Voltando às suas raízes musicais, Leandro Neko lança “Quem Eu Sou”, novo single de seu próximo álbum

Uma coisa que esse período pandêmico fez com a maioria de nós foi, com certeza, revirar coisas do passado. Quem não tirou o tempo pra fazer uma faxina em casa, achou alguma coisa antiga e acabou esquecendo de terminar o que estava fazendo antes, só por ficar recordando sobre algo, que atire a primeira pedra, não é mesmo?

Nesse ritmo de reencontrar a si próprio e suas raízes musicais, Leandro Neko lançou sua nova música, “Quem Eu Sou”. Repleta de influências do hardcore, principalmente o dos anos 90, o single é o primeiro do próximo álbum do cantor, que disse ter começado a tocar violão por causa de bandas da Califórnia, ouvindo muito Blink-182, Goldfinger, MxPx e Millencolin, afirmando ter finalmente se encontrado de uma forma que, até então, não tinha acontecido.

Só depois começou a procurar o que tinha no Brasil e se deparou com Dead Fish, CPM 22, Garage Fuzz, Charlie Brown Jr. e etc.

Isso tudo me levou a conhecer muitas pessoas, ir a lugares diferentes e, realmente, me sentir no lugar certo., explica Leandro Neko


Leandro Neko (doyoulike?)

Leandro Neko volta às raízes em novo trabalho – Foto: Divulgação


Com a pandemia, Neko voltou a ouvir as bandas que o fizeram querer ser músico e se perguntou: “POR QUE NÃO LANÇAR ISSO?”. Ele ainda diz que: “Foi muito “fácil” voltar pras raízes e compor todo o disco. Tem sido um tempo muito bom porque me reencontrei com meus ideais e as lutas.”

No ano passado, Neko, que também tem o projeto O Amor Existe, lançou o primeiro álbum, Visto de Dentro, que contou com várias participações especiais. Para este novo trabalho, ele adianta: “Nesse novo álbum eu trago duas participações (até agora), pois pode ser que eu chame mais alguém no caminho, haha. Essas duas participações são a banda WAR (We Are Revolution) e o Capilé (Sugar Kane Water Rats / Ator Morto). Em breve, os dois singles tão por aí.” 

Leandro Neko “Quem Eu Sou”

“Quem Eu Sou” abre os trabalhos desse ano, que será um álbum todo nessa mesma pegada. O primeiro disco começou sendo pensado para ser um EP e só se tornou um álbum no meio do processo, quando ele viu que tinha mais músicas e ainda tinha como compor. Já este segundo trabalho, foi pensado realmente para ser um disco e o músico diz que o processo agora foi muito mais rápido:

Eu estou num campo onde eu nasci. As músicas saem de forma mais rápida, em todos os âmbitos possíveis, letras e a produção como um todo. Quando eu fiz a primeira música, que se chama “Me Sinto Um Estranho” e vai ser o segundo single, eu já sabia que ia ter um disco todo nessa pegada. Então eu compus um disco pensando em ser um disco.”

O single também traz uma parceria com Gabriel Zander, figurinha carimbada da cena hardcore underground. Na hora em que decidiu compor esse disco e começar a produzir, Leandro Neko garante que a escolha por Gabriel (que tem uma participação na música “Minha Fossa”, do álbum anterior) para mixar e masterizar foi óbvia:

Ah, Bil é o maior, né? Eu sou fã dele desde os meus 16/17 anos. Montei minha primeira banda (doyoulike?) pra fazer cover das bandas que ele tinha (Discoteque e Deluxe Trio)… Sabia que ele ia entender o que eu queria e que ia chegar no resultado. A gente tá em uma sintonia tão massa que eu mando os arquivos pra ele mixar e ele já faz sem nem me consultar pois já sabe onde eu quero chegar com as músicas.

Ele é pedra fundamental desse novo álbum.”



A Composição

A música, que traz termos bem cotidianos do jovem desta geração, como excesso de trabalho e a vida acelerada, também nos faz refletir sobre a importância de conhecer a nós mesmos e saber quem está ao nosso lado. Questionado se essas reflexões foram trazidas com a quarentena e como este período tem influenciado em suas composições, ele responde:

A música faz referência a todas essas bandas que me influenciaram de alguma forma. Seja na harmonia Goldfinger, na primeira frase verso CPM 22, na segunda sendo o Charlie Brown Jr. e tal.

O segundo verso eu falo muito sobre o que o Dead Fish me fez enxergar quando ouvi “Sonho Médio” pela primeira vez. A busca pela vida perfeita da propaganda de margarina, a gentrificação que acaba com vidas e empilha sonhos financiados em 30 metros quadrados.

A quarentena apenas evidenciou tudo isso, sabe? Olhar pra cima e não ver o céu, me sentir dentro de uma caixa de sapato, o dinheiro diminuindo, as contas chegando e tudo isso sem ter o controle da minha própria vida., relembra Leandro Neko

A paixão pela música

Além de compor, Neko tem a escrita presente em sua vida cotidianamente, já que trabalha como criador de conteúdo e já escreveu um livro. Porém, para ele, escrever música tem uma energia diferente: “Eu amo escrever, mas fazer música é a paixão da minha vida. Já tive momentos onde me distanciei, fiquei apenas assistindo de longe, mas acabo voltando. Faz parte de mim e não consigo fugir. Lembro que antes mesmo de saber tocar, eu já escrevia “músicas”. Eram letras que eu achava que dariam músicas legais. Eu amo real fazer isso. “

Neko já não fazia shows mesmo antes da pandemia por uma escolha própria. Porém, o músico não é indiferente ao que seus colegas têm passado com toda a situação atual e a falta de shows: “ Essa parada dos shows me deixa bem ansioso com frequência. Digo ansioso no âmbito psicológico mesmo. Eu já tinha optado por não fazer apresentações e apenas produzir e lançar tem uns anos, mas tenho muitos amigos que viviam disso e agora estão impossibilitados de trabalhar, além de estar sem uma data pro retorno.” 

A Lives como conexão com o público

Perguntado se as redes sociais são as melhores ferramentas para manter o relacionamento com o público, ele responde: “ Acredito que hoje a melhor ferramenta ainda é a live patrocinada ou feita com apoio dos fãs. Tá muito difícil, os streamings pagam menos de 1 centavo de dólar por play e as bandas estão definhando. Espero que algum fundo de investimento olhe pra isso e apoie a classe artística pra gente não perder mais bandas por falta de verba nesse ano.

Falando sobre lives, que foram bem presentes em nossas vida neste último ano, ele diz que pretende realizar algumas contando sobre o seu processo de produção, fazendo umas versões acústicas de suas músicas e etc.

A ideia é que se tenha um lançamento por mês em Março, Abril e Maio deste novo trabalho e ele complementa: “Quero muito divulgar e mostrar o trabalho pra todo mundo. O ano vai ser massa. O hardcore voltou com tudo e eu sou grande entusiasta disso. :)”