A banda Pessoas Estranhas talvez seja uma das mais gratas surpresas dos últimos tempos no cenário paulistano. Com uma gama de referências que vai de Talking Heads, passando por Vulpeck, CAN, Parquet Courts a Red Hot Chilli Peppers, o som do duo é definitivamente: Pulsante!

Após lançar no ano passado o single “O Dez” que ganhou um divertido videoclipe com a participação dos coreanos do CHUN Kids, eles começaram a mostrar suas garras. Mas definitivamente a melhor forma de conhecer o som do duo é justamente assistindo a uma apresentação ao vivo.

Em sua formação eles contam com Guilherme Silva e Stephan Feitsma, ambos que integraram a INKY durante 7 anos; para suas apresentações eles se juntam a Bruno Bruni no teclado e Nico Paoliello (Garotas Suecas, Mel Azul) na bateria.

Foi durante um show dentro da programação do 5 Bandas, projeto do Minuto Indie, que pude assistir ao vivo pela primeira vez o Pessoas. A sinergia entre a banda, o baixo no último volume e a explosão da presença de palco transformaram o salão do Mundo Pensante em uma pista dançante.

A experiência fica ainda mais marcante pelo cuidado que eles tem com a estética e figurino em suas apresentações. Fico até imaginando o impacto que teriam se tivessem a oportunidade de abrir os shows do Khruangbin ou do BadBadNotGood no país.


Pessoas Estanhas

Capa do single por Lucas Milano


Premiere: Sistema Brasileiro de Zuação

Pessoas Estranhas lança hoje em Premiere no Hits Perdidos o single “Sistema Brasileiro de Zuação”. Uma paródia bem humorada com uma verve um tanto quanto Art Rock, com grooves do Funk Rock, que esquenta ainda mais o clima para o álbum de estréia. O registro sairá em 2020 via Cavaca Records.

Se você curte Minutemen, BadBadNotGood, Gang of Four, Marvin Gaye e outros clássicos dos anos 70, este som vai cair como uma luva em sua próxima playlist. Já na parte lírica me remeteu as composições de Arnaldo Antunes.

A ironia com o desespero da inflamada indústria do entretenimento instiga um debate sobre o “Deus Nos Acuda” de nossos tempos; entre Fake News, textões, desinformação, olavisses, bots, o papel da imprensa e os meios de comunicação.



Entrevista

Conversamos com o duo Pessoas Estranhas para saber mais sobre este momento e seus futuros planos.

Minha primeira reação ao ler o nome da música foi justamente pensar nas loucuras e trapalhadas sem sentido que Silvio Santos tem se envolvido nos últimos anos.

Estaríamos vivendo na era da “loucura e perda de mão” do que é entretenimento? Na competição com o instantâneo da internet, voltamos ao “vale-tudo” dos anos 90?

Stephan: Silvio santos sempre foi o tiozão xarope. Mas acho que a crítica do som é mais pra esse “vale-tudo” do que pra TV em si. O SBT é um exemplo dessas presepadas, assim como os “Olavos de Carvalho” no YouTube ou o Moro no Twitter.

Acho que não é nem questão de competir com a internet. Tanto a TV quanto a internet vendem espaço de mídia, sempre vai existir apelação pra ganhar mais grana e poder nesses ambientes. Fake News, terraplanismo… internet também tá foda. É o pensamento que precisa mudar.”

Até mesmo estes atos falhos tem servido de recurso para a própria indústria. Desde a TV Pirata ao “Isso a Globo não mostra”, as “surtadas” acabam virando pauta. Mostrando que por mais que a audiência de TV e Rádio já não tenham números incríveis de outros tempos, ainda são meios de comunicação muito importantes.

Então vamos lá, como observam a indústria do jabá, fenômenos de internet, a ascenção de podcasts e outros meios de difundir sua música?

Stephan: “Vai ter jabá na internet também, compra de likes e seguidores, etc.

O lado legal da internet é difundir teu som sem depender tanto de gigantes da indústria. Vulfpeck lotou o Madison Square Garden usando a internet, o Djonga ficou gigante com a internet também.”



Além do funk, da disco, senti também uma forte influência da nossa música brasileira dentro da música, um pouco de Arnaldo Antunes, algo de Tim Maia ali, o que acaba entrando nas frequências de vocês?

Guilherme: Arnaldo Antunes o Stephan gosta bastante e a gente adora Tim Maia. Também temos influência de Planet Hemp, Nação Zumbi. E da galera mais recente temos escutado Edgar, Luiza Lian, Bruno Bruni, Saskia, Rakta, Curumim.

Aliás, tem uma playlist que o nosso selo, Cavaca Records, montou e que tem todos os sons que estamos ouvindo no momento. Vocês podem ouvir ela aqui!



Como foi trabalhar com o Dudu Marote? Ao ler o nome logo remeti ao Skank e ao disco de estréia do Jota Quest que mesmo na nossa memória sendo marcado por hits radiofônicos questionáveis, no seu primeiro álbum conta com um funk afiado.

Guilherme: Foi muito legal. O Dudu é uma pessoa estranha que nem nós, então deu um caldo bom. A gente já conversava faz um tempo, desde a INKY, de fazer algo juntos e nunca rolou. Mas agora rolou e casou bem com a proposta que a gente queria pro EP, de dar uma pegada mais pop pro som. O Dudu é um belo condutor dentro do estúdio.

Sobre as bandas mencionadas, Skank é referência pra gente e Jota Quest não, mas cada um na sua brisa.

Após o fim da INKY, primeiras composições, o sensacional clipe para dez (aliás contem essa história!), Cavaca Records, festivais, quais os próximos passos do Pessoas? O que podemos esperar do álbum de estréia? E qual o balanço que fazem da trajetória e o momento atual?

Guilherme: Próximos passos basicamente se resumem a gravar e lançar um álbum o quanto antes. A gente tem muita composição nova que queremos botar pra fora. E também tocar pra caralho. A maior quantidade de vezes possível e deixar o show cada vez mais redondo.

Acho que em 1 ano e meio desde que a gente sentou pós término da INKY para entender o que a gente ia fazer, o Pessoas tomou um rumo legal. A gente tá conseguindo fazer as pessoas dançarem no show e isso é foda. Ansioso pelo o que vem por aí.

Sobre o clipe, os Chun Kids são parceiros de outros tempos e eles sempre postam nas redes um clipe de feliz ano novo pra família deles na Coréia. Eles são mágicos e não dava pra deixar passar a oportunidade de fazer algo com eles.