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Luedji Luna mergulha nas profundezas em “Um Mar Pra Cada Um”

Após colher os frutos do aclamado Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água (2020) — que ganhou versão deluxe em 2022 e ao vivo em 2025 —, Luedji Luna retorna aos holofotes com seu quarto álbum de estúdio: Um Mar Pra Cada Um. O projeto chega às plataformas digitais nesta segunda-feira, 26 de maio, e aprofunda a proposta artística da cantora baiana com influências de jazz contemporâneo, neo-soul, além de uma forte carga espiritual e emocional.

Novo álbum de Luedji Luna em 2025 é marcado por uma investigação íntima, filosófica e plural sobre temas como carência emocional, amor idealizado, espiritualidade e ancestralidade. O disco conta com 11 faixas inéditas e participações especiais de nomes como Nubya Garcia, Liniker, Takuya Kuroda, Isaiah Shaker, TALI e da poeta Beatriz Nascimento, em uma participação póstuma por meio de inteligência artificial.

“Eu fiz esse disco pra investigar, para além do meu desejo, a minha carência, que gera essa busca incessante. Ele surge para que eu possa curar minha versão do passado que inventava amores, pois era a única maneira de habitar o amor, e para que eu compreenda que eu sou digna de ser amada porque, assim como qualquer ser humano, sou um ser divino.

Nele, eu encontro o amor divino, supremo, como em “A Love Supreme” presente na obra do John Coltrane. É por essa razão também que temos uma presença massiva de sopros neste trabalho.”, confidencia Luedji

O material reúne ao todo 11 faixas e as participações especiais aparecem em “Dentro Ali”, “Harém” e “Salty” e “Baby, Te amo”. A última é inclusive uma publicação póstuma de Beatriz, que recita o próprio poema a partir da utilização de uma IA.

Em faixas como “Gênesis”, que abre o disco, a baiana tem a companhia dos conterrâneos Bira Marques no piano, Bruno Mangabeira no sax, Nei Sacramento na bateria e Ângelo Santiago no contrabaixo. O álbum conta com ficha técnica extensa com direito a arranjos de violinos, violas, violoncelos, sintetizadores, caxixi entre outros.

A espiritualidade e a música como cura também são elementos que ressoam como fundição.

“O sopro que anima a vida, que está presente no início de todas as coisas, na cosmogonia cristã e em tantas outras. A etimologia da palavra ‘espiritualidade’ vem do latim ‘spiritus’, que quer dizer sopro. Ele é o veículo e o amor é a fonte originária; o fundamento de toda criação, de tudo que existe. Por isso, a primeira faixa se intitula ‘Gênesis’ e começa com um sax”, relembra Luedji Luna


Luedji Luna mergulha nas profundezas em Um Mar Pra Cada Um. – Foto Por: Henrique Falci

Luedji Luna Um Mar Pra Cada Um

“Um Mar Pra Cada Um”: espiritualidade, sopros e afeto

A faixa de abertura, “Gênesis”, dá o tom do álbum: instrumental, densa e espiritual. Participam da gravação Ubiratan Marques (BaianaSystem,Orquestra Afrosinfônica), Ângelo Santiago e Nei Sacramento, reforçando a ligação com a musicalidade afro-baiana e jazzística. A escolha do saxofone como instrumento de abertura conecta-se ao conceito de “sopro” como essência da vida — uma metáfora presente em diversas cosmogonias e na própria etimologia da palavra “espiritualidade”.

Na sequência, faixas como “Karma” e “Kyoto” exploram a projeção de desejos, superações e o sentimento de saudade em meio a batidas suaves de jazz e soul. “Kyoto”, em especial, une beats refinados a uma atmosfera de introspecção a milhares de quilômetros de casa.

“Rota” é um dos pontos altos do disco. Com uma orquestra completa (violinos, violas, violoncelos) e piano de Lucas Romero, a faixa remete à obra de Guilherme Arantes com uma abordagem lírica sobre os caminhos que recalculamos ao longo da vida.

Participações especiais e o poder dos sopros

“Dentro Ali”, com a saxofonista britânica Nubya Garcia, traz arranjos delicados e letras sobre sonhos, futuro e memórias. A canção funciona como uma jornada introspectiva guiada por grooves e sopros — elementos centrais em Um Mar Pra Cada Um.

“4hz” marca a transição para a segunda parte do álbum, com reflexões sobre o amor sob a perspectiva de uma mulher negra. Logo em seguida, “Harém” ganha contornos sensuais e intimistas, com participação marcante de Liniker na segunda metade da música.

Afrobeat, bossa nova e funk sensual

A faixa “Gamboa” é uma ode tropical à paixão, misturando afrobeat e bossa nova com arranjos envolventes. Já “Salty” aposta em um funk refinado, com metáforas oceânicas que evocam as paisagens da Bahia. A canção inclui colaborações de alto nível com o saxofonista japonês Takuya Kuroda e TALI.

“Jóia” é uma das mais confessionais do disco. Com citações a “Pérola Negra” (Luiz Melodia) e produção emotiva, é um desabafo sobre afeto e vulnerabilidade. O encerramento se dá com “Baby, Te Amo”, faixa poética que une música e tecnologia com a voz digitalizada da poeta Beatriz Nascimento, criando um epílogo lírico para o álbum.

Por que ouvir Um Mar Pra Cada Um?

  • Combinação sofisticada de neo-soul brasileiro, jazz e afrobeat

  • Letras com profundidade filosófica e poética

  • Participações especiais nacionais e internacionais

  • Produção impecável com arranjos instrumentais ricos

  • Um dos lançamentos musicais mais importantes de 2025

Luedji Luna prova, mais uma vez, que sua arte vai além do som: ela é corpo, pensamento, fé e memória. Um Mar Pra Cada Um não é apenas um álbum — é uma jornada sonora de cura e expansão. Um convite para mergulhar nas águas profundas do amor, da ancestralidade e da própria existência.


Luedji Luna lança seu quarto álbum, “Um Mar Pra Cada Um”. – Foto Por: Henrique Falsi – Direção Criativa: Lucas Teixeira (@lucasteixeirabarros) e Pedro Moura (@pedromoura)

This post was published on 26 de maio de 2025 7:00 am

Rafael Chioccarello

Editor-Chefe e Fundador do Hits Perdidos.

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