Don L está entre os destaques da editoria Batida Urbana. - Foto: Design da capa por Filipi Filippo
Dia de estreia no Hits Perdidos! Continuando a saga de apresentar as 10 novas editorias, a Batida Urbana trará conteúdos em micro-resenhas do melhor que tem acontecido na música urbana e periférica. Singles, discos e novidades com o radar antenado do Hits Perdidos ganham o palco em um post informativo que acompanha sempre uma playlist!
Batida Urbana é o espaço para as sonoridades que nascem da rua e reverberam no mundo.
Aqui cabe o rap, o funk, o trap, o R&B, o soul, o grime e todas as vertentes que traduzem as vivências urbanas em música. Uma editoria para ouvir a cidade por meio de seus próprios protagonistas — com foco na linguagem, na estética e na potência criativa da música periférica feita no Brasil.
Quando Don L lança um álbum a certeza que temos é que vai nortear os próximos lançamentos da cena de uma forma ou outra e com CARO Vapor II – qual a forma de pagamento? não foi diferente, seja pela ousadia, pela provocação e por sair da zona cômoda que outros artistas se colocam.
Ele mesmo considera este como o mais ambicioso da sua carreira e mistura em seu rap gêneros como samba, baião, bossa nova, funk e tantos outros com a sua linguagem de quem vem do Ceará. Tudo isso é fruto de uma pesquisa que vai dos anos 1950 até meados da década de 2000. As ideias de Don L, que já vinha com batidas, foram finalizadas em colaboração com nomes como o produtor Iuri Rio Branco. Nave, de RPA2, contribuiu em três das quinze faixas.
Com olhar para o futuro, segundo o material de divulgação, o álbum é um exercício de imaginação e de redefinição do que a música popular brasileira pode ser hoje. Do samba jazz carioca transportado para as ruas do Conjunto São Pedro de Fortaleza ao baião encontrando as produções dos Neptunes, o artista entende as propostas antigas de música como sonhos de futuros possíveis, pilares da construção de um país cuja obra ficou inconclusa.
O registro conta com inúmeras participações especiais de nomes de peso da música brasileira como Alice Caymmi, Alt Niss, Anelis Assumpção, Bela Maria, Bruno Paschoal (Terno Rei), Catatau, Giovani Cidreira, Luiza De Alexandre, Luiza Lian, Terra Preta, Theo Crocker, Feijuca e Thiago França, além de vários músicos de estúdio.
Em single duplo, que ganhou até mesmo um videoclipe, “Tão Quente” e “No Meu Club”, da Duquesa, de Feira de Santana (BA), apareceram em nosso radar. A sonoridade com a estética dos anos 2000 acompanha a produção de Go Dassisti. Com beat pulsante, efeitos na voz, intensidade, e atmosfera de club, as faixas recriam ambiências leves e de fácil assimilação.
“Não são músicas que vêm de um conceito fechado, mas de sensações. A intenção era deixar que o som falasse com o corpo antes mesmo da cabeça. Tem uma coisa meio anos 2000 nessas faixas — nas batidas, nos synths, na forma de cantar e até no clipe. São referências que me marcaram e que agora consigo revisitar com meu olhar, com minha estética, e ver isso ganhando forma, seja no som ou no vídeo, foi muito especial.”, reflete a artista
Kayblack apresenta sua nova fase com o álbum A Cara do Enquadro com direito à colaborações de nomes como KLJay, Mc Hariel, LPT Zlatan e Kyan. No material ele mergulha em suas origens para estabelecer diálogos com o Brasil atual, ao todo, são 10 faixas que misturam fé, revolta, entre outras dores. Como o próprio material enviado à imprensa ressalta: Não é só um disco — é uma travessia.
“Esse álbum é sobre viver no limite, mas com cabeça erguida. Sobre ter que ser mais esperto, mais rápido, mais forte o tempo todo — não porque a gente quer, mas porque o sistema obriga. Cada faixa é uma vivência minha, mas também de vários que tão aí fora no corre, tentando não virar estatística.
‘A Cara do Enquadro’ não é só minha cara, é a cara de um povo inteiro que cansou de ser lido só pela lente do medo, da violência, do estereótipo. É sobre mostrar que, mesmo enquadrado, por policiais, por celas, por dinheiro, a gente segue criando, sonhando e resistindo.”, comenta Kayblack
Misturando pop, indie, música urbana e MPB, com direito a produção de Matheus Stiirmer, Pedro Emílio lançou em maio o álbum Enquanto os Distraídos Amam. Entre as inspirações para o registro, o músico revela que histórias alheias e momentos corriqueiros, se transformaram em canções cujas letras refletem dores e desejos universais. No campo artístico, ele cita referências como Tom Misch, Men I Trust, Tuyo, Djavan e Gilberto Gil.
“Gosto de pensar que de qualquer conversa, existe a possibilidade de nascer uma música, um texto ou até mesmo uma frase intrigante. Eu dei atenção a distração das pessoas ao meu redor.”, diz Pedro
Kmila CDD apresentou o EP, Quebra-Cabeça, com três faixas e suas versões instrumentais. O registro ainda conta com participações de grandes nomes da cena de rap feminino como Tasha & Tracie, Cynthia Luz, Iza Sabino, além de uma colaboração com DK-47. A produção musical inclui nomes como Daniel Shadow e a própria Iza Sabino.
“Fui montando peça por peça, como se estivesse resolvendo um quebra- cabeça. Desde o beat, passando pelas participações, até os temas que queria abordar. Nada foi colocado por acaso.”, informa a artista em comunicado à imprensa
O segundo álbum do mineiro radicado em Niterói (RJ), JOCA, é o resultado de evolução sonora que vinha já desde o debut, com parcerias acertadas e uma experimentação fora da caixa. Ele transita facilmente por estilos, o que além de agregar ao repertório, também ajuda a diminuir a distância entre tantos ritmos efervescentes da música brasileira.
Colaborações com nomes que têm se destacado nos últimos anos como Ebony, Antonio Neves e Tuyo aparecem ao longo do material. A criatividade, as provocações e as soluções sonoras fazem desse um dos lançamentos mais frescos e inovadores do ano no território do rap nacional.
“Esse projeto encena múltiplas travessias no meu trabalho, tanto no processo de amadurecimento artístico quanto no pessoal. Sua narrativa atravessa a euforia coletiva de encontro à introspecção para que se pense o coletivo de uma outra forma.”, disse o rapper
De volta às origens, é como podemos definir o momento do lançamento de ASSALTOS E BATIDAS, do mineiro FBC. Após se aventurar em discos com propostas como o Miami Bass e o Soul, ele retorna ao rap que o consolidou como um dos grandes nomes ao nível nacional. O lançamento chegou justamente no dia do seu aniversário com produção de Pepito e Coyote Beatz, além de um curta-metragem com direção-geral e fotografia de 1RG e trilha composta a partir das próprias faixas do disco.
Além do rap, entram como influências do projeto, ritmos e texturas de estilos como jazz, metal, funk, MPB e do Boom Bap dos anos 90. “Esse trampo é um retrato sujo e bonito do Brasil que quase ninguém quer ver. E por isso mesmo, precisa ser ouvido e visto. Se você se identificar, se quiser colar com a gente nessa, já tá somando demais.”, revela FBC.
Marissol Mwaba apresentou no fim de julho o EP Tu Inteira Nunca é Só, que nasceu em meio à frustração do processo de produção de um novo álbum – atravessado por inúmeras dificuldades e barreiras comuns a quem é artista independente. “Tu Inteira Nunca é Só”, co-autoria entre ela e Natália Sousa, do podcast Para Dar Nome às Coisas, começou com uma carta enviada ao podcast e posteriormente se tornou uma faixa.
Na contramão da dinâmica insana do mercado fonográfico, os arranjos, vozes e instrumentos, tudo feito no tempo do possível. Sem pressa. Sem cobrança. O registro serve como uma espécie de diário audiovisual sobre o que está vivendo durante a produção do vindouro álbum.
Se tornando uma espécie de manifesto em apoio a outros artistas: “É um manifesto sobre o poder de criar com o que se tem, mesmo sem os “recursos ideais”. Um lembrete de que o fazer artístico não precisa ser uma superprodução para ser significativo. Que existe potência na tentativa, na vulnerabilidade, naquilo que é feito à mão, com cuidado, com presença. E que ninguém é pouco.”
Representando o funk carioca em nossa lista, o carioca Kevin O Chris lançou o EP VoltMix mergulhando na estética dos anos 90 de nomes que se inspiraram nas batidas do Volt Mix e em gêneros como Miami Bass e no então chamado funk melody. Kevin, que também já fez um álbum dedicado ao estilo tamborzão dos anos 2000, é um pesquisador do segmento e entusiasta em fortalecer a conexão do funk com suas raízes. O material conta com uma série de clipes, entre eles o de “Cinderela“.
Tô feliz demais com esse projeto e tenho certeza que o público vai curtir. Gosto de estudar o funk, olhar para o passado e misturar todas as suas épocas.”, revelou o artista em comunicado enviado à imprensa
This post was published on 8 de agosto de 2025 8:48 am
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