Nacional

Animal Invisível: um álbum instrumental que conecta passado e futuro da música brasileira

Uma estranha nostalgia guia Animal Invisível, álbum instrumental de Guri Assis Brasil que conecta passado e futuro da música brasileira. O disco combina referências clássicas com uma abordagem contemporânea, criando uma sonoridade que dialoga com o ontem enquanto aponta novos caminhos.

Conceitualmente, a ideia é justamente expandir e aproximar a linguagem instrumental através de uma estética acessível e com circulação internacional, conforme revela o guitarrista e produtor por trás do projeto.

Quem é Guri Assis Brasil?

O guitarrista e produtor Guri Assis Brasil iniciou sua trajetória na banda Pública, conhecida nacionalmente por sua passagem na MTV Brasil. Desde 2010, vive em São Paulo, atuando como músico de estúdio e de palco ao lado de nomes como Otto, Céu, Criolo, Luiz Melodia e Angela Ro Ro.

Também gravou guitarras em projetos como Pele do Futuro, de Gal Costa, e Orquestra Frevo do Mundo Vol. 1, que reúne artistas como Caetano Veloso e Duda Beat.

Agora, via NuBlu Records, apresenta seu primeiro álbum autoral instrumental, Animal Invisível, reunindo influências acumuladas ao longo de sua trajetória.


Entre passado e futuro, Guri Assis Brasil apresenta Animal Invisível. – Foto por: Antonio Ternura

Animal Invisível: conceito e sonoridade

Criado durante a pandemia, Animal Invisível nasce da ideia de presença invisível — um conceito que dialoga com o período da pandemia, mas que se transforma em um disco vibrante, energético e distante da inércia daquele momento.

O álbum mistura jazz, funk, soul, samba, psicodelia e rock, criando uma sonoridade que reforça a atemporalidade da música brasileira e sua capacidade de atravessar fronteiras.

Esse conceito de aparecer e desaparecer, se formos analisar, também parece com sua trajetória: de estar no palco com sua banda nos primeiros dias da juventude a direcionar sua carreira para o estúdio, voltando a assumir a frente de um projeto como protagonista.

Ao longo da jornada musical, busca, através dos ritmos e das experimentações, conectar a música brasileira cultuada no exterior por décadas à natureza urbana do contemporâneo e do groove. Desta forma, transforma este Animal Invisível em sua órbita para a criação e expansão de universos das nossas origens.

A fusão rítmica funciona como ponte para mostrar mais sobre a atemporalidade e como cruzar fronteiras é algo natural da nossa música. Não é por acaso que os estrangeiros, quando se deparam com nossos discos, ficam entusiasmados pelas soluções sonoras, timbres e musicalidade.

Se no rap estadunidense o que mais aparece são elementos da bossa nova sendo rearranjados através de samples, e a MPB sendo utilizada como referência até mesmo para plágios na música pop… por que não partir de nós a iniciativa de expandir ainda mais os caminhos sonoros e reescrever o legado?

Influências e diálogos com a música brasileira

Esse reconectar com as raízes e diálogos intensos com as obras de artistas como Arthur Verocai, Moacir Santos, Marcos Valle, Lincoln Olivetti e Robson Jorge, conectados a parcerias com outros músicos contemporâneos que exploram essas vertentes, constroem pontes possíveis entre o passado e o que podemos esperar do futuro da música brasileira.

Mesmo que essa não seja a premissa inicial, como já dito, a ideia é tornar essa música ainda mais viável para futuras gerações se debruçarem em suas curvas e linguagens e, dessa forma, construir o novo.

Participações e produção

Ao seu lado nessa odisseia, o músico conta com colaborações de um quarteto de cordas em “Dendê”, com o trombonista Antonio Neves em “Que Delícia é Viver”, com a bateria de Pupillo, e parceria na composição de “Estriquinada” com Pedro Dantas. As gravações foram realizadas no estúdio do músico e produtor Big Rabello, e parte dos vídeos que compõem o trabalho foram dirigidos por Rafa Rocha.

O exercício criativo é, por si só, bastante inspirador, e ver as diferentes soluções empregadas ao longo do disco faz com que repensemos os limites dos caminhos possíveis para a música brasileira. Daquele que tem muito a beber da pluralidade rítmica dos anos setenta, mas que não precisa reproduzir em escala seu legado feito uma cartilha, justamente porque a música é um organismo vivo, e nossa natureza plural e sincretista nos faz um povo que já nasceu pronto para o novo.

O álbum Animal Invisível, de Guri Assis Brasil, já está disponível nas plataformas de streaming, ampliando esse diálogo entre tradição e futuro.

Tracklist de Animal Invisível

  1. Que Delícia é Viver
  2. Animal Invisível
  3. Estriquinada
  4. Cavalo Indomável
  5. Dendê
  6. Didi
  7. Casablanca
  8. Pior que Acordei Bem
  9. Um Lobo à Espreita de Alguém

This post was published on 17 de abril de 2026 8:00 am

Rafael Chioccarello

Editor-Chefe e Fundador do Hits Perdidos.

Posts Recentes

Roxette em São Paulo: como foi o show com Lena Philipsson no Espaço Unimed

O Roxette voltou ao Brasil para um show em São Paulo que marcou uma nova…

15 de abril de 2026

Crise estreia com “por favor, me perdoe. às más notícias finalmente chegaram” — um manifesto sobre ansiedade digital

A banda Crise, de Sorocaba, lança o álbum de estreia “por favor, me perdoe. às…

13 de abril de 2026

Vitor Araújo lança “TORÓ” com a Metropole Orkest e aprofunda pesquisa em música experimental

Vitor Araújo lança nesta quarta (8) o álbum ao vivo TORÓ, projeto em parceria com…

8 de abril de 2026

11 artistas da nova cena alagoana para conhecer agora

Entre psicodelia e cultura popular: o novo trabalho de Pedro Salvador Pedro Salvador é natural…

8 de abril de 2026

Mapeamento expõe nova fase da cena independente de Goiânia a partir de 49 casas de shows

Cena Independente de Goiânia: Projeto mapeia mais de 115 artistas e 49 casas de shows…

6 de abril de 2026

5 Bandas 2026 anuncia retorno do Black Drawing Chalks e completa line-up em SP

Festival 5 Bandas revela últimas atrações da edição 2026, com retorno do Black Drawing Chalks…

6 de abril de 2026

This website uses cookies.