso produtor, Davi Pacote (Os Torto, Ex Tequila Baby, e trocentas bandas do RS).

Lá pelas tantas ele nos liga e fala para irmos até o hotel tal na rua tal… não lembro o nome… mas era o mesmo em que o Ramones se hospedou quando veio tocar na década de 90. Pegamos o primeiro táxi e nos mandamos pra lá. Ao chegarmos, entramos no saguão do hotel e ali estavam CJ e sua banda, bem como Davi pacote e mais algumas pessoas. O CJ não nos viu entrar e quando acabamos de chegar e cumprimentar os nossos amigos ele virou de costas e ofereceu um pedaço de Pizza, pois estavam ali comendo e havia sobrado bastante, e então ele distribuiu pra galera. Tiramos foto e aquilo tudo, e ficamos ali no saguão todos sentados conversando. Nesse momento estávamos em 10 pessoas, incluindo CJ Ramone e o seu guitarrista de apoio Dan Root (guitarra – ADOLESCENTS).

Lá pelas tantas ele sugere de fazermos algo, ir em algum bar enfim… Então ele subiu pro hotel, tomou um banho, desceu usando tipo aqueles agasalhos de atletas, e saímos a pé pelas ruas de POA, atrás de um bar ou coisa do tipo. Caminhamos por 40 minutos e chegamos em um local que estava fechado (era feriado de 7 de setembro e nem nos ligamos haha) e logo a frente tinha um lugar que estava rolando pagode ou samba e aí nem o CJ quis ficar ali. Decidimos então que compraríamos umas cervejas e voltaríamos pro hotel de táxi e assim foi feito. Nessa hora o CJ puxa R$ 50,00 pila do bolso e da para ajudar a comprar as cervejas.

Ali no Hotel, ficamos todos sentados em volta de uma mesinha de centro e nos revessávamos fazendo perguntas e ouvindo histórias enquanto bebíamos algumas geladas.  Muitas histórias e coisas que nem estão em livros. Aí de repente ele pergunta se queremos ouvir a mix final do disco novo dele que seria lançado nos meses seguintes. Então ele pegou seu celular, pediu para que ninguém gravasse nada, colou na mesa de centro e ali fizemos a audição de “Last Chance to Dance” na integra, antes que o mundo pudesse conhecer… Olha, foi surreal, e acreditamos que vai ser bem difícil de vivenciarmos uma história que possa superar essa. Mas nunca se sabe o que o futuro nos pode nos propor, e por isso estamos abertos ao que vier. Vamos a POA todo ano, seja pra tocar ou gravar, e sempre que vamos pedimos a mesma pizza da mesma pizzaria. Chamamos de “Pizza do CJ”. (risos)

Acidental (São Paulo/ SP)


Acidental
AcidentalFoto Por: @chuinsk

“Olá amigos do Hits Perdidos, quem escreve aqui é o Alexandre M., vocalista do Acidental e vou contar pra vocês uma situação bem incomum, que aconteceu com a banda nesta nossa curta trajetória.

O Acidental começou a fazer shows em 2017, antes disso a banda era mais um projeto, com a ideia apenas de compor e lançar músicas! Em março deste ano fizemos uma pequena tour pelo sul e sudeste e acabamos indo tocar em Cambuí, no sul de Minas Gerais. Chegamos um pouco cedo na cidade (20h) e o “CPB Rock Bar” local do show ainda não estava aberto, então demos uma volta, procurando um lugar para comer e passar um tempo, acabamos achando um buteco que estava lotado da galera local, clima de festa, cerveja, espetinho, música ao vivo e todo o combo “bar do interior”, ou seja, lugar perfeito!

A nossa entrada no bar foi algo como o Marilyn Manson entrando na festa naquele clipe de “Tainted Love”. Todo mundo parou de conversar e olhou pra gente, afinal, um bando de cabeludo/barbudo e tatuado, vestido de preto, entrando em um bar fora do contexto não era algo esperado pelo pessoal que frequentava o recinto. Passado esse primeiro momento, tudo voltou ao normal, pedimos nossas cervejas e refrigerantes, espetinhos e logo algumas pessoas vieram nos “entrevistar”, perguntado se a gente curtia Sepultura, Ramones, entre outras bandas de rock do capeta.

O problema aconteceu quando eles descobriram que a gente era uma banda e nesta hora o bar parou de novo, até o cantor com seu teclado parou de tocar. Os homens e mulheres, loucos e bêbados (deviam estar desde as 10 da manhã no bar) começaram a pedir pra gente tocar uma música, ali na hora, afinal de contas, o sistema de som (microfone e teclado) estava todo ali.

A gente tentou dar mil desculpas, mas no final acabamos conversando com o tecladista, que programou um “4/4 no beat style rock” com baixo automático nos acompanhamentos, eu passei a base da nossa música que tem dois acordes o tempo todo e a bagunça estava feita.

Foi trágico, mas pro pessoal do bar estava tudo lindo (deviam estar desde as 10 da manhã no bar). Foi bem difícil querer sair deste bar pra ir la fazer o show, o pessoal estava bem mais louco que a galera hype da cidade grande. É como eu sempre digo, quer conhecer gente louca, conheça cidades pequenas, é onde os verdadeiros malucos (no bom sentido) estão!”

Magnólia (Florianópolis / SC)


Magnólia
MagnóliaFoto: Divulgação

“Nosso guitarrista Betin já sofre um certo bullying entre nós por não ser – digamos – o mais pontual da banda. Mas uma história específica envolvendo sua alcunha de atrasado merece destaque por ter sido a situação mais extrema que já tivemos de passar.

Havia um show agendado em Guarulhos (SP) para um final de semana em fevereiro de 2018. No dia do voo, Luiz tinha um compromisso em outra cidade, de forma que teria de voltar para Florianópolis (SC) e ir diretamente para o aeroporto. JC o esperava para ir de carona com ele.

O problema é que passava o tempo e Luiz não chegava em Floripa. Até aí, “tudo bem”, pois estávamos acostumado com este tipo de coisa, e, entre um atrasinho e outro, pelo menos nunca havíamos perdido compromissos ou causado algum prejuízo… ATÉ ESTE DIA.

Devido a alguns imprevistos, Luiz não conseguiu voltar a Florianópolis no tempo previsto. Quando voltou, buscou o JC e pisaram fundo, para então chegar no aeroporto CINCO MINUTOS após o fechamento do check-in. Não teve jeito: o voo estava prestes a sair, e os dois ficaram para trás.

E AGORA? COMO VAMOS CHEGAR A TEMPO EM GUARULHOS? TEREMOS DE CANCELAR O SHOW? Nada disso! Imediatamente fomos a rodoviária e compramos duas passagens de ônibus para São Paulo. Ida e volta. 12 horas na estrada para cada viagem. Para o JC, estas doze horas passaram num piscar de olhos, pois foi uma cartela de dramin para cada viagem. Não se sabe como foi para o Betin, mas, de qualquer forma, passar metade de um dia em um ônibus nunca é muito confortável.

Por pouco não perdemos o show que tínhamos agendado, mas conseguimos dar conta de chegar a tempo e tocar. É muito amor pela causa.

Para não dizer que esse texto apenas esculachou nosso querido guitarrista, vale ressaltar que, após este “trauma”, reduziu-se consideravelmente a incidência de atrasos entre todos nós na banda. Parece que há males que vem para o bem. TI AMU BETIN.”

Old Books Room (Fortaleza / Ceará)


Old Books
Old Books RoomFoto: Divulgação

“Talvez nossas histórias de turnês e viagens não sejam tão loucas quanto de muitas outras bandas, mas tem algumas situações que valem a menção honrosa. A Old Books Room está na luta desde 2011 e de lá pra cá foram algumas viagens e pequenas turnês, mas pela falta de grana mesmo, já que sobra vontade.

A maior de todas foi nossa ida para São Paulo no mês de julho em 2017, onde passamos mais de 20 dias e fizemos cerca de 7 shows com muitas aventuras etílicas entre bares, estúdios e até na rua. E é sobre nosso show na Avenida Paulista que essa historinha bizarra faz referência, pois foi nela que, a 3 metros de nós, passava uma carreata pró ditadura militar e todas as falácias de bosta contra corrupção e etc.

Do começo a metade, o show estava sendo lindo, com a participação de uma galera maravilhosa, prestigiando e se empolgando, quando a maldita carreata começa a disputar no quesito zoada com a gente, e pra completar estamos tocando um música na qual em certo momento a gente berra “Fora Temer”.

E foi nessa hora em que estavam passando milhares deles, muito mal encarados por sinal, que gritamos. Teve empurra empurra, alguns exaltados querendo tomar alguma satisfação, mas a situação foi contornada com sucesso e a carreata se foi, e não precisamos nem parar de tocar, vale lembrar que a galera do Projeto CLAM, que organizou o rolê nos protegeu quase como um escudo humano.

Na hora pensamos que ia dá uma boa merda, nada pela qual já não tivéssemos passado, mas já pensou em uma banda que sai de Fortaleza (CE), pra zoar valentões em massa na casa deles?

A torcida era para sermos presos e assim galgarmos mais um passo em busca da fama, mas não rolou, entretanto foi uma felicidade gritar isso na cara deles e mostrar da nossa forma que música é rebeldia.”

CHCL (São José Dos Campos / SP)


CHCL
CHCLFoto Por: Marco Vieira

“Desde que começamos a nos reunir como banda e compartilhar ideias e pensamentos passamos por algumas enrascadas, talvez muitas delas faríamos tudo pra poder repetir e é o caso do dia em que tocamos um bar underground que ficava em Itaquera (São Paulo), o show era junto do pessoal do Horace Green e os Acionistas Vienenses.

O detalhe peculiar era que o pico ficava em cima de uma Igreja Universal grandaça (sic) que estava a todo vapor quando chegamos, nesse dia recebemos ali, lavra “santa” enquanto descarregávamos o equipo. A rua tinha alguns ônibus e não parava de chegar pessoas, na Igreja, subimos para casa e logo mais tarde o show foi de muita energia.

Isso nos deixou felizes, afinal onde houver opressão vai existir contestação e estavam ali. O lugar encheu de rockeiros, metaleiros, punks, gente estranha – e fora do padrão – que pra entrar tinha de passar em frente ao culto e driblar não só os panfletos, como os olhares de reprovação.

Era para gente estar lá aquele dia em um espaço tão conflitante, se chocando todos os dias e se posicionamento como questionamento de padrão e etc. Isso só mostra o quão importante é você ir aos shows, montar uma banda ou fazer zines e debater, por que é  realmente necessário contestar!”

The Royal Thieves (Uruguai)


The Royal Thieves
The Royal ThievesFoto: Divulgação

“Depois de gravar tudo no Uruguai, fomos trabalhar na edição e mixagem do material no Brasil.

Na madrugada do dia que tínhamos marcado para ir ao estúdio, o edifício do Mauricio – um dos dois vocalistas da banda – sofreu um incêndio. Diego, irmão do Mauricio e baixista da banda, estava dormindo e foi acordado pelo barulho e pela fumaça e teve que evacuar o apartamento sem levar nada consigo, atravessando dois andares do incêndio pelas escadas.

Depois disso, já na rua Diego assistiu como as chamas tomavam conta do apartamento e só pensava uma coisa: todo o material que gravamos para o disco está no apartamento (computador, discos externos, etc).

Depois de algumas horas, o incêndio foi controlado e o Diego voltou ao apartamento com os bombeiros para constatar o estado dos danos, o apartamento estava totalmente queimado e inundado pela agua dos bombeiros. A primeira coisa que ele fez foi procurar a pasta onde guardava o seu computador e todos os HDs com as gravações.

A pasta estava debaixo d’água, o computador preto pela fumaça e os discos rígidos pingavam agua. Difícil acreditar que os objetos que estiveram debaixo d’água em meio às chamas durante horas pudessem ser recuperados. Caso isso não acontecesse, a banda teria de regravar a totalidade do disco, o que levou meses de trabalho de todos.

Mas, por incrível que pareça nenhum arquivo foi danificado e tudo encontrava-se perfeitamente funcional. O material foi levado ao estúdio e nessa noite a banda teve um motivo para comemorar!”

Caimans (São Paulo / SP)


FOTO PROMO CAIMANS
Caimans – Foto Por: Guilherme Fernandezz

Uma banda nunca esquece seu primeiro show, e para nós não foi diferente. O show de lançamento da então “&Caiman” era pra acontecer em abril de 2017, mas a oportunidade surgiu de tocar um festival com outras 4 bandas em fevereiro. Naturalmente, ficamos empolgados e partimos pras ondas de ensaios, encaixando-os onde a agenda permitia.

Tínhamos mais ou menos uma semana pra preparar tudo, e o que parecia ser difícil e estressante na verdade foi divertido e gratificante – nos sentimos bem preparados para o show de estreia.

Mas uma coisa não sabíamos; você pode ensaiar e praticar o quanto quiser, quem manda no seu primeiro show não é você.

Chegamos no local, um estúdio de ensaio que abriam as paredes para se expandir em uma mini casa de show, um espaço bom que caberia umas 125 pessoas. Mas estava quente. Bem quente. Foi aí que notamos que não tinham janelas e quando a galera começou a chegar, pediam que ligassem o ar condicionado. Mas foram ignorados. Chegaram no total 150 fãs de 5 bandas. Íamos ferver.

Éramos a primeira banda e subimos no palco já com marcas de suor de baixo dos braços. Dava pra ver o suor pingando das 150 testas. Lá pro meio do show a gente suava tanto que os dedos não paravam na nota certa quando fazíamos um slide e não adiantava secar a mão na camiseta porque ela voltava mais molhada ainda!

Quando o Luca tentava fazer um bend parecia que estava em sua primeira aula de guitarra. Imagina então como sofreu o Peder com seu cabelão. Sentíamos uma nuvem de calor em volta da cabeça e do corpo e não sabemos como que ninguém começou a passar mal.

De alguma forma, acabamos o show sem desmaiar e olhamos para a platéia. Os ensaios devem ter funcionado mais do que pensamos porque, para nossa satisfação, a pista ainda estava lotada (e molhada) e mesmo com várias reclamações sobre o calor, ouvíamos muitos aplausos e assobios que nos deixou confiantes e ansiosos para a próxima apresentação.”

Unnatural (Blumenau / SC)


Unnatural
UnnaturalFoto: Divulgação

Uma das maiores experiências da Unnatural, foi tocar em um evento blumenauense chamado COLMEIA. O evento é organizado pelo coletivo que leva o mesmo nome, e acontece anualmente na cidade de Blumenau no icônico Teatro Carlos Gomes.

O Colmeia é uma explosão de cultura e diversas experiências artísticas. No nosso primeiro ano de shows em 2017, tocamos neste evento e ficamos impressionados com a energia do lugar e das pessoas que estavam ali para assistir música feita na cidade, pura e autoral.

Foi a primeira vez que vimos algumas pessoas cantarem nossas músicas, e fazer aquele contato visual de troca, entendendo o real motivo de fazer e expressar a música. Em nosso segundo show do evento, em 2018, nos deparamos com um frio catastrófico e tocamos na entrada do Teatro, em uma parte externa aonde era possível ver um pôr do sol maravilhoso.

Centenas de pessoas a nossa frente, maior público para qual tocamos, e depois de passar por algumas mudanças na banda, percebemos que era ali que deveríamos estar. Rolou muita emoção, principalmente por dedicarmos o show a pessoas que são vítimas da violência a mão armada, sendo que um amigo muito próximo a banda havia sido vítima naquele ano e outra mulher na cidade de Blumenau havia sofrido feminicídio perto da data do evento, sendo que também foi vítima de arma de fogo.”

Versares (Osasco / SP)


Versares
VersaresFoto: Divulgação

“Em maio desse ano (2018) nós fomos tocar em Curitiba (PR) com nossos amigos da banda Pallets (São José dos Pinhais PR), no meio da greve de caminhoneiros. A gente foi acompanhando as notícias sobre a greve e na noite anterior a viagem anunciaram que a greve havia acabado. Perfeito!

Na sexta pela manhã estávamos carregando o carro pra cair na estrada e já vimos filas enormes nos postos de gasolina, nosso tanque estava cheio… partimos.

Atravessamos os estados num misto de estradas vazias e pontos de protesto, caos total, passamos por alguns bloqueios, nos lembramos de filmes de apocalipse zumbi e coisas do tipo, mas chegamos ao destino.

Nós tínhamos um show na sexta e outro no sábado. Na sexta tocamos no 92 Graus, casa clássica da cena curitibana, clima de festa com os amigos da Pallets e uma breve preocupação com a greve. Mas ainda tínhamos um show por fazer e domingo voltaríamos pra casa.

No sábado, fomos atrás de abastecer, foram cerca de 8 horas na fila do combustível, sem sucesso, o show de sábado foi cancelado e a volta pra casa, que seria domingo, também, pois não tínhamos combustível, e após passar horas na fila no domingo nos deparamos com a notícia de que o combustível havia acabado, quando estávamos próximo da nossa vez.

Ficamos mais um dia por lá, e o inevitável aconteceu, já que não podíamos voltar pra casa, foi churrasco e cerveja todos os dias (risos)!

Até que na segunda-feira, após mais algumas horas de fila, conseguimos abastecer o bastante pra voltar pra casa e quando já estávamos nos acostumando com a ideia de viver em Curitiba, voltamos pra casa.

Alguns integrantes já haviam retornado antes de ônibus e sem suas malas e instrumentos, por conta de compromissos pessoais.

Apesar de todo o perrengue e imprevistos, foi um ótimo fim de semana, a banda tocou no Paraná pela primeira vez, abrimos mais espaço para nós e podemos curtir um bom fim de semana com os piás da Pallets e seus amigos e familiares, que passaram por todo esse perrengue junto da gente, mesmo estando em casa.”

Show de Lançamento

A festa de lançamento da coletânea acontece nesta sexta-feira (16/11) no Bar do Kaka, localizado na Rua Augusta, 520, à partir das 22 horas com shows do Aletrix e Nadahype. A entrada é gratuita.

Acompanhe a coletânea em sua página oficial.
Confirme presença no show de lançamento.


Lançamento

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