Roxette em São Paulo: como foi o show com Lena Philipsson no Espaço Unimed
Homenagem a Marie Fredriksson emociona o público durante o show em São Paulo. - Foto por: Rafael Chioccarello (Hits Perdidos)
O Roxette voltou ao Brasil para um show em São Paulo que marcou uma nova fase da banda, agora com Lena Philipsson nos vocais após a morte de Marie Fredriksson. A apresentação no Espaço Unimed reuniu fãs e trouxe clássicos do duo em novos arranjos.
Anos atrás, jamais imaginaríamos que veríamos Roxette em São Paulo novamente. Após o afastamento da vocalista Marie Fredriksson, em 2016, devido a uma batalha contra o câncer, o guitarrista e compositor do duo, Per Gessle, considerou encerrar o projeto. No entanto, foi Marie, durante os três anos que lhe restavam, quem encorajou o amigo e parceiro de Roxette a procurar alguém para substituí-la.
Isso não aconteceu de imediato; Gessle optou por priorizar projetos paralelos e se dedicar a uma coletânea com canções do grupo. Até que surgiu um convite para participar de um disco tributo ao Metallica, banda da qual o guitarrista admite não ser um dos maiores conhecedores, mas que, por simpatizar com o baterista Lars Ulrich, decidiu participar.
A nova fase do Roxette após Marie Fredriksson
Durante os ensaios e a produção, com a participação de Lena Philipsson nos backing vocals, o músico percebeu que o timbre da cantora poderia funcionar bem no Roxette. Em entrevista ao The Times, ele comentou que a chamou para um encontro e fez o convite. Lena, que nem imaginava essa possibilidade, aceitou.
A artista, de 60 anos, tem uma carreira consolidada como cantora na Suécia, tendo inclusive representado o país no tradicional Eurovision em 2004. Sua entrada oficial no Roxette aconteceu no dia 2 de maio de 2024, e ela tem excursionado ao lado de Per desde fevereiro de 2025, passando pela África do Sul, Austrália e Europa.
Lena Philipsson assume os vocais e marca nova fase do Roxette nos palcos. – Foto por: Rafael Chioccarello (Hits Perdidos)
Como foi o show do Roxette em São Paulo
O show do Roxette em São Paulo em 2026 mistura clássicos com novos arranjos, aposta em uma banda maior no palco e apresenta Lena Philipsson nos vocais.
Na terça-feira, 14 de abril de 2026, o Roxette realizou sua terceira apresentação no Brasil, com show em São Paulo. A estreia no país ocorreu em 1992, e, após o retorno de Marie aos palcos, a última apresentação havia sido em 2012.
Per lembrou, logo no início do show, dos 14 anos que se passaram desde o último encontro com São Paulo. Como grande regente de uma banda afiadíssima, composta por 8 integrantes, ele fez questão de apresentar a nova vocalista, que foi recebida com aplausos pelo público. Lena, por sua vez, adorou a recepção e brincou que não estava ouvindo para que o público gritasse ainda mais alto. Em um momento de descontração, ela comentou que era sua primeira vez na América do Sul e que estava animada.
Marcado originalmente para às 20h30, o show começou com 20 minutos de atraso devido ao trânsito de São Paulo, que fez com que o público chegasse aos poucos.
A apresentação no Espaço Unimed, que ocorreu sem o uso de telões — vetados pela produção do Roxette —, durou 1h40 e contou com um setlist de 19 canções, incluindo quatro no BIS.
A decisão repercutiu nas redes sociais:
Assim como aconteceu com o Toto em sua recente passagem pelo mesmo palco, o Roxette mostra que sua discografia vai além das baladas. Ao vivo, a banda reforça guitarras, explora momentos mais densos e aposta em uma performance mais dinâmica.
Até mesmo um bandolim foi utilizado em uma versão folk, com todos os integrantes perfilados para “Church of Your Heart”.
Roxette aposta em formação ampliada e entrega show energético em São Paulo. – Foto por: Rafael Chioccarello (Hits Perdidos)
Setlist, performance e destaques da apresentação
A veia roqueira também se manifesta pela quantidade de guitarras no palco, incluindo um guitarrista solista mais virtuoso, além de Per e de um terceiro guitarrista que cobre os momentos em que ele se dedica mais ao canto. Isso é bem explorado, e faixas como “The Big L.” e “Sleeping in My Car”, que abrem o show, funcionam como um prelúdio do que está por vir.
Per é um showman à parte, que sabe entregar o palco para que Lena brilhe, mas também gosta de interagir com todos os integrantes. Ele empina sua guitarra e lembra ao público que o tecladista está na banda desde o início. Ele até pergunta se alguém na plateia se lembra da primeira música lançada pelo Roxette, e alguns presentes começam a tocar a introdução após ele tocar as teclas.
Aliás, o público, na maioria na casa dos 50 e 60 anos, é bastante receptivo e respeitoso com o esforço de Per em persistir com um projeto que representa sua vida após uma perda significativa. Esse abraço coletivo aparece em vários momentos do show.
Per Gessle lidera o Roxette em apresentação marcada por interação com o público. – Foto por: Rafael Chioccarello (Hits Perdidos)
Antes da introdução de “It Must Have Been Love”, imortalizada pelo filme Pretty Woman (1990), Lena dedica a faixa a Marie Fredriksson e pede ao público que cante o mais alto que puder para que a eterna vocalista do duo possa ouvir no paraíso. Durante um dos últimos refrães, a banda toda pausa para que o público cante, antes de retornar para finalizar, eternizando um dos momentos mais emblemáticos da noite.
A recepção do público ao Roxette e o legado da banda
Em “How Do You Do!”, eles brincam de “qual é a música?” e provocam o público para cantar junto antes de entrar com os instrumentos. Neste momento, o jogo parece estar mais do que ganho.
Trajado com um chapéu, antes de “Joyride”, outro mega hit do Roxette, um dos guitarristas vê uma camiseta da seleção brasileira sendo atirada pelo público em sua direção. Sua reação espontânea chamou a atenção: o músico colocou a peça no ombro e, de improviso, tocou o hino nacional na guitarra, e o público respondeu cantando os versos.
Eles retornam ao palco para o BIS, com Per acompanhado do seu violão e Lena. Neste formato mais enxuto, tocam “Spending My Time”. A partir daqui, é uma chuva de hits, e nem poderia ser diferente. Os outros 6 músicos se juntam para tocar “Listen to Your Heart”, que ao fundo ganha um telão com o sol pegando fogo, com direito a guitarras, falsetes, extensões vocálicas e o peso da bateria.
Com múltiplas guitarras no palco, Roxette reforça seu lado mais roqueiro ao vivo. – Foto por: Rafael Chioccarello (Hits Perdidos)
Claro que “The Look” também ganhou uma versão estendida, o que faz sentido para quem leva tantos músicos ao palco e tem tantas possibilidades de rearranjos. Aliás, esse é um dos pontos altos da experiência do show: as músicas não ficam tão perfeitas para o rádio e, com isso, ganham personalidade e potência.
Isso reforça a ideia de que o rádio funcionava como um “mal necessário”, enquanto, ao vivo, os músicos sempre demonstraram maior liberdade e capacidade de expandir suas próprias canções. Quem abaixa um pouco a frequência para se despedir é a balada mais amena “Queen of Rain”.
Quem saiu de casa ficou bastante satisfeito. As opiniões pós-show variaram bastante, desde quem gostou da nova formação até aqueles que acham que Lena não está à altura de Marie. E talvez essa nem seja a intenção dela. A cantora diz que tenta imitar a integrante original por respeito e por não querer tornar músicas que não são de sua autoria, dela. Esse respeito pela obra e legado, em minha opinião, é algo que devemos reconhecer.
É bonito ver como Per Gessle parece feliz em estar fazendo tudo de novo. Com tantos hits e uma história que atravessa décadas, o Roxette mostra que seu legado não depende apenas do passado — ele ainda encontra formas de seguir em movimento.
Homenagem a Marie Fredriksson emociona o público durante o show em São Paulo. – Foto por: Rafael Chioccarello (Hits Perdidos)
Setlist do Roxette 2026 em São Paulo (Espaço Unimed)
The Big L.
Sleeping in My Car
Dressed for Success (versão extendida)
Crash! Boom! Bang!
Wish I Could Fly
Opportunity Nox
Fading Like a Flower (Every Time You Leave)
Church of Your Heart (em versão acústica)
Almost Unreal
Stars
She’s Got Nothing On (But the Radio)
It Must Have Been Love (dedicada a Marie Fredriksson)
How Do You Do!
Dangerous
Joyride (com a introdução dos integrantes; com ‘Neverending Love’ e o hino nacional brasileiro na guitarra)
BIS:
Spending My Time (Apenas Per e Lena)
Listen to Your Heart
The Look (extendida)
Queen of Rain
Roxette em São Paulo: veja fotos do show no Espaço Unimed
Confira fotos do Roxette durante o show realizado no Espaço Unimed em 2026.
Apoiada por backing vocals, Lena Philipsson ganha força nos arranjos ao vivo. – Foto por: Rafael Chioccarello (Hits Perdidos)Banda completa aposta em arranjo folk com bandolim em “Church of Your Heart”. – Foto por: Rafael Chioccarello (Hits Perdidos)Per Gessle e Lena Philipsson reduzem o formato para uma versão acústica de “Spending My Time”. – Foto por: Rafael Chioccarello (Hits Perdidos)Lena Philipsson interage com o público ao lado de Per Gessle durante o show do Roxette em São Paulo. – Foto por: Rafael Chioccarello (Hits Perdidos)
This post was published on 15 de abril de 2026 12:57 pm