O frescor do novo disco do Adulkt Life faz Chris Rowley (ex-Huggy Bear) parecer um jovem de 55 anos digno de dividir palco tranquilamente com bandas como IDLES e Fontaines D.C. ou Savages. O ex-vocalista da banda de Brighton, integrante do movimento riot grrrl dos anos 90, traz para si conflitos da vida adulta de uma forma punk, brutal e com direito a expor conflitos internos.

Sexo, confusão, repressão, violência, existencialismo e poesia marginal acabam aparecendo ao longo das suas 10 faixas de uma forma própria e muita vezes dando voltas em círculos.

Do punk rock fica mesmo a narrativa, já a sonoridade flerta com o post-punk, hardcore e aquele lado mais caótico de bandas como Circle Jerks The Fall somada sujeira do The Exploited.


Adulkt Life Book Of Curse

Adulkt LifeFoto: Divulgação


A faixa introdutória tem até uma levada new wave com direito a metais que lembram muito o jazz punk de grupos como The Cravats e as pirações do próprio The Fall. “JNR Showtime” chama para a linha de frente com uma energia nuclear no melhor estilo anarquista e obscuro dos Wipers – que Kurt Cobain tanto venerava.

A crueza de “Whistle / Country” vai agradar a quem gostar de OFF! tanto pela duração como petardo sonoro. A versatilidade da banda é algo a se comentar, repare quantas referências já citei por aqui, em “Taking Hits” vai do obscuro do post-punk a simplicidade de grupos como Guided By Voices. Ao longo do disco você ainda encontrará outras soluções de uma banda que é punk por essência mas que logo no primeiro disco encontrou sua identidade e forma de se reinventar; algo que deixa clara a experiência e tato dos integrantes.

Adulkt Life Book Of Curses

A narrativa nada linear, e niilista, deixa clara a identidade da banda londrina que surpreende justamente por fazer um som que ao mesmo tempo que possa parecer datado: é extremamente moderno. A sensação que fica é que se John Peel estivesse vivo ele com certeza chamaria para tocar em seu aclamado programa.