NDK propõe uma viagem de conexão com o Universo, a vida e tudo mais em seu terceiro disco de estúdio “O Selenita”

Já chegamos em 2021, porém ainda reverberando algumas coisas de 2020, que com certeza, ficará marcado na vida de todos. Afinal, o finalzinho deste ano ainda trouxe muitos trabalhos que merecem ser conferidos. Daqueles que ajudam e dão um acalento no coração, sabe?

Em um momento em que o máximo de interação que se teve foi, em sua maioria, via telas de computador e chamadas de vídeo, relembrar nossa conexão com as pessoas e as coisas ao nosso redor não é uma tarefa fácil. Mas a NDK, conseguiu.

A banda de Jundiaí (SP) lançou em Novembro de 2020 O Selenita, o disco mais longo de sua carreira, com 16 faixas. Além de todas terem um nome relacionado ao espaço, o álbum também conta com diversas parcerias em cada uma delas, o que nos traz a sensação de conexão não só com a vida e o universo, mas também com quem está ao nosso redor, mesmo que não no mesmo lugar. Nos mostra que estar ligado a alguém é algo muito maior do que estar presente e que o pensamento e a energia também estão ligados a isso e aos sentimentos, ao passo que também nos faz querer realmente fazer uma viagem e descobrir outros mundos e outras vidas. 

A Nave NDK


NDK - O Selenita Fucciolo

NDKFoto Por: Fucciolo


O quinteto, que sempre teve como símbolo uma nave, parece que finalmente encontrou sua essência com o novo trabalho. E Rike, vocalista do NDK, explica essa relação: 

“Realmente, nós sempre fomos questionados se era uma nave. E a gente colocava que sim, que era uma nave que estava indo sempre em frente. E agora eu acho que casou, né? Casou 100% o significado, a simbologia, com o conceito, com o que a gente tá pensando.”

Quando questionado se este é o trabalho que mais os representa, ele complementa: 

“Eu acho que sim, esse é o trabalho que mais representa a banda, o trabalho que a gente conseguiu mais se desprender de opiniões alheias para fazer o que a gente realmente estava sentindo e tocando nosso coração. Então a gente mantém nossa essência, mas a gente se reinventa e com certeza, agora a nave significa 100% a nave mesmo!”

O cristal e o nome do disco

Selenita é conhecido como um cristal com a capacidade de purificar as energias. Quanto a escolha do nome do disco e sua relação com a pedra, Rike dispara: 

“O nome do disco tem uma história super legal! Eu fiz uma viagem para a Argentina no final de 2019 e estava em uma loja de minerais, de um colombiano. E ele me perguntou se eu sabia o nome de quem vem da lua. Eu achei que ele estava brincando, respondi que não sabia. E ele me explicou que o nome de quem vem da lua é “Selenita”.

Me falou que em grego, “Selene” significa “lua”. E começou a me contar, inclusive, que o mineral tem esse nome porque ele tem o aspecto do piso lunar. E eu achei aquilo demais! Eu não sabia disso, né? E a gente já estava produzindo, já estava fazendo os beats com o Nill, para somar com o instrumental da banda, do NDK

A gente já estava caminhando para esse lugar, imaginando um conceito meio espacial, os beats faziam uma onda antiga, ao mesmo tempo moderna, um negócio meio new wave. E aí eu falei: Meu, tem tudo a ver!

O disco na verdade é uma crítica ao que a gente está vivendo aqui. E manifesta nossa vontade de ir para outro lugar, encontrar outras coisas. E aí, a lua é um lugar muito legal!

Então, O Selenita vem por causa disso, mas tem tudo a ver com o ano e com a purificação. Da gente realmente ter esse momento de paz, de conseguir enxergar coisas dentro da gente e parar de ficar procurando nos outros coisas que, na verdade, têm que vir de nós.

Parcerias e conexão com os fãs

Temas relacionados ao Universo sempre nos lembram que não estamos sozinhos. Neste caso, faz muito sentido que este trabalho da banda tenha diversas parcerias e participações especiais, incluindo os uruguaios do Cuatro Pesos de Propina. A faixa “Vesta“, que tem a participação do quarteto, ganhou um clipe todo em animação em um roteiro que conversa bem o refrão da música, no fim do ano passado. Sobre esta parceria, Rike comenta: 

“Então, esse é o nosso primeiro feat estrangeiro, né? Foi agora em Vesta, com o Cuatro pesos de propina. O quesito do clipe, a gente encontrou um profissional incrível, chamado Lucas Lisbão, que tá comprando essa ideia de uma forma incrível, tá desenhando todas as imagens dos clipes de Vesta, Saturno e de Lua, que a gente já lançou também.”


Clipe da Música “Vesta”, fruto da parceria da NDK com os Uruguaios da Cuatro Pesos de Propina.


São imagens únicas, desenhadas para o projeto. A gente tá trabalhando muito com 2D, querendo criar uma história, para poder mostrar como foi essa nossa viagem pelo espaço para os nossos fãs, sabe? E mantendo o aspecto lúdico, que sempre foi, desde o começo, um dos nossos pilares. “

É claro que, toda a liberdade na criação, fez a diferença:

A gente quer fazer uma parada assim, uma banda de rock alternativo/indie, mas vamos fazer um negócio lúdico, que todas as pessoas possam se identificar, sem às vezes ter um pré-julgamento e tal. Então, foi uma forma que a gente encontrou de fazer isso. E essa produção da faixa foi incrível!”pontua o vocalista do NDK.

A troca de experiências durante a produção

A parceria do NDK com a Cuatro Pesos de Propina veio por meio de um amigo argentino, que Rike conheceu em um evento e ajudou a fazer toda a ponte para que a música fosse feita:

“Ele tem me ajudado muito nessa conexão com países latinos. Ele me apresentou o Cuatro Pesos e me ajudou muito nas traduções, conforme eu precisava. Quando eu estava me arriscando em “hablar un poquito” (risos). Ele ia me ajudando e acabou dando super certo. A Cuatro Pesos entendeu quando a gente fala “eu nunca fiz questão de estar aqui, eu nunca fiz questão de estar.”  Não é uma forma de ser mal agradecido, mas é uma forma de manifestar nossa insatisfação com o tanto de coisa que tá ao contrário nesse mundo e a gente cai aqui e tem que viver. Então, eles entenderam isso, eles também compartilham isso, então foi incrível! 

A gente tá muito feliz e Vesta é uma das principais faixas do álbum.”

Júpiter, a segunda música do disco traz a seguinte frase “Com certeza uma vida muda outra vida.” E Além da parceria com os uruguaios, estão presentes também nomes conhecidos da música e underground brasileiro, como Machete Bomb, Dieguito Reis (Vivendo do Ócio), Bruno Alpino (Dona Cislene), Egypicio (Tihuanna) e muitos outros. Sobre o impacto das trocas e das experiências adquiridas, o vocalista do NDK conta: 

“Eu acho que essa frase que você escolheu, tem muito a ver. Porque essas pessoas, de uma forma ou outra, todas mudaram a minha vida, a vida de todo mundo na NDK. São pessoas que a gente ouviu muito, acompanhou muito ou que a gente é muito amigo ou que a gente se cruzou em um momento muito incrível. Então a gente quis convidar essas pessoas para participarem com a gente. 

E o fato de tudo ter dado certo e a gente ter conseguido somar e trocar experiências com essas pessoas, com certeza fica marcado na faixa, fica registrado. O público consegue sentir.

Eu estou muito feliz com o resultado das participações, dos feats. Então, com certeza isso impactou, mudou, ajudou muito a gente. E fez com que a nossa amizade com essas pessoas, Dieguito Reis…Tem vários… Eu estou aqui falando alguns. Raissa Bitar, Dona Cislene… Muita gente boa, que a gente é muito fã.

Então, com certeza, uma vida muda outra vida. Você precisa querer, mas com certeza, uma vida influencia na outra.”

Outra grande parte de toda essa viagem é a base de fãs da banda, os quais possuem uma relação bastante estreita e próxima. E pensar sobre o sentimento dessas pessoas e relacionar ao que os próprios integrantes estão sentindo, é um caminho para criar as canções:

A única coisa que a gente não se desprende são nossos fãs. Então, a gente sabe quem tá do nosso lado. A gente não tem uma base de fãs gigantesca, como uma banda mainstream, mas a gente tem uma base de fãs muito querida e fiel, espalhada pelo Brasil inteiro, de muitos amigos.

Então a gente pensa nessas pessoas, tenta entender o que eles estão sentindo, ver até que ponto isso faz sentido com o que a gente tá sentindo, para daí a gente fazer nossas canções.”

Perguntado sobre como  esse laço interfere no trabalho da banda e se bate algum medo de tentarem alguma coisa nova e não agradarem, o vocalista continua:

“A gente faz tudo o que a gente faz para os nossos fãs e pra gente. Acho que esse é o segredo. Então, mesmo com a pandemia, a gente tá perto.

E esse medo sempre vai existir, eu acho. Da gente, às vezes, fazer alguma coisa que não dá tão certo. Mas como eu falei, a gente se desprendeu disso e foi com o coração. Por isso que eu acho que tá batendo legal. Porque os fãs estão sentindo essa verdade e estão se identificando.” 

Com os fãs sendo uma parte importante de todo esse processo, os shows costumam ser um grande termômetro, coisa que com a Pandemia se tornou impossível. Mas as redes sociais foram uma grande carta na manga para aguentar o momento:

“Sobre a pandemia, realmente, a gente usava muito o palco para fazer esse termômetro, para sentir esse calor da galera se aproximar. Então agora a gente tá usando as redes sociais. 

Inclusive, a gente fez um processo de lançamento do Selenita diferente, interagindo muito com os fãs, inclusive com brincadeiras, com o desaparecimento da banda na internet, coisas desse tipo. Para antecipar alguma coisa, criar uma expectativa nos nossos fãs e deu muito certo! A gente conseguiu criar isso, os fãs se aproximaram, participaram de um projeto de financiamento coletivo que a gente abriu… Então, muita coisa legal aconteceu.

A gente têm feito algumas lives, eventos de forma online, respeitando a quarentena. A gente não tem interesse de tocar antes da vacina e de fazer coisas grandes, de produções, shows. Eu acho que não faz sentido, né? A gente tá aguardando o momento e têm usado as redes para esse termômetro, sim.”

A vida, o universo e tudo mais

Se ouvido na ordem certinha, o traz a sensação de conexão com a vida e o universo, não só por abordar muito o tema, mas também por todas as participações. Perguntado se esse era o objetivo final, o vocalista diz: 

“É o que a gente queria! O objetivo final, quando a pessoa ouvisse o disco, era justamente que ela entendesse essa nossa insatisfação em estar aqui neste lugar. Não uma ingratidão, porque a gente ama muito a vida, a gente é muito grato. Mas uma insatisfação, por tudo que está sendo feito.

E uma forma da gente combater isso é buscar alternativas, é se encontrar. É buscar respostas em outros lugares. É a gente se mexer, estar em movimento.”

Então, fico muito feliz quando você fala da sensação de conexão com a vida e o universo. Acho que, sem dúvida, esse é o segredo: quando a gente como pessoa, se sente conectado às outras pessoas, à vida, ao universo, enfim. Eu acho que a gente vai resolver muito as coisas.”

E é claro que depois de tanto esforço, a banda possui diversos planos para este ano, entre eles poder tocar o novo trabalho ao vivo. No entanto, só quando for seguro. “Bom, nossos planos para 2021, assim que tudo isso passar, é iniciar a tour do Selenita. A gente tá ensaiando um show incrível.

Nós acabamos de ser aprovados em um PROA, que é aqui do estado de São Paulo, para organização desse show. Um show incrível, onde a gente vai mesclar a música e o teatro. E vai levar o espectador para essa viagem pelo espaço junto com a gente. Estamos construindo tudo com muito carinho, fazendo um tipo diferente de show, de apresentação.

Então, queremos muito mostrar isso de forma segura, depois que todo mundo estiver seguro.

Queremos acabar a divulgação dos videoclipes até o final do ano, conseguir lançar todos os vídeos, um para cada música. Desenhar essa animação para o Selenita, como um todo.”

E já que o disco fala tanto desta conexão com o Universo e a vida, a sensação de que o nosso pensamento é um imã, também fica. Sobre um desejo para 2021, o vocalista conta:

“Acho que um desejo que eu teria para o Universo, não pode ser outro, hoje, do que a cura para tudo isso que estamos vivendo e a cura na mente das pessoas. Tem muita gente com os valores invertidos, muita gente doente. Mas a gente vai se ajudar e sair dessa!”