Internacional

Wade MacNeil (Alexisonfire): “Para mim, toda música boa é sempre muito emotiva”

Conhecido como guitarrista do Alexisonfire, e membro do Gallows e Black Lungs, o canadense Wade MacNeil vem ao Brasil pela primeira vez mostrar outra faceta, a de DJ. Será a primeira vez que o The Only Emo Night Ever, evento em que o músico discoteca um extenso set com muitos hinos emos e do pop punk de diversas eras, virá para a América Latina.

Organizado pela Áldeia Produções, com apoio da Destiny Records e do Bloco Emo, Wade inicia o giro no dia 30 de maio, em Florianópolis (SC, no Célula Cultural); segue dia 31/05 para Porto Alegre (RS, no Opinião) e depois é a vez de São Paulo (SP, Carioca Club), dia 1º de junho. A tour continua dia 06/06 em Curitiba (PR, no Belvedere Bar), dia 07/06 em Rio de Janeiro (RJ, no Agyto) e termina dia 08/06 em Recife (PE, no Estelita). Outros países que recebem o evento são México, Costa Rica e Guatemala.

Em todas as datas, além do set de Wade MacNeil, a The Only Emo Night Ever em cada cidade terá abertura de DJs e bandas. O que esperar do set? Clássicos do Alexisonfire, My Chemical Romance, blink-182, Paramore, A Day to Remember, Yellowcard e muito mais!


Wade MacNeil (Alexisonfire, Gallows) vem ao país para série de DJs Sets – Foto: Divulgação

Entrevista Wade MacNeil (Alexisonfire, Gallows, Black Lungs)

Confira entrevista exclusiva que passa por temas como a primeira vinda do Alexisonfire ao país, sua visão sobre o revival do emo e a revelação de que considera sua banda punk.

Você está vindo para a América do Sul com esse novo evento, The Only Emo Night Ever, com o qual você está viajando o mundo fazendo DJ Sets dedicados a música emo. Você já veio algumas vezes para o Brasil com o Alexisonfire e conhece bem o público daqui. O que você espera dessa festa?

Wade MacNeil: “Eu estou esperando que seja espetacular! Algumas coisas que aconteceram nos shows brasileiros do Alexisonfire que nunca aconteceram em nenhum outro lugar do mundo. Da primeira vez que fomos a São Paulo, abrimos o show com “Young Cardinals” e o público cantava tão alto que eu não conseguia ouvir a bateria. Eu, na verdade, não conseguia ouvir nem a minha guitarra! O nosso baterista costuma bater muito forte e a minha guitarra fica sempre muito alta, mas as pessoas estavam cantando aquela música de uma forma ensurdecedora.

Já da última vez que fomos, começamos a tocar “.44 Caliber Love Letter” (veja o vídeo da catarse coletiva no show em São Paulo) e o público estava cantando o riff da introdução como se fosse um canto de futebol. Eu lembro de pensar: “Caramba, eu estou no Black Sabbath agora!” Para essa música, eu acho que ninguém nunca fez isso em outro lugar do mundo. Isso é muito especial. Eu já fiz muitos shows na vida e para algo acontecer de uma forma tão surpreendente e única, isso é muito raro.

O clima nos DJ sets que fiz até agora tem sido muito divertido e, considerando o que vivi nos shows do Alexisonfire por aí, só posso acreditar que vão ser experiências incríveis.”

O que a respeito da discotecagem que te interessa?

Wade MacNeil: “A primeira coisa é que eu amo sair em turnês e isso é uma coisa para fazer enquanto o Alexisonfire não está rodando, para me conectar com nossos fãs de uma forma diferente. Também a possibilidade de ir a lugares que eu talvez nunca conseguiria ir de outra forma.

Também tem o fato de que adoro ver pessoas dançando e se divertindo. E dançando de uma forma diferente do que acontece nos shows do Alexisonfire, onde há muito mais rodas punk e pessoas colidindo umas nas outras. Isso é sempre incrível, mas a vibe nas Emo Nights é diferente, são pessoas dançando. O que é melhor do que uma pista cheia de gente cantando e dançando?”

Como você falou, nessa turnê você vai se apresentar em cidades as quais você nunca foi, com 12 datas na américa do sul, sendo 6 delas no Brasil, indo do Nordeste ao Sul. O que você mais quer conhecer?

Wade MacNeil: “Essa é a melhor parte das turnês. Poder conhecer cidades que eu provavelmente não conheceria de outra forma, experienciar a cultura e a culinária dos diferentes lugares. É muito legal poder ir a tantos lugares diferentes. Eu particularmente estou muito interessado em conhecer os bailes de cúmbia e samba. É de certa forma uma viagem de pesquisa das músicas locais.”

Qual foi o seu primeiro contato com a música alternativa e o que eventualmente passou a ser chamado de emo?

Wade MacNeil: “Desde jovem eu tive o hábito de ir a muitos shows. No início dos anos 2000 eu comecei a ir a muitos shows de punk, hardcore e emo de forma consistente e, naquela época, nenhum desses gêneros tinha uma grande comunidade de fãs. Portanto, eu fui a vários shows que tinham bandas de hardcore, de emo, de metal, todas no mesmo line-up. Eu lembro de ir a um show do Dashboard Confessional com o 100 Demons, que é uma banda bem pesada de hardcore beatdown. Esse show aconteceu no salão de um clube, um lugar onde normalmente uma pessoa comemoraria o seu aniversário de 80 anos. Isso não era esquisito, de forma nenhuma.

Então nos primeiros shows que frequentei havia espaço para muitos tipos diferentes de música e foi assim que o Alexisonfire começou, tocando com muitas bandas diferentes nos mais diversos lugares. Naquela época nada era específico de uma só cena, e muito do que foi depois chamado de emo veio daí para mim.”

De fato, Emo é um termo muito amplo, que encapsula muitos tipos de música diferente. Tem uma origem no hardcore, mas inclui também punk, metal, pop, rap e por aí vai. Para você, o que define o Emo?

Wade MacNeil: “Emo é realmente uma coisa que segue se transformando ao longo dos anos. O que esse termo significava quando eu comecei a ouvir música é bem diferente do que ele significa agora. Acredito que a linha comum entre essas gerações todas é uma dose de suavidade mesmo nas músicas mais agressivas. Para mim, todas as cenas musicais são uma reação a algo. Acho que o emo é uma reação a músicas que eram muito duras, havia muitas pessoas que não se sentiam confortáveis nesse tipo de música.

Para mim, toda música boa é sempre muito emotiva. Quanto mais emotiva for uma música, mais as pessoas se relacionam com ela. Para mim isso é o que importa de verdade no fim do dia.”

Você está familiarizado com a música emo do Brasil ou de outros países latinoamericanos?

Wade MacNeil: “Tenho que admitir que não estou. Espero aprender bastante durante minha viagem!

Acho que você vai se surpreender! O público brasileiro é muito apaixonado pelas bandas nacionais.

Wade MacNeil: “Isso é muito interessante! Em todas as festas terão DJs locais tocando também e nessas horas estarei curtindo a pista com vocês. Tenho certeza que vou conhecer muita coisa nova e estou muito animado para isso!”

O que você acha que está causando essa volta do Emo?

Wade MacNeil: “Eu acho que a cultura sempre é cíclica. Tudo vai e volta. Nós veremos provavelmente o Emo decair e voltar ao auge novamente, o que vai ser bem estranho. Mas de fato o gênero está em um bom momento. No verão, nós vamos abrir o show do blink-182 em Toronto. Esse show vai acontecer no mesmo lugar que a Beyoncé costuma se apresentar, para você ter ideia do tamanho disso. Nós somos uma banda grande aqui em Toronto, mas o blink é a maior banda do mundo agora. Nós tocamos com eles antigamente em lugares bem menores, é surreal ver as proporções que essa cena tomou.

O gênero está muito popular novamente, e não só com as pessoas que viveram o auge do Emo mainstream nos anos 2000, mas também com pessoas bem mais novas.

Eu acredito que quando você tem uma certa idade e é impactado por uma música, ela sempre vai ter o poder de te transportar para aquela época. Ela sempre vai fazer você se sentir da mesma forma. Se você descobre algo em uma época importante da sua vida, aquilo vai ser importante para você para sempre. Então, por um lado, eu acredito que tem pessoas que conseguiram ver o Alexisonfire naquela época e se sentem assim. Hoje eles são mães e pais cheios de tatuagens. Mas também, a música é muito mais intrigante se você não tem essa conexão direta com ela. Então, pessoas jovens vendo gravações caseiras desses shows Emo nos anos 2000, descobrem que as apresentações de hoje são completamente diferentes das daquela época e ficam fascinados por isso.

Também tem um pouco do que falamos antes, da música ser sempre uma reação a algo. Pra mim sempre tem essa dicotomia entre a música popular e a música underground, em todos os gêneros. Por sorte, agora estamos em um momento em que a música de pessoas tristes com guitarras é popular novamente. Eu sempre me senti confortável nesses momentos.”

Qual a sua opinião sobre as bandas mais novas do gênero?

Wade MacNeil: “Na minha opinião, o Alexisonfire acabou caindo nessa cena Emo, ou Screamo, como quiser chamar, por associação a outras bandas que eram muito próximas a nós, mas nossa origem sempre foi o Punk. O Punk sempre foi a minha casa e é meu maior interesse até hoje. Estou sempre pesquisando novas bandas e tem várias que tem meu interesse.

Para ser sincero, acredito que é um ótimo momento para música pesada, em geral. Tem muito menos gatekeepers tentando ditar o que você pode ou não fazer, as pessoas estão experimentando várias coisas diferentes, movendo os gêneros para frente. Você também não precisa se esforçar muito para encontrar essas bandas, hoje em dia é bem mais fácil descobrir música nova e esquisita. Isso é sempre muito bom!

Se tem uma coisa que tenho orgulho do que fiz com o Alexisonfire é que nossa banda funciona como um primeiro degrau em uma escada da música pesada e da arte de confronto. Se nós pudermos ser o ponto de partida na jornada de uma pessoa que eventualmente se torna fã de algo como Napalm Death, isso é incrível.

Para encerrar a entrevista, você tem alguma mensagem para seus fãs no Brasil?

Wade MacNeil: “Vocês podem parar de me pedir para ir ao Brasil. Eu estou a caminho!”



Serviço – The Only Emo Night Ever no Brasil

30/05 – Florianópolis (SC, no Célula Cultural)
https://www.clubedoingresso.com/evento/theonlyemonightever-wademacneil-alexisonfire-florianopolis

31/05 – Porto Alegre (RS, no Opinião)
https://bileto.sympla.com.br/event/92278

01/06 – São Paulo (SP, Carioca Club)
https://www.clubedoingresso.com/evento/theonlyemonightever-wademacneil-alexisonfire-saopaulo

06/06 – Curitiba (PR, no Belvedere Bar)
https://www.clubedoingresso.com/evento/theonlyemonightever-wademacneil-alexisonfire-curitiba

07/06 – Rio de Janeiro (RJ, no Agyto)
https://www.clubedoingresso.com/evento/theonlyemonightever-wademacneil-alexisonfire-riodejaneiro

08/06 – Recife (PE, no Estelita)
https://www.sympla.com.br/evento/the-only-emo-night-ever–wade-macneil-alexisonfore–recifepe–estelita/2382695

Meet & Greet com Wade MacNeil

Adquira aqui: https://linktr.ee/aldeiaproducoesartisticas

Entrada permitida para maiores de 18 anos

É obrigatório apresentação do documento de identidade

O Meet & Greet acontecerá 30 minutos antes da festa

Em data próxima ao evento, entraremos em contato para passar todas as instruções

VIP
Poster pequeno autografado, copo da edição da festa, ecobag, encontro e foto com Wade MacNeil e até 02 itens pessoais para autógrafo. (ATENÇÃO: Não inclui ingresso para a festa)

R$ 150,00 + taxas do Clube do Ingresso.

Obs: a foto será tirada com o próprio celular.

This post was published on 3 de abril de 2024 3:38 pm

Pedro Carvalho

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