Em 2017 falamos por aqui sobre a Missing Takes pela primeira vez. Desde lá muita coisa aconteceu, com pouquíssimos meses de estrada eles já tinham até feito uma mini turnê pelos EUA e lançado seu primeiro EP. Como na época nos contaram em entrevista exclusiva logo depois trouxemos os porto alegrenses para um show dentro do projeto Contramão Gig.

Atualmente o quarteto conta em sua formação com Mateus Zuanazzi (vocal e guitarra), Tito Lima (guitarra solo), Pedro Mello (baixo) e Rodrigo Messias (bateria) e vem nos últimos tempo transformando seu som. Uma prova disso foram as referências que foram trazendo para a banda que já refletiram no EP Uneven Tides, lançado em março do ano passado.

“A Missing Takes nasceu como um “projeto solo em dupla”. Depois do término da minha antiga banda, comecei [Mateus Zuanazzi] a compor em inglês e gravar tudo na casa do Pedro Mello (que já tocava no antigo projeto). Após um tempo, a Missing Takes reuniu quatro integrantes, que se juntaram para a gravação do primeiro EP. Antônio Zambon, primeiro baterista da banda, saiu após as gravações e Rodrigo Messias, que já gravava a banda em seu estúdio, assumiu o posto.

Depois dos primeiros shows e da divulgação do primeiro trabalho, a banda começou a gravar o segundo EP, “Uneven Tides”, que deve sair em julho. Em meio às gravações, nosso guitarrista solo, Caio Mello, saiu e, ao mesmo tempo, surgiu a oportunidade de fazer a turnê na Califórnia, então optamos por permanecer em trio até a volta dos EUA (inclusive, estamos à procura de um novo guitarrista solo).

É importante dizer que os dois EPs foram gravados na Casinha, em Porto Alegre (RS), estúdio de Rodrigo Messias e Bernard Simon Barbosa, um lugar por onde várias outras bandas também circulam. Isso também permite a convivência e troca de experiências entre as bandas, até participação nas gravações.

As mudanças na formação, horas de ensaio e gravação em estúdio, convivência e troca de experiências com outras bandas, participação de outras pessoas no processo de gravação e produção, turnê internacional e convivência com o mercado e as bandas dos EUA, são fatores que nos fortalecem como banda e fazem músicos e música evoluírem.”, contou Mateus Zuanazzi em entrevista para o Hits Perdidos em 2017


missing takes - pedro mello (3)

Missing Takes. – Foto Por: Pedro Mello


Quando o assunto são influências e inspirações o leque é bastante vasto e abraça do mainstream ao underground. Passando por nomes como Foo Fighters, Green Day, Muse e Red Hot Chili Peppers e Yuck.

Para o novo trabalho que está sendo lançado hoje (30/01) em Premiere no Hits Perdidos eles citam novas referências de grupos como Nada Surf, Sonic Youth, Jeff Buckley, Paramore, Queens of the Stone Age e até mesmo Sandy & Junior.

Missing Takes – We Don’t Have It (30/01/2019)

O terceiro EP dos gaúchos, We Don’t Have It, sai em parceria com o selo Tronco (do Estúdio Casona / Porto Alegre – RS).

O registro que foi gravado em Junho (2018), no Estúdio Casona, teve produção musical e mixagem de Bernard Simon Barbosa e masterização de Rodrigo Messias.

Já na parte gráfica, a capa é uma foto da artista Luiza Reginatto. A concepção de ideia, assim como a tipografia utilizada é do guitarrista Tito Lima.

São 5 faixas e 19 minutos de duração, ou seja, é papo reto e de fácil assimilação. O lofi sai um pouco de cena e as referências de pop acabam por si só transparecendo.



O EP começa logo com “Relapse” com aquela guitarra que o Foo Fighters cansou de transformar em hits nos anos 90. A temática vai de encontro com as das recaídas, algumas como eles mesmo dizem: recorrentes.

Já “Insert Likes” parece buscar referências no rock suéco da mesma década, ou seja, se você gostar de Hellacopters, Backyard Babies, Imperial State Electric e Gluecifer provavelmente irá gostar. Ela ainda traz berros, algo incomum até aqui na discografia da banda.

“Essa faixa é inspirada em um jogo de fliperama de luta, daqueles bem clássicos, que o personagem só pode se mover em um sentido – ou seja, não pode voltar – e tem que vencer as batalhas/inimigos no caminho. Aqui o “jogo” é a vida, com desafios e batalhas que temos que vencer todos os dias. E assim como no jogo, não podemos voltar atrás, o caminho é sempre pra frente. É sobre a resiliência de saber cair e levantar tantas vezes quantas forem necessárias. Além disso, tem várias provocações como “Is all you want, the highest score?” (é tudo que você quer, a pontuação mais alta?).

Será que a vida não é mais que isso? O teor de “resistência” ou “luta” da música também tem a ver com o momento político que vivemos. Não é à toa que essa faixa tem o arranjo mais “pesado”. O título também é uma provocação. Normalmente aparecia nos jogos de fliperama “Insert Coin” (insira moeda), mas trocamos por “likes” para fazer uma menção às redes sociais e à chamada “sociedade do espetáculo” que vivemos, onde as pessoas vivem cada vez mais em função de curtidas e seguidores”, questiona o vocalista

Na sequência vem a strokeana “Just Another”, que inclusive recentemente ganhou um belo videoclipe. Um detalhe para a versão presente no EP é justamente o recurso do violoncelo trazido por Ives Mizoguchi. Transformando ela numa espécie de “Bitter Sweet Symphony” dos gaúchos.



As origens do punk / alternativo dos primeiros trabalhos do grupo voltam a transparecer em “White Lies” que nos remete a sons do pop punk / hardcore melódico de grupos como Face To Face e Satanic Surfers.

Talvez a que traga mais energias novas para o repertório da Missing Takes seja justamente a agradável melodia de “Unicorn (Alternate Lyrics)”. Ela que me lembrou o trabalho de bandas como o Polara, Trevor Keith e Nada Surf  até mesmo em sua temática que é sobre o desejo de sonhar mais alto – além da mediocridade da monotonia do dia-a-dia.

Seu último verso fica ecoando na cabeça feito um mantra: “Fly up high from down and rebound”


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O quarto EP da Missing Takes, We Don’t Have It, mostra novas texturas e possibilidades que o som do quarteto pode percorrer. Agora mais pop e rico em elementos, como o violoncelo no single “Just Another”, eles começam a trazer para o caldeirão novas influências de artistas como Nada Surf, Sonic Youth, Jeff Buckley, Paramore, Queens of the Stone Age e até mesmo Nando Reis e Sandy & Junior. Suas temáticas falam sobre sonhos, recaídas e a insana “caça por likes” nas redes sociais.