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Casalago Records: selo independente de Jundiaí aposta no rock alternativo e na cena local

Selo independente criado por Gui Godoy tem foco em rock alternativo, shoegaze e indie rock, Casalago Records, além de fomentar a cena de Jundiaí com festivais e novos artistas.

A Casalago Records, selo independente de Jundiaí (SP), surgiu em 2025 com a proposta de fortalecer a cena local apostando em rock alternativo, indie rock e shoegaze. Criado pelo maestro, compositor e produtor Gui Godoy, o projeto vai além da produção musical e atua também na organização de festivais e no desenvolvimento de artistas do casting.

Da dificuldade em produzir shows autorais, e fortalecer a cena independente de Jundiaí, à produção de festivais, a iniciativa tem planos de escalar nos próximos anos e fortalecer intercâmbios com profissionais e artistas de outras cidades. O primeiro festival, realizado em agosto de 2025, foi apenas a semente de um novo ciclo.

“Comecei a correr atrás de show para essas bandas, mas sem muito sucesso no começo. As casas não gostam de abrir portas para o autoral, infelizmente. Foi nesse momento que percebi que teria que abrir minhas próprias portas, e nesse viés surgiram os festivais do Casalago, exatamente com o intuito de divulgar nossas bandas”, desabafa Gui em entrevista exclusiva para o Hits Perdidos.

Atualmente, o casting da Casalago Records, selo independente de Jundiaí, conta com as bandas: Abissal, que carrega influências de dream pop, indie rock e post-rock, e OVM, com referências de pós-punk, rock alternativo e noise dos anos 90.

O maestro é otimista em relação ao cenário dos selos independentes: “Nós vivemos um momento muito próspero para a música independente, os selos estão crescendo, as bandas prosperando. Minha visão para o futuro é que os selos independentes serão dominantes no mercado. Isso está acontecendo diante de nossos olhos. O streaming tem muitos problemas, mas com certeza dividiu o baralho!”


Logo da Casalago Records, selo independente de Jundiaí (SP), voltado ao rock alternativo, indie rock e shoegaze.

Entrevista com a Casalago Records: bastidores do selo independente de Jundiaí

Como surgiu o selo musical e como é o envolvimento no dia a dia com os artistas? Até onde o papel da Casalago Records vai?

Gui Godoy: “Antes mesmo da existência do Casalago, eu já tinha um selo chamado GG AUDIO, no qual eu trabalhava principalmente com música brasileira, mas não tinha muita identidade. 

Durante a gestão desse selo, surgiu a oportunidade de trabalhar com a banda Abissal, que já era conhecida de longa data. Eu já participei da Abissal em outro momento, porém a banda tinha outro nome. Rock é, e sempre foi minha praia. Então, tendo isso em vista, decidi que não queria mais trabalhar com música regional brasileira, e definitivamente migrei novamente para o rock. Foi assim que surgiu o selo Casalago, dedicado ao rock alternativo, indie, shoegaze e afins.

Então, como sempre foi meu papel como maestro, comecei a acompanhar as bandas de perto, frequentando ensaios, participando de decisões e fazendo todo o direcionamento artístico que uma banda necessita, além de gravar, distribuir e divulgar essas bandas.

Porém, percebi que essa necessidade ia além: as bandas precisam de show (risos). Aí comecei a correr atrás de show para essas bandas, mas sem muito sucesso no começo. As casas não gostam de abrir portas para o autoral, infelizmente. Foi nesse momento que percebi que teria que abrir minhas próprias portas, e nesse viés surgiram os festivais do Casalago, exatamente com o intuito de divulgar nossas bandas.

Então, o selo hoje cuida de todo o 360 da banda, desde gravação até divulgação e shows.”

Você é maestro formado pela USP e optou por trabalhar com artistas independentes. Como acredita que esta experiência acadêmica contribui para a gestão, orientação, produção e desenvolvimento do casting?

Gui Godoy: “Como maestro aprendi a liderar músicos e artistas. Tive grandes professores que cobravam uma grande responsabilidade sobre um projeto. No curso eu tive que reger, arranjar, cronogramar, ensaiar e até mesmo cuidar do figurino dos músicos sob minha responsabilidade. Isso me trouxe um grande senso de liderança artística.

Além disso, tem toda a carga musical que eu adquiri ao longo dos anos, que hoje me guia nas minhas produções musicais.”

O projeto surge na região de Jundiaí, interior de São Paulo, quais você acredita que são os maiores desafios no fomento? Como sente que tem sido o intercâmbio entre as casas de shows, parcerias com outros profissionais e as oportunidades para os artistas?

Gui Godoy: “Jundiaí é um solo muito fértil, uma cidade amante do rock com uma carência absurda de entidades que se dedicam a gravar e divulgar os artistas locais. Porém, as casas ainda não sacaram isso. No começo parecia impossível conseguir tocar em Jundiaí, mas depois dos primeiros festivais, começamos a ganhar uma certa visibilidade, o que aos poucos tem aberto portas para nossas bandas.

Mas tenho visto que isso está mudando! Vamos tornar Jundiaí um grande polo do rock, como já foi outrora.

Jundiaí já foi considerada a Seattle brasileira! E vamos trazer essa fama de volta, pode ter certeza.”

A sonoridade escolhida para o projeto abrange o indie rock, psicodelia e shoegaze. A ideia é maturar e continuar trabalhando com artistas deste nicho ou o selo está aberto a artistas que exploram outros segmentos?

Gui Godoy: “No momento o selo visa estabelecer uma identidade e encontrar seu lugar no mercado, por isso estamos focados apenas nesse nicho. Não descarto a possibilidade de expandir no futuro, mas hoje é isso.”

Como surgiu a conexão com as duas primeiras bandas do casting? O que vocês estão conseguindo alinhar e produzir em conjunto em termos de serviços, estrutura e aconselhamento?

Gui Godoy: “Como eu disse, tudo começou com a Abissal, que são amigos de longa data, e é a reminiscência de uma banda que eu já toquei. Já a OVM foi uma indicação de uma banda que já foi do selo, a banda saiu, e a OVM ficou (risos).

O trabalho que faço com eles é muito próximo, e com a lupa aberta. Tudo é decidido em conjunto, e cada decisão, absolutamente todas, passa pelo crivo do Casalago, desde figurino até clipe.

Temos encontros semanais com dias pré-definidos pra ensaiarmos, gravarmos e debatermos assuntos burocráticos e de cronograma. Além disso, como dito acima, me coloco na responsabilidade de marcar shows e divulgar as bandas.”

Uma das tendências dos selos independentes é justamente enxugar o roster de artistas para trabalhar com maior empenho todas as funções que deseja desempenhar enquanto selo. Vocês pretendem trabalhar com mais artistas? Como enxergam o momento dos selos independentes no Brasil?

Gui Godoy: “Sim, pretendo trabalhar com mais artistas. No começo eu era sozinho, tinha que resolver tudo, e isso limitava meu tempo, impossibilitando a chegada de novos artistas. 

Porém, com o avanço do selo, novos profissionais estão se juntando a nós, com skills diferentes, possibilitando a distribuição de trabalho, então com isso, estamos conseguindo adicionar cada vez mais artistas no nosso casting, e espero que isso só se expanda (risos).

Nós vivemos um momento muito próspero para a música independente, os selos estão crescendo, as bandas prosperando. Minha visão para o futuro é que os selos independentes serão dominantes no mercado. Isso está acontecendo diante de nossos olhos. 

O streaming tem muitos problemas, mas com certeza dividiu o baralho!”

Recentemente vocês fizeram o primeiro festival integrando a cena local. O que podemos esperar para este segundo ano que apenas começou?

Gui Godoy: “Já estamos indo para o nosso terceiro festival, sem contar os eventos menores. Estamos ganhando reconhecimento na cena, e com isso estamos trazendo cada vez mais bandas consagradas para somar às nossas nos eventos. 

2026 é um ano em que ainda estamos plantando, mas com bastante adubo (risos). Mas nos aguardem em 2027, não tenho vergonha e nem me sinto arrogante em dizer que estaremos entre os maiores, os resultados dizem isso!”

This post was published on 2 de abril de 2026 8:23 pm

Rafael Chioccarello

Editor-Chefe e Fundador do Hits Perdidos.

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