Em meio ao isolamento social e quarentena nada melhor do que manter um certo equilíbrio entre a animação e serenidade para nos mantermos sãos. E quem traz esse valioso e considerável encontro é a Academia da Berlinda.

A banda pernambucana está sem lançar um disco há quatro anos, mas isso muda hoje (27) com o lançamento de Descompondo o SilêncioO trabalho nasceu de uma parceria com o Coala.Lab (plataforma de projetos musicais do Coala Festival). 

Academia da Berlinda


Academia da BerlindaFoto Por: Bruna Valença


O grupo é formado por Alexandre Urêa (voz e timbales), Tiné (voz, pandeiro e maraca), Yuri Rabid (baixo e voz), Gabriel Melo (guitarra), Hugo Gila (teclados), Irandê Naguê (bateria e percussão) e Tom Rocha (percussão e bateria).

Os 7 se conhecem desde a infância e trazem consigo um som original que faz até quem não é muito próximo do ritmo se encantar. A Academia da Berlinda nasceu em 2004 e até o momento possui três álbuns – Academia da Berlinda (2007) e Olindance (2011) e Nada sem ela (2016). 

As inspirações passam por Olinda, pelo amor e também pelo cotidiano. Entre influências pernambucanas e afro-caribenhas, a banda dá o ritmo à emoção. No campo das referências musicais o grupo traz para o caldeirão o frevo, coco, maracatu, cavalo marinho, ciranda, forró, cumbia, afrobeat e carimbó. 

Faixa a Faixa

O álbum começa por “Derrotas e Vitórias”, introduzindo o que orquestra a vida, os percalços e vitórias aproximando indivíduos. Um questionamento de onde viemos e pra onde vamos “empatia que se cria quando observamos que somos iguais, com as mesmas dificuldades, derrotas e vitórias diárias”, conta Yuri.

Com a percussão a todo vapor a segunda faixa do álbum, “Fala”, usa o tom para desabafar sobre a fala daqueles que um dia souberam usar das palavras mas que no fim não representam mais, que falam e falam mas se perderam no meio de todo poder e mentira

“se pra mim já está demais, pra alguém há está pior eu sei”.

Já “Calma”, como o nome já diz, traz a brisa, o “som da natureza” e calma que o momento necessita. Seguindo com cuidado pra viver em meio a pressa

“Se tá tudo muito lindo, se tudo é muito louco, quero ver você chegar pra esquentar o coração”

“Tudo que é Bonito” mostra a velha mania de comparações que fazemos e colocamos em rankings sobre o que é mais bonito, o que é melhor. Cada coisa tem sua beleza, não precisando desmerecer ou diminuir a do próximo. Cada coisa ou alguém teu seu lugar ao sol.

Chegamos na metade do álbum com “A Música Não Para”, mostrando o quanto a música tem papel importante na nossa vida. Em cada canto ela entra na trilha sonora da nossa vida, de um acontecimento. Acreditar que a música faz a diferença pois ela é um grito que ecoa por multidões, é ela que move quadros e histórias.

A Segunda parte de Descompondo o Silêncio

Já em “Semente do Semba” é a esperança de um futuro melhor, não deixando de agradecer dia após dia, mas também semeando a semente para que a esperança e amor continue perpetuando.

A sétima faixa, “Estrela do Norte”, mostra um ponto de guia de uma energia sem fim, em uma longa jornada em meio à multidão com muita língua afiada em uma disputa afiada por um lugar.

“Dia a Dia” é aquela canção pra dançar juntinho. Detalha o dia a dia, as distrações e passatempos feitos enquanto aquele encontro tão esperando ainda não chegou.

“Solução” mostra a compreensão para um problema. Muitas vezes sozinhos não encontramos soluções, mas quando temos ajuda as coisas se tornam mais fáceis e com uma visão diferente de fora o que antes poderia ser impossível pode se tornar mais maleável. Com compreensão e paciência encontrando a solução.

Última faixa do álbum, “Rude” tenta entender o que há por trás de alguém tão rude, que já foi tão importante. Mantendo a esperança que um dia o amor mude esse ser.

Descompondo o Silêncio

Descompondo o Silêncio traz consigo muitas paisagens, como a praia e o mar, com uma certa calma e leveza pra pensarmos e saborearmos o que o álbum tem de melhor. As letras navegam por assuntos intensos, mas com contornos de leveza.

De sensações despertadas pela paixão, passando por igualdade social e questionamento sobre o que é beleza, até a própria tranquilidade que envolve a sonoridade do grupo.  O álbum foi gravado no Estúdio Marini, no Rio de Janeiro, por Mauro Araújo. Produzido e mixado por Kassin, e a master por Robert Carranza (Los Angeles / CA).

Novo álbum da Academia da Berlinda