Ser jovem é dar asas a nossos sonhos. É não temer o amanhã. É vislumbrar um futuro por mais incerto e distante que ele pareça. É tentar, testar e muitas vezes notar que as coisas não são bem assim. É entender e ter a certeza de que a responsabilidade uma hora chega e que não tem muito como fugir da (inevitável) chegada da vida adulta.

Esse período de experimentação e compreensão do mundo acaba transparecendo no segundo álbum do power trio carioca, Carmen. Assim como a banda fluminense Drápula, eles dialoguem com os dramas vividos pelos millennials.

A Carmen tem apenas 2 anos de existência e o aprendizado vem justamente do dia-a-dia e troca de tweets e experiências com seus fãs. Sendo tudo fazendo parte de um processo de amadurecimento coletivo. Talvez por isso que eles tenham em tão pouco tempo gerado tanta identificação.

Os assuntos são os mais diversos, não é a toa que “Talk To Much”, faixa título fala de um tema tão adolescente: o da descoberta. O single narra a dificuldade em ler os sinais que diferenciam a amizade platônica do interesse sexual.

Entre o querer, a “friendzone”, a confusão mental e o não se sentir preparado para vivenciar tudo aquilo. Dramas juvenis que a cada geração parece ser introduzido de uma maneira diferente mas no fim: são todos jovens e querendo explorar / exercitar sua sexualidade.


Carmen por Bruna Evaristo

Carmen. – Foto Por: Bruna Evaristo


Carmen “Talk To Much” (28/03/2019)

Lançado no começo do ano o álbum Talk Too Much aborda questões intimistas e pessoais em suas letras. Nesta quinta-feira (28) os cariocas lançam o videoclipe para a faixa título em Premiere no Hits Perdidos. O vídeo conta com roteiro de Matheus Costa (vocal e guitarra) e Lucas Serra (baixo), e direção do próprio Matheus.

O registro é também a primeiro videoclipe após uma série de mudanças na linha de frente. Atualmente o power trio além de Matheus e Lucas conta com João Vitor Alves na bateria.

Para dar narrativa a dificuldade em ler os sinais que diferenciam a amizade platônica do interesse sexual eles optaram por explorar metáforas. Inclusive brincando com tomadas curtas e cenários que vão da solidão a tocar no meio de uma floresta.

“Nós tivemos essa ideia muito legal de aproximar e afastar os objetos na cena, criando esse efeito ‘dramático’, mas ao mesmo tempo fica esteticamente agradável de se assistir. Nós tínhamos muitas ideias e pensamos: ‘Como colocar todas elas dentro de um clipe só ao mesmo tempo fazendo sentido para a história?’ e foi assim que o clipe nasceu.

Eu estava obcecado por pinturas expressionistas e neo-expressionistas, que apesar terem seu próprio significado, têm muitas referências a cultura pop da época que as pinturas foram feitas. Gostamos de dizer que esse clipe é uma ‘pintura abstrata em forma de audiovisual’”, analisa Matheus, que assina a direção do vídeo.

Uma curiosidade do vídeo fica justamente por conta do desafio que eles se propõem:

Dividir cada tomada em apenas 5 segundos. Repare ao assistir como isso provoca cortes bruscos, transições inusitadas e cenários ainda mais cômicos. Os elementos caprichosamente colocados consegue traduzir um pouco da confusão da letra e pronto: a arte está criada.



O som vai agradar a fãs de Vampire Weekend, Wombats e Arctic Monkeys (dos primeiros discos), já a produção audiovisual brinca com a imaturidade, insegurança, busca por descobertas e carrega uma tensão no ar.

Perceptível em cenas como o ovo fritando na frigideira (funcionando como metáfora para a perda de controle), a camiseta da banda queimando no varal (mostrando a força dos impulsos), a Coca sendo “ovo” e o ovo sendo “coca” (WTF! nonsense) e as garotas “literalmente esfaqueando” seus – confusos, incontroláveis e torpes – sentimentos.

O vídeo é o terceiro clipe do álbum, confira também “Give Up, I’m Not Into You” e “Meeks” que inclusive já passou no Udigrudi na Play TV com o selo Favorito do Hits Perdidos.

Ouça: Carmen
“Talk To Much”