[Premiere] Em tempo de transformações, Sky Down flutua pelo mundo dos sonhos em “Wish”

Mutação. É isso que nos faz humanos. Essa ânsia por querer mudar o mundo que no fim nos transforma. Nossas ideologias, visões, gostos vão se transformando ao longo de nossa trajetória. Algo que é completamente normal e faz parte de nossa longa caminhada.

Com o Sky Down não seria diferente. Lembro bem quando pude conhecer eles no começo de 2014 ainda nos primeiros dias de Hits Perdidos. O “rolê” aconteceu nas proximidades da Av. Santa Catarina, no antigo Dinamite Studios. Fui apresentado na época como uma banda do grande ABC que eu deveria ficar de olho.

Já conhecia o som da banda mas ver ao vivo digamos que é uma experiência que tem o poder de transformar tudo. Foi puro veneno o set que contava com canções do recém lançado Nowhere.

Na época Tales Lobo ainda fazia parte da banda e as impressões foram de uma banda que conseguia fazer a ponte entre o punk setentista de grupos como Wipers misturando com o som do The Germs, com um pouco da áurea da era que resgatou o punk nos anos 90.

Era áspero, vibrante e o recurso dos pedais já chamava a atenção. Tive a chance de ver outros shows deles em eventos como a Gimme Danger, na Associação Cultural Cecília e a mais recente no Dia da Música no palco Howlin’ Records x Sinewave Label.

Esses dois últimos já com a baixista Amanda Buttler no baixo. Ela que deu uma nova personalidade aos shows da banda e contribuiu muito para essa evolução sonora. A não tanto tempo assim eles finalizaram a divulgação do Nowhere, com um clipe divertidíssimo para “Kindness”. Faixa que teve seu videoclipe lançado em primeira mão no Nada Pop.

Além de já terem no currículo a participação dos tributos aos Titãs, O Pulso Ainda Pulsa, e o EP em homenagem ao The Germs. O Sky Down tem feito barulho por onde passa.

Após quase 2 anos sem uma faixa inédita, já que o single “Human Being” que foi gravado para o projeto Converse Rubber Tracks saiu em abril de 2015, eles chegam para apresentar o primeiro single de seu segundo disco.

A faixa escolhida para não ser apenas lançada como single mas para ganhar um clipe é “Wish”. Este que conta com Premiere no Hits Perdidos e já mostra uma transformação na sonoridade da banda.

É até curiosa a posição dos astros no momento deste lançamento. Após passar um ano em Libra agora Júpiter está em Escorpião. O que isso significa? Abundância de transformações. Já a lua entrou em gêmeos que é essa ânsia de se comunicar por mais que possa ser mal interpretado. Ou seja tudo a ver com a energia “sonhadora” de “Wish”.


SINGLE
A foto da capa do single foi registrada pelas lentes da fotografa Thais Silvestre.

Essa que já começa com uma levada noise rock e uma longa introdução feito clássicos do Stone Roses. A levada “empoeirada” também carrega a onda das guitar bands mescladas ao “sujo” do grunge e a destreza do post-punk. Até por isso alguns também podem enquadrar o single como “Dream Pop”.

São apenas rótulos mas servem para tentar explicar essa nova fase que o Sky Down está passando. O som vai “bater diferente” do que o Nowhere mas nem por isso menos potente. A força está na introspecção mas aquele sentimento de raiva e angústia ainda continuam ali.

São 6 minutos de canção e ela vai sendo carregada de muito sentimentalismo e reverberação. É um ótimo pedido por mais e já estamos querendo o novo álbum para ontem.



A vibe Low Dream (favor não confundir com a ótima banda carioca da Midsummer Madness) e magnética da “balada” shoegazer se traduz no clipe que parece ser extraído dos anos 90. Poderia até ser cenário de grupos como Primal Scream ou My Bloody Valentine esteticamente falando. Como o vocalista Caio comentará na entrevista ele tem a “vibe” do filme Enter The Void do argentino Gaspar Noé.

O vídeo foi feito a partir do clipe do TEST lançado anteriormente sem som. O que faz do vídeo ainda mais legal a ideia de “sobreposição do audio” e cores flutuando pelo ar.

De certa forma o lançamento do single também coincide com a exibição da exposição do Nirvana, Nirvana Taking Punk to the Masses. Esta que fica até dezembro exposta no Lounge Bienal do Parque Ibirapuera.

Um fato curioso pois o som do Nirvana e todas referências de Kurt Cobain fazem parte da existência do Sky Down. Visto que Wipers, Mazzy Star, The Breeders, The Germs, The Vaselines e tantas outras presentes na lista de Kurt Cobain são também influências do grupo paulista. Então se curtir Nirvana e todo seu background já sabe que não pode perder este lançamento!

O primeiro single do disco que já está disponível no Spotify pode ser baixado através do bandcamp oficial da banda.



[Hits Perdidos] Hoje está sendo lançado o single “Wish”. Gostaria de saber mais sobre a composição e se por acaso o nome é uma homenagem ao álbum “Wish” do The Cure ou é apenas uma daquelas mágicas coincidências do mundo da música.

Amanda: Não sei.

André: Acredito que o título da música foi coincidência com a do The Cure.

Caio: O disco Wish tem umas coisas que parecem como um sonho, tipo “High”. Mas se fosse pegar algo do The Cure, pegaria algo do Pornography.

[Hits Perdidos] Para quem conheceu vocês no Nowhere (2014) muita coisa mudou. Desde a entrada da Amanda até mesmo a sonoridade e influências. Se antes o som puxava mais para o Punk Rock agora parece abraçar outros estilos como o post-punk, grunge e shoegaze. Como foi esse processo?

Amanda: Pra mim o tempo passa e amadurecemos. Eu ouço por exemplo a voz do Caio em Nowhere e acho uma voz “9vinha”. Já no disco novo vejo um amadurecimento tanto nas letras, como na própria voz e nos arranjos. Por mais simples que sejam, foram criadas ambiências sonoras bem interessantes e diferentes do disco de 2014.

Caio: Natural.André: O processo foi natural, a banda tem como mote não se apegar a um único estilo. Experimentar é a palavra chave que nos une.

[Hits Perdidos] Sei que admiram bastante o Nirvana e todo o legado. E o single está sendo lançado bem na época que a exposição sobre a banda chega a São Paulo. Vocês já chegaram a ir? Kurt Cobain faria 50 anos este ano, para vocês qual é o maior ensinamento?

Caio: Não fui ainda. Gosto do Nirvana e de outras bandas também na mesma proporção ou até mais. Num geral a gente gosta mas não é uma banda que ficamos por exemplo tocando em ensaios ou em shows. O Nirvana tinha uma sinceridade e autenticidade nas suas musicas, mas acho que já falaram tudo sobre eles.

Amanda: Não fui na expo. Quero ver.

André: Não fui na expo.

[Hits Perdidos] O noise rock de bandas como Sonic Youth e Stone Roses também da para ser sentido. A canção parece inclusive nos levar para um sonho distante. O que vocês andam ouvido e como explicariam a novo fase do Sky Down?

Amanda: Eu escuto só coisa velha. Apesar de colar em shows de bandas independentes novas do circuito, etc. em casa escuto muito Gun Club, Cure, Nick Cave, MBV, Sisters of Mercy, Christian Death, Plexi (alias Christian Death e Plexi são quase que mantras entoados no carro do Caio rumo a shows, ensaios ou rolês).

André: Tô ouvindo muito Smashing Pumpkins.

Caio: I wanna be adore.

[Hits Perdidos] Qual foi a ideia que queriam passar com o videoclipe e como foi a produção?

Caio: Já assistiu Enter The Void?

[Hits Perdidos] Já tem data para o lançamento do disco ou ainda é um segredo guardado a sete chaves?

André: A gravadora não permite divulgar a data de lançamento, tá no contrato.

Amanda: Decidimos que ficara pro ano que vem, não sei data ao certo ainda, mas provável que 1 semestre de 2018.

Caio: Ano que vem, que é praticamente daqui 3 meses.


CAIO
Sky Down em ação em julho no palco do Z Carniceria. – Foto Por: Caio Brito

[Hits Perdidos]  No atual momento temos muitas ótimas bandas aparecendo. Quais acreditam que conversem diretamente com a atual sonoridade da banda?

Amanda: Acho Rakta foda, mas não necessariamente soe parecido com a gente. Herzegovina é bem massa também, pós punk do RJ, o próprio Vermes do Limbo, acho que tem uma sonoridade torta que curto muito. O emicaeli também nessa onda.

André: Difícil apontar uma ou outra banda, porque no fim estão todas ligadas, assim como o Test e o Sky Down….risos.

[Hits Perdidos]  Sei que vocês tem uma proposta de sempre passar mensagens densas nas letras. Qual vai ser o mote central do disco e o que andam lendo?

Amanda: Minha letra por exemplo (a que eu canto no disco) fala sobre relações conturbadas/abusivas. Algo que tá aí, cada dia mais vindo a tona, não só nas redes sociais como noticiário e no boca a boca dos amigos.  Eu adoro ler biografias de artistas que curto. A última foi da Rita Lee. Leio muito sobre Jung/Tarô também.

Caio: A maior parte das letras desse disco são basicamente improvisos, sem pretensões, sem querer propositalmente passar mensagem ou criar historinha. Talvez depois de lançado a gente olhe para elas e possa entender melhor. É chato ficar explicando letra, cada um entende do jeito que quiser.

Peguei uns livros que minha mãe tem da época que fazia faculdade de psicologia , “Diálogos Sobre a Vida” (Krishnamurti), umas coisas do Nietzsche, Jung, Mulheres Que Correm Com os Lobos da Clarrisa Estés, Dostoiévski, etc. Gosto de biografias também, gostei da do Peter Hook sobre Joy Division e to com uma do Iggy Pop aqui pra ler também.

André: A idéia do disco é sobre relacionamento, sobre a vida, sobre como você pode transformá-la pra melhor. Tô lendo Almoço Nú.

Show

O Sky Down fará um show no feriado (12/10) em uma das casas mais receptivas do underground da região do ABC, a CASAMARELA de São Bernardo do Campo (SP). O evento contará também com os shoegazers do Lava Divers que aproveitam a turnê por São Paulo para tocar junto.

O evento também reunirá instalações, expositores e grafites. E o melhor a entrada é gratuita!


Flyer
Arte Por: Júlia Captcha

Instalações/Exposições:
Coletivo V141 – Exposição Vivendo de Arte.
Artistas: Dalsin Aic e Melane Aic.
17: Um diálogo de 100 anos – Artista: Daniel Marcolan.
Sobrevida: Ressignificando Conceitos – Artista: Dener de Souza.
Teia urbana – Artista: Felipe Pelikian.
EgoTrip – Artista: Erto.

Grafites:
Augusto Amaral, Erto, Coleta1994, Arnaldo Zambone, Wolv 87, Jimmy, Curbs, Truff TK, Denner Alves, Nado, Ana Bez, Willian Pimentel, neguiM, Priscila Maria, Cena7, Lalc, Carlo Blau, Muller.

SERVIÇO:

Local: CASAMARELA

Horário: Início das apresentações – 21h
Entrada Gratuita.
Endereço: Rua Alberto da Silva, 386, Santa Terezinha – São Bernardo do Campo – SP
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