Há 15 meses o Antiprisma lançava via Alcalina Records seu segundo álbum de estúdio, Hemisférios (leia resenha), reluzindo no horizonte feito um espectro solar. Se o disco anterior tinha um aspecto fiel as raízes do folk e nos levava para uma grande imersão e redescoberta de grandes nomes; este novo álbum mira em cheio na década de 70. Multifacetado, tem espaço para o rock de arena, a alma da psicodelia e a introspecção folk. Agora eles lançam em Premiere no Hits Perdidos uma fantástica animação em massinha para “Canção da Árvore”.

Uma faixa curtinha, com pouco mais de um minuto, mas com significado que se desdobra em nova narrativa em seu encontro com o audiovisual. A solução escolhida para a produção era um desejo antigo como revela Victor José: “Sempre gostamos de animações em stop-motion e essas coisas todas de massinha, é um tipo de linguagem que me instiga.”

“As animações em massinha me trazem um sentimento de nostalgia… me remete desde programas de TV que eu assistia quando criança até vinhetas da MTV. A Natália Rodrigues começou a fazer esses pequenos vídeos com massinha para passar o tempo na quarentena, e nós logo pensamos que seria muito legal um clipe do Antiprisma nesse formato.

Nossas escolhas para lançamentos são feitas de forma muito orgânica e espontânea, e com esse clipe não foi diferente. Para nós, esse é um trabalho que conversa muito com as nossas vidas no cenário atual, tanto pelo tema da música quanto pela maneira como foi feito o vídeo.”, revela a vocalista, e guitarrista, Elisa que também assinou recentemente a direção do novo clipe do Echo Upstairs, projeto de Ana Zumpano que assina as fotos de divulgação  

Antiprisma “Canção da Árvore”


Antiprisma - Canção da Árvore - Foto Por Ana Zumpano

AntiprismaFoto Por: Ana Zumpano


Segundo os músicos, a diretora Natália Rodrigues trouxe, através da sua arte, um novo olhar para a composição.

“A Natália criou a historinha em cima da música, sem nem termos conversado sobre uma ideia específica para o clipe. Quando ela mostrou para nós, ficamos muito surpresos e felizes com o quanto que a ideia dela casou com a nossa própria percepção sobre o significado dessa música.

Fazer um clipe para “Canção da Árvore” foi uma decisão espontânea, e de certa forma o clipe reflete muito o sentimento do que estamos vivendo também… tudo meio suspenso, repetitivo, e com uma reflexão importante que esse objeto “árvore” traz para nossas vidas e que devemos nos lembrar de vez em quando.”, relembra Elisa

“Foi o trecho final da música que inspirou a história: “Ela me ensina que pra viver é necessário um céu, eu e o chão”. Eu imaginei como seria se ela não soubesse disso, não soubesse que pra viver ela precisa de bem pouco, e então entrasse nessa rotina humana.”, conta Natália, diretora e roteirista da animação em massinha

A Animação para “Canção da Árvore”

A animação para “Canção da Árvore” nos leva direto para os anos 90 em um imaginário que passa por programas infantis como Rá-Tim-Bum (tanto o programa como o Castelo, afinal como esquecer do “Meu Pé Meu Querido Pé que Me Aguenta o Dia Inteiro…“), TV Futura, a MTV através de videoclipes ou até mesmo com o nonsense Celebrity Deathmatch.

A narrativa mostra um pouco sobre a finitude da vida e os ciclos que se repetem de uma forma humana, e sensível, evidenciando nossas imperfeições e até ironizando o que chamamos de rotina.

A humanização da árvore faz com que enxergamos nossos defeitos e como muitas vezes nos afastamos dos nossos valores e razões que escolhemos para viver.



Ouça as músicas do Antiprisma