Lucas Nadalini funde o Jazz, o Hip-Hop e a MPB em seu novo álbum

O termo jazz fusion surgiu nos anos 60 através da rica mistura de elementos de outros gêneros ao jazz. Em princípio misturava jazz com rock, funk, R&B e Latin Jazz mas conforme foi se desenvolvendo foi abraçando diversos estilos. Da experimentação e improviso veio a áurea do estilo.

O artista que falaremos hoje consegue fazer essa ponte do jazz moderno e versátil de grupos como o BADBADNOTGOOD (Ouça no Spotify) indo de encontro com o hip-hop e o lo-fi hip-hop (que tem sido febre na internet), a música eletrônica e a MPB.


FOTO
O músico Lucas Nadalini acaba de lançar seu mais novo trabalho. – Foto Por: Isabela Rosengarten Rios

O músico paulista Lucas Nadalini Romero, nascido em Jundiaí (SP), vem desde 2016 trabalhando de maneira completamente D.I.Y. seus até agora três álbuns. Lucas que também é arquiteto e reside na capital paulista desde 2012. Ele tem produzido todos seus discos em seu próprio homestudio.

O último, Anastilose Agastopia, foi lançado na semana passada através do canal de youtube belga, especializado em jazz, Marcel The Drunkard. O registro conta com 6 faixas inéditas e flerta além do jazz com estilos como o hip-hop, música eletrônica e a MPB. Assim carregando elementos que modernizam o jazz fusion sessentista.

Para a arte da capa ele convocou o artista plástico e tatuador Arthur Tuco que disponibilizou algumas colagens. O disco sucede o EP SCCM (2017) e o álbum EQPAm (2016).


TODAS INFOS
As artes do EP foram feitas pelo artista plástico Arthur Tuco. – Foto: Divulgação

Segundo o músico:

“Esse trabalho reflete minha transição da guitarra para o piano, consiste em seis faixas compostas no instrumento entre 2015 e 2017, gravadas em piano eletroacústico e pós-produzidas entre Julho e Dezembro de 2017, em meu homestudio em São Paulo com sintetizadores analógicos, um teclado digital e samplers.

A ideia central do álbum, está relacionado com seu título, e com sua arte de álbum, a abrangência de gênero musical tem sua principal influência no jazz e na música eletrônica, mas frequentemente dialoga com MPB, Alt. Rock e Hiphop.”, conta Romero

Para que entendermos mais dessa mistura o músico através de suas redes sociais disponibilizou duas playlists com artistas e bandas que ouviu durante o processo. Uma de Jazz e outra de hiphop/rap.

“A “Jazz 2017″ conta com alguns grupos que possuem uma leitura contemporânea do jazz, misturando elementos do hip-hop, erudita, funk, música latina e nipo-americana como BBNG, Alfamist, Takuya Kuroda e a banda brasileira Zamba.”, diz o músico em suas redes

LRomero – Anastilose Agastopia (28/01/2018)



O disco se inicia com “Prosopopeia” esta que traz desde o começo beats do hip-hop que se somam ao piano. Conforme progride os outros elementos como a guitarra e a batida vão sendo incorporados, desta forma a influência de bossa e mpb conseguem transparecer.

O interessante é justamente ver como a canção é mutável e vai indo para direções diferentes ao longo de seu andamento. Sabe brincar com as texturas. Ora viaja pelos samples do lo-fi hip-hop, ora experimenta batidas e grooves.

“Dança no Intervalo” já se inicia com um tom mais intimista mas logo cai na “farra” e te estende o braço para a dança. A música eletrônica ganha espaço no melhor estilo trilha sonora de filme do 007. A faixa não perde o swing, nem o rebolado, e flutua pelo experimental. O piano age como uma pequena grande orquestra.

Com uma levada mais R&B, jazz e beats eletrônicos, “Frank Meets Eddie”, já é um pouco mais viajante como os sons do BADBADNOTGOOD. Há espaço para a experimentação, samples de metais e improviso. Mas ao mesmo tempo: a seriedade se faz presente.

“Nimbus” já é uma faixa mais sensível, com notas mais serenas e desembocam em uma batidas de sintetizadores. Poderia ser trilha de um personagem errático mas persistente em um drama como 8 Mile.

O interessante mesmo são as curvas e nuâncias que ela vai desenvolvendo ao longo de seus quase 5 minutos. Lá pelo quarto minuto ela vai se tornando mais dark e flerta ainda mais com a eletrônica, da mesma forma que o Radiohead costuma fazer.

Nos aproximamos da parte final do disco com “Bruxas e Astronautas”. Essa que consegue passar o ar de imensidão, distância, sonhos e possibilidades que lutamos enxergar o tempo inteiro. Os beats dão a noção de profundidade e a percussão dá o ritmo.

Ela tem seus momentos, suas subidas e decidas, inversões e quebras de ritmo; e talvez seja isso que a faça soar como um math-rock/post-rock mesmo sem ser feito por uma banda completa. Fãs de Mogwai, toe e do Jazz com certeza vão captar o feeling desta canção que transpõe a barreira dos sentidos e da metafísica. Acredito que seja o Hit Perdido do álbum.

Para fechar temos “A Fome do Absoluto” que acredito que irá agrada a fãs de Kalouv por seu aspecto de “trilha para videogame”. Ela poderia ser facilmente a trilha para alguma fase de algum jogo de videogame da infância, como Sega Mega Drive ou Super Nintendo. Sua progressão é interessante e faz com que você viaje para outras dimensões.


CAPA


O novo registro de Lucas Nadalini é rico por saber modernizar o jazz e a música erudita com uma linguagem que dialogue com os tempos que temos vivido. Onde estilos como a música eletrônica, o hip-hop e o rap são os preferidos da nova geração. Mas isso não basta, ainda faz o resgate da MPB – e da bossa nova – e flerta com o rock alternativo. Talvez essa seja a graça da construção de suas 6 canções que compõe o terceiro trabalho do artista paulista.

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