Indie Neon BR: Cidade Dormitório, Terno Rei, Violins, ’akhi huna, SANJ, pedro lanches, Samuel Amaro e muito mais!
Cidade Dormitório é destaque na editoria Indie Neon BR. – Foto Por: Julia Cruz
A Indie Neon BR traz conteúdos em micro-resenhas do que de melhor tem acontecido no Indie Nacional. Singles, discos e novidades com o radar antenado do Hits Perdidos ganham o palco em um post informativo que acompanha sempre uma playlist!
Sobre a Indie Neon BR
A Indie Neon BR visa apresentar novidades de artistas contemporâneos aliados à identidade do Hits Perdidos com foco em artistas que usem artifícios como sintetizadores, experimentem texturas oníricas e flutuem entre gêneros correlatos ao Indie Rock e seus afluentes. Por aqui você encontrará sons alternativos fora do convencional empurrado goela abaixo todos os dias, nosso Lado B reunirá micro-resenhas, listas e playlists alimentadas aos poucos.
Do synthpop ao lo-fi de quarto, passando por dream pop tropical, post-punk revival e beats cheios de vapor estético — aqui é o lugar do underground.
Uma editoria dedicada ao indie brasileiro com sintetizador, identidade e com o espírito DIY (faça você mesmo). Pra quem faz som em casa, na garagem ou com estética além do lado esquerdo do dial — e quer ser descoberto por quem escuta além do algoritmo.

Indie Neon BR #8
Crise “Quanto Tempo”
A Crise, de Sorocaba (SP), após lançar “Robofoot“, em agosto, agora aparece por aqui com “Quanto Tempo” que estará presente no seu álbum de estreia. Aliás, de antemão, adoramos o nome que o full-length levará… por favor, me perdoe. as más notícias finalmente chegaram. O disco que está programado para meados de março de 2026 foi gravado e produzido por Ítalo Riber, da Lastro Musical, e masterizado por Pêu Ribeiro.
Os paulistas nos adiantam que o novo single contará com um videoclipe com direção de Mayara Marques. Entre as referências sonoras, o baixista e produtor, Gabriel Pasini, cita o grupo clássico de shoegaze My Bloody Valentine e o dream pop açucarado do Alvvays.
Com guitarras ásperas cheias de texturas, a abertura de “Quanto Tempo” traz consigo os vestígios amargos da rotina em seus versos. Entre os receios, as transformações e as inseguranças de ser jovem adulto, se materializam em cicatrizes, contas para pagar e seus destemperos que ganham camadas e sobreposições.
É na simplicidade do olhar de quem vê a vida pela janela do transporte público pós-expediente, lembrando de tempos mais esperançosos, que as curvas sonoras se misturam com o sentimento de desolamento e inércia entre reverbs e outros labirintos mentais.
Ousel “Meus Planos”
A Ousel, de Goiânia (GO), mandou avisar que em 2026 teremos novo álbum pela Monstro Discos. Nos últimos dias, foi a vez de disponibilizar o terceiro single desta jornada, “Meus Planos”. Composta por Renato Fernandes, a canção que nasceu de um desafio surgido após uma apresentação fala sobre confiança, recomeços e a entrega ao movimento natural da vida.
Apesar de beber do shoegaze e explorar guitarras típicas do post-punk, seu vocal denso deixa a canção com aura pop e traz consigo uma carga bastante emocional. Entre os percalços da vida, ela ressoa como a vontade de encontrar a luz no fim do túnel após um longo período de dificuldades pelo caminho.
Violins “Doce Privilégio” com a Tallin Studio Orchestra
Os goianos do Violins decidiram eternizar uma nova versão especial para “Doce Privilégio”. Ela é fruto do encontro do grupo com a Tallin Studio Orchestra que aconteceu durante a apresenção na Concha Acústica de Brasília, onde o Violins se apresentou acompanhado da Orquestra Filarmônica de Brasília.
O arranjo de cordas foi escrito pelo pianista, arranjador e diretor musical Itamar Assiere, nome de grande relevância na música brasileira. Com trabalhos que vão de Pixinguinha Sinfônico à série MPB & JAZZ, Assiere acumula parcerias com Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque, Gal Costa, João Bosco, Ivan Lins e muitos outros.
Com a autorização de Assiere e a regência do maestro Kleber Augusto à frente da Tallin Studio Orchestra, a música ganhou sua versão definitiva no estúdio ERR, na Estônia. A faixa originalmente presente no EP Quase Metade (2024) ganhou também um videoclipe coreografado e protagonizado pela bailarina Mare Rela, com direção e filmagem de Paulo Rocha e direção de movimento de Thiago Spósito.
Jovem Dionisio, Terno Rei “Você Sabe Bem”
A colaboração entre Jovem Dionisio e Terno Rei, se materializa agora em uma canção conduzida por Gustavo Schirmer, produtor que acompanha a trajetória dos dois grupos em momentos distintos. “Você sabe bem”, de certa forma, consegue orbitar pelos universos das duas bandas sem cravarmos que é um feat em que um artista se diminui para caber no outro, talvez esse seja o grande mérito.
“Essa foi uma das melhores colaborações que a gente já fez. As ideias não se atropelaram; somaram. As bandas tinham uma equivalência de escolhas muito boa, e a música proporcionou esse desenho que todo mundo acreditava desde o começo. A gente não precisou tirar leite de pedra. Foi tudo muito construtivo e fácil de criar juntos”, define Bernardo Pasquilli.
“É uma música muito linda que partiu do Ber, e na primeira ensaiada já tínhamos boa parte do que ficou no final”, conta Ale Sater, vocalista e baixista do Terno Rei.
A faixa chega junto de um videoclipe filmado em 16mm dirigido por Felipe Fonseca — parceiro criativo da Jovem Dionisio e colaborador em projetos com o Terno Rei. Para ele, a narrativa parte desse gesto de se desprender do que já não cabe — “ir na contramão das migalhas que a gente recebe de maneira injusta” — e de reencontrar beleza no caminho, mesmo quando ela surge de lugares marcados pela tristeza.
Essa sensibilidade de colaborar com pessoas que conhecem artistas em diferentes momentos se traduz nos pequenos detalhes que abrangem o cuidado estético, tanto na produção musical, como no audiovisual. Essa natureza indie orquestrada ganha camadas e ambiências em uma faixa confessional que se mostra aberta à troca. E amplifica o significado de parceria nos diferentes tipos de relações interpessoais que cultivamos ao longo da vida.
Samuel Amaro “Frieren”
De Maringá (PR), Samuel Amaro explora as ondas do jungle e drum and bass em seu novo single, “Frieren”. O músico revela que o universo dos animes foi a grande inspiração para a faixa que faz referência direta a segunda abertura do anime homônimo, “Beyond Journey’s End” dos japoneses da Yorushika.
“Essa música surgiu numa época em que eu tava produzindo bastante com o teruomon, que é simplesmente o mestre dos mestres no quesito Drum and Bass e Jungle.
Nessa mesma época eu estava muito fissurado em Frieren, que é um anime. Acabei criando uma ideia de letra com a mesma progressão harmônica da abertura e o resultado fala sobre o cotidiano, a correria, as andanças, perrengues e as dores de quem quer “chegar lá”. Também é uma homenagem ao anime, que traz como tema (do meu ponto de vista) a premissa de se aproveitar a jornada, independentemente do destino”, conta Samuel Amaro.
Esse lado de diminuir a frequência para aproveitar as pequenas conquistas pelo caminho se contrapõe com os beats pulsantes da faixa acelerada de pouco mais de dois minutos de duração. Apesar disso, a sensação de relaxamento, entre as correrias e forninhos que temos que equilibrar pelo caminho, ganham versos que estimulam o ouvinte a seguir seus sonhos. Entre o orgânico e o digital, o revival dos estilos continua em alta frequência em uma canção confessional de quem está lutando pelo seu espaço.
pedro lanches “miopia”
pedro lanches, artista sul-matogrossense, atualmente reside em São Paulo e disponibiliza o envolvente single “miopia” pela Matraca Records. Segundo ele, a faixa retrata um eu-lírico atravessado por sentimentos confusos – expectativa, incertezas e nostalgia – enquanto tenta enxergar com mais clareza o que o afeta.
“A dinâmica das coisas mais novas estão vindo muito das nossas experiências ao vivo enquanto banda, tocando mesmo. Com a gente já imaginando como a faixa respira no palco”, explica o artista se referindo aos experimentos sonoros que tem realizado ao lado da sua banda.
Introspectiva, experimental e indie. É através das texturas, timbres, quebras e dissonâncias exploradas por artistas contemporâneos como Soccer Mommy e referências de toda uma vida que seus tentáculos vão criando imagens na mente do ouvinte que se permite entrar nos seus emaranhados, entre nostalgia, introspecção, delírios e lapsos do que fica pelo caminho.
Cidade Dormitório “Barco Amnésia”
Os sergipanos da Cidade Dormitório iniciam a jornada de comemoração aos 10 anos do grupo que culminará no terceiro álbum da banda com lançamento planejado para 2026. O primeiro do quarteto formado por Fábio Aricawa, Yves Deluc, João Mário e lllucas que sairá pelo selo Matraca Records, conta com produção de Fernando Rischbieter e Pedro Vinci.
A primeira mostra é o single um tanto quanto flamejante “Barco Amnésia”. A canção nasceu após o vocalista e guitarrista Yves avistar um barco chamado “Amnésia” entre as estruturas abandonadas do antigo cais do Catamarã, em São Cristóvão (SE). Lá, viu um pai contar para o filho sobre o passado daquele lugar, cenário de brincadeiras de sua infância. Hoje o espaço convive com a força silenciosa dos canoeiros que ainda constroem e reparam embarcações.
Sendo assim, abandono e resistência dão caldo na profusão sonora proveniente das misturas rítmicas e na cadência dos seus backing vocals. Entre a intensidade da nostalgia, o plano dos sonhos partidos e como tudo se mantém intacto, seja sob a luz da memória como no enferrujar das suas ruínas.
Reflexão esta que pode ser transposta tanto para lugares que tem significado ao longo da sua vida, o implacável tempo e o capitalismo que reconstroem aqueles cenários dando outra função social. Nos lembrando como tudo que somos hoje é resultado das nossas experiências, entre mudanças, evoluções e anseios pelo futuro que estamos constantemente construindo.
SANJ, mrl, chigo “MÁQUINA DE SOL”
Leonardo Sandi, integrante da Catavento, de Caxias do Sul (RS), estreia em carreira solo com o single “Máquina de Sol” sob a alcunha de SANJ. Ao longo da sua nova odisseia musical, o músico explora gêneros como o garage e o drum and bass, entre colagens, frequências e experimentos. A faixa, resultado de uma parceria com MRL (Murilo Vitorazzi), que contribuiu com beat, pianos e produção, e Chigo (Francisco Maffei), que assina mixagem e masterização.
“Comecei a fazer essa música há uns cinco anos, caminhando na beira da praia. A canção foi inspirada por uma pessoa especial que me acompanhava naquele momento caminhando na praia, em meio a neblina.
“Máquina de sol” fala muito sobre tentar criar um mundo melhor também para um amor, uma paixão. Sempre imaginei essa imagem de um cientista solitário em um porão, tentando criar uma máquina de sol. E um dia, quando ele finalmente consegue, tudo explode em luz”, revela Leonardo sobre a alquimia da música.
Essa imprevisibilidade da vida e a falta de controle que temos sobre as coisas ganham beats frenéticos, paisagens sonoras, entre a ansiedade de encontrar o caminho perfeito e os obstáculos que aparecem pelo caminho que trazem junto curvas para lá de tortas.
É interessante ver esse movimento que tem acontecido de artistas do indie caminhando em direção à música eletrônica justamente por como a bagagem da estrada afeta e ajuda a moldar o que está por vir. O que é perceptível tanto pela sensibilidade pop, como pela curiosidade inerente ao olhar e cuidado que trazem consigo para as suas produções.
gabre “temor e tremor” / “claw”
Em maio, Gabre apresentou Arquipélago de Ilhas Surdas e agora, por assim dizer, nos entrega alguns hits perdidos pelo caminho.
“Termor e Tremor é uma das primeiras faixas que fiz para o Arquipélago De Ilhas Surdas, mas que não consegui resolver a tempo para o disco. Já “Claw” é “uma faixa perdida que ficou no laptop roubado”. A terceira faixa é um remix de DJ Guaraná Jesus para “Lisboa Completamente Debaixo D’água”, revela o músico.
Bastante atmosférica com aparentes referências da música do oriente, “temor e tremor” recria imagens e traz sensações confusas, entre frequências tortas e uma série de pensamentos difusos. A mixagem de “claw” dialoga com a anterior justamente por essa natureza viajante e reflexiva. Já o remix dá uma nova vida para “Lisboa Completamente Debaixo D’água” bastante frenética com referências de drum and bass e uma densidade psicodélica delirante com uma estética que dialoga demais com o som da Mundo Video.
’akhi huna “PEDRAS VIVAS vol. 2”
Um mês e meio após a primeira parte, PEDRAS VIVAS ganha seu volume 2. Nele o duo brasiliense de origem libanesa, ‘akhi huna, traz consigo participações de Youssef Abad, Thanise Silva, Larissa Umaytá e Pratanes.
A colaboração do cantor palestino Youssef Abad aparece em “sangue e continuação”, canção que abre o disco. Já a flautista, maestrina, arranjadora e produtora musical Thanise Silva marca presença em “3.2g”, enquanto Larissa Umaytá, conterrânea da dupla, assina a percussão de “crema de gato”. Fechando as participações, os vocais de Pratanes se fazem presentes em “vamo embora meu bem”, faixa que fecha o álbum.
A música produzida nos anos 70 acaba servindo como inspiração na jornada de pouco mais de 20 minutos. Discos como Um Canto Pra Subir de Margareth Menezes e a discografia de Prince servem como referências atemporais para a obra. A viagem sonora explora diferentes sonoridades e ecos urbanos que vão das frequências psicodélicas, passando pelo sensorial, pela ancestralidade, texturas e o groove do soul. Manifesto sonoro que olha para o passado, o presente e mira no futuro possível.
“O volume 2 se passa no momento seguinte ao da liturgia do batismo e as faixas que o integram simbolizam a continuidade e o movimento diaspórico e migrante das águas. O sincretismo cultural e religioso faz parte da história da nossa família, assim como para a maioria das famílias brasileiras. Conceitualmente, os discos se passam num dia de cerimônia do batismo nas águas, então acaba tudo vindo de uma bacia cultural semelhante”, revelam Dila e Mansur JP.