Entrevista

Faixa a faixa exclusivo: detalhes da produção de “Você Não Sabe de Nada”, disco de estreia da banda O Grilo

Após o EP Herói do Futuro e alguns singles, o disco de estreia da banda O Grilo chamado Você Não Sabe de Nada contém de tudo e renova o rock nacional. Com uma vibe meio Paralamas, atravessamentos da axé music, do rock psicodélico e do indie pop, cada música é única à sua maneira 

Além do estilo versátil, o álbum contém um conceito visual muito interessante que foi lançado junto com um livro ilustrado, o qual apresenta tirinhas do Lauro, o personagem central de “Você Não Sabe de Nada”. Desenhado pelo cartunista Pietro Soldi, Lauro representa, em sua personalidade elementos de cada um dos quatro integrantes d’O Grilo.

O Livro Ilustrado d’O Grilo

O curioso é que, nas histórias reflexivas, as únicas palavras permitidas ao personagem foram os nomes das músicas e o livro traz, ainda, fotos dos bastidores e detalhes da produção do disco.

Os integrantes Felipe Martins (guitarra), Gabriel Cavallari (baixo), Lucas Teixeira (bateria) e Pedro Martins preparam um faixa a faixa do álbum Você Não Sabe de Nada. Leia abaixo: 

Você Não Sabe de Nada

1) TRELA

[CAVALLARI]: “Nada mais justo do que abrir o álbum com um rock. Apesar de estarmos atuando de certa forma na nossa ‘zona de conforto’, foi uma música que focamos muito na dinâmica.

Os versos abrem espaço para as melodias, tanto da voz como as da linha de guitarra, e se contrapõem com o riff pesado da introdução e do pós-refrão. O charme da música na realidade é a lírica que te leva para um universo lúdico de sereias, só para dizer quão ruim é levar um fora.”

2) GUITARRADA

[FEPA]: “Cara, “Guitarrada” foi a coisa mais gostosa de se fazer, eu tinha umas ideias de ritmos pra usar de base e umas melodias, sentei com o Pedro (vocalista) pra começar a pensar em umas letras e rapidinho nós já estávamos tocando em banda e curtindo muito.
É o tipo de música que não dá pra ouvir e não querer dançar. Eu estava numa época muito saudosista em que eu estava escutando na época, muita coisa do norte e nordeste e acabou que incorporamos isso na música.”



3) CONTRAMÃO

[PEDRO]: “Uma composição de 4 anos atrás. Talvez a música mais difícil de reproduzir em banda (muitas convenções, partes, detalhes, etc).

Quando eu compus “Contramão”, eu não fazia ideia do que eu estava fazendo harmonicamente, mas isso nunca impediu a galera de pedir que eu a tocasse no violão em um ou outro “rolê”, depois de umas cervejas.

Mas isso fez com que a banda levasse 3 anos para bater o martelo em uma versão que funcionasse para um fonograma. A gente acha que deve estudar teoria pra fazer música, mas às vezes é a música que bota a gente pra estudar teoria.”

4) TUDO E MAIS UM POUCO

[TEIXEIRA]: “Tudo e Mais um Pouco” é exatamente o que o título diz. Uma mistura de tudo e mais um pouco dentro de uma música com uma das melhores letras do pedro (pra mim) que resulta na faixa mais “experimental” do álbum.

Com uma batida de funk, uma melodia alá MPB e um riff de guitarrada pesado, a música consegue traduzir a raiva que a letra passa numa montanha russa de gêneros musicais. Acho que foi uma faixa que mais nos divertimos para fazer e nos desprendemos de qualquer conceito do que é certo ou errado.”

5) MEU PIOR AMIGO

[CAVALLARI]:  “Talvez a música mais ímpar do álbum. Com um groove quebrado (para os padrões grilísticos) e uma estrutura com diversos momentos, ‘Meu Pior Amigo’ vai do psicodélico ao rock pesado, foge do pop e dá espaço para banda.

Uma das coisas que eu mais gosto do som é o final instrumental, que me vêm a seguinte imagem: uma pessoa, do alto de uma montanha, olha as nuvens que passam pacificamente, mas com um sentimento melancólico, como se ele acabasse de descobrir que é o seu próprio pior amigo.”



6) INFINITO (-1)

[FEPA]: “Finalmente depois de um tempo com o Pedro (vocalista) tocando essa música voz e violão nós conseguimos montar em banda, foi bem desafiador respeitar toda a introspecção dela e seus nuances, mas no fim acabou que conseguimos construir o que imaginávamos.

Fiz o solo no estúdio em um momento bem tranquilo quando estava só eu e o produtor, demos toda atenção pra cada notinha, pra cada detalhe.”

7) VOCÊ NÃO SABE DE NADA

[PEDRO]: “Essa música nasceu como uma continuação de Infinito (-1). Na qual o shape da mão esquerda se mantém mas o lugar dela no violão varia.

A melodia me remeteu algo meio “Tame Impala” e a letra que eu escrevi de maneira despretensiosa, acabou virando o nome do álbum.

Às vezes a vida dá dessas, você escreve uma vinheta em casa só de sacanagem e do nada ela surge no ponto alto do seu disco de estreia com um super coral de vozes (de pessoas incríveis, inclusive). Quando o assunto é música, não dá pra saber o que a próxima composição reserva e isso é o que faz a parada valer a pena.”

8) MEU AMOR

[TEIXEIRA]: “Nada como mandar todos seus problemas pro espaço e viver uma noite como se nada tivesse acontecendo.

A música é sobre isso: várias queixas existenciais e dramáticas que acabam num refrão alá Ed Motta que é impossível ficar parado.

Essa música era um pouco renegada pelo resto da banda, mas eu bati o pé pra ela entrar. Acho que a parte que convenceu a todos para entrar no VNSDN foi no “a música mais bonita do grilo tem que ter…” quando fazemos uma piada de nós mesmos.



9) VOU LEVAR

[FEPA]: “A primeiríssima composição minha com a banda, demorou pra gente realmente botar fé nela, mas quando rolou, ficou incrível!

Misturamos tudo o que gostamos, desde uns riff com muito fuzz, reggae, refrão pop e um verso gostosinho. Coisa boa de se tocar e a primeira coisa que me vem à cabeça quando ouço ela é vontade de tocar em show.”

10) E DAÍ, EU SEI LÁ ¯\_(ツ)/¯

[TEIXEIRA]: “Eu tinha falado que “Tudo e Mais um Pouco” era a faixa mais experimental do álbum né?

Esquece, essa ganha de lavada. Uma música que foi feita quase no improviso em duas horas na Rockambole que sempre teve um espaço especial no coração e, por isso, não podíamos deixa – lá de fora – mesmo que só intérprete um papel de um entre faixa dentro do álbum.”

11) ADEUS

[CAVALLARI]: “Para dançar sem pretensões. Uma música leve e um groove de baixo que me orgulho muito, ‘Adeus’ é a representação da nossa paixão pelo final dos anos 70 e, claramente, Daft Punk. Se tratando sobre desapego, nada mais justo do que ter a liberdade de colocar um solo de guitarra que dura metade da música e, bicho, por que não um sax?”

12) ONDE FLOR

[PEDRO]: “Onde Flor foi a última música que eu escrevi para o álbum. Faltava um dia para começarmos a chamada “pré produção” do álbum, que envolve uma série de ensaios da banda para finalizar os arranjos ao lado do produtor.

Não é sempre que uma música simplesmente “me vem” mas nesse caso, o refrão simplesmente se desenrolou em questão de minutos. No dia seguinte, eu mostrei e ela passou a fazer parte do repertório. Uma semana depois, nós a gravamos. Foi tudo muito rápido e muito fácil, e é por isso que ela é uma das minhas prediletas do álbum.”

13) MALABARISTA DE GRANADAS

[TEIXEIRA]: “Ah! A faixa bônus! Como eu insisti pra essa música entrar hahaha. Ela é minha música preferida do Pedro – das composições mais “solista” dele – e fiquei muito feliz quando ela entrou no álbum.

A letra é de quebrar qualquer coração valente, além de um grande soco na cara pela mensagem que ela trás. A forma com que a gente gravou foi bem curiosa: colocamos o Pedro no meio do mato do sítio, arrumamos dois microfones para captar ele e o violão e demos “rec”. O resultado foram algumas lágrimas e muitos grilos cantando ao fundo.

O Grilo Você não sabe de nada

O álbum Você não sabe de nada e outros lançamentos da banda O Grilo está disponível nas plataformas digitais.

Você pode garantir o seu exemplar físico do livro do HQ na lojinha do selo Rockambole.


 

Fernanda Decaris

Jornalista e colaboradora do Hits Perdidos. Gosto de descobrir coisas novas enquanto ouço música boa.

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