Mapeamento expõe nova fase da cena independente de Goiânia a partir de 49 casas de shows
Cena Independente de Goiânia: Projeto mapeia mais de 115 artistas e 49 casas de shows e mostra como a nova geração se organiza no pós-pandemia.
Em Goiânia, a cena independente vive um novo momento de expansão. O levantamento revela como artistas, produtores e espaços vêm se reorganizando nos últimos anos, criando conexões e impulsionando um ecossistema musical mais diverso, ativo e descentralizado.
O projeto integra uma iniciativa que vem se expandindo por diferentes cidades do Brasil. Idealizado pelo jornalista Alexandre Bazzan, à frente da The Music Newsletter, o projeto começou em São Paulo, e já passou por capitais como Aracaju e Rio de Janeiro, conectando cenas locais e revelando novos circuitos independentes.
Saiba mais sobre o mapeamento de São Paulo
Veja o mapeamento de Aracaju
Confira o mapeamento do Rio de Janeiro

Como funciona o mapa da cena independente de Goiânia
A nova cena de Goiás se concentra na capital, Goiânia, e é formada por ao menos 115 bandas e artistas solo com som autoral, que tocam em 49 casas de shows espalhadas por várias cidades do estado. A nova etapa do mapeamento foi coordenada por Fernanda Meireles, que atua há 15 anos na cena musical do estado.
Assim como as edições anteriores, as ilustrações foram feitas pela Isabella Pontes.
- Playlist com 115 novas bandas de Goiás (formadas de 2019 para cá);
- Google Maps com as casas de shows;
- Planilha com as bandas, casas de shows e eventos da região;
- Formulário contínuo para envios;
“Mesmo vivendo e estudando a cena musical autoral de Goiânia/Goiás há pelo menos 15 anos, realizar este levantamento para o Mapa foi uma experiência surpreendente. Eu já sabia que a quantidade de bandas ativas seria grande. O cenário goiano é riquíssimo, com bandas, festivais e produtoras em constante movimento. Mas… quem é essa gente toda aqui?!!
Quando conversei com o Bazzan sobre expandir a iniciativa dele para Goiás e lancei um formulário para bandas e casas de shows, o movimento foi muito maior do que eu esperava. Vieram muitos cadastros, compartilhamentos e uma expectativa real tanto das bandas (ansiosas por visibilidade) quanto dos produtores (curiosos para descobrir novos nomes e renovar seus eventos).
Ainda na faculdade de jornalismo, encontrei meu nicho exatamente assim: estudando as alternativas musicais da capital e região metropolitana. Fiz documentários sobre a cena independente (rock, pop, rap e samba) e, no TCC, explorei a “Goiânia Rock City” pelos olhos de bandas goianas que estavam se destacando mundialmente como os Boogarins, além de festivais e produtores que movimentam essa história.
Goiânia é uma cidade relativamente nova, mas com uma cena musical madura, que já passou por várias fases — do punk ao stoner, do indie ao metalcore — com vários momentos em que bandas romperam a bolha e alcançaram o mainstream. O rock vindo da “terra do sertanejo” (odeio essa nomenclatura generalista) ainda causa estranhamento, mas sempre surpreende quem se abre para o que é produzido aqui.
O que me motivou a colaborar com o mapeamento foi perceber que, há algum tempo, a cena parecia um pouco repetitiva: as mesmas bandas, festivais, line-ups e público. Eu amo essa galera (inclusive faço parte dela), mas sabia que existiam muitas bandas novas que, especialmente após a pausa da pandemia, ainda não tinham espaço ou reconhecimento.
Comecei com o levantamento no formulário, mas fui além: analisei line-ups recentes, investiguei portais de notícias, explorei redes sociais de bandas e casas de shows e mergulhei no trabalho de produtoras independentes. Basicamente, virei uma stalker musical nos últimos meses… e deu trabalho, viu?!
O levantamento confirmou o que eu imaginava: tem muita gente boa esperando para ser descoberta. Mas também mostrou que eu conhecia só metade do iceberg. Descobri uma cena inteira acontecendo, inclusive eventos de metal extremo em espaços que eu nem sabia que existiam, além de bandas criando seus próprios eventos e comunidades. Tem som novo para todos os gostos, até para o “tiozão” que ouve as mesmas bandas há décadas.
Sobre as casas de shows, confirmei algo já perceptível: muitos espaços ainda priorizam covers, mas aos poucos vêm abrindo espaço para o som autoral. Torço para que essa abertura continue e valorizo quem já faz esse trabalho.
O levantamento oficial, em parceria com o Bazzan, traz um recorte de bandas de 2021 em diante. Também estou disponibilizando uma lista expandida, incluindo mais artistas do período pandêmico (2019-2020), além de abrir espaço para bandas consolidadas, produtores e agentes culturais da cena”, revela Fernanda.
Mapeamento da cena independente de Goiânia segue em expansão
Apesar de ser um levantamento autoral, a cena cover também terá espaço no estudo, assim como bandas veteranas, com o rock como principal objeto de estudo.
“O mapeamento em Goiás continua! Ainda existem muitos espaços, bandas e artistas, tanto na capital quanto no interior, esperando para serem descobertos. Esse é um movimento contínuo, colaborativo e eu conto com vocês!
Bandas novas: continuem se inscrevendo no formulário e divulgando seus trabalhos e dos amigos de vocês (nas mídias, nos rolês, em todo e qualquer canto – quem não é visto não é lembrado).
Bandas “antigas” (e bandas cover também – vou expandir ainda mais o formulário para ter realmente uma ideia de toda a classe de artistas que temos por aqui): o questionário agora também é para vocês, para conseguirmos mapear e registrar tudo que vem rolando aqui na cidade há décadas
Produtores: usem a planilha, conheçam novos nomes e misturem gerações nos line-ups. O público já está mudando e é visível a chegada de gente nova descobrindo o rock e a música independente. Bora abrir espaço para o novo também!”, revela a organizadora.
Em relação a expandir além da capital goiana, Fernanda ressalta: “O projeto segue em desenvolvimento e pretende ampliar ainda mais o alcance do mapeamento, incluindo artistas do interior do estado e aprofundando o registro histórico da cena musical goiana. A proposta é construir um banco de dados vivo, que acompanhe as transformações da música local e fortaleça a rede entre seus diversos agentes”.
Além da capital, cidades como Anápolis, Caldas Novas, Rio Verde e Pirenópolis aparecem na primeira leva do mapeamento de Goiás.

Próximos passos do mapeamento no Brasil
“A ideia é que estas listas e mapas rodem o máximo para que as pessoas possam ver que tem muita coisa legal acontecendo perto delas.
O sentimento de desamparo da cena é real em outros lugares e por isso estou tentando novas parcerias em outros estados e cidades. Após Goiás, já temos Curitiba, Vitória, Fortaleza, Florianópolis e interior de SP no horizonte.
Também criei um formulário para que artistas e casas de shows de todo o Brasil mandem informações e assim possamos ter uma alimentação contínua dessas listas. Você pode acessar aqui“, revela Alexandre Bazzan.
