O Facada é um dos principais representantes do Grindcore brasileiro. Visceral por natureza, o grupo de Fortaleza (CE) mistura a crueza do gênero com elementos de noise rock e Death Metal. São 17 anos de estrada e diversas histórias, um bocado delas bastante curiosa. Além da demo de estreia, a banda conta com Splits, EPs e seu lançamento mais recente é o disco Quebrante lançado pelo selo capixaba Läjä Records – e pela Black Hole Productions – em 2018.

Sempre com voz ativa e língua afiada, o grupo tem a preocupação de se manter ativo nas redes sociais. Seja compartilhando o trabalho de companheiros de cena como também deixando bem claras as opiniões sobre os assuntos em voga. Além de terem no currículo a organização do Facada Fest, diversas turnês pelo país e dezenas de festivais onde puderam apresentar a fúria do seu rock afiado.

Operários do Rock. Seria uma ótima forma de apresentar a banda que deixa clara sua postura underground nas mais diversas formas. Do contato com os fãs a relação com os produtores. James (Baixo e Voz) conversou conosco, completam a banda Ari (guitarra), que mora na Alemanha, Danyel (guitarra) e D’Angelo na bateria.

Foi na intensidade, solidariedade e na vontade de tocar que a banda foi conquistando seu espaço. Com grandes planos para 2020 eles, como todos nós, tiveram que lidar com a pandemia mas os fãs podem esperar por surpresas.


Facada - Foto_Por_Vicente_Ferreira

FacadaFoto Por: Vicente Ferreira


Entrevista: Facada

Conversamos com o Facada para eles contarem mais sobre como observam o momento; tanto da pandemia, política e também sobre a cena de música extrema brasileira. O papo foi bastante divertido, educativo e profundo. Teve fake news, facada fake e muito peso. Confira!

O projeto mais recente de vocês é o Merdada (Merda, banda do Mozine + Facada), com o disco “Hang Loose para Jesus”. Como aconteceu a colaboração? A temática do disco é uma mensagem direta ao Brasil atual? Vocês também gravaram o Nenhum Puto de Atitude, como foi essa doideira?

Facada: “O Merda marcou um show em Fortaleza e o Alex, batera deles, tinha ido pra Portugal morar lá, então eles falaram com o Dangelo (nosso batera) pra fazer só esse show aqui. Nessa daí, eu já disse que cantaria alguns sons e o Danyel tocaria algumas músicas e acabou que juntou todo mundo e fizemos o show inteiro e nessa formou o Merdada.

O show foi tão divertido que a gente quis continuar o projeto e fomos compondo as músicas e tendo ideias mostrando os outros via whatsapp. Marcamos outro show em Fortaleza e os meninos (Rogério Japa e Fábio Mozine) passaram 1 semana aqui pra gravarmos e finalizarmos o disco e saiu o Hang Loose.

Ensaiamos 1 vez e já fomos gravar. Apesar do disco ter uma vibe “divertida” até certo ponto, teve muita raiva e uma sensação de indignação total. Tanto que na escolha da capa, a referência ao Brasil do RDP foi bem intuitiva e o Mozine foi falar com o Marcatti e não acreditamos quando ele aceitou.

Facada Nenhum Puto de Atitude (2017)

Quanto ao Nenhum puto de atitude (por causa do Undisputted Attitude do Slayer), a gente sempre teve a ideia de gravar um EP de covers, apenas como um material entre os discos oficiais, seriam apenas umas 4 músicas, mas escolhemos muitos sons que marcaram nossa história, que foram importantes, influências, músicas que tem uma importância e simbologia afetiva forte e mesmo tirando alguns, ainda ficaram muitos, então resolvemos gravar todos: metade de bandas brasileiras e metade gringa.

Tudo no disco a gente quis fazer uma referência, um pequenos detalhe que fosse alusivo a alguma coisa: na última música por exemplo tem uma citação a um EP do Impaled Nazarene. E na capa não podia ser diferente, então tivemos a ideia de “refazer” a capa do Secos e Molhados de forma mais mórbida. Mais uma vez o Mozine e o Andy da gravadora polonesa EveryDayHate toparam fazer.

“Amanhã Vai Ser Pior”, “Tudo Me Faltará”, “O Fim do Homem” são alguns dos excelentes nomes de músicas de vocês. Quem compõe as letras? Qual a principal mensagem do Facada?

Facada: “Quem faz as letras sou eu (James) e o Ari (guitarrista). Acho que desde o começo da banda sempre falamos de coisas que nos incomodavam. Sejam atitudes de pessoas próximas, de falácias que escutávamos, na falta de esperança e até recado pra nós mesmos. Saber dos seus próprios erros como uma lembrança perene de que aquilo não deve ser repetido.

É um pessimismo que não vem de hoje e não é pautado pela covardia, mas pela forma como a realidade se apresenta na nossa frente sem ter perspectiva. Renunciamos a esperança em troca da possibilidade de uma mudança, pro bem ou pro mal.

Tem algumas letras que são historinha de terror reais, tem referências a livros, tem algumas que são formas de externar nossas dúvidas e demônios pessoais, mas todos envolvendo pessoas e suas agruras e da realidade quase impossível de se lidar no dia a dia.

Apesar das nossas letras não serem abertamente politizadas, elas apontam o lado do inimigo que é este que está no poder hoje em dia. A distopia é aqui e agora.


Facada na Goela

Facada está junto já a 17 anos. – Foto: Divulgação


O Facada é sempre direto ao ponto. Como a banda encara hoje a ascensão da extrema-direita e suas consequências? Acham que esse poço tem saída?

Facada: “Então, essa ascensão da extrema-direita é apenas um sintoma do que o brasileiro sempre foi, mas que não tinha como dar voz a esse discurso. O Brasil foi o único país no mundo que não prestou contas com os responsáveis pela ditadura: poucas famílias tiverem respostas dos seus entes queridos desaparecidos ou mesmo foram ressarcidas de alguma forma, nenhum torturador foi preso ou incriminado, toda a violência empregada não teve implicação nenhuma e isso tem consequências.

A Ditadura Brasileira

Com toda a mentira que é contada sobre o período falsamente glorioso na ditadura em todos o setores: economia, esportes, ordem, moral e cívica, uma geração foi sendo (des)educada sem que isso fosse contestado ou mesmo procurasse ser realmente esclarecido e isso foi se tornando mais forte.

Em um país sério, qualquer menção à ditadura, homenagem a torturador, referência a desaparecidos políticos como forma de atacar alguém seria severamente retaliado e essa pessoa seria expurgada de qualquer cargo público. Infelizmente a pessoa que fez essas atrocidades é nosso presidente da república.

Apesar de que no mundo inteiro a direita teve um avanço significativo, Bolsonaro é o sintoma desse movimento e se aproveitou muito bem disso: exacerbou a criação de um inimigo (PT e a esquerda em geral), difundiu (com a ajuda de empresas americana) fake news pelo maior canal de comunicação do país, o whatsapp, e atiçou essa massa de “indignados” simpatizantes da extrema direita.

O Diálogo com Bolsominions

Apesar da maioria do país não fazer parte dessa turba, ela vem crescendo. São pessoas que qualquer diálogo é extremamente difícil, pois elas são doutrinadas a não pensar e ter respostas prontas e posturas irredutíveis pelo simples fato de que é a “opinião delas e tem que ser respeitada”, mesmo que seja terraplanismo. 

Pessoas que fazem questão e se vangloriam de ter uma opinião falsa e mentirosa e não por falta de informação e muito bem incentivado pelo nosso governo que tenta normalizar o discurso fascista a qualquer custo como se fossem atitudes inocentes e brincalhonas: citações ao AI-5, ministro da cultura fantasiado de nazista, um humorista fantasiado de presidente.

Essas pessoas usam a estratégia primária de projetar e acusar o Outro de fazer aquilo que eles mesmos estão fazendo como corrupção, insubordinação à constituição e institucionalização de um golpe.

As Consequências do Circo do Horror

As consequências disso estamos vendo agora em plena pandemia: quando as pessoas fazem questão de se expor à morte por um discurso mentiroso e demagogo que na verdade é apenas para agradar o empresariado.

Nosso erro foi não enxergar da forma correta esse discurso desde o começo, não estranhar, não achar um absurdo esse tipo de atitude.

É inadmissível um homem dizer que só não estupra uma mulher por que ela não merece e isso não implicar em nada, não ter nenhuma consequência pra esse tipo de atitude deixa o opressor mais forte.

Estamos realmente em um dos piores momentos desse país, que se já não era plenamente governável, agora está muito pior. Essa cacimba é bem maior e estamos um pouco longe de achar o final dela”

Como foi ter planejado tanta coisa para este ano e ver a maioria planos todos tendo que ser adiados? Além disso como tem sido repensá-los no meio de uma pandemia?

Facada: “A gente sempre já imagina qual será o próximo passo, então já tinha passagem comprada, confirmação em festival, já tava tinha umas coisas andando, nada concreto e fechado, mas a ideia desenvolvida.

Apesar da pandemia, acho que agora mais que nunca a gente tá tentando se organizar e focar mais e produzir as coisas em casa e isso tem funcionado, acho que quando tudo normalizar, o processo vai ser bem rápido pra gravar e sair.”

Como a internet por sua vez pode contribuir para manter a voz de vocês ativa no meio de todo esse caos? Vocês pensam em fazer o Festival Setembro Negro online? Estão se mobilizando para realizar as gravações a distância?

Facada: “Quanto a isso não mudou muita coisa, a gente continua usando a internet da mesma forma, mas acho que hoje em dia a informação e os processos se tornaram muito mais rápidos e mudaram a forma como é divulgada.

Lembrei que na mixagem do Joio (2o. disco) tive que mandar pelos correios uns 10 DVDs pro cara mixar lá na Suécia, passou uns 20 dias pra chegar, enquanto hoje ele baixa em 20 minutos. A gente poderia usar melhor o potencial disso, mas por enquanto a porcentagem é mínima e apesar da informação estar mais abrangente e democratizada, o ódio e a intolerância aumentaram.

A internet deu voz a imbecilidade e uma horda de pessoas com pensamento retrógrado de forma massiva e vemos todo dia um crescendo nesse aspecto. Eu ainda não sei como será o Setembro Negro. Quanto a gravar, acho que uma parte será gravada em casa e o que sobrar, acho que baixo e vocal, vai ser em estúdio mesmo, mas será bem rápido.”


Facada Show Associação Cultural Cecília 2019

Show do Facada na Associação Cultural Cecília (2019) – Foto Por: Dani Moreira


São já 17 anos de trajetória, diversas iniciativas, splits, parcerias, festivais, lançamentos e diálogo aberto com o público. Como enxergam o saldo do que plantaram, a evolução do estilo e também o legado?

Facada: “Bem velho já…(risos). A gente é amigo faz tempo e desde o começo já sabia exatamente o que queria fazer. Nosso som vai ser assim, um pouquinho pra cá, um pouquinho pra lá, mas ele vai ser grindcore. E isso sempre esteve claro na nossa cabeça. Tanto que todos temos projetos de vários estilos, então não sentimos necessidade de fazer diferente no Facada.

O que fica é que a gente sempre fez o que queria e da nossa forma. E pra completar acho que a amizade das muitas pessoas de vários lugares que gostam da banda e que conhecemos durante esse tempo, umas que se tornaram próximas, amigas, patrões, parceiros, chapas, brothers, compadres….isso não tem como mensurar.”

Perto da maioridade como banda quais histórias engraçadas de turnê destacariam?

Facada: “Histórias engraçadas tem um bocado, mas muitas delas tiveram contextos que seu eu for tentar contar nem vai parecer tão engraçadas. Mas teve a vez que a gente ia perdendo o ônibus pq foi comprar comida e a gente teve que correr atrás dele e amassou as coxinhas na mão.

A que perdemos o vôo e tivemos que enfrentar 24h de ônibus pra chegar no local, o Läjä Festival inteiro (da ida até a volta) dava pra fazer um filme com tudo o que rolou na viagem com todas as bandas, no hotel, nos shows.

Outras Histórias

A vez que o Supla salvou a gente com um beck gigante. O Rogério Flausino (Jota Quest) gravou um vídeo pra minha mãe no dia do aniversário dela. Batemos uma foto com o saudoso André Matos (RIP). Chamamos o Blaze Bayley de Bruce Dickinson. Já tocamos em uma laje em Belém.

Já ficamos em uma casa que só tinha um isopor gigante de cerveja. A vez que a gente tinha acabado de fumar um e pensou que ia ser preso quando a polícia entrou no ônibus logo depois. Viajamos numa Doblô junto com 2 comparsas do RJ pra Curitiba no meio da madrugada, quebramos o banco duma van dando mosh. Tem tanta coisa e todas elas tiveram participações especiais dos nossos amigos.”

A música extrema e pesada muitas vezes é invisível para muitos mas tem uma corrente forte e diversas parcerias, muitos até elogiam a evolução deste corre. Como observam a engenharia dele, os acertos, perrengues e o desenrolar?

Facada: “As pessoas costumar enxergar a música muitas vezes como concorrentes em vários aspectos: qual banda é melhor, qual estilo é o mais legal, por que você não escuta isso se isso é melhor? CD é melhor que vinil e o futuro é o mp3…e o que eu realmente enxergo é que nada anula o outro e os diversos formatos correm em paralelo. Isso afetou a grande indústria que dependia de vender milhões de produtos pra lucrar.

No estilo que tocamos, me refiro ao grindcore que já é bem segmentado, existe uma cena bastante prolífica em termos de produção de música, de show de material independente e subversivo, pessoas que se interessam em adquirir esse tipo de material, seja vinil, CD, mp3, fita cassete.

O tempo provou que você pode ter o que te interessa sem que um interfira no outro e sem ter um grande volume comercial envolvido. Essa cena só cresceu com o tempo e a da música pesada em geral. Muita gente se uniu, muita gente quis se separar mais, criaram-se novas cenas em que esse sectarismo musical rígido não existe e que as pessoas se alinham mais pelas ideias, amizade e projetos em comum.

O “Corre” da Cena

É uma cena que cada um faz o seu corre e cada um ajuda da forma que é possível: fazendo shows, ajudando os lançamentos, espalhando a palavra, fazendo vídeos, arte e informação relevante e coerente. Antes da pandemia, tinha muita banda fazendo show em todo lugar, lançando coisas, muitos festivais acontecendo, várias bandas com integrantes femininas se destacando.

Obviamente nem tudo são flores e sempre terão as diferenças e desentendimentos, mas é dever nosso aprender a dialogar com isso e saber que algumas discordâncias são possíveis e que não devemos não ouvir ou não entender qualquer um por isso, nem toda divergência é feita por inimigos conspiratórios.

Acho que os que pensam que podem ser rockstars e lotarem lugares grandes nesse cenário estão delirando e que viver disso é uma possibilidade distante.

O Jeito Facada de Ser

O underground quer dizer subterrâneo, debaixo da terra e é o lugar onde nós que não compartilhamos da realidade vigente, que não concordamos com opiniões dadas, que ouvimos outros tipos de música, que andamos no caminho da mão esquerda estamos inseridos e nos sentimos bem.

Ter a verdadeira noção de que podemos fazer o melhor com o que temos e pras pessoas que realmente possam gostar do que fazemos já é um grande avanço.”

Atualmente quais bandas destacariam do cenário e como foi para vocês organizar a edição cearense do Facada Fest e depois disso ver toda a polêmica que deu com os parceiros de Belém?

Para vocês o que isso demonstra nos nossos dias atuais e como combater? Aliás vocês também participaram do Hardcore Contra o Fascismo, como foi a tensão de tocar naquele momento? Tiveram conflitos?

Facada: “Só para esclarecer: nosso Facada Fest, apesar da coincidência do nome, não tem nenhum vínculo com o de Belém, apesar de nos solidarizarmos, de estarmos 100% do lado deles e concordamos em TUDO o que eles fizeram e fazem.

Seria demais um dia tocarmos nesse Festival um dia. Realmente fizemos um Facada Fest aqui em Fortaleza, mas foi pra angariar fundos pra gente fazer uma turnê e aconteceu antes do de Belém.

Hardcore Contra o Fascismo

Estamos caminhando para um estado fascista de fato e nosso maior erro foi não ter dado devida importância aos absurdos que eram feitos e falados, não levado a sério e apenas subestimado como loucura ou brincadeira aquilo que era vomitado, nos colocando em posição superior. Hoje colhemos o resultado dessa soberba.

O Hardcore contra o Fascimo começou em São Paulo e foi se espalhnado de forma independente por todo o Brasil. Nós, junto com a ACR (Associação Cearense do Rock) organizamos esse show aqui em Fortaleza numa tentativa desesperada de fazermos alguma coisa pra mudar a opinião das pessoas e abrirmos os olhos delas para mostrar o quão nocivo seria Bolsonaro no poder.


Facada Bolsonaro Camiseta


O Planejamento D.I.Y.

Fizemos tudo em menos de uma semana: som, divulgação, local (na praça pública), tínhamos que fazer um dia antes da eleição. O show estava lotado, muita gente da comunidade na praça, as pessoas que frequentam a praça estavam lá e as que foram ver o show também, tudo em paz.

A Confusão

Mas na hora do nosso show passou uma carreata dos bolsominions, então a galera que estava no show foi lá gritar “ELE NÃO” e não dava pra impedir. Infelizmente, algumas pessoas da carreata não gostaram nada disso e saíram dos seus carros com o revolver na mão e começaram a atirar.

Isso desesperou todo mundo.

Tinham crianças, velhos, mães, todos correndo se abaixando. Nosso show estava acabando e ainda tinham 2 bandas pra tocar, mas infelizmente o show teve que acabar, não tinha clima nenhum pra continuar. Ninguém saiu ferido disso, mas a gente teve a certeza do que pode acontecer a partir de agora: com esse cara eleito, uma legião de ignorantes mal intencionados violentos tem um alicerce ideológico pra fazer o que quiserem com as pessoas que não concordam com eles.

Revisitar

Quanto às bandas, tem muita coisa acontecendo, muitas bandas legais em todos os caminhos possíveis e confesso que esses dias tenho escutado muito pouca coisa nova e as coisas novas que tenho escutado já são velhas. Adoro descobrir bandas novas que são antigas: demos tapes e discos antigos que nunca ouvi.”


Show do Facada

Show do FacadaFoto: Divulgação


Nunca vou esquecer no fatídico dia da “Facada” vocês lidarem com um rage da internet por parte dos eleitores do tal candidato.

Como foi para vocês isso? E como foi de certa forma reviver esse conflito quando o João Gordo postou uma foto com a camiseta de vocês?

Facada: “Quando nosso digníssimo presidente recebeu a (falsa) facada, muita gente veio atrás da gente e foi uma pena que a própria não tenha sido efetivada. Algumas pessoas chegaram sem entender direito, achando que era tudo premeditado, que a banda era uma propaganda ideológica do tal acontecimento, que estava já tudo armado e outras que não conheciam a banda e começaram a ouvir a depois disso.

Até chamaram a gente pra tocar em Juiz de Fora na mesma semana, uma pena que não deu, mas isso é um dos nossos planos. O que mais me chamou a atenção é que muita gente fez essa associação com o nome da banda, mas ao mesmo tempo muitas pessoas quando viam a camiseta, achava que era associação ao fato.

A Polêmica

Postamos uma foto dele levando essa facada falsa com o a marca da banda. Ela foi denunciada e tirada do ar. Quando o Gordo postou a foto com a camiseta com a ilustração do Tiago Silva (Abercrombie), muitos veículos noticiaram como se fosse uma apologia e as pessoas alinhadas ao governo fascista foram brigar com ele e fizeram denúncias, o que foi a prova cabal de que essas pessoas não tem interesse nenhum em saber a verdade e se atem apenas a atacar e prejudicar outras pessoas de forma indiscriminada. É uma realidade em que tudo pode ser distorcido para se adequar ao seu ódio.”


João Gordo Facada Bolsonaro


Com um integrante morando em Berlim (Ari – guitarrista) e o restante em Fortaleza, como fica a rotina da banda em tempos de Covid-19?

Facada: “Na real não mudou nada já que estamos acostumados com essa distância. O processo de produção da gente é sempre meio caótico, desde o primeiro disco não sentamos e nos dedicamos a criar um disco, ele vai sendo desenvolvido ao longo do tempo e quando vemos que o que está feito está a contento, a gente grava e termina.

É difícil e custoso, mas pra gente não importa. Achamos melhor assim e temos um resultado do jeito que esperamos. O cara fundou a banda comigo (James) e com o Dangelo e nunca cogitamos a possibilidade dele sair, nem ele quis, então pra gente ta massa.

Ele estava de férias aqui esse ano passado e fizemos 2 shows e já estamos compondo músicas pro próximo disco. Vamos conversando e dando ideia e vamos afunilando. Nossa sorte é que não temos dúvidas, já temos nosso direcionamento muito nítido e isso facilita muito.”

“Quebrante” é um dos melhores discos do grindcore nacional atual, e nele tem uma faixa bem interessante “A Verdade Gera o Ódio” que lembrou Napalm Death na fase Scum. Quais são as maiores inspirações para vocês?

Facada: “Muito obrigado! Principalmente pela associação. Nossas maiores inspirações são as mesmas desde sempre, pouca coisa mudou e Napalm Death velho é uma das maiores com certeza.

Apesar que nas nossas composições o cerne principal seja o grindcore, sempre estamos tentando incluir outros detalhes que orbitam o estilo como o hardcore, o death metal, o noise e acho que no disco de covers isso ficou bem nítido.

Mas acho que escutamos o de sempre: Terrorizer, Yacopsae, Nasum, Repulsion, Defecation, Righteous Pigs, Blasphemy, RDP, Rot, Fear of God, Brigada do Ódio, Hüsker Dü, Asocial, tem muito mais coisa, mas a memória não acha.”

* Entrevista realizada por Rafael Chioccarello e Diego Carteiro