Poucos vão embora com todo esse carinho que o Miranda teve. A razão disso vai desde o respeito pelo seu trabalho – e legado – mas também pela pessoa humilde, atenciosa, divertida, descontraída e cheia de luz.
Você não precisava conhecer toda a sua carreira ou saber de todos os artistas ou discos que produziu, bastava uma conversa de 10 minutos que você aprendia algo novo ou conhecia uma banda que viria a estourar ou até mesmo que você deveria ter conhecido antes.
Lembro de uma reportagem da época da MTV Brasil em que foram na casa dele e entre relíquias e pilhas infindáveis de discos que guardava com tanto carinho, tinha uns 4 ipods de 180 gigas cheios. Ele dizia que era necessário e que tinha muita coisa que ele tava ainda conhecendo.
Ele não parava nunca. Muitos vão lembrar da importância que ele teve para o Rock dos anos 90, da Banguela Records e de tantas bandas que ele ajudou deste período. Outros lembrarão do Ídolos. Mas ele não se restringia ao rock, era uma enciclopédia ambulante, sabia falar sobre qualquer estilo, apreciava a música como poucos e nunca parou de ouvir demos, EPs e discos – e dar seus toques. Nunca deixou de ser autêntico até quando não gostava de algo, fazia uma brincadeira com isso e a pessoa ficava feliz.
Não tinha mau tempo com ele. Tive a oportunidade de ter algumas reuniões com o Velhinho – jeito que chamava todo mundo – e ele entrava na sala com uma áurea enorme, brilhava. Com seu jeito humilde, popular ele chegava brincando, fazia questão de cumprimentar todo mundo, perguntava sobre como estava e se algo que sabia que estava fazendo – tinha rendido frutos. Chegava contando piadas, com riso fácil, jeitão de eterno moleque. Nunca deixou de ser.
Se você perguntar para qualquer um que tinha o mínimo de contato irá te contar uma passagem boa ou alguma história pitoresca que tinha ouvido dele. Um cara de muitos amigos, altos e baixos e uma fantástica coleção de artefatos.
Mas quando o assunto era trabalho ele ligava seu lado culto e estrategista e sabia do que estava falando. Um cara raro. Um espelho para todo mundo que de alguma forma trabalha ou se envolve com a música.
Vai lá dar um abraço no Kid e traz umas fitas K7 para a gente, Velhinho!
Rafael Chioccarello – Editor do Hits Perdidos
This post was published on 23 de março de 2018 10:10 am
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