Resp pega carona em sua “BAIK” com rumo a liberdade

Diretamente do selim de uma bike a viagem se transforma. Um dos transportes mais populares do mundo traz um misto de magia, emoção, liberdade e vento na cara. Seja ela manual, motorizada, colorida, customizada, fixa, adaptada ou original. A “magrela”, “ratoeira”, “nuvenzinha”, “praieira”, “calanga”, “camelo” ou como quiser chamar tem o papel de nos levar para diversos lugares e até mesmo ser um dos esportes mais praticados ao redor do planeta. Lorenzo, o Resp, já a dois anos adotou a bike como seu transporte oficial.

Embora em meio ao caos urbano das grandes cidades os praticantes ainda lutem por espaço, e mais ciclofaixas decentes, a sensação de descer um downhill e de sentir o frio na barriga talvez poucos esportes conseguem transmitir.

Em junho Resp lançou o álbum 2X e por aqui ele contou tudo sobre a sua concepção. Definimos o disco como um misto de “Colagens, frequências, vivências, testes, quebras, experimentações e uma energia magnética.”

Entre as referências estão desde King KruleStanding on the Corner e Earl Sweatshirt aos brasileiros Yung Buda e NiLL. O som de fato é difícil de classificar a primeira ouvida embora a base de hip hop ele acaba abraçando elementos emprestados de outros gêneros como jazz, folk, rock, lo-fi e eletrônica.

Agora o músico apresenta em Premiere no Hits Perdidos uma faixa também gravada durante a sessão do disco e até por isso agradará quem curtiu o lançamento.

Resp “BAIK”


Resp. – Foto Por: Eduarda Hipólito

A base de criação entre colagens, beats e poesia marginal acabam transparecendo na track feita para a “magrela” que o acompanha durante suas saídas.

“É uma música sobre velocidade e liberdade, em especial no banco da bike, meu meio de transporte do dia-a-dia. A base tá na guitarra bastante modulada e num baixo pesado. O groove são samples de quatro beats diferentes, criando uma polirritmia fácil de sentir.”, conta Lorenzo Molossi, o Resp

“Outro dia passei num corredor de carro com um motoca atrás e quando encostei no sinal ele disse: “velocidade é tudo de bom né meu parceiro, a liberdade” e é isso aí.”, completa o músico

As referências também passeiam por universos diferentes que vão de Totorro passando por Linkin Park a até mesmo a James Blake o que mostra como o universo é expandido e o olho é atento para frequências e ruídos.

O videoclipe

A faixa também ganhou um videoclipe para acompanhar e claro respeitando a quarentena. O vídeo traz imagens segundo ele “sampleadas de um vídeo de BMX de Berlim, anos 80 ou 90, com movimentos e manobras absurdas”.

Desta forma ele ilustra o conceito solto da canção que preza pela liberdade e magia do transporte de duas rodas, guidon, marchas e selim. Do BMX, trial ao ganha pão de cada dia, a bike faz parte do nosso dia-a-dia e a cada “corre” ou “rolê” nada como um respiro por liberdade.

“Na Bike sem mancada eu vou desbarra,
Voando tô livre por dentro,
Desligado ah to no momento,
Na rua vou buscar qualquer corre..” (“Baik”, Resp).

Na sexta-feira (14/08) a faixa estará disponível nas plataformas de streaming.


RespFoto Por: Eduarda Hipólito

Sobre a relação com a bike Lorenzo, o Resp, diz:

“Eu sempre fiz muita coisa de bonde ou a pé, mas já tem uns anos que ela virou meu meio de transporte principal. Tiro uma brisa com ela, costurando o trânsito ou pegando umas descida nectar.

Outro dia passei num corredor de carro com um motoca atrás e quando encostei no sinal ele disse: “velocidade é tudo de bom né meu parceiro, a liberdade” e é isso aí.

A letra da “BAIK” fala disso de forma bem direta. É tipo hino dos bikers, seja de speed, passeio, fixa, BMX, elétrica ou moto também. Ela tem a ver com o “2x” por também ser um lance urbano, e vejo ela como uma ligação entre todas as faixas, como se elas fossem picos diferentes e a BAIK fosse o transporte entre elas.”

A Construção da Composição

Quanto à composição, ela surgiu como a guitarra e a voz lá por abril, comecinho de quarentena. Tentei algumas versões antes de chegar nessa polirritmia de quatro beats diferentes (o primeiro beat eu mesmo fiz, o que vem desde o começo da track + uma bateria de jazz bem abertona + o beat de “We Got Love” da Teyana Taylor + o beat de “Papercut” do Linkin Park).

Fiz o baixo numa vibe meio Totorro, pesado sem ser muito pesado. Finalizei com os ad-libs de vocal e o sample de “I Need A Forest Fire” do James Blake. Fui sempre pensando em algo bom de ouvir no fonezinho enquanto pedalo, e acredito que cheguei nisso.”

Resp no Spotify


This post was published on 12 de agosto de 2020 1:54 am

Rafael Chioccarello

Editor-Chefe e Fundador do Hits Perdidos.

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