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Com saudades do que foi vivido, mas sem nenhuma intenção de mudar o passado, Terno Rei apresenta “Gêmeos”

Terno Rei olha pelo retrovisor em seu novo disco de estúdio

Precisou de três coisas para o Terno Rei criar o seu novo álbum Gêmeos: a nostalgia da juventude dos integrantes, a amizade entre eles e uma boa dose de pop. Com 12 anos de estrada, Ale, Loobas, Bruno e Greg entregaram seu quarto álbum dia 9 de março, o mais bem produzido e arranjado até agora. Com mais de um ano e meio desde as composições até seu lançamento, a banda conta que participou de todos os processos do disco. “Até a letra do rodapé do projeto gráfico do CD foi pensada em conjunto’‘, conta Ale.

Depois do dia 1 de fevereiro de 2019, os quatro integrantes do Terno Rei não esperavam o que iria acontecer nos anos seguintes até chegarmos aqui. Com o lançamento de “Violeta” (2019), os meninos viram seus shows esgotando em poucos dias, cambistas na porta vendendo o ingresso por preços exorbitantes, filas gigantes de fãs esperando por um autógrafo, os números de streams crescendo rapidamente e seus nomes no line-up do Lollapalooza.

Antes de sair o terceiro disco, Loobas conta que muita coisa passava pela cabeça deles.“Depois de véio você começa a repensar, né? A gente tá com 30 anos nas costas, vamos continuar esse sonho de muleke? Quando começamos éramos pessoas cheias de vigor aos 20 anos, não que não sejamos mais, mas com 30 anos você já começa a repensar.”

A Motivação para o Terno Rei Continuar

Mas Ale explica o que fez eles terem motivação para continuar: “A gente gostava muito de estar no estúdio, de fazer música, daquela sensação do show e isso foi mantendo a gente. Algumas coisinhas boas iam acontecendo e aí veio o Violeta que falou “não, fica aí, fica paradinho aí que tem bastante coisa para acontecer ainda”.”

Após o sucesso do “Violeta”, as músicas do Terno Rei não saíram da cabeça das pessoas e o hype só foi crescendo de lá para cá. Então, em agosto de 2020, com o começo da flexibilização das medidas restritivas por conta da pandemia, os quatros se juntaram no Estúdio Roma para uma pré-gravação do disco, focados inteiramente nisso. “Sentimos uma pressão pelo tanto que o Violeta deu bom, mas a gente tentou ao máximo se blindar disso e fazer músicas legais, mas ao mesmo tempo sabendo da responsabilidade de ter que fazer um trabalho bem feito”, fala Ale.

De 2019 para cá algumas coisas permanecem, como os synths tão presentes em algumas músicas como em “Difícil” e “Sorte Ainda”. Mas Gêmeos trouxe muitos instrumentos e nuances que ainda não haviam sido exploradas em outros trabalhos, como o violão de “Brutal” e “Aviões”, o sax em “Isabella” e as cordas em “Internet”. O que é constante é uma mix limpa, onde se pode ouvir todos os detalhes, até mesmo a bateria mais lenta do Loobas. Isso só foi possível por conta da produção de Amadeus De Marchi, Gustavo Schimer e Janluska, que estavam presentes desde a pré-gravação e ajudaram a dar o tom desse projeto.

“É um disco que a gente experimenta muito e que tem a produção bem cheia. Ele é experimental, embora ele seja muito pop. Você vai ouvir a mão leve do Loobas na batera, a melancolia na letra e na voz, você vai ouvir guitarra limpa, e nesse álbum você vai ouvir as camadas de synths em várias músicas. A gente tenta trazer mais distorção na guitarra e refrões mais chiclete. “Dias da juventude” é uma música um pouco mais upbeat, com um lado um pouco mais solar. A gente carrega nosso DNA, mas traz experimentação tanto de vibe, quanto de instrumento.”, diz Ale sobre o conjunto da obra.

Outra característica da banda que mudou é a presença muito marcante do rosto de todos os integrantes. Greg explica que o primeiro clipe que teve um super engajamento foi também o primeiro que eles apareceram, “Solidão de Volta”, o primeiro single do “Violeta”, que acumula até hoje 1.9 milhões de visualizações no YouTube. Veio então a ideia de aparecer na capa mas, claro, do jeito deles. Ele mesmo conta como aconteceu esse processo de pensar na capa:

“Tem toda essa referência do shoegaze. Eu até não quis deixar muito em cima disso, porque não é um disco de shoegaze, mas foi uma coisa que conforme fomos indo em busca da capa foi acontecendo naturalmente. Queríamos aparecer na capa, mas se a gente aparecesse muito nítido ficava meio Backstreet Boys. Então fomos tentando deixar para um lado mais alternativo. Por mais que a gente esteja ali, é uma coisa mais gráfica, com ruído.”

Nas letras dois temas aparecem recorrentemente, a amizade e as chegadas e partidas e que refletem o momento que eles presenciaram de 2019 para hoje. “Tem a ver com o momento que eu vivi pouco depois do Violeta, conta Ale.

“Eu quase saí de São Paulo para morar fora. Tive umas duas ou três oportunidades, mas não fui e fiquei aqui. Acho que isso ficou na minha cabeça, ficou no meu interior e saiu nas letras. Essa parada de esperar, de aviões… Tem muita coisa de aviões, aparece a palavra avião umas 3 ou 4 vezes pelo álbum. E o sobre de esperar também talvez tenha a ver um pouco com a pandemia, aquela coisa de esperar as coisas acontecerem.”

E Ale completa: “O que eu espero é poder continuar fazendo música e cada vez com mais tempo para isso, com mais energia, como a gente tá colocando agora. Sou bem grato de ter dado certo as coisas, a ponto de conseguir viver o que estou vivendo agora, de poder lançar um disco de verdade, de conseguir fazer as coisas do início ao fim, com muita gente apoiando, uma equipe foda. Minha esperança é poder continuar fazendo isso”.

Cada um de vocês consegue dar o momento em que caiu a ficha que vocês já eram uma banda de projeção nacional?

Greg: Para mim eu acho que foi depois da tour do Violeta, um ano do Violeta, quando você passa pelas cidades e vê que a galera está lá para ver seu show. Acho que depois da tour que a gente fez essa ficha realmente caiu.

Loobas: Para mim foi pós show do Z, que foi nosso primeiro show sold out ali no lançamento do Violeta, tinham pessoas que fretaram um ônibus de 4 horas, vieram de Minas, cambista vendendo ingresso, era 30 reais e o cara vendendo a 150 reais, aí que eu comecei a pensar “caralho, tem realmente uma galera que tá com a gente, que pegou busão para andar 4 horas para vir para cá, que saiu de Minas, saiu de Bauru”. Sei lá, quando você vê uma galera indo até você, não só você indo até eles. Eu falei “porra legal”, foi o começo de uma uma coisa que poderia ser muito boa.

Bruno: A minha foi o show de Belém, o show de Belém foi bem marcante. A gente foi, viajou mó cota para chegar lá e a galera tava pirando num nível que eu falei “nossa, velho, daora“. Caiu uma ficha assim, nossa eu tô num outro lugar que eu nunca vi na vida, quem é toda essa galera para ver a gente, pirando. Eu fiquei emocionado na hora.

Loobas: Galera colando de Manaus de barco, dois dias de viagem, aí você fica que que é isso tá ligado?

Bruno: Foi bem brabo assim, e o show a vibe que tava eu fiquei emocionado de verdade de “caralho doido isso aqui que ta acontecendo”

Ale: Belém também foi muito forte, para mim também a mesma coisa.


This post was published on 22 de março de 2022 11:00 am

Mariana Marvao

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