Entrevista

Exclusivo: Čao Laru entrevista Ju Strassacapa (Francisco, El Hombre)

Entre os dias 01 e 06 de junho, a Čao Laru realiza o Festival Libre. O festival consiste em uma série de 6 shows inéditos transmitidos no Youtube. Cada espetáculo tem a participação de uma artista diferente: Ju Strassacapa (Francisco, El hombre) (05/06), Ekena (01/06), Graciela Soares (02/06), Anná (03/06) e o grupo Ykamiabas (04/06) e uma apresentação solo no fechamento apresentando o inédito show “Libre” (06/06).

Os shows online acontecem sempre às 19h, com transmissão no youtube da banda, formada por Pedro Destro (baixo), Noubar Sarkissian (voz, cavaquinho e sanfona), Léa-Katharina (voz, sax e flauta), Nicole Bello (voz e dança), Joel Rocha (guitarra, rabeca e violão) e Edson Silva (bateria, gaita e dança).

Em seus respectivos dias, as convidadas participam de 4 músicas, duas de seu próprio repertório e duas da Čao Laru. Entre uma canção e outra, banda e artistas conversarão sobre sua relação musical e temas como empoderamento feminino, meio ambiente, política e gênero.
“Esse momento foi um dos mais legais. Ouvíamos as músicas delas como fãs, mas é um ‘outro ouvido’ quando vamos tocá-la. Nós sugerimos músicas nossas que imaginávamos que seria interessante elas participarem, e elas fizeram o mesmo, nos trazendo as canções delas que ficariam legais com a pegada da Čao Laru, explica o baixista Pedro Destro sobre a imersão no repertório dos outros artistas

Durante os intervalos das gravações, a Ju Strassacapa e a Čao Laru entrevistaram um ao outro sobre temas como música, amizade entre as bandas Francisco, El Hombre e Čao Laru, meio ambiente, gênero, entre outros temas.

O resultado fará parte do podcast na série “Kombicast”, e estreará nas próximas semanas. Mas hoje no Hits Perdidos com exclusividade você confere um trecho desta conversa.


Čao Laru e Ju Strassacapa (Francisco, El Hombre) durante as gravações do show – Foto Por: Rafael Michalawski


Bate Papo: Čao Laru e Ju Strassacapa (Francisco, El Hombre)

Confira um trecho da conversa com exclusividade. O resto você poderá ouvir em breve no Podcast oficial da banda.

Noubar: “Como tá sendo pra você essa experiência de tocar com a Čao Laru?”

Ju Strassacapa: “Eu sinto que a vida dá umas voltas… É como se a Čao Laru e a Francisco, El Hombre estivessem rodando em epicentros diferentes e às vezes quase se cruzando, e agora finalmente encontramos, ainda que aqui seja só eu. Foi muito lindo ter contato mais próximo com o que vocês fazem: com as inspirações e com o que vocês colheram depois de passarem por tantos lugares.

Eu achei muito lindo cantar “Não Estaremos Sós”, me arrepiei várias vezes quando estava estudando ela. Essa música me traz um sentimento que eu reconheço na Francisco, El hombre, uma coisa nutridora, de coletividade, de trupe…de “não estaremos sós” mesmo.”

Noubar: “E acaba sendo uma coisa realmente de duas mãos, porque a gente se inspirou muito na Francisco, eu sempre falo isso. Desde conhecer vocês na Unicamp, isso foi um dos motivos que nos fez pegar a estrada. Inclusive, uma vez, a gente fez uma loucura: estávamos aqui em Campinas (SP), era umas 14h e ia ter um show de vocês em Guarulhos (SP) às 16h.

Eu falei pra banda: “galera, vocês não querem conhecer o som da Francisco, El Hombre, que é a banda que eu sempre falo?”, e eles “mas onde é o show?”, e eu “fica a umas 2 horas daqui”, aí todo mundo “então temos que sair agora!”. Aí chegamos de kombi, vocês estavam começando o show…”

Ju Strassacapa: “Eu lembro disso!”

Noubar: “Vocês chamaram a gente pro camarim e a galera ficou emocionada. Foi uma dessas voltas que o universo deu pra depois a gente se encontrar aqui também. Lembrei de uma outra conexão: a gente estava no México, que é um país que a Francisco tem uma relação super forte.

Na época, a gente tinha baixista mexicana e estávamos fazendo uma turnê. Foi lá que compusemos “Teu Dólar Não Vale Mais”, que dialoga com “Tá Com Dólar, Tá Com Deus”, e quando fomos gravar, convidei você sem muita esperança que você fosse responder…”

Ju Strassacapa: “Hahaha!”

Noubar: “E você foi super carinhosa e topou gravar com a gente. Tenho certeza que a música tocou mais corações, chegou em mais gente por conta disso.”

Ju Strassacapa: “Ah, que coisa linda, véio! É bonito saber que a Francisco, um bando de pessoas que estavam perdidas, sem saber o que fazer, botou o pé na estrada e realmente se jogou. E que bonito saber que isso inspirou outras pessoas a fazer a mesma coisa, como vocês.

Cada coisa que um coletivo aprende, facilita e abre caminho para outros coletivos. Eu sou uma pessoa bem de somar, é difícil eu dizer não. Só quando eu não cito muita ressonância é que eu falo “não, sinto muito”. Mas sempre teve uma conexão entre nós e muito carinho, mesmo que distante.  

Destro: “Levando pra um outro lado, eu queria te perguntar sobre composição. Nesse sentido, queria saber de “Sonho Ritual”, como foi o processo dela?”

Ju Strassacapa: “Boto fé! Tem algumas músicas na minha vida que vieram de sonhos, seja a melodia ou o tema. Mas, nesse caso, eu estava fazendo vários processos de autoinvestigação e fazendo um tratamento com obsidiana, uma pedra vulcânica que traz muita coisa à tona.

Eu tava na Argentina, um pouco antes da pandemia, lembro que a Amazônia tava pegando fogo e eu tive um sonho, um sonho muito lúcido, muita consciência das minhas emoções. Uma coisa de não se deixar levar por uma luz de superfície, por algo que não interesse, e eu sentia um chamado de descer uma escadaria; lá, encontrei umas mulheres que estavam todas voltadas para o mesmo ponto – que eu entendi ser o centro da Terra -, as mulheres usando túnicas, meio bruxas de outras eras. E eu ouvia um tamborzão, tipo coração da Terra, rolando aquele ritual. Mas num momento, eu me distraí, e o cenário mudou, e eu fui parar num lugar muito nada a ver.

Então, quando eu acordei, eu comecei a escrever sobre isso e guardei. Depois, encomendei um tambor, aprendi um pouco a tocar e peguei essa letra, e logo a música veio inteira.”

Destro: “Sensacional!”



Serviço:

Festival Libre com Čao Laru, Ju Strassacapa, Ekena, Graciela Soares, Anná e Ykamiabas
De 01 a 06 de junho, às 19h
Apresentação: Nina Souza
Produção: Čao Laru e Navegar Comunicação
Captação de áudio e mixagem: Otávio Carvalho
Captação de imagens: Biscos
Iluminação: Rafael Michalawski

Todos os shows acontecem no Teatro Castro Mendes e no Espaço Cultural Maria Monteiro, ambos em Campinas (SP). O projeto foi contemplado pelo ProAC do estado de São Paulo, via Lei Federal Aldir Blanc.

Rafael Chioccarello

Editor do Hits Perdidos, organizador dos Tributos aos Titãs, Pato Fu e Autoramas. Parceiro da Mutante Radio, Spotify e Curador do UDIGRUDI, programa de videoclipes da Play TV. Nas horas vagas pesquisa sobre música e tenta assistir a maior quantidade possível de shows. Siga o Hits no Instagram: @hitsperdidos

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