A banda Metade de Mim apresenta “Acidentes”, álbum de estreia que percorre emoções entre o emo e o rock alternativo. - Foto por: Cesinha
Álbum de estreia da banda paulista Metade de Mim mistura emo, rock alternativo e intensidade em “Acidentes”
No dia 16 de abril, o álbum de estreia Acidentes, da Metade de Mim, foi lançado. Com a produção de Gabriel Arbex e capa de Marcelo Delamanha, o debut é resultado de uma maturação em direção a consolidar sua identidade, transitando entre referências diretas e indiretas, em um leque que vai do rock alternativo, passando pelo emo e a MPB, algo que o guitarrista Felipe Angelim, o Gila — que antes integrou a banda de hardcore Clearview — confidenciou em entrevista que pude realizar com a banda em 2023 (assista à entrevista).
Completam a formação Renan Sales (vocal), Danilo Tanaka (bateria), Matheus Caccere (baixo) e Fernando Oska (teclado).
Acidentes é resultado de um longo processo, visto que os integrantes fundaram o quinteto ainda em 2018, com a proposta de desenvolver um projeto totalmente em português, algo que não era habitual nos projetos pessoais. Muitas das histórias vêm de anotações do dia a dia.
“Eu me inspiro muito na vida. Já ouvi o Lucas Silveira (Fresno) falando que, para compor, é preciso estar vivendo. Se você não estiver vivendo, você não tem do que falar. E às vezes você precisa estar aberto a tudo o que está acontecendo. Às vezes você pode estar sentado em um ponto de ônibus e pode não estar prestando atenção em nada esperando só um ônibus, mas às vezes está chovendo e você está enxergando alguma coisa acontecendo. E eu busco muito isso.
Eu sou muito sentimental, gosto muito de música triste, então escuto muito e tenho meu momento de ficar comigo mesmo pensando nos problemas da vida. E aí, acho que isso acaba refletindo. Você acaba buscando uma tristeza lá no fundo para colocar no papel, revivendo tudo o que já viveu, todo o sentimento.
Às vezes eu escrevo sobre algo que nem fui eu que vivi, foi uma história que eu ouvi de um brother que terminou com a mina e contou como ele estava se sentindo e você pega isso e pensa: “nossa, aqui o cara devia estar assim e assado”, e acaba colocando ali. Fico muito imerso e acabo colocando para fora”, contou o vocalista Renan em entrevista ainda em 2023.
O material sucede o EP Depois De Tudo Que Eu Já Passei, lançado em 2022, e uma série de singles, entre eles “Pressentimento“, “Vacilo”, “Metade” e “Sem Tempo”, em colaboração com Zander.
“Acidentes” serve como uma bússola que conecta as faixas, justamente por tratar da reorganização depois de uma queda, sem suavizar o impacto, e viver com intensidade aquele nó na garganta das palavras que não foram ditas.
Temáticas como o desgaste, o recomeço e os estilhaços que ficam pelo caminho acabam ecoando dentro da construção de uma obra para lá de sentimental. Inclusive, a canção conta com a participação do coletivo carioca Nova Orquestra conhecida por rearranjar músicas fora do ambiente erudito.
Ao todo, Acidentes reúne 10 músicas e pouco mais de 33 minutos de duração. Com linhas melódicas presentes desde o primeiro instante, “Escuta” chama o ouvinte para mais perto querendo contar uma história de coração partido. Entre bloqueios emocionais, choro entalado e a busca por razões para o desfecho, o processo de tentar seguir em frente ganha novas camadas.
Nesta primeira parte do registro, é interessante ver como o post-punk entra nas linhas melódicas e ambiências do disco. Em “Ainda Não Me Acostumei”, é possível observar ecos de The Cure. Já referências do pop punk, de um leque de grupos como Motion City Soundtrack, Jimmy Eat World e Taking Back Sunday, e da própria Fresno, transparecem nas recaídas de “Ponte Torta”.
As incertezas e intermitências aparecem no nervosismo contido de “Eu Não Sei Falar de Amor”, entre gentilezas, pequenos gestos de carinho, alegrias compartilhadas e a beleza do amor. Os teclados solares deixam até as letras mais intensas leves e fáceis de gerar identificação justamente por essa natureza powerpop.
“Aviso Prévio”, por exemplo, é daquelas que poderiam facilmente entrar na trilha sonora de Malhação. Entre memórias resgatadas e mudanças de rota, as inevitáveis chegadas e partidas fluem entre acordes acessíveis que canalizam uma atmosfera pop.
A segunda parte do disco se inicia com “Voltar Atrás”, que deságua na tensão do impasse, entre a vontade de jogar tudo para o alto e a de voltar no tempo. A tensão de uma guerra silenciosa de egos se entrelaça no desgaste e o fim da linha parece inevitável.
A parceria e a felicidade de encontrar a banda para ensaiar também ganharam um momento dentro do disco. “Quinta Às Nove” traduz esse momento de reunião e a química musical, que servem como alívio em meio a uma rotina extenuante de trabalhos paralelos para ganhar o pão de cada dia. Daquelas canções que servem como um abraço para todos os artistas que se empenham em se reunir para tirar um som, transformando aquele momento em uma espécie de “terapia coletiva”.
“Amanhã” olha para o retrovisor e nele notamos desdobramentos, como o sentimento de inércia, a solidão e a dificuldade de enxergar no horizonte um novo dia que não esteja nublado. Quem encerra é “A Melhor e a Pior Coisa”, em meio a mágoas, ressentimentos, saudade e sentimentos confusos.
This post was published on 7 de maio de 2026 1:12 pm
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