Mapear para existir: mapa revela a cena independente do Rio com mais de 80 artistas
Um mapa da cena independente do Rio de Janeiro reúne mais de 80 artistas e 40 casas de shows e mostra como a nova geração se organiza no pós-pandemia.
Mapear a cena musical de uma cidade nunca é apenas um exercício de organização. É, antes de tudo, uma forma de entender como a música pulsa, se desloca e cria territórios afetivos. Em janeiro, pude conhecer o projeto do jornalista Alexandre Bazzan, que, à frente da The Music Newsletter, assumiu o desafio de mapear a nova cena musical da cidade de São Paulo.
O resultado é um guia robusto que reúne 231 artistas emergentes — todos com até cinco anos de atividade — e um levantamento de 85 casas de shows na Grande São Paulo.
O material se desdobra em diferentes formatos — planilha, pins no Google Maps e playlist —, refletindo não só a diversidade da cena, mas também as múltiplas formas de consumo e descoberta musical hoje. Como o próprio Bazzan ressalta em sua newsletter, publicada na plataforma Substack:
“Este levantamento não pretende ser definitivo. Ele é um recorte possível de uma cena viva, em expansão, e que continua mudando.”
Saiba mais sobre o mapeamento de São Paulo clicando aqui
Após este primeiro, foi a vez da parceria com Lully, natural de Aracaju, que contribuiu para o mapa da capital do menor estado do Brasil.
Veja o mapeamento de Aracaju clicando aqui

Como funciona o mapa da cena independente do Rio de Janeiro
O mapa da música autoral apurado pela Rafinha Murad (Newsletter Bilheteirinha | Minuto Indie) sobre a nova cena do Rio de Janeiro é formado por pelo menos 87 bandas e artistas solo autorais, que tocam em 40 casas de shows no Rio de Janeiro e na região metropolitana.
As ilustrações foram feitas pela Isabella Pontes e a Tatyane Menendes.
O projeto também disponibiliza diferentes formas de explorar a cena independente do Rio de Janeiro:
👉 Baixe o mapa da cena independente do Rio de Janeiro
Por que a cena independente do Rio enfrenta desafios
“Achei a iniciativa do mapa de SP tão fascinante que meu primeiro instinto foi comentar que queria fazer um do Rio também. Aconteceu da mesma forma que acontece toda vez que vou pra São Paulo: vou em alguns showzinhos, troco uma ideia com a galera de lá e volto com a cabeça girando de tantas ideias.
Como carioca amante da música alternativa, tenho muitas alegrias, mas também muitas frustrações. Aqui tem muita gente com vontade de fazer acontecer, mas é sempre uma luta com poucos espaços dispostos a acolher essa cena, e quase sempre bem concentrados entre o Centro e a Zona Sul. Essa segregação geográfica acaba fazendo com que os próprios artistas sejam pouquíssimo articulados entre si.
Já foram horas em mesas de bar com amigos discutindo sobre como é infeliz ser artista independente aqui, ter pouco lugar para tocar e pouco espaço para crescer e desenvolver público. A discussão da perda de força do Rio chegou até nos megashows, com vários artistas imensos deixando o Rio de fora de turnês internacionais, o que mostra que não tá fácil pra ninguém. São tempos verdadeiramente difíceis pra música na cidade maravilhosa.
O mapeamento foi importante para poder visualizar essa dinâmica e entender se é tudo verdade ou apenas impressão. Cheguei a esse ponto da pesquisa com mais perguntas do que respostas, mas fico feliz de estar fazendo parte do caminho da visibilidade para todo mundo saber que tem muita música boa rolando nos cantinhos escondidos e mais inesperados dessa cidade. No mais, vida longa ao projeto dos mapas e bora mapear esse Brasil todo!”, reflete Murad.
Playlist e onde ouvir os artistas
Assim como os levantamentos anteriores, a montagem da playlist contou com os seguintes critérios:
- Terem sido fundadas a partir de 2021
- Serem residentes do Rio ou da região metropolitana
- Terem produção autoral
- Estarem em atividade (shows ou lançamentos)
O mapa reforça o papel da cena independente do Rio de Janeiro dentro de um movimento maior de valorização da música autoral no Brasil.
Próximos mapeamentos no Brasil
“A ideia é que estas listas e mapas rodem o máximo para que as pessoas possam ver que tem muita coisa legal acontecendo perto delas.
O sentimento de desamparo da cena é real em outros lugares e por isso estou tentando novas parcerias em outros estados e cidades. A Fernanda Meireles tem uma apuração prontinha sobre Goiás, que vamos publicar em abril, e já temos Curitiba, Vitória, Fortaleza, Florianópolis e interior de SP no horizonte.
Também criei um formulário para que artistas e casas de shows de todo o Brasil mandem informações e assim possamos ter uma alimentação contínua dessas listas. Você pode acessar aqui“, revela Alexandre Bazzan.

