A Contando Bicicletas resolveu comemorar o aniversário de seu debut, Se Quer Aventuras, com estilo. Primeiro porque optaram por lançar em primeira mão no programa Udigrudi da Play TV seu mais novo videoclipe.

Segundo porque escolheram logo uma das canções favoritas dos fãs. Nada mais justo, não é mesmo? A faixa escolhida para celebrar a marca foi justamente “Chave do Olimpo”.

“Essa música era uma favorita do nosso público já desde antes do lançamento do álbum. Era a música que ficava na cabeça depois de tocarmos e que as pessoas vinham nos dizer que mais gostaram.

Depois que saíram todas as músicas, ela se tornou um dos momentos mais memoráveis do show, de maior conexão com a plateia cantando junto”, conta o vocalista Luiz Felipe Fonseca. 


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Contando BicicletasFoto Por: Pedro Arantes


Inspiração

A produção audiovisual foi dirigida por Luiza Quental e realizada por toda a banda, com participação de amigos e parceiros. Uma das motivações da canção e clipe é justamente mostrar a força da busca por objetivos pessoais fora da zona de conforto.

Tanto o roteiro quanto a composição foram inspirados no poema “Instruções Para a Observação da Lua Cheia”, escrito por Raphael de Aquino.



“É daí que vem a ideia do Manual de Observação da Lua. O resto veio das nossas interpretações da mensagem da música mesmo, o que resultou nesse personagem que fica tentando diversas maneiras ‘fáceis’ de se sentir completo, feliz, realizado e encontrando apenas decepções.

No final, o melhor resultado é no viver o mundo ao seu redor e as conexões humanas presentes nele, por mais simples que sejam”, completa Luiz Felipe.

Chave do Olimpo

O videoclipe é estrelado por Samuel Valladares e Nina Tomsic, tem direção de fotografia de Anthonio Andreazza e de arte de Jessica Cirino. Além claro da direção de Luiza e figuração dos amigos Gabriela Scardini, Debora Bittencourt, Rafael Ferrão e Fernando Pompeu Neto.

Já seu roteiro é assinado por Luiza Quental, Luiz Felipe Fonseca, Luan de Souza Oliveira e Rafaela Barreto.



A narrativa do vídeo converge na linguagem que se propõe e faz uma “ponte transmidiática” entre o campo da poesia, música e do audiovisual.

Trata de mostrar os obstáculos, a pressão da sociedade pelo “sucesso” e as tentativas que apenas quem sai da zona de conforto consegue explorar.

Tudo isso com o uso de metáforas, elementos visuais e abstração. Dando margem a imaginação de quem assiste a decidir qual será a continuação desta história. Feito a vida tudo se repete mas a força de vontade que faz com que novas aventuras tenham novos começos, meios e fins.

Entrevista

Conversamos com os músicos para saber mais sobre o videoclipe, o aniversário do disco e muito mais. Confira o papo logo abaixo em entrevista para o Hits Perdidos.

Expectativa de lançar
o novo clipe

Matt: “Acho que lançar um clipe é sempre um grande marco para uma banda. Tanto para quem já ouviu a música ou quem está conhecendo ela pela primeira vez, é um convite para interpretá-la de um outro ponto de vista, para além do aspecto sonoro. E é algo que enriquece bastante a experiência com a música e o que você pode tirar dela.

Então a gente espera que o clipe seja algo que torne a experiência das pessoas com nossa música ainda mais envolvente, e nos ajude a atingir ainda mais ouvidos por aí.”

Luiz Felipe: “A gente sabe que o aspecto audiovisual é muito importante na música hoje em dia. E acho que foi você, Rafael, que comentou em algum artigo recente sobre como todas ou quase todas as principais figuras das listas de “melhores álbuns do ano” têm dado uma atenção especial a esse aspecto.

Nosso primeiro single, lá em 2017, foi lançado direto com um clipe. Foi quando conheci o Hits, porque ele entrou para uma lista de clipes lançados no mês. Quando a gente tava lançando o “Se Quer Aventuras”, acabou não rolando de fazer algo parecido. Era importante para a gente oferecer também esse complemento para o nosso álbum.”


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O videoclipe teve Premiere Exclusiva ontem no Udigrudi (Play TV) em parceria entre o Hits Perdidos e a TV.


Como foi pensar no roteiro e
o quanto acham que dialoga
com a temática da canção?

Luiz Felipe: “Assim que juntamos a equipe de amigos que topou participar desse projeto com a gente, fizemos várias reuniões com todos juntos conversando sobre o que cada um esperava e gostaria de fazer.

A conceituação toda foi feita em grupo, com todos trazendo ideias. No final, acabamos nos baseando principalmente na própria interpretação que a galera tinha da canção em si e também em um poema que inspirou parte da letra: ‘Instruções Para a Observação da Lua Cheia’, escrito pelo nosso amigo Raphael de Aquino.”

Felipe Ribas: “A busca pela Chave do Olimpo é sobre o processo. A equipe – nosso grupo de amigos – se envolveu tanto, em tantos encontros, tudo para o objetivo final, que é o clipe pronto. Mas penso agora que o produto final foi um detalhe. Todo fim é imperfeito, inacabado; mas o processo é perfeito, os encontros são realizações, os momentos são eternos.

Essa é a Chave do Olimpo! “Se a gente parar / Pra viver nosso mundo, já estamos lá” – já estamos! Não “estaremos”. Por isso posso dizer que o processo de construção do roteiro até a finalização do clipe foi a própria busca pela chave. Amei o clipe? Óbvio! Mas ele vai envelhecer, vai passar esse momento dele. Os aprendizados que ganhamos durante o processo, as “chaves do olimpo” que achamos ao longo dos encontros – isso não passa, isso fica.”

Luiz Felipe: “Eu diria até que o processo é imperfeito também. A temática da música é principalmente sobre isso, na verdade. Não existe perfeição, se a gente ficar idealizando tudo nunca vamos preencher nossas expectativas, é melhor viver o nosso mundo e viver os processos.”

Felipe Ribas: “É melhor não criar expectativas.

Luiz Felipe: Isso também! (risos) No clipe, a gente vê o protagonista tentando vestir essas roupas e achando que vai ser fácil encontrar sua identidade e um sentimento de completude através delas, mas é isso que o Ribas falou, ele tá querendo pular pro fim e se frustrando porque o fim é imperfeito, não é o que ele imaginava.”

Como foi a produção?

Matt: “Para mim a melhor palavra que resume a experiência é “gratificante”. Foi algo incrível ver tantos amigos envolvidos por inteiro nesse projeto e eles toparem tirar a ideia do papel com a gente e fazer algo de que todos possam se orgulhar.

Por ser uma produção inteiramente independente, tivemos muitos aprendizados ao longo do caminho e vários imprevistos, mas ao mesmo tempo tínhamos total liberdade para experimentar e fazer o clipe que realmente queríamos.

E no final o clipe serve como mais um exemplo de que, sim, é possível fazer algo com bastante qualidade mesmo se você não tiver uma produção enorme por trás. Basta juntar um grupo de pessoas com o mesmo brilho nos olhos que você e que acreditam no projeto.”

Com o disco lançado no ano passado,
quais os futuros planos?

Luiz Felipe: “Lançar nosso primeiro álbum foi uma experiência sem igual para a gente e no ano desde então conhecemos muita gente nova e tivemos várias outras experiências novas. Isso tudo nos deixou com vontade de correr atrás de ainda mais possibilidades.

Os principais objetivos que colocamos para nós mesmos para esse ano eram: lançar esse clipe e fazer um show em São Paulo. Então fica claro para a gente qual o próximo passo! (risos).

Além disso, acho que a ideia é ir trabalhando juntos em novas músicas e planejando futuros lançamentos. Acho que queremos que isso seja um esforço em conjunto e feito com calma e cuidado para garantir a qualidade que nós mesmos esperamos, então não vamos ter pressa. Nesse meio tempo, podem vir alguns vídeos ao vivo e mais shows em novos lugares com novas pessoas que ainda não alcançamos!”

Ouça o Debut

O álbum que foi gravado no Casebre e Studio Verde, contou com produção de Hugo Noguchi (Ventre, SLVDR, Xóõ) e Pedro Tambellini (Mara Rúbia) e tem como características a fusão de estilos como a MPB, ao rock progressivo, rock psicodélico e muita experimentação.