White Canyon & The 5th Dimension em registro que dialoga com o universo místico e sensorial explorado no álbum IV. - Foto por: @wagnermelophotoart
White Canyon & The 5th Dimension ança o álbum IV, reforçando sua identidade dentro do rock psicodélico brasileiro.
Em meio ao misticismo de São Thomé das Letras, o White Canyon & The 5th Dimension transforma atmosfera em som em IV, novo álbum que mergulha fundo na psicodelia e expande os limites criativos do duo. Formado por Gabriela Zaith (voz e teclados) e Leo Zaith (voz e guitarra), o projeto — que ao vivo ganha corpo de banda — atravessa o psicodelismo sessentista, shoegaze, space rock, drone, pós-punk e darkwave em uma experiência sensorial densa, construída entre o terreno e o transcendental.
“A proposta do projeto é criar experiências sonoras imersivas, marcadas por camadas de synths, guitarras expansivas e paisagens sonoras cinematográficas”, revela o White Canyon & The 5th Dimension em material enviado à imprensa.
Com discografia iniciada ainda em 2019, com o álbum autointitulado, eles já disponibilizaram os discos Spectral Illusion (2022) e Gardeners of the Earth (2023), além de dois trabalhos de música instrumental Soundtrack for Astral Travel (2022) e The Golden Key To The Kingdom Of No Return (2024). Nesta sexta-feira, 3/4, lança oficialmente seu álbum de estúdio, IV. Essa construção de paisagens, diálogos com o místico, o oculto e a substancial carga de abstração sonora ganha ainda mais camadas lisérgicas no novo disco.
“O disco é uma arquitetura sonora sólida, construída sobre experimentação e maturidade”, revelam os músicos.
A banda é uma das atrações do São Paulo Psych Fest, festival de música psicodélica brasileira, que acontece no CineClube Cortina, casa localizada na República, na região central de São Paulo, na sexta-feira, 10/4, e reúne as bandas Firefriend, Bike e White Canyon & The 5th Dimension lançando o disco IV.
Para reforçar a narrativa esotérica, os elementos da natureza aparecem dentro do conceito de força e expansão sensorial presentes em IV.
“O conceito do álbum se organiza a partir dos quatro elementos — terra, água, fogo e ar — como forças simbólicas que atravessam a experiência humana. A terra dá peso e corpo. A água flui ambiente e conduz. O fogo traz intensidade e tensiona. O ar dá movimento e transcende.
Esses elementos não são apenas referências, mas camadas que se insinuam na estrutura do disco, sugerindo um percurso onde matéria e espírito se atravessam. A dualidade permanece como eixo estético: luz e sombra, ruído e silêncio, peso e delicadeza.”
O material foi gravado em 2025 no home studio da própria banda com produção dos próprios integrantes e a participação de um amigo de Londres que foi responsável por gravar um solo de saxofone em “Alumia Part II”.
Dar o play em IV é definitivamente uma experiência à parte. E muito disso se dá pela capacidade e riqueza de detalhes da proposta sonora. A densidade sonora e o conceito expansivo fazem com que a imersão seja intensa ao longo das suas oito faixas que transitam entre os estilos sem perder a coerência. Esse lapidar de referências e liberdade criativa faz da música experimental que produzem um universo à parte e serve como convite à desconexão do cotidiano das grandes cidades.
O desacelerar acontece naturalmente, entre sintetizadores, uma hora voltados para o space rock, outrora para a psicodelia, assim como a sua narrativa que cria uma atmosfera propícia para se reconectar com a própria essência, entre elementos percussivos tribais, linhas de guitarras cadenciadas e letras que dialogam com o ocultismo.
O som pode ser visto como uma coalizão entre Spacemen 3, Pink Floyd, Dead Can Dance, Black Angels, 13th Floor Elevators, CAN, The Velvet Underground, Pere Ubu, The Cure, Echo & The Bunnymen, The Cramps, Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs, entre outros. Justamente por não ser limitante e por abranger uma paleta sonora diversa, mais complementar do que datada.
O ancestral, a busca por explicações além do plano terreno, a força e a capacidade de transcender acabam complementando a narrativa. A cada audição, o ouvinte acaba reparando em um novo elemento, seja um teclado com efeito, uma guitarra que flerta com o post-punk e nos direciona para a neo-psicodelia, ou um vocal mais sussurrado, entre lampejos do peso do doom metal/stoner rock e uma percussão de natureza xamânica… como é o caso das faixas que abrem o trabalho, “Silver Womb” e “Gravestone Lips”.
Discípulos de Spacemen 3, a natureza psicodélica de “Where The Dreamers Go”, nos guia em direção à jornada de autoconhecimento. Suas distorções e capacidade de abstração conduzem o ouvinte, criando cenários cinematográficos e dialogando até mesmo com a música oriental de artistas contemporâneos como Mdou Moctar e Acid Mothers Temple.
O diálogo com o post-punk acontece com mais intensidade em “Flesh and Bones”, em que o mix entre vocais femininos e masculinos, e a letra que fala sobre expansão e liberdade, criam uma atmosfera estranhamente dançante.
É justamente essa atmosfera ritualística que faz com que as camadas ganhem novos significados e a narrativa não se prenda ao mundano, o que acontece com mais nitidez em “Alummia”, canção que tem parte 1 e parte 2. Canção em que o chocalho, as guitarras, o saxofone e os aclives dos montes e o luar no horizonte, se conectam feito um cortejo.
A mais imersiva de IV é “River Song”, rica em elementos como sinos, percussão tribal, guitarra psicodélica e vocais delicados que nos guiam na jornada pelo plano dos sonhos e possibilidades. Curiosamente, “Wicked Eyes”, faixa que encerra a jornada, me leva para o universo de Nick Cave justamente pela entonação dos vocais e atmosfera apocalíptica, entre o mistério e a narrativa noturna. É também a de natureza mais rock’n’roll do novo disco do White Canyon & The 5th Dimension.
São Paulo Psych Fest
Onde: Cineclube Cortina (República, São Paulo)
Quando: Sexta-feira, 10 de abril
Horário: a confirmar
Line-up: Firefriend, Bike e White Canyon & The 5th Dimension (lançando o álbum IV)
Ingressos: a partir de R$ 55
Vendas: Garanta o seu ingresso
This post was published on 3 de abril de 2026 1:03 am
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